A FICÇÃO CIENTÍFICA DOS ANOS 60 NO YOUTUBE

sexta-feira | 11 | maio | 2012

A década de 1960 foi uma era de ouro para a ficção científica cinematográfica. A corrida espacial e a Guerra Fria ocupavam as manchetes dos jornais e os cineastas soltavam a imaginação. Agora, alguns dos melhores filmes dessa época podem ser vistos de graça na internet, no site Youtube. São produções que caíram no domínio público e, portanto, podem ser disponibilizadas para download sem qualquer culpa ou acusação de pirataria. São filmes que dão um banho de criatividade em muitas produções de hoje em dia.

Semana passada eu voltei à infância assistindo a dois desses filmes, o italiano “O planeta dos homens mortos” e o americano “Passagem para o futuro”. Quando eu tinha dez anos de idade esses filmes passavam na matinê do cinema Trindade, lá no bairro da Abolição, no Rio de Janeiro. Jamais imaginei que no futuro, em 2012, eu poderia rever esses mesmos filmes na telinha do meu computador. Afinal, em 1960, computador também era coisa de ficção científica.

“O planeta dos homens mortos” está disponível no Youtube na versão em inglês, intitulada “Batlle of the worlds”. O diretor é o italiano Antonio Margueriti, que assinava seus filmes com o pseudônimo Antony Dawson. Quando esteve em Hollywood, Margueriti descobriu que seu sobrenome, em inglês, significava margarida. Cismou que iam pensar que Antonio Margarida era um cineasta gay e mudou de nome. Numa carreira que só terminou com sua morte, em 2002, este italiano dirigiu dezenas de filmes, incluindo faroestes e fitas de terror. Acabou homenageado por Quentin Tarantino que deu seu nome a um personagem do filme “Bastardos inglórios”.

Mas o nome Antonio Margueriti hoje é lembrado pela tetralogia Gamma One, quatro filmes de ficção científica que ele rodou entre 1960 e 1965, usando os mesmos cenários e as mesmas maquetes.

O “Planeta dos homens mortos” é o segundo da tetralogia. Claude Rains (“Casablanca”) é o professor Benson, um cientista excêntrico que vive isolado em uma ilha do mar Mediterrâneo no ano de 2022. Os líderes mundiais buscam sua ajuda quando um estranho planetoide se aproxima da Terra. A humanidade entra em pânico achando que é o fim do mundo, mas Benson suspeita que se trata de uma invasão extraterrestre. Quando naves espaciais são enviadas para pousar no mundo errante são interceptadas por discos voadores e começa uma guerra espacial.

As cenas do combate entre os foguetes da Terra e os discos voadores são mais realistas do que as batalhas de Guerra nas Estrelas. Os foguetes do cineasta italiano obedecem às leis da física e só disparam seus motores na hora de acelerar ou mudar de órbita. No final, os heróis conseguem penetrar no planeta e descobrem que era o lar de uma raça extinta que deixou um super computador controlando tudo. Nada mal para um filme de matinê.

Futuro
“Passagem para o Futuro” (The time travelers” no original) é mais pessimista e reflete os medos da Guerra Fria. Começa com um grupo de cientistas da Universidade da Califórnia testando uma máquina do tempo. A engenhoca parece uma enorme televisão de tela plana mas, em teoria, será capaz de mostrar cenas do passado e do futuro. Na verdade, a coisa acaba abrindo um portal, uma fenda no tempo entre o ano de 1964 e o ano de 2071. E neste mundo, 107 anos no futuro, a terra é um deserto calcinado, povoado por mutantes, resultado de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética.

Os cientistas atravessam o portal e encontram uma comunidade de humanos vivendo num paraíso tecnológico subterrâneo. As mulheres tomam banho de sol nuas em câmaras ultravioleta, os vegetais crescem instantaneamente em estufas e o teletransporte é uma realidade. Mas a ameaça dos mutantes, que dominam a superfície, leva os homens e mulheres do futuro a buscarem uma solução radical. Eles estão construindo um foguete fotônico e vão se mudar para um planeta da estrela Alfa Centauri.

Já não se fazem mais filmes assim hoje em dia. E nem é preciso. Eles podem ser vistos de graça, na internet.
>> DIÁRIO DO VALE – por Jorge Luiz Calife

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ANDREA DEL FUEGO: REALIDADE FANTÁSTICA QUE VIROU LITERATURA REALISTA

segunda-feira | 23 | janeiro | 2012

Vencedora do prestigiado prêmio José Saramago com o livro Os Malaquias, Andréa Del Fuego é hoje um dos nomes mais importantes da nova literatura brasileira.

Ela conta que quando escreveu o conto “Como ganhar um Jabuti”, uma crítica sobre a neurose que envolve as vida dos escritores diante de um prêmio literário, Andréa nem sonhava que viria a ganhar um prêmio e muito menos o prêmio fundado pelo autor que ganhou o Nobel de literatura.

Acostumada com textos curtos, contos e livros infantis, Os Malaquias foi a obra que marcou a sua transição para o romance.

Apesar de trabalhar fortemente com prosa poética a escritora afirma: “Eu gosto de escritores que me dão a realidade, sem metáforas”. Mas ao analisar a história que originou Os Malaquias, aquilo que parecia fantástico passa a ser uma realidade impressionante. Andréa escreveu o livro se baseando na história de seus bisavós que foram vítimas de um raio em um vale no interior de Minas Gerais. Os dois faleceram mas seu filhos tiveram apenas machucados leves.

As crianças que ficaram órfãs acabaram sendo separados: a tia-avó foi adotada por uma família árabe em São Paulo, para ser empregada e não filha e o avô de Andréa foi trabalhar em uma fazenda em um esquema similar ao de trabalho escravo. Já o tio-avô Antônio que é anão, na mente de Andréa por muito tempo havia virado anão por conta do raio.

Com esses personagens na vida da autora não foi difícil transpor a história para as páginas, processo que começou quando a avó de Andréa faleceu. Até então Andréa escrevia apenas contos eróticos. Com a morte, que é inclusive um elemento muito presente no livro, ela percebeu que a sua capacidade de escrever ia muito além.

Outro episódio da realidade fantástica que é a família de Andréa pode ser contado na sua própria versão: “O tio Antônio já era bem velhinho, andava descalço com o chapéu de palha e se enfiava no meio do milharal e todos procuravam por ele. Quando ficou mais idoso ele ficou gordinho e tinha uma lordose bem profunda. Ele se sentava na cozinha perto do fogo e ficava lá por muito tempo, até que o gato subia na lordose dele e dormia. Não é para ser escritora?”.
>> TV CULTURA – por Bárbara Dantine
 


APOCALIPZE: WEBSÉRIE DE FICÇÃO CIENTÍFICA COMEÇA A SER GRAVADA EM BELO HORIZONTE

quinta-feira | 19 | janeiro | 2012

Depois de se aventurar em histórias sobre a Segunda Guerra Mundial com o filme para a internet Heróis da FEB, o cineasta mineiro Guto Aeraphe aposta agora em uma websérie de ficção científica recheda de efeitos especiais. O seriado, dividido em cinco capítulos de oito minutos, mostra os acontecimentos de um desenvolvido Brasil futurista que foi alvo de um ataque terrorista repentino, deixando poucos sobreviventes e diversas dúvidas.

Na trama, praticamente toda a população foi morta vítima de uma contaminação mortal e alguns dizem que os culpados foram os árabes, enquanto outros dizem que foram os americanos. Ninguém sabe ao certo, mas há rumores que vários agentes paramilitares e grupos do tráfico estão atuando em nome do Clube Bilderberg – uma organização conspiratória formada por representantes dos países desenvolvidos, instituições religiosas e grandes empresas.

Em meio ao caos, um professor de Biomedicina sobrevivente se junta a outros que tentam entender o que de fato aconteceu, enquanto tentam fugir de forças que lutam pelo controle das riquezas naturais nacionais – como as jazidas de petróleo do pré-sal. “A websérie vai mexer com o imaginário do público. Vai convidá-lo para uma história e ele terá que ser conduzido por ela. Se ele seguir esse trato, vai ser surpreendido” conta Aeraphe.

“Estamos vivendo a ‘era das telinhas’. As imagens se movimentam em qualquer lugar. No tempo de espera de um dentista, a pessoa consegue assistir a um capítulo de uma websérie com tranquilidade” completa o cineasta independente que vê na internet como uma nova alternativa para se fazer cinema. Audacioso, o projeto de ApocalipZe conta ainda com um jogo  virtual de tiro para computador e uma história em quadrinhos para download.
>> REVISTA RAGGA – por Guilherme Avila

 Veja as fotos do making of da websérie ApocalipZe

Curta a página do Apocalipze no Facebook
www.facebook.com/webserieapocalipze


PERSONAGENS SOBRENATURAIS INVADEM NOVELAS BRASILEIRAS

quinta-feira | 5 | janeiro | 2012

Personagens sobrenaturais estão cada vez mais presentes nas produções brasileiras. Foto: Afonso Carlos/Carta Z/Divulgação

O naturalismo das novelas sempre conviveu com o sobrenatural. Desde a pioneira O Terceiro Pecado, de 1969, que autores como Ivani Ribeiro, Janete Clair e Dias Gomes recorrem a fenômenos que passam ao largo das explicações científicas. Com o entretenimento na ordem do dia, criadores variam estilos e inspirações, que vão das lendas folclóricas ao futurismo da ficção-científica. Além disso, o sobrenatural também está fortemente presente em folhetins com temas religiosos, seja na polêmica discussão sobre a vida após a morte, ou na adaptação de histórias bíblicas. “As pessoas querem ligar a tevê e sonhar. Sempre que posso, coloco personagens com algum dom obscuro em minhas novelas”, diverte-se Aguinaldo Silva, que desde o início da carreira, bebe na fonte do realismo fantástico original de Dias Gomes, autor de clássicos do gênero, como O Bem-Amado, de 1973, e Saramandaia, de 1976.

Aguinaldo já brincou com o sobrenatural em várias de suas novelas. Inclusive, na atual Fina Estampa, o autor vem aumentando cada vez mais a dose de situações inexplicáveis, com as visões sobre o futuro de Luana, de Joana Lerner, e o súbito aparecimento de Enzo, de Júlio Rocha, que supostamente, caiu do céu. Com intensidades diferentes e resultados oscilantes, outras produções recentes apostam em uma injeção de histórias do além em seus roteiros. A abordagem de forças ocultas está fortemente presente na recém-terminada O Astro , na nova das sete, e Aquele Beijo – onde Bruno Garcia faz um vidente. E é a base da atual temporada de Malhação, cheia de referências a séries americanas, que misturam ficção científica e histórias em quadrinhos. “Queria falar da conectividade das pessoas com elas mesmas, com seus sonhos e intuições. O que puxa a trama é o número 1046”, explica a autora Ingrid Zavarezzi, referindo-se ao número que aparece nos sonhos de Alexia, de Bia Arantes.

Embora o tema tenha derrubado a audiência da novelinha da Globo, que patina nos 16 pontos, a inspiração em gibis e “sci-fi” já rendeu à Record bons índices no ibope. No entanto, com a saga mutante de Caminhos do Coração – criada por Tiago Santiago, em 2008 – as referências foram além. No mesmo caldeirão, Tiago misturou vampiros, super-heróis, espiritismo, mitologia grega, entre outras. “A grande viagem da novela foi não se limitar. Essa liberdade foi fundamental para o sucesso dos mutantes”, conta o autor.

Mais recentemente, outra trama que aglutinou inúmeras referências foi o “remake” de O Astro. Baseado na novela original de Janete Clair, exibida em 1978, a adaptação abusou de assombrações, alucinações e ilusionismo. “O Herculano poderia ter ido por vários caminhos, desde a esquizofrenia até o espiritismo”, analisa Rodrigo Lombardi, intérprete do anti-herói, que com seus “poderes”, escapa inúmeras vezes da morte e chega ao comando do grupo Hayalla. Para Thiago Fragoso, que deu vida ao frágil Márcio, a angústia espiritual dos personagens da novela foi o principal chamariz de público. “A levada espírita da novela estava diretamente ligada ao jogo de poder entre os personagens. As cenas do Salomão tentando de se comunicar com o Márcio eram bem assustadoras”, conta Thiago, referindo-se aos ataques sofridos por seu personagem ao se comunicar com o falecido pai, Salomão Hayalla, de Daniel Filho.

A interação entre pessoas em planos espirituais diferentes foi o mote de muitas novelas de Ivani Ribeiro, comoO Sexo dos Anjos e A Viagem. Atualmente, a herdeira direta de tramas com essa temática é a mineira Elizabeth Jhin, autora de Escrito nas Estrelas, novela que abordou a fertilização de uma mulher a partir do sêmen de um homem já morto. “Quis falar como o espírito desse homem lida com esse filho que vai nascer. Para minha sorte, o público embarcou na história”, ressalta a autora, que volta ao ar no primeiro semestre de 2012, com outra trama de tons espirituais, que tem título provisório de Marajó.

Transtornos e delírios
Além do sobrenatural, alguns mistérios da teledramaturgia nacional também têm atestado médico. Seja para destacar a doença ou apenas fazer rir, a esquizofrenia já foi tema de novelas e seriados da tevê. Em Alma Gêmea, de 2005, a personagem Alexandra, de Nívea Stelman, sofria com as vozes e os espíritos que lhe atormentavam. “O problema dela foi crescendo aos poucos, e não poderia ser definido apenas como esquizofrenia. Pois ela conseguia se comunicar com os mortos da trama”, opina a atriz.

Na contramão do drama, o seriado A Mulher Invisível, parte da doença para fazer humor. Baseado no filme homônimo de 2009, a produção acaba de ganhar uma segunda temporada, e conta a história de Pedro, de Selton Mello, um publicitário que encontra a mulher de seus sonhos. Porém, só ele consegue enxergá-la. “É uma comédia sobre esquizofrenia, ou sobre a solidão. Ela só é realmente a mulher ideal porque não existe”, destaca Selton.

Instantâneas
# No ano passado, Selton Mello também protagonizou A Cura, série cheia de mistérios que relacionavam medicina, assassinatos e religiosidade.

# Em Araguaia, de 2010, Solano, de Murilo Rosa, era um homem marcado para morrer por conta de uma maldição indígena que assombrava sua família há muitas gerações. Nela, todos os homens de sua linhagem morrem muito jovens, sempre próximos às margens do rio Araguaia.

# Histórias de lobisomens e vampiros andam em alta nos filmes de Hollywood, e já figuraram em diversas novelas brasileiras, como Roque Santeiro, de 1985, Vamp, de 1991, e O Beijo do Vampiro, de 2002.

# Em Páginas da Vida, de 2006, a jovem Nanda, de Fernanda Vasconcellos, morre logo no início da trama, mas aparece em forma de fantasma para pessoas de sua família.
>> TERRA – da Redação


ESPECULANDO O RETROFUTURISMO DE 2012

terça-feira | 3 | janeiro | 2012

“Turning here, looking back in time”

logos sociais 2011 foi um ano dificílimo e complexo de ser apreendido por uma só ótica. Mobilizações e manifestações de cunho político, social, econômico, cultural, etc (ok, não é possível traçar linhas entre essas categorias ou tampouco delineá-las dados os embates de interesses cada vez maiores) através dos sites de redes sociais ganharam novos contornos e pautaram a mídia de referência (ou massiva ou mainstream, whatever). As guerras entre fandoms de gêneros musicais, bandas ou artistas; o ativismo político foi tudo trend topic. A rua e a tecnologia estiveram cada vez mais entrelaçadas através do fluxo de postagens e produção de conteúdos disponibilizados via celulares, tablets e dispositivos móveis em geral.

Ao contrário das previsões de alguns catastróficos, os blogs não morreram. Eles ganharam outras apropriações, voltadas a nichos cada vez mais específicos e se integraram à circulação e à re-circulação através de práticas como a da re-blogagem. Eis ai o excesso cognitivo e o destaque que o Tumblr ganhou nesse ano, sobretudo no que diz respeito à velocidade do humor e dos memes que “contagiaram” boa parte do que foi postado, sobretudo no Facebook e no Twitter. Curtir, retuitar, timeline, o vocabulário da computação social popularizou de tal forma que esteve presente nos mais diversos lugares como salões de beleza, almoços de família e discussões de bares. O excesso de conteúdo também nos deu momentos de estresse informacional por vezes divertidos e sociais  – como na cobertura de eventos como o Rock in Rio por exemplo – por vezes estúpidos em casos de racismo, homofobia, discriminação, etc. Tudo isso tem muito menos a ver com as plataformas e suas materialidades, mas com as misérias da humanidade. Contudo, O silêncio e a desconexão também são necessários.

Desde sempre visualizei o entrelaçamento dos ambientes, conteúdos, emoções, pessoas, mas em 2011 ficou tudo muito mais explícito com tantos aplicativos que congelam momentos da vida ou nos dão pistas e tracejados dos caminhos escolhidos. A instagramização da vida cotidiana; os amigos encontrados via geolocalização e a constante vigilância 4squareana do todos vêem, todos sabem; os angry birds da vida presencial nos atirando pedras a cada erro. A música e os videoclipes continuaram fluindo através do YouTube e seus comerciais insuportáveis; pelas nuvens cada vez mais populares do SoundCloud e o “modelão” de negócios do iTunes chegou ao final do ano no Brasil. A tensão entre o comércio,  as estratégias de marketing e as liberdades e anonimatos entraram em disputa várias vezes.

ABC

Em termos de cultura pop, 2011 apostou no revival, sobretudo tirando o mofo das camisas xadrezes e coturnos do grunge dos armários e guarda-roupas com os 20 anos de Nevermind, o retorno do Foo Fighters – com um álbum declaradamente nostálgico, Wasting Light – as referências em seriados (como Californication e outros) e filmes. O álbum tributo à Achtung Baby do U2 (1991) fechou um círculo de influenciáveis e influenciados com o Garbage do Butch Vig, o NIN de Trent Reznor e o eterno Depeche Mode (também produzido por Flood em Violator, outro grande álbum noventista).O dubstep virou pop e deu vida aos remixes de Justin Biber a Katy Perry, e o witch-house assombrou a música eletrônica.

A fantasia, ainda bem, retornou em grande estilo ao horário nobre da televisão com Game of Thrones sendo disparado o melhor seriado do ano (na minha opinião, claro). O horror e a bizarrice neo-gótica da América do Norte também teve seu espaço com American Horror Story oscilando entre o riso nervoso e o surrealismo fetichista. O retrô das mais variadas épocas deu a tônica em muitos momentos de 2011. Nunca se falou tanto nas redes  sobre as mais diversas épocas: o neovitorianismo steampunk; o fantástico medieval; os anos 90 nas festas e produções musicais. Até a realeza britância deu os ares de sua graça transformando novamente o ritual de um casamento real em um espetáculo global televisionado ao vivo, tuitado, blogado, etc. A curadoria de informações é um instrumento metodológico cada vez mais relevante, vejam só.

Não tenho bola de cristal, sou apenas uma pesquisadora das culturas emergentes, embora tenha os dons “cayce pollardianos de mediunidade semiótica coolhunting das ruas” (Fabio Fernandes All Rights Reserved). Especulo a partir de todo esse Zeitgeist – no sentido da especulação utilizado pela ficção-científica – que esse iníciozinho dos anos 10 (que começa com mais força agora em 2012) vai ser muito pautado por essa ambivalência experimental de sensações de tempo e espaço. Ainda estamos nos acostumando, enquanto sociedade, a nos apropriar dos meios, a nos estender tecno-social e materialmente pelos territórios, a compreender nossos corpos, desejos, sentimentos e pensamentos dentro desse contexto (re)mediado full-time, o que não é nada fácil, dai o apelo tão forte da nostalgia na construção de um futuro em constante conexão. E é nesse ponto que uma (an)arqueologia midiática se torna tão rica para observamos o presente e vislumbres do futuro dos artefatos e suas trajetórias narrativas, que contam cada um do seu jeito, nossas histórias/estórias.

Nesse sentido, desejo um 2012 repleto de narrativas, de grandes conquistas, de prazeres diários. “Celebrate the life and times of splendor” diz o VNV Nation em Space & Time, uma das melhores faixas de Automatic (2011), não por acaso um álbum conceitual acerca das tecnologias e estéticas dos anos 30, retrô-futurismo indicando até mesmo minha última songpost do ano. Em 2012, mais Victories Not Vengeances!
>> AS PALAVRAS E AS COISAS – por Adriana Amaral

Space & Time

VNV Nation

Tear apart the life and times of familiar faces
And tracing lines to what connects me and binds me to
Images of the remote and never-changing
Grand designs, style and grace
And am i

Lost in thoughts on open seas
Let the currents carry me
If i could would i remain
Another life or another dream

No turning back, face the fact
I am lost in space and time
Turning here, looking back in time

One and all let us celebrate the rise and fall
Celebrate the life and times of splendor
Desire and love constant and never-changing
The flow of times, closed in lines
Can’t tell if i’m just

Lost in thoughts on open seas
Let the currents carry me
If i could would i remain
Another life or another dream

No turning back, face the fact
I am lost in space and time
Turning here, looking back in time


“VIKINGS”: SÉRIE SOBRE OS GUERREIROS NÓRDICOS PELA MGM E OS PRODUTORES DE “TUDORS”

terça-feira | 3 | janeiro | 2012

Programa terá dez episódios e
deve começar a ser gravado neste ano

vikingsAs séries de TV com enfoques medievais continuam em alta com o sucesso de Game of Thrones. Segundo o Deadline, E a ex-falida MGM anunciou que vai produzir junto com os produtores de Os Tudors e Camelot, uma série sobre vikings, os guerreiros nórdicos famosos por suas embarcações, longas tranças, capacetes com chifres e muita destruição.

A ideia de Vikings (título provisório) veio de Sherry Marsh, que a levou para Alan Gasmer. Os dois apresentaram o projeto à MGM TV, que então sugeriu a co-produção internacional de Morgan O’Sullivan, que por sua vez ligou para o seu colaborador habitual e historiador Michael Hirst. Hirts foi o criador de Os Tudors e coproduziu Camelot ao lado de O’Sullivan. Hirst é fanático pela cultura viking e tem um roteiro jamais filmado sobre os bárbaros, por isso já está trabalhando em uma bíblia para a série e deve também escrever a maioria (ou todos) os roteiros. (São deles todos os roteiros de Os Tudors.)

A série vai mostrar os Vikings como exploradores, guerreiros, construtores, mercadores, piratas e mercenários, entre o fim do século 8 e meados do século 11, época conhecida como A Era Escandinava, nas histórias britânica e irlandesa. O personagem principal será Ragnar Lodbrok, um dos mais populares heróis vikings, grande comandante que governou por um tempo a Dinamarca e Suécia e teve relacionamentos com duas mulheres guerreiras e uma rainha.

A produção dos dez episódios da primeira temporada da série deve começar na Irlanda, nos estúdios de Morgan O’Sullivan. A MGM vai financiar 100% dos custos fora do Canadá e Irlanda e distribuirá a série tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo.
>> OMELETE – por Marcelo Forlani


MARVEL E DC: QUADRINHOS NO SÉCULO ELETRÔNICO

segunda-feira | 13 | junho | 2011


A encruzilhada digital é implacável. Indústrias estabelecidas no século 20 graças à cultura de massas penam, no novo século, para se adaptar a uma realidade que celebra a cultura do nicho. Mais que isso, numa cultura digital, em que tudo pode ser copiado e reproduzido sem que o autor tenha controle da distribuição, fica cada vez mais complicado gerir um negócio que lide com a produção de conteúdo feita para milhões de pessoas. A indústria do disco sentiu isso na pele ao servir de boi de piranha digital quando assumiu o papel de primeiro antagonista da web e processou quem baixava MP3 sem pagar.

Hollywood sente dolorosamente essa mudança, quando o download de filmes via torrent a obrigou a apostar em superproduções e em novas tecnologias, como as salas Imax e 3D. Emissoras de TV do mundo inteiro veem suas programações escoarem para fora da grade rumo ao YouTube. Música, cinema e TV estão sempre nas notícias quando se fala nesse assunto, mas uma indústria que é a cara do século 20 e está quase sempre à margem dessa discussão vem penando para retomar sua importância na era digital: os quadrinhos.

E quando se fala em indústria dos quadrinhos, dois nomes se destacam: Marvel e DC, editoras que criaram o conceito de super-herói moderno. A primeira tem se mexido drasticamente para continuar relevante nos dias de hoje, principalmente longe das revistas. Seu principal feito foi se transformar em estúdio de cinema para levar seus personagens para um público que não lê páginas em papel. A Marvel também pulou no iPad na primeira hora, criando um dos aplicativos mais festejados logo que o tablet apareceu. Mas a conta ainda não fechou – e a Marvel continua em busca de alternativas para fazer suas histórias em quadrinhos sobreviverem no século 21.

Sua principal rival, a DC, começou a se mexer de verdade na semana passada, quando anunciou que iria zerar sua linha de super-heróis e recomeçar a contagem de suas revistas, todas com um novo número 1. Não é a primeira vez que a editora que inventou o Super-Homem e o Batman tenta isso. Nos anos 80, conseguiu reiniciar seu universo com a saga Crise nas Infinitas Terras, em que permitiu que seus heróis pudessem fazer sentido no fim do século passado. O novo reinício mira no digital.

Além dos novos números 1, a editora deverá publicar, digitalmente, as mesmas histórias exatamente no dia em que elas chegam às bancas. O preço deverá ser mais barato que o das versões impressas, pois a editora quer que seu novo público volte para o papel uma vez que sentir o gosto dos novos títulos online. Mas isso pode dar bem errado, já que, assim, eles podem matar um de seus principais redutos, que são as lojas de quadrinho – como a música online fez com as tradicionais lojas de disco. A estratégia trará novos leitores se der certo. Mas se der errado, pode afugentar até os velhos. Ninguém disse que seria fácil.
>> O ESTADO DE SÃO PAULO – por Alexandre Matias