INSPIRADO NOS QUADRINHOS DE “SANDMAN”, FÁBIO BARTZ FAZ COLEÇÃO MADURA E USÁVEL

Antonio Costa - Agência de Notícias Gazeta do Povo / Fábio Bartz: atmosfera dark tomou conta da passarela durante o primeiro desfile da noite.

Fábio Bartz: atmosfera dark tomou conta da passarela durante o primeiro desfile da noite. Desfile performático contou com cenário elaborado e looks de cores escuras (Antonio Costa - Agência de Notícias Gazeta do Povo / Fábio Bartz)

Quando Fábio Bartz entra com seus modelos na passarela após o desfile, quase se confunde com eles. O ar tímido, que quase não o deixa cumprir o percurso,esconde uma mente inquieta, sempre a procura de algo novo

O jovem, que assim como Jefferson Kulig é prata da casa, assume a inspiração estudada no HQ Sandman, de Neil Gaiman. Queria algo com uma linguagem oitentista que remetesse ao inverno. Ele se debruçou sobre o universo soturno do guardião dos sonhos com uma coleção amadurecida, com boas peças para o inverno.

 (Antonio Costa - Agência de Notícias Gazeta do Povo)

Na passarela com beliches de campanha, o desfile performático trouxe ótima alfaiataria em lã e sarja. Se a paleta de cores é contida – basicamente preto, petróleo e cinza –, os tecidos e a modelagem fazem a sua parte. Casacos, trench coats e moletons vêm com bolsos, abotoamentos e botões que remetem ao militarismo. Mesmo com alguns elementos surpreendentes, sua roupa é totalmente
usável.

O universo dark aos poucos vai cedendo para sonhos mais tênues, eróticos. A menina veste um lindo blazer de ombro estruturado com gola de cristais e tachas em formato de coração; o rapaz vem com calça-fetiche com nacos de pernas à mostra. A silhueta, tanto masculina quando feminina, é mais larga em cima e mais justa na parte de baixo, com calças de cetim e leggings rendadas. Os tecidos sofrem interferências como as nervuras arredondadas e a renda junto ao cetim. O casaqueto tem referência de capa de chuva, outro acaba com plumagens.

Enfim, a roupa não precisa seguir uma estrutura rígida, única. É, sem dúvida, a coleção mais séria de Fábio, que assina a Fábio Bartz com peças-conceito e a Bartzland, com camisetaria e peças mais casuais.

Com a coleção, o enfant terrible curitibano sai do campo das promessas e se firma como um criador maduro, que sabe aonde quer levar sua moda.
>> GAZETA DO POVO – por Danielle Brito

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