ERA DO BRONZE DOS QUADRINHOS: UM DOS MOMENTOS MAIS CONTROVERSOS DA NONA ARTE

Diferente dos movimentos anteriores, A Era dos Heróis da Aventura, A Era de Ouro e A Era de Prata, todos eles com marcação bem definidas de começo e término, simplesmente não existe o menor consenso acerca do que seria exatamente a essência do que constitui a chamada Bronze Age of Comics, nem da existência exata de um marco que a defina. Isso por que fãs de quadrinhos do mundo todo defendem diferentes momentos para o início dessa fase, cuja característica principal acabou sendo a de uma profunda mudança na abordagem e temática das histórias.

Pode ser dito que os personagens, até então eternizados no papel durante tanto tempo, começaram a crescer e evoluir dentro de um tempo real, acompanhando de certa forma as mudanças que o mundo vinha sofrendo e imprimindo sobre eles, algo que teria sido impensável até então. Claro, há uma grande diferença entre, por exemplo, o Batman do início, o que atravessou a Segunda Guerra Mundial, o que enfrentou o código de censura nos anos 50 e a figura caricata dos anos 60 – mas não se trata disso que estamos falando. As mudanças que a Era de Bronze imprimiram na indústria quadrinhística estavam além desses fatores.

Mas retornemos ao começo de tudo. Aparentemente, já que não há uma concordância nem em relação à existência do marco zero, convencionou-se que uma série de eventos em consonância marcaria o surgimento da Era de Bronze, que coincide com o término da Guerra do Vietnã e a mudança na mentalidade do povo norte-americano (mais uma vez).

Nos quadrinhos, em 1969, Robin abandonava Batman para ingressar na faculdade e essa ação parece ter sido o estopim inicial para toda uma série de outras alterações significativas, tanto na Marvel quanto na DC. Cronologicamente, temos o bombástico início da publicação das aventuras de Conan em outubro de 1970, pela Marvel Comics, o que simplesmente elevou a um novo patamar o sentido de erotismo e violência nos quadrinhos. Conan foi um tapa na cara da segurança e da comodidade; uma revista realmente diferente de tudo o que já havia sido produzido até então e, com uma incontestável qualidade, o gibi alardeava uma verdade: a Marvel não se importava de caminhar em um terreno pantanoso e estava disposta a provar isso. No ano anterior, a editora já havia apresentado um personagem afro-americano, o Falcão, e em 1971, o efetivaria como parceiro oficial do Capitão América. Apostas arriscadas, mas não tanto quanto Luke Cage se tornar o primeiro herói negro a ter um título próprio e a série A Tumba de Drácula marcar a volta definitiva do terror aos quadrinhos. Em 1973, a editora permitiu o brutal assassinato de Gwen Stacy, fato que sepultava de vez a temática inocente que caracterizava a Era de Prata. A Guerra do Vietnã havia destruído muita coisa e no ano seguinte, Wolverine, que viria a se tornar o mutante mais famoso da editora, faria sua estréia em Incredible Hulk 181.

Em 1979, a DC publicou The World of Krypton, a primeira minissérie em quadrinhos da história. O formato viria a mudar profundamente o cenário dos quadrinhos e logo a seguir, viriam as bens sucedidas reformulações de X-Men e Turma Titã, que se transformou nos Novos Titãs. O período marcou o aparecimento de artistas excelentes como John Byrne, George Pérez, Barry Smith e as lendas Alan Moore e Frank Miller, considerados dois dos maiores criadores de quadrinhos de todos os tempos, ambos alçados hoje ao status de celebridades. Personagens evoluindo, o Homem-Aranha crescendo, um forte apelo político em diversos quadrinhos, a jornada excepcional de Hal Jordan e Oliver Queen pelos EUA e a descoberta do vício de Ricardito, essas não foram mudanças sutis. Era algo mais!

Assim como não há consenso sobre o início da Era de Bronze, também não se sabe dizer quando ela terminou (se é que terminou). Comumente, atribui-se o período que oscila entre 1985 e 1986 como seu término, já que importantes mudanças estruturais ocorreram nessa época, que incluem o surgimento das Graphic Novels, a publicação do divisor de águas O Cavaleiro das Trevas pela DC e da série Guerras Secretas, pela Marvel. Alguns leitores dizem que a publicação dessas HQs nos catapultaram direto para A Era Moderna, outros (mais puristas), são incapazes de aceitar essa idéia. Seja como for, A Era de Bronze corresponde a um dos períodos mais ricos da publicação de quadrinhos da história.
>> REVISTA O GRITO! – por Alexandre Callari

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