“EL ETERNAUTA”: UM DOS PRINCIPAIS QUADRINHOS DA ARGENTINA, SERÁ PUBLICADO NO BRASIL

El Eternauta”, uma das principais histórias em quadrinhos da Argentina, será publicada no Brasil, informação que o blog antecipa em primeira mão. O contrato já está assinado. A obra será lançada pela Martins Fontes. Tanto a editora quanto a família do autor, o roteirista Héctor Germán Oesterheld, confirmaram o acordo. 

O acerto é para publicar as duas primeiras partes da história, escritas por Oesterheld e desenhadas por Francisco Solano Lopez. Ambas são inéditas no Brasil. A primeira a sair é a que deu início à série, publicada na Argentina entre 1957 e 1959.

“Nós iniciamos a tradução e imagino que consigamos produzir [o álbum] no mais tardar até o fim do primeiro trimestre de 2011”, disse o editor Evandro Martins Fontes, que irá publicar a obra no Brasil. Martins Fontes disse que a edição nacional vai se basear numa versão publicada na Espanha, pela Norma Editorial, em comemoração ao cinquentário da série (capa acima).

O formato será horizontal, o mesmo como a obra foi publicada na década de 1950. Segundo o editor, o contato para a publicação teve início em 2009, quando ele “descobriu” a obra numa visita à Argentina. A Martins Fontes já mantém no catálogo as obras de Quino.

“El Eternauta” é considerada uma das mais importantes obras em quadrinhos da Argentina. Vem sendo sistematicamente reeditada no país, inclusive em algumas versões piratas. A história de ficção científica narra a invasão da Terra por alienígenas. O ataque é contado por meio de um grupo de sobreviventes de Buenos Aires.

A trama – eleita pelo governo argentino um dos cem livros essenciais para os estudantes do país lerem – foi lançado pela primeira vez pela Editoral Frontera, editora de Oesterheld. Ele retomou a série na década de 1960, numa releitura da obra, desenhada por Alberto Breccia. E, depois, na segunda parte, lançada no final da década de 1970.

A continuação de “El Eternauta” é vista por muitos como um trabalho mais politizado e casa com o momento pessoal vivido pelo escritor. Durante os anos 1970, Oesterheld aderiu à Juventude Peronista, movimento de resistência aos governos de então.

Em 27 de abril de 1977, foi sequestrado, preso, torturado e morto pelos militares, que haviam assumido o poder um ano antes. As quatro filhas dele – duas delas grávidas – e os dois genros também tiveram o mesmo destino. Da família, sobraram a viúva e dois netos.

Enquanto isso, “El Eternauta II” continuava sendo publicado normalmente nas bancas, como se o roteirista ainda estivesse vivo aos olhos dos leitores.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos

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