“MISFITS”: O CAMINHO BRITÂNICO DAS SÉRIES

A formula de super-heróis e super poderes é muito batida hoje em dia, tanto nos quadrinhos como na TV e nos filmes. Surpreendetemente, de vez em quando alguém faz alguma coisa diferente, seja com filmes baseados em HQs como Kick-Ass, ou em uma visão menos tradicional dos mutantes da Marvel, com X-Statix. Estes dois exemplos podem ajudar a entender o conceito da série britanica: Misfits.
 
Um grupo de jovens – não tão rebeldes, são na verdade um retrato da juventude transviada da classe média mundial – que estão sendo obrigados a participar do serviço comuntário, dada pequenas infrações que cometeram, se veem carregados com algum tipo de ”super poder” [spoiler](que nada mais é do que uma de suas características mais marcantes significativamente ampliada)[/spoiler] depois de uma estranha tempestade que passou pela cidade.

BOOM!

Afirmo, já de antemão, que não estamos de frente com mais um Heroes – ou Mutantes (ou Caminhos do Coração).
Misfits é muito mais profundo e mais pesado, mostra uma racionalidade em seus personagens, que justifica suas ações humanas e seus poderes, e ainda é excelentíssimamente bem editada e dirigida, trazendo um quê quase surreal, adicione então a isso o típico sarcasmo britânico mais seu humor negro tanto no visual quanto no roteiro e está fechado o porquê você deve assistir.
 
Resumindo, o grande diferencial da série é sua origem. Apesar de – como a maior parte das séries inglesas – ter apenas seis episódios em sua temporada, é isso que lhe garantiu uma qualidade tão boa. Pesquisei para saber porque os ingleses fazem tão poucos episódios de suas séries (Paradox e IT Crowd sofrem do mesmo “mal”), a razão é simples e lógica, e nos faz pensar o que seriam das sitcoms americanas se seguissem o mesmo principio: as redes de televisão e produtoras britânicas tem menos dinheiro para investir em seus programa, porém sabem como investir melhor. Normalmente, cada emissora tem apenas um redator e quando ele está escrevendo um programa, se dedica inteira e exclusivamente a este – e o mesmo acontece com o diretor contratado para cada série. A série é gravada então, apenas quando seu arco de história está fechado (com seis episódios) e tem um tempo maior para sua finalização e edição. O que temos então é algo com muito mais sinergia, muito mais autoral, do que séries que começam com um escritor e no meio temos mudanças sem sentido, decorrentes de cortes de funcionários, orçamento ou greves. E, claramente, nada impede que outras temporadas sejam feitas logo na sequência – dependendo do sucesso e da audiência.
 

Misfits retrata muito bem essa qualidade. A intensidade do roteiro, da edição e da direção. A profundidade dos personagens – e de seus atores -, e a empatia que sentimos é tão grande quanto a imersão na série. Cada episódio é muito bem escrito e tem começo, meio e fim – e ainda assim deixam sempre com mais vontade do que virá a seguir.
 
Aliás, a segunda temporada já foi confirmada, e quando você assistir a primeira, vai comemorar isso – e se já começou a esperar, dê uma lida na HQ que tem no site da emissora E4, enquanto isso.
>> GEEX – por Felipe Muñoz

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