“AMOR OCULTO”, DE LAURA ELIAS

Contar uma boa história em volta da fogueira é uma imagem idílica, até certo ponto mitológica, que não me abandona. Quem consegue, através de sua narrativa, fazer com que suas palavras permaneçam impressas atrás de minhas retinas desta maneira merece todo o meu respeito.

Ao ler Amor oculto (Mythos, 2011 – 126 páginas)esta é a impressão que tenho. Laura Elias domina as palavras, é uma contadora de histórias experiente, sabe jogar com o leitor, foi forjada na arte de escrever e se formou pela receptividade dos leitores. Deveria ser uma fórmula de sucesso. Mas o reconhecimento por aqui é difícil, a internet quebra barreiras, mas não diminui o abismo com o que vem de fora. O descaso com que nossos autores são tratados muitas vezes me deixa enojado.

Já escreveu mais de 30 livros, quase todos publicados, muitos deles de banca, sob pseudônimos Loreley McKenzie, Laura Brightfield, Suzy Stone, Elizabeth Carrol, Sophie H. Jones. Experiência não lhe falta. Depois de saber desta história através de uma comunidade, quis conhecer mais sobre a autora e trocamos algumas palavras e alguns emails, que me fizeram fã, por sua postura e ainda mais por sua imensa simpatia.

Partamos para o que realmente interessa – a narrativa desta escritora genial. Como todos podem observar gosto de ligar narrativas a imagens de outros livros ou de filmes para que possamos fazer inferências, para que tudo se torne um pouco mais claro a quem ainda não tem contato com alguns autores.

No caso de Laura Elias, não consegui fazê-lo. Seria isso então originalidade? Não diria isso, mas é difícil classificá-la.  Ela tem sua fórmula: mistério + paixão. Tem um público alvo, mas ainda assim consegue despertar em qualquer público o prazer da leitura. Muitos são os diálogos, que tornam o livro saboroso, pois eles são a alma de uma boa narrativa.

Antes do prólogo, uma espécie de prenúncio já dá o teor do que virá pelo livro:

A barreira da ética profissional dissolvia-se diante do que lhe era oferecido, diante do que ele tanto queria, diante da tentação que via em seus olhos, não mais serenos, mas ardentes como as fogueiras pagãs.

Pronto, já estamos fisgados, e o que vem depois é “hot” muito “hot”. O livro conta a história de Bervely Manson, escritora, que após matar sua personagem principal acaba matando sua inspiração. Resolve então acompanhar uma amiga a um antiquário e encontra lá um caderno cheio de histórias inacabadas. Ela decide terminar as histórias, sua inspiração renasce. Porém, há uma advertência feita pela antiga dona dos cadernos. Ela não dá nenhuma importância a ela. Daí coisas estranhas começam a acontecer, tudo o que escreve passa a acontecer. Seria uma maldição? Aha… não irei contar mais nada. O inexplicável geralmente nos perturba e o livro está repleto de coisas que irão se encaixar apenas no final.

“… como fugir da realidade quando ela se torna ainda mais bizarra que o sonho? Como fugir se nem mesmo dormindo havia paz? Se os fantasmas e demônios alheios passaram a habitar sua vida?

E não poderia deixar de colocar aqui alguns trechos para deixar a todos um pouco mais alvoroçados:

O desejo:

“… olhou para ela, ainda segurando-a pelos ombros. Sentia vontade de tocá-la, passar os dedos por aqueles mamilos que a blusa insinuava, beijar-lhe a delicada linha do queixo, os lábios sedentos, os olhos serenos… explorar aquela mulher com força, com carinho, com sofreguidão.

A sedução:

“… balançou lentamente a cabeça de um lado para o outro, a malícia dançando em seus olhos. Com um gesto rápido, ergueu-se e arrancou o vestido, expondo-se, despudorada, em sua calcinha negra, rendada, por onde os pelos loiros apareciam, qual tesouro guardado apenas para ele.”

O embate:

“Apalpou-lhe as formas e depois se deixou pesar em seu corpo, apenas para ouvi-la gemer. Sua voz penetrava-lhe os ouvidos e o deixava cada vez mais excitado.”

É claro que cortei os diálogos e as partes mais quentes. Portanto, podem correr! Leiam e me contem depois se Laura é ou não dona de uma imaginação fértil e diabólica. Estamos totalmente desarmados quando ela começa a contar suas histórias. E citando um trecho de seu próprio livro: Que segurança as armas poderiam oferecer contra a imaginação?
>> LITERATURA DE CABEÇA – por Rodolfo Euflazino

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