CRESCE NÚMERO DE ESCRITORES BRASILEIROS QUE TRABALHAM O MEDO EM SEUS LIVROS

 (Arquivo Pessoal)

O escritor André Vianco é um dos autores de Literatura Fantástica mais vendidos do Brasil

O medo é o objetivo. E o limite entre o terror e a tranquilidade faz a diferença na hora de atrair leitores jovens. A literatura de terror produzida por autores contemporâneos brasileiros não tem contornos definidos e muito menos a pretensão de criar qualquer tradição de gênero, mas cresce, revela nomes e envereda por caminhos ainda muito ancorados nas referências de língua inglesa. O terror brasileiro herdou as criaturas e fantasmas geradas no Hemisfério Norte. Em alguns casos, incorporou pimenta própria com cores locais. Há seres saídos das lendas brasileiras diretamente para a tramas protagonizadas por vampiros e almas penadas. Ou então cenários favoráveis com especificidades urbanas que atendem os requisitos para se equiparar às metrópoles melancólicas típicas de certas histórias. Mas tradição, não há.

Na análise do paulistano André Vianco, 36 anos, o cenário mudou muito desde o ano 2000. “Há 10 anos, as editoras eram bastante reticentes quanto a receber fantasia e terror por parte dos autores nacionais, mas eu sabia que tinha esse público, gente que queria ler uma literatura de terror que não fosse infantil e escrita por brasileiros.” Vampiros foram os primeiros parceiros do escritor na empreitada que rendeu mais de 13 livros, a maioria publicada pela Novo Século. No mais recente, O caso Laura, lançado pela Rocco, as criaturas ficaram de fora e o terror se voltou para um suspense mais humano.

Vianco também gosta de inserir, nas narrativas, algumas referências brasileiras, como o Curupira e outras criaturas lendárias. Alimentado pelo cinema, ele prefere se concentrar no conteúdo e deixar a forma de lado. “Cresci assistindo muita coisa na tevê, lendo quadrinhos, jogando videogame e os autores contemporâneos vão se apropriando disso tudo. É claro que há aqueles que gostam mais da literatura clássica de terror. No meu caso, dou mais valor à história e não a como ela vai ser apresentada. A gente vive disputando atenção do leitor com playstation, internet, seriado na tevê e isso também traduz nossa linguagem.”

O leitor jovem é maioria nas apresentações e eventos dos quais Vianco participa, mas ele garante também conversar com vovós, mães e pais que acompanham a prole na leitura. É o mesmo público visado por Douglas MCT e Ademir Pascale, nomes do topo da lista de livros de terror da Draco, editora especializada em fantasia e ficção científica. Roteirista de games, Douglas publicou o primeiro romance no ano passado. Necrópolis — A fronteira das almas traz a saga da alma perdida de um garotinho que precisa ser resgatada pelo irmão mais velho. É o primeiro de uma série de três e o segundo está previsto para 2012. Nascido no interior de São Paulo, Douglas, 28 anos, confessa ter explorado temores pessoais para escrever a história.

Fã de Stephen King e Guillermo del Toro, ele levou para o livro a mescla de bizarro, horror épico e terror psicológico comum nas narrativas desses autores. “O público são jovens pós-Restart e adultos, ainda que adolescentes mais novos tenham se interessado também, como apontam as estatísticas da rede social livreira Skoob. Mas gosto de dizer que o público é aquele que busca um frescor em tramas de fantasia e terror. Daqueles que gostam de sentir medo por meio de uma mídia”, garante. Ademir Pascale, autor de O desejo de Lilith, acrescenta à fórmula algumas mensagens de superação. Para o paulistano de 35 anos, o medo contido na trama de terror só é justificável se conduzir a uma espécie de “lição”.

Fórmula do medo

 “Numa história de Terror
não pode faltar a imersão: levar
quem lê para a profundeza, na
qual ele possa sentir na pele
a possibilidade daquilo, temer
junto do personagem e morrer
junto dele, se possível”, 


Douglas MCT, autor de Necrópolis —
A fronteira das almas 


“Tem que ter aproximação com o leitor, colocar o leitor juntinho com as personagens que estão encenando a história e essa proximidade vai dar toda a atmosfera. Por mais fantasiosa que seja a premissa do romance, (o autor tem que) fazer o leitor acreditar naquilo “, 

André Vianco,
autor de O caso Laura 

“Gosto do terror abstrato.
É o terror que tá dentro da pessoa.
É uma pessoa que acorda de
noite com síndrome do
pânico e começa a ver coisas onde não
existe, esse é o terror realmente bom,
que me dá medo”, 


Heloísa Seixas, autora de O pente de Vênus — Histórias do amor assombrado

>> CORREIO BRAZILIENSE – por Nahima Maciel

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