A CIÊNCIA DA IMAGINAÇÃO

Duas palavras que parecem antagônicas estão reunidas no termo “ficção científica”. A imaginação e a ciência poderiam andar juntas?

Romances, contos e filmes demonstram que sim: o gênero se especializou em criar realidades paralelas, mas plausíveis, em que a ficção se baseia em ideias de fundo científico.

Boa parte da riqueza de suas histórias está em falar de outros mundos, em geral situados no futuro, que revelam muito do “aqui e agora”. Medos, angústias e desejos do presente constituem a matéria-prima dessas projeções, que possibilitam entender um pouco melhor a sociedade em que vivemos.

Na lista abaixo, dez notáveis contribuições do cinema ao exercício de imaginar (e, portanto, especular e refletir) com a ajuda da ciência. Veja:

10- “Viagem à Lua” (Le Voyage dans la Lune, 1902)
Costuma-se atribuir a George Méliès, mágico levado ao cinema pelas possibilidades de ilusão que a recém-criada tecnologia propiciava, a fundação do gênero no cinema, ainda que o filme tenha mais fantasia do que ciência. “Viagem à Lua” foi inspirado no romance “Da Terra à Lua”, de Julio Verne, mas sem dar o crédito.

9 – “Alien, o Oitavo Passageiro” (Alien, 1979)
O diretor Ridley Scott (que faria depois “Blade Runner”) transformou argumento de Dan O’Bannon e Ronald Shusett em marco da ficção científica distópica, com a tripulação da espaçonave Nostromo (homenagem ao escritor Joseph Conrad) vivendo um pesadelo que remete também ao filme de horror.

8 – “O Planeta dos Macacos” (Planet of the Apes, 1968)
A imagem final, em que o astronauta interpretado por Charlton Heston descobre finalmente onde está, é uma das mais célebres do gênero. O sucesso do longa dirigido por Franklin J. Schaffner, baseado em romance de Pierre Boulle, deu origem a continuações, a seriados de TV e a uma refilmagem (por Tim Burton).

7 – “O Exterminador do Futuro 2” (Terminator 2: Judgement Day, 1991)
Viagens no tempo, um dos temas preferenciais do gênero, servem a James Cameron para a criação de um mundo futurista em que os homens estão em guerra contra as máquinas, e a solução depende de um retorno ao período pré-apocalipse. Marco no avanço dos efeitos digitais.

6 – “Matrix” (The Matrix, 1999)
A obra do escritor William Gibson, autor de “Neuromancer”, combina-se a diversas outras referências na exploração dos conceitos de ciberespaço e realidade virtual pelos irmãos Andy e Larry (hoje, Lana — ele fez operação para mudança de sexo) Wachowski.

5 – “Metrópolis” (Metropolis, 1927)
Em cidade futurista que influenciou diversos filmes do gênero com sua arquitetura sombria, os dirigentes vivem afastados dos trabalhadores, até que um romance entre representantes dessas duas classes ameaça mudar o cenário. O filme foi baseado em romance de Thea von Harbou, de quem o diretor Fritz Lang adaptou também “A Mulher na Lua” (1928).

4 – “Solaris” (Solyaris, 1972)
No longa, astronautas soviéticos são expostos aos efeitos de um planeta que os conduz a lembranças e desejos subitamente muito concretos, em adaptação do romance homônimo de Stanislaw Lem por Andrei Tarkovski — que faria outro filmaço no gênero, o também enigmático “Stalker” (1979).

3 – “Laranja Mecânica” (A Clockwork Orange, 1971)
Censurado em diversos países na época de seu lançamento, o clássico de Stanley Kubrick usa como base o romance homônimo de Anthony Burgess para imaginar um Reino Unido futurista em que o governo desenvolve novo método para enfrentar os responsáveis pela violência na sociedade.

2 – “Blade Runner – O Caçador de Androides” (Blade Runner, 1982)
Produção turbulenta que parecia condenada ao fracasso, a adaptação do romance “Sonham os Androides com Ovelhas Elétricas?”, de Philip K. Dick, foi se tornando “filme de culto” ao longo dos anos 80. Ficção científica em clima de policial “noir”.

1 – “2001, uma Odisseia no Espaço” (2001: A Space Odissey, 1968)
Quase 70 anos depois de Méliès ter fundado o gênero no cinema com “Viagem à Lua”, a parceria entre o diretor Stanley Kubrick e o escritor Arthur C. Clarke redefiniu os seus parâmetros, em aventura metafísica do homem no espaço que ainda hoje mantém fascínio e ambiguidade.

>> YAHOO! BRASIL – por Sérgio Rizzo

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