A QUEM PERTENCE UMA SÉRIE?

Nós brasileiros estamos acostumados a pensar que um canal de TV é dono de seu programa porque ele é quem produz. Por isso, fica difícil compreender que em outros países o procedimento é outro. Os canais são vitrines que exibem conteúdo.

Os proprietários dos programas são os produtores, que oferecem projetos aos canais. Estes pagam pela produção do projeto e pelo direito exclusivo de exibição.  Dependendo do sucesso, o valor para continuar a exibir o programa em sua grade se eleva. Se o programa sofre para manter sua audiência, o valor cai.

Basicamente, o lucro dos canais está na venda de espaços publicitários, ou seja, os famosos intervalos comerciais dentro do horário de exibição do programa (ou dentro da narrativa). Para que o canal possa ter um lucro bom, é necessário que o programa tenha uma boa audiência, ao menos entre o público alvo dos anunciantes, que geralmente compreende a faixa etária entre 18 e 49 anos. Já o lucro dos produtores está no bônus que recebem dos canais pelo sucesso dos programas e na venda do produto para reprises e outras mídias.

Atualmente, os grandes canais americanos pertencem a corporações (ou são associados a elas). Estas são proprietárias de redes de TV, de produtoras e de distribuidoras (entre empresas de outras áreas). Por exemplo: a CBS Corporation produz através da CBS Studios, exibe pelo canal CBS e vende programas para canais regionais, internacionais e outras mídias através da CBS Television Distribution.

Mas isto não significa que todas as produções da CBS Studios precisam ser exibidas pelo canal CBS. A lei de mercado determina que as produtoras ofereçam seus produtos a todo e qualquer canal operante no país. Caberá ao canal desejar comprar aquele determinado produto ou não. A partir do momento que ele compra o produto, um contrato de exclusividade é estabelecido para que as temporadas da série sejam exibidas por ele. O contrato tem validade e, por isso, precisa ser renovado. Caso contrário, a produtora terá liberdade de oferecer o produto a outro canal. O mesmo ocorre quando uma série é cancelada pelo canal.

Os programas também podem ser produzidos por empresas independentes, geralmente formadas por um grupo de produtores. Em geral, essas empresas têm três linhas de trabalho: elas podem desenvolver projetos por conta própria e oferecê-los a canais em geral; podem oferecer projetos para canais que pagarão pelo desenvolvimento dos mesmos; ou podem assinar um contrato com um canal específico para desenvolver um número ‘x’ de projetos durante um período ‘y’. Geralmente, empresas de médio porte trabalham com as três linhas ao mesmo tempo.

Por questões financeiras, é normal que essas empresas se associem a outras produtoras para conseguir desenvolver um produto, bem como a distribuidoras, que oferecerão os produtos a nível internacional.

Já as empresas pequenas, muitas vezes formadas por um ou dois produtores associados, trabalham a terceira opção: assinam contratos para oferecer um número ‘x’ de projetos para um determinado canal durante um período ‘y’. Neste caso, é comum que a empresa exista apenas no papel, não tendo um espaço físico próprio. Assim sendo, ocupam uma área cedida pelo canal.

Esta postagem traz uma visão geral de como funciona a produção nos EUA. Como todas as regras, existem as exceções, que estabelecem comportamentos diferenciados, os quais devem ser considerados caso a caso.

Confiram também a postagem “O Processo de Produção de Novos Projetos“. Quem estiver interessado em outros textos como este, acompanhem a seção Televisão deste blog.
>> VEJA – por Fernanda Furquim

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