ANDREA DEL FUEGO: REALIDADE FANTÁSTICA QUE VIROU LITERATURA REALISTA

Vencedora do prestigiado prêmio José Saramago com o livro Os Malaquias, Andréa Del Fuego é hoje um dos nomes mais importantes da nova literatura brasileira.

Ela conta que quando escreveu o conto “Como ganhar um Jabuti”, uma crítica sobre a neurose que envolve as vida dos escritores diante de um prêmio literário, Andréa nem sonhava que viria a ganhar um prêmio e muito menos o prêmio fundado pelo autor que ganhou o Nobel de literatura.

Acostumada com textos curtos, contos e livros infantis, Os Malaquias foi a obra que marcou a sua transição para o romance.

Apesar de trabalhar fortemente com prosa poética a escritora afirma: “Eu gosto de escritores que me dão a realidade, sem metáforas”. Mas ao analisar a história que originou Os Malaquias, aquilo que parecia fantástico passa a ser uma realidade impressionante. Andréa escreveu o livro se baseando na história de seus bisavós que foram vítimas de um raio em um vale no interior de Minas Gerais. Os dois faleceram mas seu filhos tiveram apenas machucados leves.

As crianças que ficaram órfãs acabaram sendo separados: a tia-avó foi adotada por uma família árabe em São Paulo, para ser empregada e não filha e o avô de Andréa foi trabalhar em uma fazenda em um esquema similar ao de trabalho escravo. Já o tio-avô Antônio que é anão, na mente de Andréa por muito tempo havia virado anão por conta do raio.

Com esses personagens na vida da autora não foi difícil transpor a história para as páginas, processo que começou quando a avó de Andréa faleceu. Até então Andréa escrevia apenas contos eróticos. Com a morte, que é inclusive um elemento muito presente no livro, ela percebeu que a sua capacidade de escrever ia muito além.

Outro episódio da realidade fantástica que é a família de Andréa pode ser contado na sua própria versão: “O tio Antônio já era bem velhinho, andava descalço com o chapéu de palha e se enfiava no meio do milharal e todos procuravam por ele. Quando ficou mais idoso ele ficou gordinho e tinha uma lordose bem profunda. Ele se sentava na cozinha perto do fogo e ficava lá por muito tempo, até que o gato subia na lordose dele e dormia. Não é para ser escritora?”.
>> TV CULTURA – por Bárbara Dantine
 

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