“TARZAN – A ORIGEM DO HOMEM-MACACO E OUTRAS HISTÓRIAS”: ÁLBUM RESGATA PERSONAGEM NO BRASIL

Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias. Crédito: reprodução
Capa de “Tarzan – A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias”, álbum que relança histórias do personagem publicadas em 1972

Tarzan foi um dos personagens mais longevos a ocupar as bancas brasileiras. Andava sumido. É resgatado agora num álbum, que relança oito de suas aventuras. “Tarzan – A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias” (Devir, 208 págs., R$ 49) cumpre à risca o que o subtítulo vende: mostra como tudo começou e mais quatro tramas.

As histórias são de um momento de transição. O personagem saía da editora norte-americana Gold Key e migrava para a DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem. A estreia em abril de 1972. A nova casa procurou dar um ar de continuidade, mantendo a numeração da revista mensal. Os rumos criativos, no entanto, foram revistos.

Quem assumiu as histórias do Homem-Macaco foi Joe Kubert, que já trabalhava nos quadrinhos da DC. O quadrinista procurou recriar o clima das primeiras aventuras. “Minha intenção ao fazer Tarzan era injetar a emoção e a proximidade que senti quando li suas histórias pela primeira vez”, diz o quadrinista, na apresentação do álbum.

A missão incluiu reler a literatura sobre o personagem, lapidada por Edgar Rice Burroughs (1875-1950). O escritor publicou a primeira história de Tarzan em 1912. Do contato com os livros, surgiu a recriação da origem do herói das selvas, algo propício para um momento de reinício da revista editorial da revista nos Estados Unidos.

Kubert relembra o leitor os fatos que tornaram Tarzan o rei dos macacos. Ainda bebê, ficou órfão em plena floresta africana. Foi criado a partir de então por uma macaca, Kala. O menino se desenvolveu na selva até encontrar caminhos para reconstruir seu passado e o contato com outros humanos. As demais histórias trazem tramas após tais fatos.

A reedição do álbum, na prática, funciona como um resgate do personagem no Brasil, como bem relembra um texto, no final da obra, assinado pelo editor Leandro Luigi Del Manto. Tarzan estreou por aqui em 1934, no extinto “Suplemento Juvenil”. A carreira como personagem-título de revista em quadrinhos teve início em 1951. Foi publicado até 1989.

Desde então, o Homem-Macaco tem feito aparições em edições especiais ao lado de super-heróis ou numa luta contra o Predador dos cinemas. Nada à altura de sua trajetória. A estreia do personagem ocorreu em 1929, época em que as tiras de jornais eram quase todas de cunho cômico.

Tarzan não. O foco era na aventura, desenhada por Hal Foster (1892-1982), que depois ficou ainda mais famoso com a série “Príncipe Valente”. O ingresso da ação agregou um novo gênero às tiras e estimulou uma lista de outros personagens afins: Jim das Selvas, Flash Gordon, Buck Rogers, Fantasma.

Este álbum é de outro momento do personagem. Mas procura dialogar com o passado dele, inclusive com a participação de Burne Hogarth (1911-1996) na arte de uma das histórias. Hogarth foi quem substitui Hal Foster nos desenhos do Homem-Macaco, em 1937. É tido como uma das principais referências visuais do personagem nos quadrinhos.

O trabalho de Joe Kubert procura recriar esse clima das décadas de 1930 e 40. E consegue, em particular nos quatro primeiros capítulos, que narram a origem do herói. O álbum da Devir resgata a importância de Tarzan para os quadrinhos e dá um primeiro passo para o retorno de outras aventuras dele. É algo histórico, que precisa ser recuperado.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos

Anúncios

Comentários encerrados.

%d blogueiros gostam disto: