HQ ENFRENTA FANTASMAS DE MÁQUINAS INTELIGENTES

Graphic novel ‘V.I.S.H.N.U.’ (Quadrinhos na Cia.)
rediscute terceirização da consciência humana

VISHNU

Ficção científica em quadrinhos brasileira é uma parceria entre Ronaldo Bressane, Eric Acher e Fabio Cobiaco

No futuro, cientistas, guerrilheiros, governantes e religiosos tentam tomar as rédeas de uma misteriosa inteligência artificial em um mundo dominado pela tecnologia, em que até cidadãos comuns podem ter seus robôs pessoais. Até que tudo, de repente, entra em colapso.

Essa distopia pós-moderna desencadeia uma mudança na ordem mundial, mas não sem antes provocar grandes tragédias pelo planeta.

Tempos depois, uma nova consciência eletrônica, denominada V.I.S.H.N.U, surge de forma espontânea.

Primeira experiência de fôlego dos quadrinhos nacionais no campo da ficção científica, “V.I.S.H.N.U.” conta com roteiro do escritor e jornalista Ronaldo Bressane, autor de “Céu de Lúcifer” (Azougue Editorial), e se baseia em um argumento de Eric Acher. A arte é de Fabio Cobiaco.

A aventura tecnológica, primeira de uma trilogia, dialoga com traços do quadrinista francês Jean “Moebius” Giraud (1938-2012) e com os conceitos estéticos do artista plástico suíço H. R. Giger, famoso por compor os monstros e cenários do primeiro filme da saga “Alien” (1979).

“O livro é um resultado das inquietações em relação ao livre-arbítrio do homem e ao que ele quer para o futuro. Toca em temas como a transferência de consciência e a imortalidade”, diz Bressane.

Segundo o escritor, a ideia era discutir os dilemas de ciência e tecnologia por uma perspectiva pop, imaginando da interação sexual entre homem e máquina a uma questão filosófica central: até que ponto um objeto high-tech pode ser dotado de alma?

Vishnu, na mitologia hindu, é o deus responsável pela manutenção do universo. O romance transforma a entidade em um impulso eletrônico messiânico, gerado dentro de um supercomputador, mas a sociedade corre novo risco de se deixar governar.

Ao compor o argumento, em 2007, Eric Acher revisitou a obra do filósofo indiano
Jiddu Krishnamurti (1895-1986) como inspiração para “V.I.S.H.N.U”, questionando o que enxerga como a “terceirização” da inteligência humana para os computadores.

“Hoje usamos dispositivos externos como smartphones para nos conectar. Em alguns anos, poderemos ter computadores com realidade aumentada e, quem sabe, virão os implantes neurais. Difícil prever o que acontecerá em seguida”, reflete Acher.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Douglas Gravas

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