ANDRÉ CARNEIRO: O DA VINCI BRASILEIRO

terça-feira | 30 | setembro | 2008

Não existem muitos artistas como ele. Com 86 anos de idade André Carneiro parece ter a energia de uma criança de dois anos. Depois de Leonardo Da Vinci, André é o artista mais prolífico do qual você já teve notícia. Espere aí, Da Vinci fez cinema?

André foi escultor, hipnólogo, pintor, fotógrafo, cineasta, diretor de propaganda, comerciante, etc. Nem ele lembra todas as suas profissões. Foi o criador da pintura dinâmica e o primeiro fotógrafo artístico modernista do Brasil.

A prosa e a abordagem literária de André Carneiro apelam simultaneamente aos sentidos e ao intelecto, nas 27 narrativas deste livro. São contos e novelas que vão da ficção científica ao horror e ao suspense literário, todos narrando a intrusão do inusitado no cotidiano.

André foi escritor da primeira geração de ficção científica do Brasil. Ele publicou o primeiro estudo da América do Sul de ficção científica chamada de Introdução ao Estudo da Science-Fiction (1968).

Ganhou o título de primeiro fotógrafo artístico modernista do Brasil, com uma foto tirada em São Paulo. Do alto de um prédio ele fotografou os trilhos de bonde. Algo muito simples, mas uma expressão fotográfica do objeto pelo objeto mesmo. A foto foi exposta em Bienais e o direto de reprodução é vendido por um merchant nos EUA. A foto levou 50 anos para ser descoberta e seu direito de exibição passou a ser vendido em 2007 por U$ 500 a unidade. A foto também está exposta na renomada Take Gallery, em Londres.

Em literatura, André tem 17 livros publicados nas áreas da poesia, contos, romances e até livros técnicos sobre hipnose. Ele prefere dizer que é um poeta e não um escritor de ficção científica, pois diz que a ficção científica não é bem vista no Brasil.

Um de seus contos mais famosos, “Darkness”, a “A escuridão”, publicado em 12 países diferentes, e atualmente está sendo adaptado para o cinema. Darkness’ não só é um dos maiores trabalhos escritos na ficção científica, mas também da literatura mundial. Não é apenas ficção científica de ação superficial, mas literatura no seu melhor sentido. “André Carneiro merece a mesma audiência de um Kafka ou Albert Camus”, disse o escritor A. E. Van Vogt.

Como romancista, sua arte centra-se em um enfoque psicossocial, em que a crítica à estrutura vigente mostra-se sempre aguda e sutil.

Em 1949 André decidiu publicar um jornal literário na cidade de Atibaia-SP, sua terra natal. Seu pequeno jornal literário teve a apresentação de nada menos que Oswald de Andrade e, por este motivo começou em grande estilo.

“Sabe a ingenuidade do jogador que não sabe jogar poker e ganha?”, ele disse. “Como eu não conhecia, naquela época, a complexidade de se fazer um jornal literário no Brasil, eu fiz um e fui entrevistando todo mundo e, de repente, eu tinha colaboradores como o Graciliano Ramos e o Vinícius de Moraes. O primeiro time escrevia no meu jornal!”

Ele conta que a um ano atrás seu jornal re-publicado, em um único volume em formato de livro, com todas as edições de impressas de seu jornal, para a posteridade.

Acadêmicos já fizeram estudos e teses sobre a sua obra e, inclusive, há atualmente um estudante de mestrado escrevendo a sua tese sobre a obra de ficção científica de André.André possui vários contos publicados em livros do pelo mundo todo junto com autores como Arthur C. Clarke, H. G. Wells, Isaac Asimov. Muitos destes livros têm publicações recentes que podem ser encontrados nas livrarias. Sobre sua vocação como escritor, André disse:

“Eu comecei a escrever com 17 ou 18 anos porque eu tinha uma paixão ligada à importância do escritor, algo ligado à vaidade. Eu lembro que achava que ser escritor seria uma coisa extraordinária. Naturalmente que eu era um leitor e desde muito menino eu li bastante. Eu comecei a escrever em um jornal de Atibaia que critiquei falando que o jornal estava sem graça e que eu podia fazer melhor. Alguém da equipe do jornal disse ‘Faz, faz então, por favor’. Eu fiz umas piadinhas melhor do que aquelas lá, porque aquelas estavam muito ruins. Então o dono de outro jornal de uma cidade próxima, que dava notícias de Atibaia, pediu um artigo para mim e eu disse ‘Eu tenho um artigo’. Eu tinha três ou quatro artigos escritos a troco de nada e dei um para ele. Eu comentei isso com o editor de outro jornal e ele reclamou ‘Pô, você deu para o jornal de Bragança, porque não deu para mim?’. eu disse ‘Não é por isso, eu tenho outro aqui’, e dei para ele uma cópia. Saí com dois artigos no mesmo dia em dois jornais diferentes. Isso seguiu na minha vida. Eu nunca busquei editor, os editores sempre me buscaram. Por coincidência, eu não considero que foi porque eu seja muito importante.”

Ele conta que recentemente um editor insistiu que ele escrevesse um romance, e ele respondeu:

“Ah! Romance não. Eu tenho contos. E ele os levou para a editora e logo aprovaram o livro. De último momento eu escrevei mais um conto que gostei muito. Chama-se ‘O Mapa da Estrada’. [O problema é que] na última hora o editor que estava lá saiu da editora e outro camarada ficou lá tomando conta da edição. Então eu mandei este conto de 40 páginas e falei: ‘Olha, este conto estava aprovado também.’ Eu pensei: ‘Bom, é um golpe muito louco dizer que está aprovado’, mas deu certo. É uma loucura um livro de contos de 600 páginas, mas o dono da editora gostou.”

O próprio André enfeitou os originais com colagens. Todas foram publicadas no livro que é o maior livro de contos já publicado no mundo.

“Eu fiz muitas capas de livros de outros. Depois que saiu a notícia de que eu era o pioneiro da arte modernista, um editor me escreveu encomendando capas abstratas, eu peguei aquele quadro ali e tchín, tchín, tchín. Em 10 minutos tirei 20 fotografias, mandei e ele publicou em meia dúzia de livros com a minha capa.”

O quadro ao qual o André se refere é uma pintura dinâmica no qual camadas de água que parecem ter algum tipo de óleo insolúvel, de diferentes cores, se sobrepõe dentro de lâminas de vidro. O resultado é um quadro que muda de forma a cada segundo.

Em Amorquia é questionado o papel dos sexos na sociedade humana. Uma sociedade onde o amor exclusivo é uma doença. O tempo não existe e a maternidade é um detalhe irrelevante. O sexo é ensinado praticamente nas escolas. A fidelidade é o primeiro indício de insanidade

Dentro do apartamento do André qualquer um se sente na casa do Professor Pardal. Para todo o lado que você olha tem uma peça de arte que é um misto de tecnologia steampunk com todo o tipo de sucatas eletrônicas formando máquinas extremamente malucas, algumas até com aparência sinistra, que têm a simples função apenas de deleitar a vista de viciados em tecnologia.

André foi diretor de propaganda da Cacique Alimentos. Utilizou modelos como Emerson Fitipaldi, Pelé. Ele também ajudou a criar a marca Café Pelé.

Em 1969, quando dirigiu o “trabalho de campo” do maior Simpósio Internacional de Ficção Científica, chegou a assistir o filme ‘2001, Uma Odisséia no Espaço’ ao lado do próprio Arthur C. Clarke, no Rio de Janeiro.

Mas seu trabalho não se limita às suas artes. Vários escritores muito respeitados foram gestados nas oficinas de literatura que costumava dirigir em São Paulo. Hoje ele realiza as oficinas em Curitiba, onde reside atualmente. Quem tiver interesse envie um conto através de nosso email, que a edição encaminhará para o André avaliar a possibilidade da sua participação.

Como romancista, sua arte centra-se em um enfoque psicossocial, em que a crítica à estrutura vigente mostra-se sempre aguda e sutil.

André Carneiro começou a escrever quando era apenas um adolescente. Hoje com 86 anos não parou e não pretende fazê-lo. Atualmente está com um livro de dez contos pronto, esperando, como de costume, que uma editora bata na sua porta.

Logo, se tudo der certo, o Andre estará estreando também na internet com um de seus contos, aqui no HypeScience. Agradecimentos ao colaborador Mustafá Ali Kanso, um dos autores do livro ‘Proibido Ler de Gravata’.>> HYPERSCIENCE

 

 

 

 

 

 

 


A PORTO ALEGRE DE NINE

terça-feira | 30 | setembro | 2008


Imagine uma coleção de livros que tem como tema as capitais dos estados brasileiros. Para cada cidade um grande quadrinhista vai fazer uma viagem em textos e desenhos pelas ruas, bairros, praias, edifícios e pelo povo que habita o local. Um caderno de viagens unindo o talento do desenhista com as observações e impressões de uma visita a uma cidade que não é o local onde o artista vive ou habitualmente freqüenta.

Mas não precisa imaginar mais, pois esta coleção existe e acaba de lançar seu nono título: Porto Alegre, do argentino Carlos Nine, dentro da coleção Cidades Ilustradas da editora carioca Casa 21.

A coleção, que em 2001 começou com o Rio de Janeiro na visão do francês Jano, tem outros talentosos autores, como o espanhol Miguelanxo Prado, o inglês David Lloyd e os brasileiros Lelis e Guazzelli.

Neste volume, Nine, um dos maiores artistas gráficos de nossos tempos, inova mais uma vez. É o primeiro a criar personagens e um enredo para unir os diversos pontos da cidade apresentados ao leitor por uma… coluna de fumaça! que saiu da chaminé da antiga Usina do Gasômetro, agora desativada e transformada em um centro cultural.

Com comentários divertidos, a fumaça – que se chama Gilmar – percorre praças e avenidas de Porto Alegre e encontra em meio aos habitantes porto-alegrenses, outros personagens que habitam o mundo dos quadrinhos de Nine: porcos, patos, coelhos, pássaros. Todos estilizados e magnificamente desenhados.

Neste livro, Nine utiliza uma técnica de aquarela que deixa as imagens um pouco difusas, talvez vistas através da fumaça Gilmar, mas com cores luminosas que saltam à vista do leitor, como se a cidade estivesse banhada por um forte Sol de fim de tarde.

Com esse título, Cidades Ilustradas vai se firmando como um dos mais importantes projetos editoriais brasileiros, com um imenso valor cultural e que é uma iniciativa rara mesmo em outros países onde os quadrinhos e a memória recebem mais atenção do que aqui.

Boa viagem aos leitores que embarcarem nessa viagem às Cidades Ilustradas, e aguardem os novos roteiros que com certeza virão em breve.

Outros Nine
Para completar, vale destacar que dois novos livros de Nine foram lançados recentemente na França: Hommage À L’Arrière Cour e Fantagas 2 – Siboney.

Fantagas traz o inspetor Pernot e sua pensante poltrona Luis XV às voltas com Siboney, uma gata de corpo escultural, em uma cidade surrealista repleta de estranhos personagens. Já Hommage À L’Arrière Cour traz uma entrevista que percorre toda a vida do autor e é ilustrada com fotos, muitos desenhos e algumas imagens de esculturas e baixos-relevos.
>> TERRA MAGAZINE – por Cláudio Martini


SELECIONADOS DA 3ª MOSTRA CURTA FANTÁSTICO

terça-feira | 30 | setembro | 2008

Saiu a lista com os selecionados para a mostra competitiva da 3a Mostra Curta Fantástico que será exibida no Centro Cultural São Paulo e no CineFavela Heliópolis. (A programação estará em breve no site da Mostra).

Foram selecionados 52 curtas-metragens dentre 102. Bem mais do esperávamos!

O interessante foi receber inscrições de todas as regiões do país, de Belém/Pará à São Leopoldo/RS, foram vários os olhares sobre o fantástico

A maioria dos curtas foram do gênero fantasia, porém voltado para um realismo fantástico, poucos foram os que se embrenharam nas lendas e folclores regionais

O horror também tem bastantes representantes, do trash ao psicológico, o medo apareceu em várias faces e não será fácil para os jurados decidirem quem levará o melhor curta de horror</

A ficção científica parece que ainda é vista como uma produção que não sai por menos de alguns milhões, pois foram muito poucos os que se arriscaram por suas narrativas. Ótimos filmes inscritos que servirão de exemplo de que ficção científica não precisa de efeitos para ser produzida com sucesso

Bom, nós da Mostra Curta Fantástico gostaríamos imensamente de agradecer a participação de todos. Continuem criando, produzindo e experimentando o cinema e o fantástico. Ficamos muito felizes de receber um número tão alto de produções nacionais, pois é só praticando o cinema que se torna um bom cineasta

Parabéns a todos! Para ver a lista dos selecionados acesse o site da Mostra Curta Fantástico


CONHEÇA OS PERSONAGENS DE STARGATE UNIVERSE

segunda-feira | 29 | setembro | 2008


Conforme anunciado anteriormente, Stargate Atlantis será cancelada na sexta temporada e dará lugar a um longa-metragem e a uma nova série. O site norte-americano MovieHole.net teve acesso às descrições dos personagens de Stargate Universe, a série derivada de Stargate SG-1 e Stargate Atlantis.

Na lista de personagens divulgada, está o Coronel Everett Young, descrito como um homem bonito, de cerca de 40 anos e ex-líder de grupo do Comando Stargate. Ele é o comandante de uma base secreta fora da Terra. Tamara Jon é uma jovem médica de campo do Comando, com patente de capitão e bastante experiência, embora tenha dificuldade em tratar ferimentos graves. Outra mulher é a sexy Chloe Carpenter, a filha de um senador dos EUA, que sonha em seguir a carreira do pai, morto em um acidente.

Já Eli Hitchcock é o gênio da equipe, perito em todos os tipos de tecnologia. Socialmente deslocado, ele sofre de problemas com a auto-estima, pois sua inteligência nunca foi reconhecida. O Tenente Jared Nash é um jovem oficial, talentoso, mas ainda novato. Foi colocado em posição de comando antes de estar preparado e precisa lutar pelo respeito da tripulação e lidar com as diferentes personalidades ao seu redor. Por fim, o último nome do elenco fixo de personagens é Ron “Psycho” Stasiak, um fuzileiro grande, forte e silencioso, com um passado misterioso. Excelente em combate, ele tem problemas para controlar seu temperamento em momentos de paz.

Universe trará uma equipe de viajantes tripulando a recém-descoberta nave Destiny, que possui programação própria e levará seus tripulantes para cantos diversos do universo.

As filmagens começam dia 4 de fevereiro de 2009, em Vancouver, no Canadá.
>> HQ MANIACS – por Alexandre D´Assumpção

E para os fãs de Stargate, assista 10 minutos de um vídeo muito bacana:


LANÇAMENTO DO “ANUÁRIO BRASILEIRO DE LITERATURA FANTÁSTICA 2007”

segunda-feira | 29 | setembro | 2008


SÉRIE DESENHADA POR GABRIEL BÁ VENCE MAIS UM PRÊMIO NOS EUA

segunda-feira | 29 | setembro | 2008

“The Umbrella Academy”, que tem arte do brasileiro, venceu neste fim de semana o Harvey Awards na categoria melhor nova série

“The Umbrella Academy”, título em quadrinhos desenhada pelo brasileiro Gabriel Bá, venceu o Harvey Awards na categoria melhor nova série. Os vencedores foram definidos neste fim de semana em Baltimore, nos Estados Unidos. O Harvey -nome inspirado no cartunista Harvey Kurtzman (1924-1993)- é um dos prêmios de destaque da indústria norte-americana de quadrinhos. Perde apenas para o Eisner Awards. Os indicados e os vencedores das 20 categorias são definidos por profissionais da área.

Bá concorria também na categoria melhor desenhista. Mas o prêmio ficou com Frank Quitely, pelo trabalho feito em “Grandes Astros Superman”. O título com o homem de aço -que é publicado no Brasil pela editora Panini- ganhou em outras duas categorias: série regular e melhor história única (correspondente à edição número oito, já lançada por aqui).

A série “The Umbrella Academy” já havia conquistado o Eisner Awards, em julho deste ano. Escrita por Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance, ganhou na categoria melhor minissérie (leia mais sobre a história neste link; e veja imagens aqui). Bá venceu também pela obra independente “5”, feita com o irmão, Fábio Moon, e com outro brasileiro, Rafael Grampá. Foi a vencedora na categoria melhor antologia (mais neste link). A série “Sugashock!”, desenhada por Moon, também venceu como melhor história digital.

Gabriel Bá concorre a mais um prêmio norte-americano, o “Scream 2008”, especializado em produções de horror. O paulista concorre nas categorias melhor desenhista e melhor história, “The Umbrella Acadamy: Apocalypse Stories”. O prêmio é promovido pelo canal Spike TV e será entregue no fim deste mês. Por terras brasileiras, Bá e Moon venceram nesta semana o Prêmio Jabuti na categoria álbum didático e paradidático de ensino fundamental ou médio (leia mais aqui). O prêmio foi pela adaptação em quadrinhos de “O Alienista”, conto de Machado de Assis.
>> BLOG DAS QAUDRINHOS – por Paulo Ramos


GRAFFITI 76% QUADRINHOS #17 – BUENA AVENTURA ESTÉTICA

segunda-feira | 29 | setembro | 2008

Coletânea mineira homenageia a Argentina traz surpresas do novo quadrinho independente nacional

A Graffiti é uma revista dedicada à publicação, difusão e experimentação das histórias em quadrinhos. Já foram lançadas, sempre de forma independente, 17 edições com cerca de 170 histórias de mais de 50 autores que fizeram da Graffiti referência no difícil cenário do quadrinho brasileiro.

Atualmente dois coletivos de quadrinhos contribuem de sobremaneira para alavancar a produção da arte seqüencial no Brasil. Um deles é O Contínuo, que lançou recentemente a ótima edição especial, Câncer. O outro é os mineiros do Graffiti 76% Quadrinhos (Graffiti, 84 págs, R$ 10), que chega à 17ª edição de sua coletânea independente. Nesta edição, o destaque é a homenagem ao quadrinho argentino, com a publicação de tiras do argentino Liniers, além de um artigo de Guazzelli.

Como uma das publicações de quadrinho nacional mais longevas, a Graffiti teve muito tempo para lapidar seu foco criativo e acertar em cheio seu público. Hoje, é referência quando se trata de avanços artísticos e narrativos. A revista também se mostra interessada em avançar por outros cenários, como literatura e artes plásticas. Tudo com uma coragem que só a independência poderia proporcionar.

Nesta edição, mais do que o experimentalismo e o bom argumento de algumas histórias, chama atenção a diversidade de formatos também. A revista apresenta dois cadernos internos, que fogem do padrão do papel couché, de todo o resto. O primeiro, em papel jornal traz um extenso artigo do artista Guazzelli sobre quadrinhos argentinos e o segundo, além de um hq no estilo stop motion de Caballero tem duas páginas para Liniers.

Hit na internet, Ricardo Liniers tornou-se fenômeno em seu país de origem e é aguardado com ansiedade por fãs no Brasil. A editora Zarabatana já anunciou que lança sua obra mais conhecida, Macanudo no final do ano. A Graffitti saiu na frente publicando HQs do artista e o melhor, na língua original, o espanhol. Liniers é dono de uma subjetividade que beira o mágico. O lirismo dos seus traços – que por vezes lembram uma tirinha infantil – é impressionante.

Mas não é só no pequeno aperitivo do argentino que se vale a nova Graffitti. Eloar Guazzelli, em sua história autobiográfica tendo como cenário Buenos Aires. Em 10 páginas, o autor gaúcho faz um tour sentimental retratando (des)encontros amorosos, ao mesmo tempo em que pontua momentos de sua carreira.

O trabalho de edição e de curadoria mantém uma boa regularidade das histórias, ainda que seja visível a qualidade de algumas em relação à outras, seja no traço ou mesmo no texto. João Pinheiro, estreando na Graffiti se arriscou e conseguiu um bom resultado na sua mistura de poesia e hq.
Poderia apenas trazer mais informações sobre os autores como fez com Liniers na penúltima página. Mas, são muitos os acertos nesta edição, que provoca no leitor uma estimulante aventura estética à cada página.
>> O GRITO! – por Paulo Floro

O primeiro volume de "Macanudo", de Liniers será lançado em outubro, no "HQ o Quê - 4º Festival de Quadrinhos da Fnac", em Pinheiros (SP), pela Zarabatana Books.