MONSTROS, AS VEDETES DO NOSSO TEMPO

Bang’, a única revista portuguesa dedicada ao género literário
do fantástico, chega ao formato de papel.

Monstros, as vedetas do nosso tempo

O universo fantástico povoado de criaturas sombrias – como os vampiros, os monstros ou os mortos-vivos – que, no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, foi explorado por escritores como Edgar Alan Poe, Bram Stoker ou H. P Lovecraft, ressurge em força cem anos depois. Os nossos dias voltaram a ser povoados de seres irreais.

Em Portugal, a revista Bang , publicada online desde 2006, chega agora ao formato de papel “para divulgar o fantástico, encontrar novos escritores e pensadores sobre este género que, em Portugal, nunca teve grande tradição”, explica Luís Corte-Real, director da revista e da editora Saída de Emergência.

O milénio iniciou-se com o fenómeno Harry Potter, prosseguiu com O Senhor dos Anéis e a primeira década termina com a saga vampiresca de Stephenie Mayer.

Porque é que estamos de novo enfeitiçados pela literatura fantástica? David Soares, autor de romances e bandas desenhadas de terror e fantástico, considera que este fenómeno “está ligado à época de incerteza em que vivemos, onde o futuro perfeito proclamado pela ciência já não é credível e as pessoas refugiam-se no universo de sonho presente nestas histórias”.

A revista Bang, lançada oficialmente esta semana, tem uma taxa de downloads na ordem dos 30 mil, conta Corte-Real. “Foi isso que nos deu a percepção de que há muita gente que procura este género que tem sido mal tratado em Portugal e merece que lhe seja dada mais visibilidade.”

Já João Manuel Barreiros, também ele autor de livros de fantástico e ficção-científica, chama a atenção para ” a má literatura” que está a ser publicada como pertencendo ao fantástico e que “está a desvirtualizar o género”.

Tanto o editor da revista como David Soares concordam com esta ideia. “Os monstros são criaturas transgressoras e, nesta literatura comercial, pensada para adolescentes, passam a ser conservadoras, sexualmente reprimidas”, declara Barreiros.

Apesar de procurar divulgar “boa literatura fantástica”, o editor da Bang reconhece que “tem que alargar o espectro da revista a ficções que cativem também o público jovem que está a crescer com o Harry Potter e o Crepúsculo”. O objectivo da revista é também “transportar leitores dos livros mais comerciais para as obras primas do género”, assume ainda Corte-real.

No mundo editorial, o género, lido especialmente por mulheres, continua imparável. O editor da Gailivro, Pedro Reizinho, assume que “o género é o que mais alimenta o mercado” e a editora tem um conjunto de romances prestes sair, bem como uma série de quatro livros sobre zombies, entre outras obras.
>> DIÁRIO DE NOTÍCIAS – por Joana Emídio Marques


Os pioneiros do género fantástico

Há um século escreveram-se aquelas que são geralmente consideradas as obras-primas do terror e e do fantástico.

No século XIX, quando a tecnologia acelerava, com a chegada da fotografia, do cinema, com o crescimento das cidades, a literatura fantástica conheceu o seu primeiro boom. Desde pequenas publicações de cordel com histórias de fantasmas e crimes, inspiradas em mitos urbanos, como o Sweeny Todd (adaptado ao cinema por Tim Burton) até romances e poesia que explorava um universo habitado por figuras monstruosas.

O americano Edgar Alan Poe (1809-1849) foi um dos autores que mais contribuiram para a definição deste universo, em obras como O Corvo, ou Annabel Lee, em contos O Poço e o Pêndulo eO mistério de Marie Roger.

H.P.Lovecraft, menos conhecido mas um verdadeiro autor de culto para os amantes do género. A sua obra não é vasta, mas entre ela contam-se clássicos como Nas Montanhas da Loucura ou O Estranho Caso de Charles Dexter Ward .

Mas é ao irlandês Bram Stoker que pertence o vampiro mais famoso da história da literatura e do cinema, Drácula, o conde que aterrorizou a floresta da Transilvânia.

João Manuel Barreiros chama a atenção para autores mais recentes como Stephen King, Peter Straub ou Dan Simmons, cujas obras ” são para adultos e não para adolescentes ou adultos que pensam como adolescentes”.

No nosso tempo, os monstros voltam a ser vedetas “porque a eles tudo lhes é permitido”, diz o escritor David Soares.

REVISTA BANG! nº7

  • Alfred Tennyson
  • António de Macedo
  • David Soares
  • Gerson Lodi-Ribeiro
  • João Barreiros
  • Octávio dos Santos
  • Renato Carreira
  • Richard Matheson
  • Vasco Curado
  •  
     

    A revista portuguesa de literatura e fantástico
    está de volta

    A Revista Bang! está de volta ao formato papel. Com uma tiragem limitada a 150 exemplares, é a oportunidade dos verdadeiros fãs de fantástico conhecerem o melhor que se escreve no género e sobre o género em Portugal. Caprichámos no design e no papel. Esperamos que gostem!

     [ficção]
    Na Guerra com Bruxas – Richard Matheson
    Horda Primitiva – Vasco Curado
    A Melhor Diversão da Cidade – Gerson Lodi-Ribeiro
    A Preocupação Fundamental – Valéria Rizzi
    O Kraken – Alfred Tenyson
    O Indiscritível Sr. Salcedo – Renato Carreira

    [não ficção]
    O Druída de Somersby – Octávio dos Santos
    A Companhia dos Cegos – David Soares
    H. P. Lovecraft, Um Ícone da Cultura Ocidental Contemporânea – José Carlos Gil
    Livros Míticos ou a Biblioteca (Quase) Invisível – António de Macedo
    Luzes, Câmara… Bang! – Nuno Fonseca
    De A a BD – Ricardo Venâncio
    Os Livros das Minhas Vidas – João Barreiros

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