Editorial

De quantas formas diferentes se pode atravessar uma rua?

De quantas maneiras se consegue viajar para outro planeta?

São perguntas fáceis e a o mesmo tempo difíceis de responder.

Fáceis, porque dada a objetividade dos fatos — atravessar a rua ou ir para outro planeta — o número de possibilidades de respostas que se tem para elas é pequeno.

Difíceis, sim, porque a aparente facilidade em respondê-las suscita rapidamente outra questão. E o homem, parado no meio fio, olhando para o outro lado da rua, deveria se perguntar: “mas será que não existem outras formas de atravessar essa rua?

Só que uma rua, uma calçada, objetos dessacralizados pelo massacrante uso cotidiano, não se prestam a este tipo de reflexão. Não constituem nenhum desafio, não existem [aparentemente] descobertas a se fazer no outro lado da rua.

Mas no céu, sim. E parado sob uma noite estrelada, olhando para cima, o homem sonha.

O homem imagina.

O poder da imaginação, que alça o homem às estrelas, atrai no seu vácuo primeiro a especulação, depois a ciência e, por fim, o conhecimento. E o conhecimento traz o homem de volta das estrelas, para dentro dele mesmo, num perpétuo movimento de expansão e contração que a tudo anima e ao qual chamamos vida.

Portanto, é necessário que tentemos ir audaciosamente aonde nenhum homem jamais esteve, pois dessa forma encontraremos a vida — fora — em outros planetas, e a vida — dentro — o movimento interno, o que nos permitirá até tornar o ato banal de atravessar uma rua numa ação transcendente.

E descobrir, finalmente, que existem infinitas maneiras de se atravessá-la.

Silvio Alexandre

Universo Fantástico

De tempos em tempos, os portais do Universo são abertos. Poucos sabem, no entanto, que isto se dá graças a um alinhamento. E que somente os que leêm e compreendem o sinais, são os que conseguem atravessar e transitar por entre os seus mundos.

O mais fantástico é que o fantástico não existe: tudo é real. Quem disse isso foi o surrealista André Breton. Entre outros aspectos, o Manifesto do Surrealismo, entoava um hino de entusiasmo à imaginação, fonte de eterna juventude do homem. Designava ainda o maravilhoso como finalidade do movimento, de preferência um maravilhoso moderno, inspirado no simbolismo dos sonhos, cujo conteúdo latente a psicanálise revelou.

A Literatura Fantástica é uma maneira diferente de superar as limitações do realismo tradicional. Quem disse isso foi o escritor e estudioso Bráulio Tavares. Mais do que a ficção onde, apenas, aparecem seres sobrenaturais, o fantástico nasce do conflito entre o natural e o sobrenatural, afrouxando-se as barreiras entre o real e o irreal.

A presença do fantástico é uma constante na Literatura desde os primórdios assumindo formas diferentes ao longo do tempo, ditadas pelas culturas e sociedades. Neste sentido pode ser definido como uma categoria que enuncia o que é impossível, inverossímel ou irreal.

O objetivo principal deste Universo Fantástico é fornecer informações e apresentar conceitos e propostas, replicando as coisas fantásticas que acontecem por aí, enfim, é ser um portal para incentivar e enriquecer o estudo e o debate sobre o Fantástico no Brasil. Será um local para encontrar as várias vertentes do gênero fantástico: a ficção científica, a fantasia e o horror.

Além disso, diversas manifestações da cultura pop como os quadrinhos, a televisão e o cinema, também estarão presentes. Assim como, poderão ser encontradas informações sobre eventos, variadas entrevistas, e muitas novidades!    

O Universo não se assemelha a um imenso mecanismo e, sim, a um imenso pensamento. Quem disse foi o astrônomo sir James Jeans. Esta afirmação é a espinha dorsal do Universo Fantástico: ser um imenso pensamento.

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