O MERCADO DE QUADRINHOS NO BRASIL

sexta-feira | 20 | janeiro | 2012

Gabriel Bá comenta lançamentos de 2012 e a influência da internet nos quadrinhos

Para os aficionados por quadrinhos, o ano de 2011 foi um prato cheio. Com vários lançamentos no mercado editorial brasileiro, também foi um período de prêmios internacionais — os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon, com  a obra “Daytripper”, faturaram o prêmio Eisner Award, um dos mais importantes do mundo dos quadrinhos.

Em entrevista exclusiva, o quadrinista Gabriel Bá fala sobre o mercado de quadrinhos no Brasil e conta sobre as facilidades que a internet trouxe para quadrinistas que, segundo ele, trabalham cada vez mais de forma independente.

Gabriel Bá: “Talvez a internet seja o melhor veículo para propagação dos quadrinhos.” Foto: J.R. Duran

O ano de 2011 parece ter sido especial para os quadrinhos brasileiros — vocês, por exemplo, ganharam os prêmios Eisner Award e Harvey Award. O que os aficionados por quadrinhos podem esperar de 2012? E com relação ao trabalho de vocês?
Gabriel Bá: Creio que há dois projetos legais que devem ser lançados neste ano. O primeiro deles é oGraphic MSP, do Maurício de Sousa, que traz uma releitura das histórias da Turma da Mônica feitas por quadrinistas como Gustavo Duarte, Danilo Beyruth, Shiko, Vitor e Lu Cafaggi. O outro lançamento vem da parceria entre escritores e quadrinistas. Trata-se de uma série de graphic novels idealizada pelo produtor de cinema Rodrigo Teixeira, em parceria com o escritor Joca Terron. O primeiro volume, “Cachalote”, já foi lançado em 2010. Dos nossos trabalhos, devemos lançar “Casanova” em formato gibi. Também temos outra publicação que não é de quadrinhos — chama-se “Cidades Ilustradas”. Trata-se de um projeto que revela cidades brasileiras pelo traço de vários artistas. Eles levam os autores a cidades que eles não conhecem e, em seguida, os autores fazem um livro com suas impressões. A cidade que estamos trabalhando é São Luís, no Maranhão.

As mudanças que ocorrem no mundo real — linguagem da internet, comunicação rápida e instantânea — afetaram a forma de fazer quadrinhos? 
Na forma de se produzir quadrinhos, não houve mudanças. Talvez a internet tenha ajudado na divulgação desse trabalho, sob diferentes aspectos. Com as tiras, funciona muito bem, que são curtas e rápidas. Só não é melhor que o jornal, porque de certa forma ele já está estabelecido, todo mundo sabe que nesse tipo de publicação já há aquele espaço reservado para tirinhas que todos conhecem. Mas a internet permite que todos tenham acesso aos trabalhos e até mesmo aos autores. Aqueles que gostam de quadrinhos podem seguir, comentar e obter respostas dos quadrinistas, além de poder ver truques e dicas sobre como produzir quadrinhos.

Essa interatividade com os leitores já influenciou algum trabalho de vocês?
Sempre pensamos sobre aquilo que os leitores falam e levamos em consideração as respostas e comentários. Mas como nós trabalhamos sempre juntos, temos que entrar em um acordo. De toda forma, não fazemos disso uma novela, que só quer ganhar mais ibope. Nossos projetos são sempre muito bem pensados, trabalhamos sempre em dupla e discutimos muito sobre eles. Levamos em média dois anos para realizá-los e, quando terminamos, é difícil ter algo que não tenha sido pensado. E nos envolvemos apenas em projetos nos quais acreditamos.

A partir do Daytripper, vocês ganharam notoriedade como contadores de histórias, e não só como desenhistas. Como foi isso?
Com o “Daytripper”, ganhamos destaque maior como contadores de histórias. Antes éramos só desenhistas. Nosso trabalho não é o mais comercial, e com o “Daytripper” mostramos que temos um estilo, uma história para contar. Acredito que o público e o mercado vão nos ver com outros olhos. De toda a forma, continuamos equilibrando esses dois tipos de trabalho.

Em 2011, ganhou corpo um projeto de lei que obriga editoras de quadrinhos a reservar no mínimo 20% para trabalhos nacionais. O que você acha dessa proposta?
Não sei se vai ajudar muito. Essa proposta fala em utilizar mais quadrinhos na escola e ensinar as técnicas para fazê-los. Acho que isso é interessante, pois ajuda a criar público, que também é muito importante. Esse projeto de lei que obriga a ter uma reserva de 20% de títulos nacionais talvez funcione para editoras grandes. As pequenas talvez não tenham como publicar mais títulos. Há também as editoras de mangás, que trabalham com obras estrangeiras e não conseguiriam trabalhar dessa maneira. Não acho que vá beneficiar os autores, uma vez que eles não irão receber mais dinheiro por isso. Não dá para ficar esperando as coisas caírem do céu. E, pelo que tenho visto, a maioria dos autores na área de quadrinhos também não. Muitos estão procurando mostrar seu trabalho de forma independente. Acredito que o mais importante é criar e formar um público de quadrinhos, utilizando a escola, por exemplo.
>> CONTAFIO – da Redação

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UNIVERSIDADE ESCOCESA INAUGURA MESTRADO SOBRE QUADRINHOS

segunda-feira | 13 | junho | 2011

“É, melhor começar a me preparar para as provas…”

Em setembro deste ano, a Universidade Dundee (sim, existe uma faculdade com esse nome), na Escócia, vai começar um curso de pós-graduação, digamos, único – um mestrado sobre quadrinhos. Entre os temas abordados na grade, haverá aulas sobre história das HQs, quadrinhos internacionais, prática criativa (em que o estudante cria sua própria história) e uma dissertação sobre o tema. De acordo com o site da BBC News, o programa de pesquisa da universidade foi criado por Chris Murray, uma das maiores autoridades britânicas sobre HQs.

Interessou? Então clique aqui para se inscrever e saber mais sobre a pós. O curso pode ser feito em um ou dois anos, dependendo da carga horária – o aluno tem a opção de estudar em meio período ou integral – e exige um certificado de proeficiência em inglês. Para estudantes internacionais, o custo total fica 9.500 libras (cerca de R$24.600, de acordo com o câmbio atual), sem hospedagem inclusa. É, meio caro. Você faria um curso como esse?
>> SUPER – por Cláudia Fusco


ULTRAMAN 45 ANOS – DESAFIOS E EXPECTATIVAS

sexta-feira | 29 | abril | 2011

Este é o ano em que a franquia Ultra, a mais antiga marca de super-heróis japoneses, completa 45 anos. As comemorações se iniciaram já em 2010, com o lançamento deUltraman Zero The Movie, mas o filme não emplacou nos cinemas, amargando apenas o décimo lugar no lançamento, caindo mais ainda nos dias que se seguiram. Para se ter uma ideia de comparação, o filme Let´s Go Kamen Riders, lançado em primeiro de abril deste ano para comemorar os 40 anos da igualmente famosa franquia dos Kamen Riders, ficou duas semanas em primeiro lugar nas bilheterias japonesas. Obviamente isso não quer dizer que o filme de Ultraman Zero, lançado no último dia 22 de abril em DVD e Blu-ray no Japão, seja ruim ou de baixa qualidade. Ao contrário, todos os trailers mostraram imagens de impacto em uma produção de alto nível, bem à frente da concorrência. Mas teriam os Ultras ficado para trás e a marca está desaparecendo lentamente conforme seus astros do passado envelhecem? É o que veremos analisando as atividades anunciadas para este ano.
 
Zero Ultimate Force – Fraco nas bilheterias

EVENTOS E ESPECULAÇÕES

Susumu Kurobe, o Hayata (forma humana do primeiro Ultraman), já anunciou várias vezes sua aposentadoria. Em 2007 ele achava que tinha interpretado Hayata pela última vez, em dois episódios de Ultraman Möebius. Voltou atrás e em 2008 atuou em Superior Ultra 8 Brothers, o maior sucesso da Tsuburaya nos cinemas até hoje e anunciou que aquela seria sua despedida oficial, pois já estava com quase 70 anos na época. Diga-se de passagem, estava (e está) mais inteiro do que Koji Moritsugu, o Dan Moroboshi(Ultraseven), que é cinco anos mais jovem.Em 2009, voltou à ação no mais bem produzido filme da franquia, que apresentou pela primeira vez Ultraman Zero, o filho de Ultraseven. No filme de Zero de 2010, Kurobe apenas fez a voz do herói transformado, assim como todos os outros veteranos. Talvez tenha sido esse o grande erro, apostar o filme em personagens e atores desconhecidos do grande público. Três heróis clássicos da Tsuburaya – FiremanJanborg Ace e Mirrorman – foram repaginados como GlenfireJanbot Mirror Knight e dividiram a cena com Zero. Os Ultras originais ficaram relegados a segundo plano na aventura. Depois do fiasco da ideia nos cinemas, fica difícil imaginar que o estúdio não faça uma oferta para que alguns veteranos voltem à ação, não apenas fazendo a voz do herói transformado, mas também suas identidades humanas.

 
Ultraman Premium: Veteranos de volta à ação ao vivo

A prova de que eles não estão “velhos” demais é que entre primeiro e cinco de maio, em Nagoya, será apresentado o evento Ultraman Premium 2011. Consiste em uma aventura teatral com Susumu Kurobe, Koji Moritsugu e Ryu Manatsu interpretando novamente Hayata, Dan Moroboshi e Gen Ootori (Ultraman Leo), ao lado deShota Minami (Reimon, da sérieUltra Galaxy). Se estivessem mesmo incapazes para rodar um filme, devido à idade, como estão bem para uma peça de teatro, onde tudo é ao vivo, em tempo real? A peça ainda tem Shigeki Kagemaru(o Shinjo da série Ultraman Tiga – na foto, ele está com uma gravata vermelha), com história de Keiichi Hasegawa (Ultraman Dyna, Nexus, Ultraseven X, Kamen Rider W), e a direção é de Hirochika Muraishi, veterano diretor de Ultraman Tiga, Dyna e do clássico Cybercop.

Além da peça, o evento irá apresentar o grupo Voyager, criação da Tsuburaya Pro. para executar os temas de seus personagens. Formado por um rapaz e três garotas, o Voyager atua desde 2009 e tem um ótimo trabalho de harmonias vocais e repertório pop-rock. É absurdamente superior às Kamen Rider Girls, banda formada pela Toei e a gravadora Avex Trax para a trilha do recente Let´s Go Kamen Riders. A performance vocal delas (audivelmente trabalhada em estúdio pra arrumar a desafinação) e o arranjo medonho de rap destruíram a famosa canção tema do primeiro Kamen Rider, regravada para o novo filme.
 
Voyager: Músicas de qualidade

Falando em filmes, para o final do ano um novo longa será lançado, encerrando a trilogia de batalhas entre Ultraman Zero e o maligno Ultraman Belial. Resta saber se os Ultras irão marcar presença forte no filme ou se novamente serão coadjuvantes. Como o filme anterior lançou um supergrupo, o Zero Ultimate Force, formado por Zero, Janbot, Glenfire e Mirror Knight e deixou a história em aberto para uma conclusão, pode-se dizer que o estúdio terá que conciliar muito bem personagens e interesses comerciais.

E ainda o público japonês verá o tradicional Ultraman Festival, que neste ano acontecerá de 22 de julho a 28 de agosto, em Tokyo, com exposição, performances, vendas de produtos e diversas atrações.

ULTRAMAN RETSUDEN – A NOVA SÉRIE
Como preparação para o novo filme, que deverá ser repleto de Ultras, a Tsuburaya irá lançar uma nova série, na verdade uma coletânea de cenas das séries e filmes, explicando características de heróis e monstros da franquia. O “apresentador” será Ultraman Zero, que irá aprender sobre todos os heróis que o antecederam, reunindo todas os Ultras de diferentes dimensões e linhas cronológicas, uma tendência que tem se fortalecido nos últimos anos.
Zero tem a voz do famoso dublador Mamoru Miyano (Light Yagami emDeath Note), sendo que seu hospedeiro humano, Ran, é vivido por Yu Koyanagi. A presença de nenhum dos dois foi confirmada, mas Miyano deve reprisar seu papel, pois tem gravado a voz de Zero para especiais em DVD e até para a já citada apresentação teatral. Por outro lado, a Tsuburaya já confirmou a presença de alguns convidados ilustres, a saber: Hiroshi Nagano(Daigo, o Ultraman Tiga), Takeshi Tsuruno (Asuka, o Ultraman Dyna),Takeshi Yoshioka (Gamu, o Ultraman Gaia) e Taiyou Sugiura (Musashi, oUltraman Cosmos), que deverão apresentar segmentos do programa. Vários outros convidados irão aparecer, nessa série comemorativa do aniversário da franquia. Indicado para iniciantes no Universo Ultra ou para os colecionadores hardcore, Ultraman Retsuden (Ultraman – Biografias) será exibido toda quarta às 18h00 na TV Tokyo, com início em 6 de maio. Voltando ao campo das especulações, não será surpresa nenhuma se os Tiga, Dyna, Gaia e Cosmos retornarem para “salvar” o próximo filme do risco de novo fiasco. Se isso acontecer, será outro problema de excesso de personagens para o roteirista resolver.
A franquia Ultra tem se renovado, atualizado valores de produção e distanciou-se de padrões que, de tanto serem insistidos, viraram estigmas. Mas uma parcela enorme do público, e mesmo fãs de tokusatsu, sequer tem vontade de assistir, pois esperam já que verão algo batido. Ultra Galaxy, o longa de 2009, apresentou cenários em CG, trilha exuberante de Mike Verta, compositor deHollywood e distribuição da Warner Bros. atestando a qualidade internacional da película. Respeitando o passado e atualizando histórias e efeitos, a Tsuburaya tem produzido um bom material para fãs e para novos públicos, mas enfrenta agora o peso de seus 45 anos de aventuras.
A renovação técnica e estrutural do Universo Ultra aconteceu, mas de tão tardia, pouca gente tem se interessado. Eis o grande desafio do estúdio: fazer da marca Ultraman continuar relevante para os próximos anos e atrair novos fãs sem perder os antigos.
Finalizando, um divertido vídeo lançado em abril pela empresa ABC Housing, que cria casas visando conforto e praticidade, mostra os Ultras relaxando como pessoas normais.

A FUNDAÇÃO ULTRAMAN

A Tsuburaya lançou a Ultraman Foundation, especialmente para ajudar as crianças nas áreas atingidas pelo grande terremoto e tsunami de 11 de março.

Em seu site oficial, a entidade divulga mensagens e presta contas de suas atividades para arrecadação. Mais uma das muitas ações criadas pela mídia japonesa para apoiar seus cidadãos nesse momento difícil.
>> SUSHI POP – por Alexandre Nagado


PRÊMIO HQMIX REALIZA CADASTRAMENTO PARA VOTAR NO TROFÉU!

segunda-feira | 25 | abril | 2011

Troféu HQ Mix

A Comissão Organizadora do Troféu HQMIX está realizando uma campanha para recadastrar todas as pessoas que votam no prêmio, considerado o principal do mercado de quadrinhos. A ideia é ter informações mais detalhadas sobre cada eleitor.

Esse processo servirá também para a inscrição de novos votantes. Assim que o e-mail chegar à Comissão, o eleitor receberá uma resposta da Comissão do HQMIX.

O votante inscrito terá, futuramente, serviços exclusivos, como descontos em livrarias, jornal da Associação dos Cartunistas do Brasil, informações sobre promoções e sorteios de originais de desenhistas e materiais de desenho. Mas o cadastramento é só para profissionais da área.

Para se cadastrar ou recadastrar, é simples. Basta que você preencha as informações a seguir e envie para o e-mail hqmix@yahoo.com.braté o dia 30 de maio de 2011. A ficha é a seguinte:

Nome:
Endereço:
RG:
Telefone de contato, com DDD:
Área de trabalho (anotar uma ou mais em que se enquadra)
( ) roteirista
( ) desenhista
( ) colorista de HQ
( ) editor
( ) jornalista especializado
( ) editor de blog/site de HQ e humor gráfico
( ) pesquisador ou professor da área de quadrinhos e humor gráfico
( ) outros
Blog ou site pessoal:
E-mail para votação (importante: use um endereço que não contenha antispam):
Resumo curricular (de três a dez linhas):

As fichas irão para a Comissão Organizadora e o eleitor (ou candidato a eleitor) receberá uma resposta.

Em paralelo, a Comissão já está divulgado em seu blog alguns do pré-indicados ao prêmio de 2011. Para conferir, click aqui.


ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS SOBRE QUADRINHOS EM RECIFE

domingo | 13 | março | 2011

As histórias em quadrinhos no Brasil estão deixando de ser vistas apenas como forma de entretenimento e diversão infantil. Cada vez mais estudos acadêmicos abordam o fenômeno das HQ´s sobre várias perspectivas com importância social, cultural e econômica. Monografias, dissertações e teses vêm sendo desenvolvidas nas mais diversas áreas da Comunicação, das Ciências Sociais, da Literatura e Lingüística, Educação, entre outras. Políticas públicas que valorizam e estimulam a aplicação e uso das histórias em quadrinhos na sala de aula são implementadas. O número de Quadrinhos Nacionais ganha mais espaço nas bancas e livrarias. Surgem colunas especializadas nos jornais e revistas, programas de TV, adaptações para o Cinema, a TV e até para o Teatro. Os quadrinhos estão se consolidando como a linguagem deste novo século. Esta importância social tem fornecido muitos objetos de pesquisa que muitas vezes precisam ser adaptados pelos pesquisadores com o intuito de divulgá-los nos congressos, simpósio e colóquios das suas respectivas áreas.

O objetivo do evento é reunir os pesquisadores que se dedicam a estudar o fenômeno das Histórias em Quadrinhos nas mais diversas modalidades e áreas e os temas paralelos como Desenhos Animados, Ilustração, Role Playing Games (RPG), e ainda, os movimentos urbanos como os Cosplays, as práticas de Dublagem, a produção de Fanfics e Fanzines, e as adaptações destas produções para outras linguagens como a TV, Teatro e o Cinema. Com isto em vista e com a carência de espaços de discussão na Região Nordeste, propomos a realização do I Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop.

O evento estará se realizando no mês de julho dentro do “Super-Con”, a Super Convenção, a maior convenção de Cultura Pop do Estado de Pernambuco e adjacências (também é realizado na Paraíba). O evento reúne os fãs de Animes, Mangás, Quadrinhos de Super-Heróis, Dublagem e outras atividades, no centro de convenções da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. A idéia é permitir aos participantes não só o espaço acadêmico de reflexão e apresentação das pesquisas, mas vivenciar o próprio ambiente de análise.

Todos os interessados em participar, podem  propor atividades como Mesas-redondas, Grupos de Trabalho (GT´s) e Comunicações Livres deverão enviar (por email para: encontrohq@gmail.com) a ficha de inscrição e um resumo de sua proposta, conforme os critérios de regulamentação até 14/04/2011, para a avaliação por parte da Comissão Científica e posterior publicação nos Anais do Evento.

Solicitamos gentilmente a todos a divulgação do evento.

Comissão Organizadora


“NATIONAL KID”: KIDO? KIDO! NATIONARO KIIDO!

sexta-feira | 11 | março | 2011

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National Kid ficou imortalizado como símbolo dos heróis japoneses no Brasil. Usando trajes pra nenhum Super-Homem botar defeito (com direito a anteninha de mola na cabeça balançando pra lá e pra cá), Kid lutava usando seus precários, porém charmosos, golpes de caratê contra os Incas Venusianos. O enlatado japonês, que poderia ter passado batido, resistiu ao tempo e foi lançado este ano em DVD.

Há quatro décadas, assistir aos episódios do herói oriental era a obrigação de toda criança antes de ir para a escola. Ainda hoje, essa geração não se cansa de falar e comparar lembranças do seriado (e de, com isso, confessar a idade…).
No Brasil, o seriado desembarcou em 1962, na TV Record. Por vários anos, seus 39 episódios, que se agrupavam em quatro temporadas, foram exibidos e reprisados. Quando chegou 1968, National Kid foi levado das telas da televisão junto com boa parte do acervo que a Record perdeu num incêndio.

Os fãs do super herói só voltariam a vê-lo em 1995, graças à Sato Company que relançou 90% do programa em vídeo em comemoração ao 85o aniversário da imigração japonesa.

No entanto, parte das lembranças foram assassinadas pela nova dublagem, que não foi condenada apenas por se tratar de uma nova dublagem, mas sim por ter sido muito mal conduzida. A maior blasfêmia envolveu clássica saudação dos Incas Venusianos, Awika (com som forte no i), que foi trocada por “Ávica”. O curioso é que a redublagem foi dirigida por Emerson Camargo, dono da voz original do super-herói. Ele tinha a obrigação de saber, pelo menos, essa palavra, a mais lembrada pelo público – a menos que Emerson tenha optado em deixar a adaptação mais próxima do original, em que “Awíka” é “Àvika” mesmo, apesar disso ser pouco provável.

Mas nada disso importa para quem via o professor Masao Hata e o quinteto de crianças há 40 anos. Alugar ou comprar National Kid em vídeo era o mesmo que ter em mãos uma máquina do tempo e poder usá-la a qualquer hora.
O relançamento da série foi um grande sucesso. Teve exposição de ilustrações no Sesc Pompéia, exibições em vários teatros e cinemas e até um bloco inteiro num Fantástico da época.

Sete anos depois, o mesmo Nelson Sato, presidente da Sato Company, lançou, em parceria com a Cinemagia, os dois primeiros volumes de National Kid em DVD, que está disponível nas lojas.
Nessa reedição, que fixou a desgastada película em formato digital, foram incluídos os treze primeiros episódios da saga, que abrangem toda a temporada dos Incas Venusianos. O que ficou estranho é a falta de opções com relação as legendas e á dublagem. No primeiro disco, só está disponível a cópia dublada e no segundo, não dá para ver outra versão se não a legendada. Mas, enfim, os episódios estão alí, a salvo de todo o mofo.

O primeiro super-herói

Não pense que National Kid foi um fracasso no Japão. Pelo contrário. Lá, o mascarado também representa um marco para a história dos tokusatsu.

Pronunciando Nationaro Kido, os famosos estúdios da Toei Company produziram o seriado, que estreou em 1960 pela emissora NET (atual TV Asahi). Apesar de ser o primeiro herói a poder voar, a revolução de Kid estava nos bastidores. O orçamento usado para a filmagem de um episódio de trinta minutos era de, aproximadamente, um milhão e quinhentos mil ienes (hoje, cerca de doze mil dólares). Isso numa época em que a média era destinar dez mil ienes por minuto às produções para a TV (lembre-se que, nos anos de 1950 e 60, a Toei investia muito mais em filmes para cinema. A televisão ainda era posta numa categoria inferior).

Esse investimento todo veio por intermédio da National Matsushita Denki (atual Panasonic), a patrocinadora do seriado. A empresa apostou num programa infantil como um imenso outdoor para aumentar as vendas de suas pilhas e bugigangas eletrônicas. A jogada foi de mestre e o objetivo foi alcançado em pouco tempo. National Kid não só carregava, ele próprio, o nome da futura Panasonic, como vivia mostrando rádios e aparelhos sofisticados com a estampa da empresa. A pistola Eroruya, que o herói usava para disparar raios, começou a ser comercializada nas lojas e foi outro grande sucesso. Era a primeira vez que as crianças podiam brincar com um apetrecho oficial de um programa que via na TV (um alívio para as donas de casa, que não agüentavam mais ver suas toalhas e lençóis recortados em forma de capa). Com isso, o merchandising, que hoje dita as regras no ramo de entretenimento, estava criado.

Além do trabalho institucional, a própria série ganhou um clima moderno e futurístico, o que atraía a audiência. Lógico, cifras a mais destacaram a qualidade da produção. As cenas de vôo, por exemplo, eram feitas em cromakey (fundo azul ou verde), o que liberava os pobres funcionários do estúdio da constrangedora função de ficar correndo com um boneco tosco pendurado num fio.

01-kid-pose2MENSAGEM ANTI-NUCLEAR

Os Incas Venusianos, liderados pela rainha Aura (devota ao deus Awika), chegam à Terra e alertam alguns cientistas para que parem as pesquisas de energia nuclear. Eles temem que os terríveis efeitos da radiação extrapolem o território terrestre e infectem outros planetas do universo. National Kid é enviado do planeta Andrômeda para defender os humanos. Aqui, ele se disfarça do cientista Masao Hata (originalmente chamado de Ryusaku Hata) e, ao chamado do rádio mágico surge onde quer que esteja o perigo. Além dos Incas Venusianos, Kid quebra o pau com os Seres Abissais, os Seres Subterrâneos e os Zarrocos.

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Como a maioria dos heróis do pós-guerra, National Kid fazia um apelo para o fim dos testes nucleares. As feridas japonesas ainda não estavam totalmente cicatrizadas e, com o tokusatsu, era possível passar os ideais de paz e progresso através de metáforas bem estereotipadas (vide Godzilla, fruto de testes com radiação).

Mas essas mensagens subliminares não faziam diferença para o publico brasileiro, que estava mais interessado em saber se Kid iria ou não dar um fim em Aura e nos outros Incas Venusianos.

Curiosidade: O ator que interpretou o alter-ego humano de National Kid, Ichiro Kojima, foi trocado depois das duas primeiras histórias para estrelar filmes da própria Toei. No lugar entrou Shutaro Tatsume.

PHD em National Kid

Humberto Cardoso é o autor do site National Kid Brasil, lugar onde você encontra as mais completas informações sobre o herói. Confira porque até hoje ele não desgruda do Super-Homem nipônico (não, não é bem isso…) nessa mini-entrevista:

Awika – Quais são suas melhores lembraças do National Kid?

Humberto: National Kid tem uma marca registrada na minha vida. Eu morava no Cachambi, com os meus pais e meus irmãos. Toda a família vibrava com as cenas do seriado e nós, na época com idades entre 6 a 8 anos, brincávamos, pulávamos e cantávamos a marchinha clássica. Nossos amigos da escola e da rua não ficavam de fora. National Kid, certamente, encontra-se atrelado à melhor fase da minha vida, um verdadeiro marco.

Awika – Nos anos 60 eram exibidos vários outros programas com super heróis e aventuras, como Ri-tin-tin, Batman, Perdidos no Espaço e o próprio Super-Homem. O que o Kid tinha de especial?

Humberto: Independente das cenas de ação ou dos inimigos, havia algo que, indiscutivelmente, nos cativava muito: os protegidos do Professor Masao Hata. Nós nos identificávamos muito com aquelas crianças, que viviam se metendo em confusões e sendo resgatadas pelo National Kid. O menino mais novo era incrível!

Awika – Quando surgiu a idéia de montar um site sobre o National Kid? Onde conseguiu as informações?

Humberto: Em pesquisa na Internet, há cerca de 2 anos, encontrei apenas um site que, entre outros assuntos, trazia um pequeno texto e uma única imagem do National Kid. Como eu tenho todas as fitas da série, inclusive as duas últimas, não lançadas no Brasil, resolvi capturar algumas imagens e introduzir num site da Intermega (Globo, o primeiro, praticamente em fase de teste). Aqui no Rio há inúmeros fãs do herói e consegui obter várias matérias, publicas em jornais da época. Outras informações vieram por intermédio de amigos no Japão. Conheci um rapaz, de São Paulo, webmaster do site Retrotv (www.retrotv.com.br), que demonstrou interesse na elaboração do site pelo Hpg. Na época eu não tinha conhecimentos de programação html mas, diante da gentileza dele, resolvi seguir em frente.

Awika – Para finalizar, tire a dúvida que atormenta muitos fãs: National Kid era exibido na Globo ou na Record?

Humberto: A série foi exibida na Record e, em algumas ocasiões, na Globo. Por último da extinta Rede Manchete. Há algum tempo, a série estava sendo exibida na TecSat.

Heróis de grife

National Kid ficou famoso por ter o mesmo nome da empresa patrocinadora, no caso, a National. Entretanto, existem outros programas exibidos no Japão que escancaram o nome do injetor de recursos no título. Um deles é até anterior ao Kid e ficou conhecido como “Sony-gou Soratobu Bouken” (algo como “Número Sony: A Aventura que voa pelo Céu”).

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Sony-gou Soratobu Bouken

O seriado é um cult americano produzido em 57. Como, obviamente, era a Sony que patrocinava o projeto, os japoneses decidiram (ou foram obrigados) a colocar o nome da hoje toda poderosa empresa como nome principal da série, que no original chama-se Whirlybirds. Sony-gou é o helicóptero que os heróis da história, vividos por Kenneth Tobey e Craig Hill, usam para salvar pessoas feridas, levar remédios e até perseguir bandidos a mando da sua empresa de serviços aéreos.
Há algumas décadas, diferente de hoje, cada produção costumava ser patrocinada por uma única empresa. Logo, era comum ver séries e animes com títulos “homenageando” quem está por trás, como Kaze no Fujimaru (Fujimaru do Vento, 1964), da farmacêutica Fujiwara Yakuhin ou Harisu Senpu (Harisu Redemoinho, 1966), custeado pela Harisugamu, de produtos manufaturados.

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Kaze no Fujimaru

Um live action do final dos anos 50 mostrava um herói cômico chamado Tonma Tengu (Goblin Tolo) falando : “meu sobrenome é Oronain e meu nome é Nakou!”. Acontece que Oronain Nankou é o nome da pomada que a empresa farmacêutica Otsuka Seiyaku, patrocinadora da série, fabrica (até hoje é o seu principal produto). Em Alah no Shisha, de 60, apoiado pela Kabaya Shokuhin (alimentícia), o protagonista lutava para defender um nobre, descendente do reino de Kabayan. O nome do nobre era Kokonuts, referência ao delicioso Kokonuts Caramel, famosa guloseima feita pela empresa.

Se hoje isso parece bizarro ou até mesmo engraçado, na época era natural. Afinal, era preciso capitalizar!

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Tonma Tengu

>> BLOG ROBO GIGANTE – por Nagado


PRÊMIO ABRIL DE PERSONAGENS 2010: LISTA DOS FINALISTAS

sexta-feira | 11 | março | 2011

Prêmio Abril de Personagens 2010 foi um sucesso. Foram 603 inscritos de todas as partes do país, com projetos de alto nível de qualidade. A comissão julgadora escolheu quatro finalistas, que vão ter seus trabalhos publicados e abertos à votação na internet, além de destacar seis personagens para receber menção honrosa.

A partir de 4 de abril, os internautas poderão ler no site do Prêmio ABRIL de Personagens uma história de cada finalista por semana e dar sua nota aos quadrinhos. Ao final, o vencedor terá sua HQ publicada pela Editora ABRIL.

Confira a lista de finalistas e menções honrosas:

FINALISTAS

Gafanhoto

Garoto Vivo
Os alienados
Uma família bem pirata

MENÇÕES HONROSAS

Marvin Xerife EspacialTaroUgo TerraqueoTrio CalafrioRemitcheinsMATE