ANDRÉ VIANCO: O SENHOR DOS VAMPIROS COMEMORA MAIS DE 500 MIL LIVROS VENDIDOS

André Vianco, assina com a Rocco. Impulsionado pela onda “Crepúsculo”, escritor opta por editora 10 anos depois de bancar sua primeira publicação

Nem todo sonho com vampiros assassinos e monstros sanguinários pode ser chamado de pesadelo. Eterno viciado em filmes de terror, o paulista André Vianco sonhava com essas criaturas o tempo todo, dormindo ou acordado, e cismou de levá-las para o papel. Correu atrás e, quando a febre pop de “Crepúsculo” estourou, em 2008, ele já tinha um portfólio de títulos publicados sobre os seres da noite. Hoje, Vianco é o maior escritor brasileiro de terror. Vendeu mais de 500 mil livros em dez anos e acaba de assinar contrato com a Rocco, uma das principais editoras do país.

– Quando comecei a publicar, Bella ainda estava no jardim de infância (risos). Não sou oportunista, mas o sucesso de “Crepúsculo” deu força ao gênero vampiresco e eu vendi muito ano passado. Depois que ficam órfãs de Stephenie (Meyer), as pessoas acabam correndo para os vampiros do titio André – diz o autor, que tem 12 títulos publicados e outros dois quase no prelo, em entrevista por telefone, de sua casa em Osasco, na Grande São Paulo. – Mas os meus personagens não brilham no sol nem são bonzinhos. Não gosto de vampiro light e politicamente correto.

O campeão de vendas de Vianco é justamente seu primeiro livro, “Os sete”, de 2000, cuja primeira edição, de mil $, foi totalmente bancada pelo autor, a duras penas. Mas a saga de Vianco, de 35 anos, começou com o garoto de Osasco atravessando as noites vendo filmes de terror na televisão. “A hora do pesadelo”, “A bolha assassina”, “Drácula”… Tudo o alimentava de referências, e as primeiras vítimas de sua imaginação assustadora foram os primos. Quando o resto da família passava feriados no interior paulista, ele gostava de botar medo na parentada contando histórias de terror.

– Lembro-me de um filme sobre um bandido que perde a mão e é morto. Depois, a mão volta para se vingar. Não me lembro do nome, mas rendeu vários pesadelos – conta ele. – Depois das histórias que eu contava, as tias reclamavam que ninguém mais dormia de luz apagada na casa.

O paulista começou a escrever com uns 15 anos, rabiscando poemas para as meninas da escola. O primeiro projeto de livro veio aos 18 (“Graças a Deus ninguém publicou”, brinca). Aos 20 e poucos, Vianco trabalhava numa firma de cartão de crédito, atendendo a telefonemas de madrugada. A rotina vampiresca, na calada da noite, foi o ambiente perfeito para a proliferação das histórias. Demitido após três anos, ele torrou seu fundo de garantia na publicação de “Os sete”, sobre vampiros com $que espalham terror pelo Brasil.

– Eu tinha um sonho de viver das minhas histórias. Escrevi um livro sobre vampiros porque sempre gostei e porque tem mais apelo comercial. Só que, mesmo assim, ninguém quis editar. Então, publiquei por conta própria. Investi tudo o que tinha – explica o autor. – Eu era um ser da madrugada.

Os mil exemplares de “Os sete” se foram rapidamente, e, em 2001, Vianco assinou com a editora Novo Século, pela qual publicou todos os seus livros seguintes (e as novas edições de “Os sete”). A cada título, o escritor ganhava mais público, e, quando o casal Bella e Edward Cullen chegou ao Brasil, ele já era conhecido como o “vampiro brasileiro”. Aí, foram as grandes editoras que começaram a correr atrás. O escritor analisou várias propostas antes de fechar com a carioca Rocco.

– A jogada se inverteu. A Rocco vai me levar para um público que não me conhece, mas vou continuar publicando livros pela Novo Século também – diz Vianco, que está produzindo o episódio piloto de uma série de TV baseada nos três volumes de seu livro “Turno da noite”.

Para a Rocco, o autor entrega, em breve, o livro “O caso Laura”, um policial de atmosfera dark. Já para sua antiga casa, ele está terminando “A noite maldita”, seu décimo título sobre vampiros.

– Não sou mais da noite. Tenho três filhas, durmo bem e frequento academia. Mas as pessoas acham que eu sou vampiro. Uma menina levou uma ampola de sangue para uma noite de autógrafos, e eu recusei dizendo “já almocei” – conta Vianco, rindo. – Sou um escritor underground porque faço parte de um gênero renegado no Brasil. Mas, ao mesmo tempo, estou despontando como um dos autores que mais vendem no Brasil. Isso tudo só com o apoio dos meus leitores. É um orgulho.

Mito vampiresco e cultura brasileira se misturam na obra de André Vianco

 Mergulhadores retiram uma grande caixa preta de uma caravela naufragada no litoral gaúcho, e dela saem sete vampiros que, com diferentes poderes sobrenaturais, levam pânico ao país. Num dos seus próximos livros, “A noite maldita”, uma índia da Ilha de Marajó lança uma maldição que transforma parte da população mundial em vampiros.

As histórias sobre essas criaturas sanguinárias sempre remeteram a lugares como Europa e, recentemente, graças a “Crepúsculo”, aos EUA. Mas, no trabalho de Vianco, a cultura vampiresca é transferida para o território brasileiro.

– As minhas histórias se relacionam com o Brasil, e meus leitores gostam disso. Os contextos são todos nacionais – diz o autor. – “A noite maldita” vai ser uma pré-história de “Bento” (publicado em 2003).

O escritor de Osasco também adora usar personagens do nosso folclore nas suas histórias. Em “Bento”, tem até um saci pererê, e um curupira aparece em “Turno da noite”, no qual o Exército brasileiro combate uma horda de vampiros.

– Nosso folclore é rico em criaturas interessantes. Por que não usar isso? – argumenta o autor
>> O GLOBO – por William Helal Filho

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