“AS CRÔNICAS DE IMAGINARIUM GEOGRAPHICA”: ONDE HABITA A FANTASIA

Ser portador de um objeto mágico já fez parte do imaginário da maioria das pessoas. Povoou os mais variados romances em épocas e linguagens distintas. Afinal, é da capacidade humana sonhar com aquilo que mais anseia. Algo que o tire da realidade e liberte a sua imaginação e seus anseios infantis que estão ali, escondidinhos no seu coração.

James A.Owen, na minha opinião, é um captador de sonhos. O seu primeiro livro editado aqui no Brasil da série As Crônicas de Imaginarium Geographica me encantou logo de cara pela beleza da capa. Ao ler a sinopse, assumo que pensei que seria bem infantil, mas ao ouvir as opiniões que estavam rolando pelo meio editorial, resolvi me arriscar e comprei.

Vocês devem estar se perguntando: E aí, Danilo, você não respondeu por que acha o cara bom?! Bom, vou explicar… Quando comecei a ler Onde Habitam os Dragões, comecei a perceber nas páginas desta obra fantástica de fantasia que todos os sonhos de infância ali seriam realizados, durante o decorrer daquela história. Neste livro, (Editora Underworld, 308 páginas) é como se ele pegasse cada referência boa que batia suas asas na minha imaginação infantil, misturado tudo e transformasse em algo único. Simplesmente mágico!

O livro se passa durante a Primeira Guerra Mundial, em Londres. John, um homem atormentado pela sombra da Guerra, recebe um chamado urgente do seu professor de Oxford. Lá, junto com Jack e Charles, ele descobre que seu professor foi assassinado e que o destino deste trio inusitado é de serem os guardiões do Atlas Imaginarium Geographica, um livro poderoso que contém os mapas de todas as terras mágicas e humanas, em todas as dimensões possíveis.

Sem dúvida, foi um dos melhores livros que li no gênero. O autor consegue trazer a magia do infantil para uma linguagem adulta sem parecer piegas. Seu estilo de texto, apesar de conter muito mais elementos mágicos, me remeteu ao lirismo de Coração de Tinta. Ele conseguiu nos presentear por ser ousado – criar a maior miscelânea de personagens de lendas e contos de fada que eu já vi! E para nossa alegria, conseguia manter uma linha de linearidade singular.

Temos o grande Rei Arthur, capitão Nemo com o seu grandioso Náutilus e a Caixa de Pandora em um mesmo ambiente, sem que o leitor ache absurdo em nenhum ponto. O ritmo em nenhum momento se torna cansativo e o texto é dinâmico e rico em detalhes. Os personagens principais, o nosso trio de humanos, crescem no decorrer das páginas, não com a certeza de suas missões, mas como qualquer pessoa normal, sentindo o peso nas costas de uma responsabilidade tamanha que não sabem se vão aguentar vencer esta jornada.

Toda grande história não pode deixar de ter um grande inimigo – este é o Rei Branco. Ele quer ser o Grão-Rei do Trono de Prata e governar todos os mundos, que antes era governado apenas pelos herdeiros de Arthur. E junto com um exército de monstros, ele quer dominar tudo! Como todo vilão deste gênero ele é frio, maldoso e sarcástico. O perfeito cara ruim que tínhamos medo de que pegasse nossos pés debaixo da cama nas noites de chuva.

Muitos leitores podem se perder em meios a tantas referências, mas não se desespere. No final, tudo se explica… E por falar nisso, que final! Este é o livro que nunca me cansarei de recomendar, não leia as últimas páginas antes da hora, por favor! Os bookaholics de plantão vão se deliciar a esta homenagem mais que merecida ao nosso universo literário…

Não ousem perder a chance de mergulhar neste universo mágico! Uma homenagem à fantasia que só um mestre poderia tecer!
>> LITERATURA DE CABEÇA – por Danilo Barbosa

Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: