“OS SOUSA”, DE MAURÍCIO DE SOUSA RECUPERA MEMÓRIAS DE UMA INFÂNCIA NÃO ESQUECIDA

Capa do livro de bolso da série de Mauricio de Sousa, que há anos não era reeditada no Brasil

Difícil manter a objetividade jornalística em se tratando de Os Sousa, série criada por Mauricio de Sousa e agora resgatada em uma coletânea (L&PM, 144 págs., R$ 11).A dificuldade é pelo fato de as tiras estarem umbilicalmente ligadas a recordações de outros tempos, que guardo com carinho na memória. Lembranças que a (re)leitura automaticamente ativou.

Na infância, quando tinha meus oito anos, mais ou menos, meu pai costumava comprar todos os domingos o jornal da região, o “Diário do Grande ABC” – nasci e ainda moro no “C”, São Caetano do Sul. Era o dia em que saía o “Diarinho”, suplemento infantil do jornal, com brincadeiras e quadrinhos. E, no caderno de cultura, podia ler as histórias de Os Sousa, há muito não reeditados e agora relembrados.

A série tinha um quê mais adulto, que destoava com o que Mauricio de Sousa produzia até então. Mostrava cenas – o formato da tira não permitia muito mais que isso – entre dois irmãos, os tais Sousa. As piadas giravam em torno deles, ora em dupla, ora individualmente. Mano, o irmão folgado, solteirão e mulherengo, não raras vezes tornava-se o centro das atenções do leitor.Os Sousa. Crédito: editora L&PM

Naquele início dos anos 1980 – a série foi publicada até o final daquela década -, não tinha noção de alguns detalhes, agora mais claros na releitura. A começar pelo sobrenome dos protagonista, o mesmo de Mauricio. O empresário e desenhista inicialmente se baseou em sua própria realidade para constituir as histórias, segundo informa o texto da contracapa do livro de bolso da L&PM.

Outro dado que não tinha como perceber à época é que a tira, mesmo que não fosse intencional, dialogava fortemente com a Família Trapo, programa de TV protagonizado por Golias na década de 1960. A série em quadrinhos, criada em 1969, é contemporânea. E também tinha em Mano o seu Carlos Bronco Dinossauro, papel interpretado por Ronald Golias (1929-2005).

O que também não tinha como saber à época era o poder que essas tiras teriam na memória décadas depois. Lembranças que estavam adormecidas desde que a série deixou de ser publicada. A reedição de parte das tiras traz à tona aqueles momentos da infância em família. Acredito que papai, hoje falecido, também teria gostado de (re)ler algumas dessas piadas.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos

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