REDE CBS LAMENTA A AUSÊNCIA DE PERSONAGENS GAYS EM SUAS SÉRIES

Um estudo, realizado pela Gay & Lesbian Alliance Against Defamation – GLAAD, apontou que a rede CBS é o canal americano com o menor número de personagens gays em suas séries. Para piorar, a GLAAD aponta a CBS como o canal com o maior número de séries policiais em que personagens gays ou bissexuais e travestis costumam ser vítimas de criminosos patológicos.

A pesquisa apontou a rede MTV como canal que permitiu o maior número de personagens gays em sua programação entre 1º de junho de 2009 e 31 de maio de 2010. Pela TV aberta, o CW ficou em primeiro lugar. Ao todo foram pesquisados 15 canais.

Este é o quarto ano consecutivo que a organização realiza essa pesquisa, que analisou cerca de 4.785.5 horas de programação do horário nobre da TV aberta e cerca de 1,227.75 do horário nobre da TV a cabo. Fazem parte da pesquisa a produção de séries, reality shows e programas diversos. No mês de setembro, a GLAAD divulgará um relatório anual avaliando a inclusão de gays, bissexuais e travestis, restrito à programação de séries.

A pesquisa tem o objetivo de vigiar as emissoras em relação a forma como os gays são representados na TV. Nos anos 60, o mesmo foi feito pela National Association for the Advancement of Colored People – NAACP, organização que atendia os direitos dos afro-americanos em relação à representação de sua cultura na programação televisiva. Foi graças a essa vigilância que atores negros conseguiram conquistar maior espaço nas séries, chegando aos dias de hoje como parte natural na escalação de elenco.

A grande diferença entre os dois segmentos é o fato de que os produtores não estão restritos a contratar atores gays para interpretá-los na TV; esses personagens podem ser vividos por heterossexuais, como já ocorreu em “Will & Grace”, sitcom que colaborou com a presença de gays nas séries de TV.

Segundo a pesquisa divulgada pelo GLAAD a MTV apresentou 207.5 horas de programas originais, dos quais 42% incluíam referências a personagens ou às vidas de gays, bissexuais e travestis. Os canais recebem da instituição uma espécie de ’selo de qualidade’, que varia entre excelente, ótimo, bom, adequado e ‘perdedor’. A MTV foi o primeiro canal, nesses quatro anos, a ganhar o ’selo de excelência’.

Entre os canais a cabo a ABC Family ficou em segundo lugar, com 37%; a TNT em terceiro, com 34%; o Showtime em quarto, com 32%; o Lifetime em quinto, com 31% e a HBO em sexto com 26%. Todos receberam o selo com a classificação de ‘bom’. Entre os canais adequados estão FX, com 27%;  Entre os canais a cabo que foram considerados perdedores estão o USA Network,  com 4%, o A&E, com 3% e o canal TBS, com 2%. Estão ausentes da pesquisa os canais AMC e Starz.

Entre os canais abertos, o CW ficou em primeiro lugar com 35%; a Fox em segundo, com 30%; seguido pela ABC, com 26% e pela NBC, com 13%.  Todos receberam o selo de ‘bom’, com exceção da NBC, que ficou com a marca de ‘adequado’. Já a CBS, que registrou cerca de 7% da presença gay em sua programação, recebeu o ’selo’ de ‘perdedora’.

Este é o segundo ano consecutivo que a CBS é classificada como perdedora pela organização. Em resposta, Nina Tessler, presidente da CBS, declarou aos jornalistas que a emissora não está feliz consigo mesma. A declaração foi feita aos jornalistas que hoje compareceram à coletiva de imprensa organizada pelo Television Critic Association – TCA, para apresentar a nova programação dos canais americanos.

Em razão desse resultado, Tessler declarou que os produtores de algumas séries receberam a incumbência de incluírem personagens gays em suas produções. Por esse motivo, o público conhecerá em breve o irmão gay de Alicia, na segunda temporada da série “The Good Wife“. Além disso, os roteiristas deverão revelar, aos poucos, algumas questões que cercam a sexualidade da personagem Kalinda interpretada por Archie Panjabi.

Em “Rules of Engagement“, Jeff e Audrey conhecerão sua mãe biológica, uma lésbica que fará parte da equipe de softball de Jeff. A série ainda inédita, “$#*! My Dad Says“, estrelada por William Shatner e com base em uma conta de Twitter, terá um gay no elenco de personagens semiregulares. Ele será interpretado por Tim Bagley, que já interpretou um gay em “Will & Grace”.

Ao longo das novas temporadas, outras séries da CBS deverão fazer surgir personagens gays em seu elenco fixo, semiregular ou convidado.

A GLAAD é uma instituição não governamental que surgiu em 1985, durante a epidemia da AIDS. Ela foi formada para dar força aos protestos da comunidade gay contra a forma como o jornal The New York Post publicava matérias sobre a AIDS. Acusada de sensacionalista e homofóbica, a empresa jornalística sofreu uma forte pressão para mudar sua postura.

Ao longo dos anos, a instituição cresceu, conseguindo transformar a mentalidade da mídia acerca da comunidade gay americana. Atualmente, a GLAAD é uma das mais poderosas instituições não governamentais americanas, sendo capaz de forçar mudanças de comportamentos e decisões criativas de emissoras como a rede CBS.
>> VEJA – por Fernanda Furquim

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