“CAPITÃO VIDEO”: SÉRIE QUE INAUGUROU A FICÇÃO CIENTÍFICA NA TV


A série Capitão Vídeo inaugurou a ficção científica na televisão e abriu as portas para produções mais elaboradas.

Segundo os pesquisadores, Capitão Vídeo (Captain Vídeo and His Video Rangers. 1949) foi primeiro seriado de ficção científica a ser apresentado na televisão. Certamente, era bastante ingênuo, visto de uma distância de mais de meio século. Mas os historiadores da FC são quase unânimes em apontar sua importância, uma vez que a audiência que atingiu possibilitou novas aventuras do gênero na TV.

A produção era da DuMont, uma empresa sediada em Nova York, e os episódios foram apresentados ao vivo a partir de 1949, com a série estendendo-se até 1955. O nome surgiu porque video era a palavra mais comum para televisão, na época. O ator Richard Coogan foi o Capitão em 1949 e 50, sendo substituído por Al Hodge até 1955, sendo que em 1953 a série passou a se chamar The Secret Files of Captain Video.

As histórias se situavam no ano 2.254, com o capitão heroico tendo mantendo um laboratório escondido nas montanhas. Tinha dois ajudantes e a nave Galáxia para ajudá-lo a combater uma série de inimigos e enfrentar situações perigosas, salvando a Terra inúmeras vezes.

Para compor os cenários e construir as naves, os produtores contavam com a verba sensacional de 25 dólares por semana, o que já dá para ter uma ideia de como eram. O crítico John Brosnan disse que o uniforme do Capitão Vídeo parecia uma mistura de marinheiro com motorista de ônibus. Os vilões não diferiam muito do básico da época, com nomes como dr. Clysmok, Dahoumie, Heng Foo Sing, Mook o Homem Lua, Nargola e outros. Mas o maior rival era o dr. Pauli, interpretado por Hal Conklin. As armas e aparelhos eram igualmente ingênuos: rifle atômico, o discatron, o cilômetro óptico, o rádio cilógrafo ou o vibrador de raios cósmicos. O dr. Pauli também tinha seus trunfos: a barreira de silêncio – que, segundo alguns, foi parodiada mais tarde na série Agente 86, com o impraticável “cone do silêncio” – o manto da invisibilidade e o compensador trisônico. Como se tornou comum mais tarde, a DuMont vendia ou dava como prêmio aos jovens telespectadores anéis decodificadores, capacetes espaciais e cópias de plástico das armas utilizadas pelo Capitão Vídeo.

Apesar das histórias serem muito simples e baseadas no esquema de ação e aventura herdado dos seriados do cinema, o grupo de roteiristas incluía alguns grandes escritores de ficção científica como Robert Sheckley, Damon Knight, C.M. Kornbluth, James Blish, Jack Vance e Arthur C. Clarke.

Algumas pessoas juram de pés juntos que o seriado chegou a ser exibido no Brasil, mas pode haver alguma confusão. Em 1951, a Columbia produziu uma série em 15 capítulos para o cinema, baseada na série da TV e com o mesmo título, e esta certamente foi exibida por aqui. Teve a direção de Spencer Gordon Bennett e Wallace A. Grissell, especialistas em seriados do cinema, e diz-se que foi a primeira vez que o cinema adaptou uma produção da televisão. Todo o elenco foi substituído, com Judd Holdren interpretando o Capitão, que voa até o planeta Atoma para enfrentar o dr. Tobor e o malvadíssimo Vultura.
>> VIMANA – por Gilberto Schoereder

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