MOACYR SCLIAR (1937-2011)

Moacyr Scliar escreveu mais de 70 livros em sua carreira

Moacyr Scliar escreveu mais de 70 livros em sua carreira

O premiado escritor mainstream Moacyr Scliar faleceu aos 73 anos no dia 27 de fevereiro último, após quarenta dias em terapia intensiva, depois de um acidente vascular cerebral sofrido durante procedimentos cirúrgicos menores.

Nascido em 23 de março de 1937, em uma família de judeus russos estabelecida em Porto Alegre, RS, Scliar formou-se em medicina e fez estudos de pós-graduação em Israel. Como escritor, publicou o seu primeiro livro, Histórias de Médico em Formação, em 1962. Ele viria a receber o Prêmio Jabuti, o principal prêmio literário brasileiro, três vezes, além do prêmio cubano Casa de las Americas, em 1989, e foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2003. Escreveu mais de 70 livros em sua carreira, vários dos quais dirigidos ao leitor jovem.

Scliar frequentemente escreveu formas de fantasia literária alegórica, em romances como O Centauro no Jardim (1980, publicado em inglês como The Centaur in the Garden), que trata uma família de emigrantes judeus, vindos da Rússia para o Brazil fugindo dos pogroms, na qual um de seus filhos nasce com o corpo de um centauro – numa alegoria dos sentimentos judeus de inadequação social, em um país novo. Esse livro foi inserido em uma lista dos 100 melhores livros relacionados à história dos judeus, montado pelo National Yiddish Book Center, dos Estados Unidos. Um sucesso mais recente com uma inclinação para o fantástico foi A Mulher que Escreveu a Bíblia (1999), sobre uma mulher feia, mas alfabetizada na antiguidade, que vivia em Jerusalém durante o reinado de Solomão.

Scliar esteve recentemente no centro de uma polêmica literária envolvendo o romance ganhador do Man Booker Prize, o principal prêmio literário da Inglaterra,Life of Pi (2001), de Yan Martel, cuja premissa é muito similar à da novela de Scliar, publicada em 1981, Max e os Felinos: no romance de Scliar, um garoto está à deriva no mar, num pequeno bote no Atlântico, com uma onça pintada como companheira de viagem, enquanto no livro de Martel, é um tigre no Oceano Pacífico. A inclinação de Scliar para o fantástico deve algo a Franz Kafka (1883-1924), influência reconhecida por ele em sua novela de 2000, Os Leopardos de Kafka, que presta homenagem ao escritor checo. Muitas histórias de Scliar tinham tendência similar.

Em 1993 e em 1997, Scliar foi professor visitante na Brown University e na University of Texas-Austin. Em 2010, ele deu a palestra de abertura da 4.ª Fantasticon, o maior evento de fãs de ficção científica e fantasia do Brasil, organizado em São Paulo por Silvio Alexandre. Seus livros foram publicados em vinte países, incluindo Rússia, República Checa, Eslovênia, Suécia, Noruega, França, Alemanha, Estados Unidos e Espanha. Deixou a esposa Judith, e o filho Roberto, um fotógrafo.
>> TERRA MAGAZINE – por Roberto de Sousa Causo

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