O POTENCIAL DOS MANGÁS NACIONAIS

O mangá é mais antigo do que parece. Registros do século XIX já apontavam documentos que poderiam ser considerados esse tipo de quadrinho. Na época, as histórias não contavam um romance ou suspense, eram simples ilustrações da cultura japonesa. Somente com a popularização das HQ’s (principalmente as da Disney) e dos cartoons, os primeiros mangás modernos começaram a surgir.

Mesmo com uma leve inspiração nas obras americanas, os japoneses conseguiram uma identidade própria, abusando de onomatopéias, um traço um pouco mais detalhado, expressões exageradas – que transmitiam a emoção do personagem – entre outras características. Dessa forma, esse estilo ganhou força na terra do sol nascente e aos poucos foi ficando popular, arrebatando centenas de adeptos, até que finalmente o mangá se tornou parte da cultura pop japonesa, como é atualmente.

As variações do mangá tradicional
Com a globalização, esse estilo de quadrinho ficou popular não só no continente asiático como no ocidente também. Editoras deixaram de publicar somente quadrinhos dos “universos” Marvel e DC Comics e começaram a apostar nesse novo gênero. Vieram então empresas especializadas, inúmeros fãs, bonequinhos, games…E também os fanfics!

Não bastava só acompanhar, era preciso escrever novas histórias para seus personagens favoritos. Você tem a liberdade para inventar novos golpes, inimigos e divulgar seus trabalhos para outros fãs. Com o tempo, histórias originais feitas com esse estilo se tornaram frequentes nesse lado do planeta, coisa que já era comum no próprio Japão, com os Doujinshis. Por lá, tudo é mais fácil, afinal as editoras dão apoio para os doujinshis e muitos talentos são descobertos graças à esse acompanhamento.

Já o inverso ocorre deste lado do globo. Os fanzines (bastante comuns em eventos de anime) têm pouco destaque até mesmo entre os próprios fãs. Seja sincero: Quantos fanzines você leu na sua vida? Talvez por esse motivo, editoras não se arriscam tanto em lançar mangás nacionais.

É arriscado apostar em séries nacionais?
Acredite: Nem tanto quanto parece! Lógico que nossas próprias séries não devem ser tão longas como as japonesas. Um número razoável de volumes já é o suficiente, afinal ninguém vai produzir games, bonequinhos ou um anime dos nossos títulos. Não precisa ser tão “caça-níqueis” como as produções japonesas. Um bom exemplo é o mangá Hansel & Gretel que terá penas 3 volumes lançados pela editora NewPOP.

Salvo algumas excessões, como o famoso Holy Avenger, que durou 42 edições. Outra coisa que pode deixar muita gente com um pé atrás é a qualidade do roteiro, desenhos e etc. Estamos sim em um nível inferior ao Japão nesses quesitos, não podemos negar, no entanto existem séries interessantes que garantem um bom divertimento. Isso já é um bom começo.

Se você ficou interessado…
A melhor forma de dar apoio a produções brasileiras é pesquisar grupos que disponibilzam suas histórias na internet. Recentemente foi fundado o projeto “Mangá em Produção” e certamente devem existir muitos outros por aí. Basta deixar a preguiça de lado e dar uma boa pesquisada. Creio que as editoras tentam trazer títulos do interesse do público otaku e se perceberem que esse mercado dá retorno, com certeza teremos mais títulos brasileiros e de qualidade nas bancas.
>> ANMTV – por Raphael-san

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