SOBRE O PRÊMIO HQ MIX

Este ano, a comissão o troféu HQ Mix mudou a forma como divulga seu indicados e criou um blog onde, primeiramente, coloca uma seleção de pré-indicados, estando aberta para sugestões, comentários e críticas. Como sempre nos Quadrinhos, as críticas são muitas. Acho que a iniciativa tem pontos positivos e negativos, algumas críticas são pertinentes, mas acho que falta um pouco de imparcialidade, profissionalismo e maturidade em ambos os lados. 

A Comissão.
Existe uma comissão responsável por escolher, dentre tudo que foi publicado no ano passado, os trabalhos ou profissionais que eles acham que mais se destacaram. Mesmo sendo formada por 12 pessoas, é claro que a seleção será restrita e pode ser diferente do que você gostaria. Além disso, claro que muita coisa vai ficar de fora. É ótimo que se esteja produzindo e publicando tanta HQ no Brasil, mas a idéia é premiar o melhor desta produção.

Por mais qualificada que a comissão seja, por mais informada, é impossível lembrar de tudo que saiu ano passado, quanto mais TER tudo que saiu ano passado. Há alguns anos atrás, a então comissão organizadora do HQ Mix pedia aos interessados que mandassem suas produções para ela, pra serem avaliadas e, quem sabe, indicadas ao prêmio. Não sei por que pararam. Acho que deviam continuar com esta prática. Não é só porque tem resenhas na internet de uma publicação que alguém pode julgar sua qualidade. Não é interesse da comissão incluir essa ou aquela publicação, mas dos autores ou da editora.

Usando as premiações americanas como exemplo, os interessados (autores e editoras) enviam suas obras à comissão organizadora do Eisner Award, especificando inclusive a qual categoria acham que poderiam concorrer. Veja que existe um limite de indicações por editora, portanto eles são obrigados a escolher o que eles acham que é o melhor dentre seu catálogo do ano anterior. Já aí vemos uma mostra de profissionalismo na hora de escolher umas e excluir outras. No Harvey Awards, os profissionais da área mandam suas sugestões de indicação em todas as categorias e, assim que reunidas, depois é que sai a lista de indicados realmente. Veja que é de interesse do AUTOR (ou editoras) que sua revista, seu trabalho sejam reconhecidos. Eles têm que garantir que seu trabalho chegue na mão dos organizadores. Não só isso, divulgar seu trabalho da melhor forma possível. Ressalto mais uma vez que é impossível ler tudo que saiu no ano passado, a distribuição dos Quadrinhos no Brasil é muito ruim e a maioria esmagadora dos votantes simplesmente não vai atrás dos títulos, vê muito pouca coisa e acaba votando só no que viu, ou que já conhece. É preciso um esforço maior por parte DOS AUTORES e DAS EDITORAS pra VALORIZAR e DIVULGAR sua HQ. Muitas vezes, quem tem o melhor marketing, faz a melhor campanha, leva o prêmio, mesmo que tenha alguém melhor que não mexeu uma palha pra mostrar seu trabalho. Muitas vezes, basta “fazer barulho” pra ganhar, mesmo que ninguém veja seu trabalho. Não está certo, não é o correto, mas acontece. Reclamar disso ou daquilo, como sempre, não leva a nada.

A exemplo do que acontece no exterior, a comissão podia mudar de ano pra ano, pra não acharem que ela é tendenciosa ou parcial. Ninguém é melhor ou pior porque faz parte da comissão. Ninguém é mais ou menos qualificado pra estar ali. No entanto, muita gente reclama, mas pouca gente se compromete com o trabalho que é organizar e julgar todos estes trabalhos. Eu acho a comissão de hoje bem plural, mas acho que seria melhor se ela mudasse periodicamente, incluindo sempre editores, lojistas, autores e jornalistas.

As categorias.
Elas continuam mudando todos os anos. Assim fica difícil saber até a quê sua revista pode ser indicada. Eu senti falta da categoria de tira, também porque hoje EU faço tiras e me senti excluído. Isso leva a outro problema. Todo mundo leva muito pro lado pessoal. É a melhor qualidade e o maior defeito do brasileiro e isso prejudica muito o profissionalismo. Novamente, acho ótimo que estejamos vendo tantas publicações novas, tantos autores se mexendo pra produzir e publicar, mas não é por isso que temos que indicar todo mundo. Como é de se esperar em um mercado tão plural como o nosso, existe o bom e o ruim. E sempre terá muito mais coisa ruim do que boa. É o afunilamento natural de qualquer trabalho em evolução.

Os independentes.
Somos todos independentes. Pouquíssimos são os profissionais que são contratados pra fazer uma HQ, que recebem uma encomenda de uma editora. Hoje temos as adaptações literárias que se encaixam nesta forma de trabalho, mas o resto é um esforço quase que exclusivo dos autores, independente de ter uma editora que vai publicá-los ou não. Essa é a realidade do Quadrinho Nacional. Mesmo assim, hoje classificamos como independentes, creio eu, quem publica sua HQ sozinho, sem uma editora.

Acho excelente que os autores independentes finalmente acordaram para o o fato de que só depende deles produzir e publicar seu trabalho, o que acarretou nos últimos anos numa crescente quantidade de publicações independentes e, consequentemente, de mais categorias na premiação. Agora, mais uma vez, não estamos aqui pra premiar a quantidade, mas a qualidade. Acho que, no intuito de abarcar uma quantidade maior de publicações, foram instituídas 3 categorias de publicação independente, sendo uma delas a especial. Acho válido separar as publicações feitas por um único autor das que são feitas por vários, mas na minha opinião, é tudo independente e pronto, um não tem nada mais “especial” que o outro. Todo mundo tem acesso à gráficas hoje em dia. Ninguém mais (ou quase ninguém) faz fanzines em xerox, tendo em vista que nem tem mais categorias pra isso. Se uma publicação é mais bem acabada que a outra, vai chamar mais atenção, talvez seja melhor, mas não é o caso de criar uma categoria pra as “bonitas” e uma para as “feias”. 

Conclusão.
Em resumo, somos todos uma comunidade, mas não somos todos amigos – nem inimigos – e não precisamos agradar ninguém com o HQ Mix. Este prêmio deveria servir pra destacar o que de melhor foi produzido o ano passado e isso deveria ser visto com bons olhos pelo público e pelos autores. É preciso fazer um esforço profissional de se inteirar e escolher com juízo os trabalhos que achamos merecedores do prêmio, pois eles vão representar o que de melhor nós temos aqui no Brasil. Se você não foi indicado, ao invés de reclamar, pense se você fez o máximo que pode pra divulgar sua HQ? Pense que o outro trabalho pode ser melhor que o seu sem diminuir o valor do seu. E pense que você ainda pode melhorar muito, sempre.

Sempre existirá alguém melhor que você. Ao invés de reclamar ou falar mal, achar que ele é seu inimigo, se espelhe nesta pessoa e tente melhorar seu trabalho. Não se contente com o que você já tem, porque sempre podemos fazer mais e melhor. Às vezes é melhor perder um prêmio do que ganhar. Você aprende mais e se esforça mais a partir dali.

E é sempre bom lembrar que públicos diferentes vão gostar de coisas diferentes e isso é saudável. Sua HQ independente pode ser indicada a um prêmio em Angoulême e não ao HQ Mix. A mesma revista pode perder o HQ Mix e ganhar o Eisner ou o Jabuti. O que importa não é o prêmio, é garantir que você está fazendo seu melhor trabalho.
>> 10 PAEZINHOS – por Gabriel Bá

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