‘CREPÚSCULO’ LIBERTA VAMPIROS BRASILEIROS

sábado | 19 | dezembro | 2009

Nem só de Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro (foto ao lado) , personagem criado pelo humorista Chico Anysio nos anos 1980, se faz o catálogo vampiresco nacional. Motivados pelo sucesso de séries fantásticas como a do bruxo Harry Potter, criaturas nacionais têm deixado as gavetas de seus criadores e colocado os caninos para fora. “Quando comecei a trabalhar com livros, em 1995, havia um consenso de que literatura fantástica não vendia no país. Aí, veio Harry Potter, em 2000, e mudou tudo”, diz Luciana Villas Boas, diretora editorial da Record. Confira abaixo o perfil de quatro autores nacionais – e seus vampiros.

Ivanir Calado é testemunha dessa mudança. Seu livro O Mundo de Sombras: o Nascimento do Vampiro, que deve ser o primeiro de uma trilogia, foi publicado em 2007, mas rascunhado há 20 anos. “Harry Potter mostrou que o livro infantojuvenil pode ser grande, que a molecada está disposta a ler.”

A saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer, ajudou o gênero a explodir no Brasil. “Os livros de vampiros sempre tiveram leitores cativos, mas a demanda aumentou com Crepúsculo”, conta Nilda Vasconcelos, diretora da Novo Século. A editora é uma das que mais aposta na área. Já publicou diversos autores nacionais, entre eles o best-seller André Vianco – com mais de 438.000 exemplares vendidos. E prepara para 2010 o lançamento de uma paródia da saga de Stephenie Meyer, Opúsculo.

Uma outra análise, de fundo sociológico, se soma às explicações para o sucesso do gênero fantástico. É a do professor de teoria literária Carlos Berriel, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Esses monstros são antigos e arquetípicos. Como vivemos um período de inseguranças abstratas e não localizadas, é natural um retorno dessas figuras”, diz. O sucesso de Crepúsculo, segundo Berriel, revelaria ainda algo sobre os EUA. “É uma série de um vampiro de classe média, um mauricinho com hábitos corretos, quase vegetariano. Uma espécie de governo Obama, que tem poderes malignos mas não pretende usá-los.” 
>> VEJA – por Maria Carolina Maia

O vampiro gay admirador de Álvares de Azevedo


Kizzy Ysatis ‘morde’ uma fã

Foi depois de assistir a filmes de terror de madrugada que o pequeno Cristiano Marinho – nome real de Kizzy Ysatis – se afeiçoou a criaturas sombrias. Ler Edgard Allan Poe (1809-1849, autor de O Corvo), apresentado por sua mãe, também o ajudou a enveredar por esse caminho.

Em O Clube dos Imortais, romance vencedor do prêmio Rachel de Queiroz, Ysatis apresenta um vampiro homossexual: Luar, um anagrama de Raul, seu nome real – clique aqui para ler um trecho do romance. No século XIX, em um baile de máscaras, Luar se apaixona pelo poeta Álvares de Azevedo (1831-1852, autor de Lira dos Vinte Anos). Mais de cem anos depois, crê reencontrá-lo, reencarnado, no jovem Luciano, a quem tenta seduzir numa longa noite de diálogos intelectuais em um cemitério.

Nessa conversa à sombra de lápides, são citadas algumas outras referências de Ysatis: o francês Honoré de Balzac (1799-1850, autor de As Ilusões Perdidas) e o irlandês Oscar Wilde (1854-1900, O Retrato de Dorian Gray), ambos presentes em seu primeiro romance.

O caldo intelectual está presente também em O Diário da Sibila Rubra, segundo romance do autor, em que reaparece o vampiro Luar. Ysatis estima que seus dois romances, juntos, tenham vendido cerca de 5.000 exemplares. O número não é dos mais expressivos, mas ele não se importa. “Não quero ser rico”, diz o escritor.

Em O Diário da Sibila Rubra, além de Luar, há bruxa (sibila). Vale destacar que o próprio Kizzy Ysatis é um “personagem”: ele costuma andar de capa, cartola e unhas negras, e tem caninos de resina, fabricados por uma dentista.

Vampiro inspirado em aborígene australiano


Vianco: lenda inspira vampiro

Para escrever Bento, um de seus 12 livros já publicados, o paulista André Vianco se inspirou numa lenda aborígene australiana, em que seres fantásticos bebem o sangue de suas vítimas e depois as engolem – clique aqui para ler um trecho do romance.. Os vampiros de Bento não chegam a deglutir seus alvos, mas os caçam do alto das árvores, como faziam seus ascendentes da Austrália. Só mais adiante no livro, um calhamaço de 520 páginas, os vampiros sofrem mutações, transformam-se em dragões e passam a devorar os que encontram pela frente.

Na nona edição, com 30.000 exemplares vendidos, Bento é uma amostra do potencial comercial de Vianco. Sua obra mais comprada, o romance de estreia Os Sete, já atingiu a marca de 90.000 exemplares aproximadamente. Parte desse volume – cerca de 15.000 livros – foram vendidos de forma independente, quando o autor ainda não tinha editora.

Foi um período de batalha. Vianco ia de livraria em livraria, pedindo que vendessem seu livro e, se possível, arranjassem um lugarzinho para ele na vitrine. Deu certo. Ele chamou a atenção da Novo Século, que relançou Os Sete e editou os livros seguintes do escritor. Hoje, ele vive de direitos autorais provenientes das obras.

Pelas páginas do escritor, não passam só vampiros. Lá, se encontram assombrações, lobisomens e figuras do folclore nacional, como o Curupira (ser mítico que protege a floresta) e o Boitatá (cobra de fogo). “O que me atrai no sobrenatural é o mistério”, diz Vianco, que travou contato com temas fantásticos a partir dos seis anos, vendo filmes de terror pela televisão. “Fantasia e ficção científica sempre me prenderam a atenção.”

Liz Vamp, a filha de Zé do Caixão


Liz Marins posa como Liz Vamp

Personagem e autora se confundem no caso de Liz Marins. Filha do cineasta José Mojica Marins, criador do Zé do Caixão, ela usa seus dotes como atriz e diretora para dar vida a Liz Vamp – personagem que seria filha de Zé do Caixão com uma errante e tresloucada vampira inglesa.

A história deve dar origem a duas trilogias: a saga de Liz Vamp será narrada em três romances e três filmes, o primeiro deles previsto para ser lançado em 2011. O longa, provisoriamente intitulado Liz Vamp, a Princesa Vampiro, terá a participação de Mojica Marins – embora ele não aprove a personagem da filha, por achar que “não se trata de uma figura nacional, e sim de uma importação cultural”.

Além dos seres de caninos pontiagudos, Liz escreve poemas e contos sobre o universo sombrio de mortos-vivos, assombrações e outros representantes das trevas – clique aqui para ler o conto Mais uma Noite. Algumas de suas narrativas curtas viraram curta-metragens, como Aparências, abaixo. A autora, que não sabe dizer quantos livros já vendeu, integrou o volume Crônicas de Terror do Zé do Caixão, escrito por ela, o pai e o irmão, Crounel, e Livro Negro dos Vampiros, uma reunião de contos de autores diversos.

Assista a seguir a um vídeo com a personagem:

Vampiro brasileiro também pode ser clássico


Calado: vampiros e amigos 

O vampiro do fluminense Ivanir Calado, de 56 anos, é talvez o mais tradicional de todos. Ele não come alho, não se vê no espelho e foge da cruz como o diabo. Mas obedecer às regras do gênero não é obstáculo para o autor.

Calado gosta de contar histórias, muitas vezes com pitadas autobiográficas. Em O Mundo de Sombras: o Nascimento do Vampiro, dois amigos de infância se afastam na adolescência, quando um deles se torna vampiro – clique aqui para ler um trecho do romance. Quando publicou o livro, em 2007, o escritor o indicou a um antigo amigo, de quem se afastara ainda adolescente. A mensagem funcionou. A amizade foi reatada.

A relação com a atmosfera de mistério vem da infância, quando o autor morava em Nova Friburgo. A casa da família tinha como vizinho o barraco de uma senhora negra, que desfiava histórias fantásticas com seriedade. “Eu ficava impressionado”, lembra o escritor. Mais tarde, a leitura de Stephen King ajudou a consolidar o gosto pelo oculto. “Não vejo a menor graça no realismo. Acho uma forma pobre de descrever a realidade, que tem muitas camadas.”

Adotado por escolas, O Mundo de Sombras: O Nascimento do Vampiro contabiliza 26.000 exemplares comercializados. Caverna dos Titãs, outro livro de Calado lançado pela Galera Record, selo infantojuvenil da editora, vendeu 6.000. O Mundo de Sombras deve ter continuidade: o desejo de Calado é fazer dele uma trilogia.
>> VEJA – por Maria Carolina Maia

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‘ROBIN WOOD’: PRIMEIRO TRAILER E NOVAS FOTOS

sábado | 19 | dezembro | 2009

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O site australiano The Courier Mail divulgou novas fotos de Robin Hood, novo filme dirigido por Ridley Scott. As novas fotos mostram Russell Crowe e Cate Blanchett como Robin Hood e Marian.

A Universal Pictures também acabou de disponibilizar o primeiro trailer do filme, que pode ser conferido abaixo.

A produção também traz no elenco William Hurt como Earl de Pembroke, Vanessa Redgrave como Eleanor de Aquitânia, entre outros. O roteiro do longa-metragem é de Brian Helgeland. O filme narra como Robin Hood se tornou um fora-da-lei e como ele e seus companheiros foram parar na floresta de Sherwood. A previsão de estreia é 14 de maio de 2010 nos Estados Unidos e no Brasil.

Robin Hood é um personagem mítico inglês, um fora-da-lei na época do Rei Ricardo Coração de Leão. Era hábil no arco e flecha e vivia na floresta de Sherwood, acompanhado por amigos como João Pequeno e Frei Tuck. Não se sabe se ele existiu de fato. Uma das primeiras referências a Robin Hood é em um poema escrito por William Langland em 1377. Já ganhou diversas versões no cinema, nos quadrinhos e na televisão. Nos quadrinhos, serviu também de inspiração para a criação do Arqueiro Verde.
>> HQ MANIACS – por Carlos Costa – 3/04/2008

Divulgadas as primeiras fotos do 'Robin Hood' de Ridley Scott | Notícia | Robin Hood | Filme | Cinema | SaladaCultural

Assista ao vídeo:


‘SPARTACUS’: EPISÓDIOS CAEM NA REDE

sábado | 19 | dezembro | 2009

Ansioso para conhecer a nova série estrelada por Lucy Lawless, de “Xena” e “Battlestar Galactica”? A estréia está prevista na televisão americana para o dia 22 de janeiro de 2010, mas os dois primeiros episódios já caíram na Internet.

Ao ser apresentada à imprensa através de trailers, “Spartacus: Blood and Sand” causou um certo burburinho tendo em vista as cenas de ação, violência e sexo com um visual à lá o filme “300”. Com produção de Rob Tapert, Sam Raimi e Joshua Donen, a série tem 13 episódios iniciais encomendados pelo canal a cabo Starz. Filmada na Nova Zelândia, a série conta a história de Spartacus, ou Espártaco (Andy Whitfield), escravo que se torna um gladiador na arena de Batiato e sua esposa Lucrécia (Lawless).

Também no elenco estão Erin Cummings, vista em participações em “Dollhouse”, como Sura, esposa de Spartacus; Peter Mensah, visto recentemente em “Terminator: The Sarah Connor Chronicles”, como Doctore, leal escravo de Batiato; Manu Bennett, da série canadense “Street Legal”, como Crixus, importante gladiador da escola; Antonio Te Maioha, visto recentemente em “Legend of the Seeker”, como Barca, segurança e faz tudo de Batiato; Craig Parker, também visto recentemente em “Legend of the Seeker”, como Glaber, militar romano, e Nick E. Tarabay, de “Crash”, como Ashur, ex-gladiador.

Em outubro a produção lançou uma publicação em quadrinhos pela Devil´s Due. O gibi, com quatro edições, narra uma história diferente à que será apresentada na TV. Ele conta as aventuras de Arkadios, ex-guerreiro grego que foi escravizado pelos romanos e que agora busca por vingança.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim

Assista ao trailer oficial:


DOCTOR WHO – ICONE DA FICÇÃO CIENTÍFICA BRITÂNICA

sábado | 19 | dezembro | 2009

Icone cultural britânico como Sherlock Holmes ou o rock inglês como Beatles ou o espião do cinema James Bond-007. A Série de ficção-científica britânica, produzida e exibida pela BBC, “Doctor Who”, mostra as aventuras de um viajante alienígena pelo tempo e o espaço, sempre acompanhado de uma companhia terrestre.

Foi criado pela equipe de teledramaturgia da BBC, para a princípio, ser uma série didatica, onde os jovens poderiam conhecer a história da Terra, na companhia do Doutor, o viajante. Mas, como as estórias com outras raças e seres, atraiam mais a atenção do público, a série passou a ser mais focada para a ficção-científica.

Exibida inicialmente e ininterruptamente entre 1963 a 1989,somando-se a um telefilme em 1996 e com o retorno da série apartir de 2005, com “canon” original sempre mantido, ela entrou para o Guinness Book, como a série de mais longa longevidade da TV mundial.

Gerou mais dois Spin-offs que ainda estão em produção, “Torchwood” e “Sarah Jane’s Adventure”. O seriado se tornou bastante popular no Reino Unido e alguns outros países como Japão e Coreia. Nos States, tem uma base de fãs pequena.

No Brasil, só foi exibido no canal a cabo: PEOPLE+ARTS, com as novas temporadas de 2005 para cá. O seriado clássico nunca passou aqui…infelizmente somos acostumados a enlatados americanos.

PERSONAGENS:
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DOUTOR:
O viajante temporal, Doutor (só é conhecido assim, seu nome real nunca foi revelado), veio do Planeta Galafrey, onde havia uma raça muito avançada de Senhores do Tempo. O Doutor, viaja em uma nave chamada de TARDIS, abreveatura de “Time and Relative Dimension(s) in Space” (Tempo e Espaço em Dimensões Relativas). Nos anos 60, onde a série começa, o Doutor estava vivendo com sua neta em Londres. Ele escolheu a Terra para morar, pois gostou da história do planeta e de seu povo. O TARDIS, é uma nave camuflada,que pode levar seus passageiros para qualquer lugar no tempo e espaço, embora seu exterior pareça com uma cabine de polícia de Londres devido a um defeito irreparável no sistema de camuflagem, seu interior é muito maior do que o exterior, contendo inúmeras salas.

COMPANHIAS:
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O Doutor sempre viaja em companhia de uma ou mais pessoas, geralmente jovens e em sua maioria do sexo feminino com raras exceções. Em cada temporada da série, varia muito estas companhias. Uma das mais famosas, foi a Sarah Jane, que foi companheira do Doutor por quase 5 anos. Recentemente, ela ganhou sua propria série, com a mesma atriz, que a representou nos anos 70. Do seríado Doctor Who de 2005, para cá, a personagem Rose Tyler, foi uma das mais populares. Mesmo fora do elenco, após a terceira temporada, a atriz, Billie Pipper, a Rose, sempre faz algumas pontas na série.

VILÕES:
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A série apresentou inúmeros vilões. Três são os mais populares:

MESTRE: Personagem da mesma raça do Doutor, originário de Galafrey. Nutre um ódio enorme contra outras raças. Tem desavenças com o Doutor por causa disto.

DALEKS: Seres criados geneticamente e vivendo em casulos robos que se voltaram contra seus criadores humanos e tentam “EXTERMINAR” todas as raças que não seja Daleks.

CYBERMAN: Seres cibernéticos, que tentam “ASSIMILAR” outras raças, para melhoria das espécies.

REGENERAÇÃO E ATORES :
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Sendo um “Senhor do Tempo”, o “Doctor” tem a capaciade de regenerar o seu corpo, como forma de evitar a morte. Este conceito foi introduzido em 1966, quando os argumentistas se confrontaram com a partida do ator principal William Hartnel, como forma de prolongar a série. Desde então tem sido uma característica definidora da série, sendo utilizada sempre que é necessário substituir o ator principal. Contudo, foi estabelecido num episódio que um Senhor do Tempo apenas pode regenerar 12 vezes, a um total de 13 incarnações (apesar de ser possível contornar a situação). Até à data, o “Doctor” passou por este processo nove vezes, tendo cada uma das suas incarnações o seu estilo e particularidades, mas partilhando as memórias, a experiência e o seu sentido de moral:

Doutor e os atores vividos:
Primeiro Doutor, interpretado por William Hartnell (1963–1966)
Segundo Doutor, interpretado por Patrick Troughton (1966–1969)
Terceiro Doutor, interpretado por Jon Pertwee (1970–1974)
Quarto Doutor, interpretado por Tom Baker (1974–1981)
Quinto Doutor, interpretado por Peter Davison (1981–1984)
Sexto Doutor, interpretado por Colin Baker (1984–1986)
Sétimo Doutor, interpretado por Sylvester McCoy (1987–1989)
Oitavo Doutor, interpretado por Paul McGann (1996)
Nono Doutor, interpretado por Christopher Eccleston (2005)
Décimo Doutor, interpretado por David Tennant (2005–presente)
O 11° Doutor, será apresentado em 2010, será o jovem ator Matt Smith.

Uma caracteristica interessante, é que os atores são cada vez mais jovens. Assim, a série começou com o William Hartnell com mais de 60 anos, e agora terá o Matt Smith, com 27 anos. Nos EUA, a série clássica, foi exibida em meados dos anos 70, o que fez o ator Tom Baker, ser o mais popular por lá. Os Simpson, já mostrou o Doutor em Springfield, o conhecido Tom Baker.
A popularidade da série foi tanta, que dois filmes para o cinema, foram produzidos na Inglaterra, com o ator Peter Cushing, representando estórias desgarradas do canon. “Dr. Who and the Daleks and Daleks”(65) e “Invasion Earth 2150 AD”(66). Muitos fãs colocam Cushing, como sendo representação do Primeiro Doutor.

CONTEÚDO
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A série começou a ser exibida na TV britânica no ano de 1963, com o formato Preto&Branco. Os Episódios de cada temporada, eram dividas em estórias que formavam um arco de 4, 5 e até 6 episódios. Uma temporada poderia ter mais de três arcos de estória. A atual produção apartir de 2005, mantem um padrão americano sem arco ou alguns episódios sendo duplos. Em geral, a atual produção mantem 13 episódios por temporada com até dois especiais de Natal. Em 2009, não houve temporada, mas apenas 4 especiais. Em 2010, voltarão as temporadas normais.

O TELEFILME DE 1996
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Sendo pouco popular nos States, durante os anos 80, a Disney, comprou os direitos americanos da série, da BBC, para tentar produzir algo parecido no canal de TV Disney. Eles chegaram a convidar o Steven Spielberg para produzir a nova série, só que após longo estudo, foi visto que não haveria a mesma audiência que nas terras inglesas. A Disney desistiu, mesmo por que o relacionamento entre Spielberg e Disney esfriou no final dos anos 90.

Durante os anos 90, Spielberg novamente,depois de ter achado a série interessante, tentou comprar os direitos para a Amblin, junto a BBC. Houve alguns problemas legais, e ele acabou desistindo. A BBC, acabou negociando com a Universal e com a FOX, que estava lançando uma nova tv a cabo. Em 1996, depois de muitas idas e vindas, o telefilme Doctor Who, foi lançado na FOX TV, que não teve a audiência esperada e por que eles já tinha seu ARQUIVO X. O telefilme seria o piloto de uma nova série que acabou novamente sendo não acontecendo.

Este Telefilme, apresenta o ultimo ator que fez o Doutor Who, Sylvester McCoy, se regenerando no ator Paul McGann, que segue a estória. Como produção americana, foi filmada nos States e o Doutor tem uma companheira americana. O vilão, é o Mestre, interpretado pelo ERIC ROBERTS, irmão da Julia Roberts. Apesar dos pesares, ainda é consierado parte do canon. O ator Paul McGann, apesar de nunca mais ter sido convidado para ser Doctor Who, até hoje grava as telenovelas do Doutor pela rádio BBC e para os Audio books da série.

NOVA SÉRIE – 2005
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A BBC, com o fim da série em 1989 e o fisco do telefilme co-produzido com a Fox em 1996, só retornou as produções de TV após o ano 2000. Desta vez, a BBC, encarregou sua unidade menor, que fica em CARDIF, no país de Gales, para produzir a nova série. Ela é toda filmada lá, por um custo menor. O novo seriado, produzido apartir de 2005, tem alcançado grandes audiências no Reino Unido, levando a série a ter nova popularidade na America também, através de uma co-produção com o Canadá. Está sendo exibido pelo canal Sifi nos States, onde a série não era muito popular e está ganhando novos fãs a cada dia.

O único revés ficou por conta do ator principal escalado para ser o Doutor, Christopher Eccleston(de Exterminio), que apesar da grande audiência, descidiu não permanecer ao fim desta primeira temporada. Eccleston, mudou-se para os States, onde participa do seriado HEROES, como Claude , o homem invisível. Recentemente está na mega-produção, G.I.JOES, como Destro, chefe dos Cobras.

O ator David Tennant (Harry Potter e o Cálice de Fogo), foi contratado para ser o Doutor com a saída de Eccleston, e a popularidade só aumentou. Infelizmente, após 5 anos, Tennant, já acha que é hora de ir embora, em 2010 entra o jovem Matt Smith.

A popularidade da nova série, que traz todos elementos originais e respeita o canon estabelecido em 1963, também trouxe prêmios e reconhecimentos a série. Por três anos seguidos, ela ganhou como melhor série de TV de ficção-cientítifica do ano, laureados pelo HUGO AWARD, batendo séries americanas como as consagradas Star Trek, Star Gate e a nova Galactica.

SPIN OFF
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TORCHWOOD :
O sucesso do retorno de Doctor Who, fez com que a BBC, expandisse o universo, aproveitando um personagem criado durante a nova temporada de Doctor Who, o Capitão Jack, foi criado o Spin-off, “Torchwood”, que é um instituto que investiga atividades paranormais e alienígenas no Reino Unido. Seria uma versão Arquivo X da BBC. A série tem um apelo mais sério e adulto e pode chocar algumas pessoas, com alguns relacionamentos sexuais que aparecem na série. Já está em sua terceira temporada.

SARAH JANE’S ADVENTURE:
Um novo spinoff, só que desta vez, mais infantil, foi criado pela BBC. “Sarah Jane’s Adventure”, apresentando a ex-companheira do Doutor, Sarah Jane, em seu retorno a ação, mais de 20 anos depois de ter aparecido em Doctor Who.
>> UNIDADE DE CARBONO NO PÁLIDO PONTO AZUL


LUÍS FILIPE SILVA: ENTREVISTA PARA A REVISTA DAGON

sábado | 19 | dezembro | 2009


Luís Filipe Silva ganhou em 1991 o prémio Caminho de Ficção Científica pela coletânea “O Futuro à Janela”. É autor dos romances “Cidade da Carne” e “Viganças”, e colaborou com João Barreiros no “Terrarium -Um Romance em Mosaicos”. Tem contos publicados em diversas revistas e jornais portugueses, bem como no Brasil, Espanha e Sérvia, e na antologia luso-americana «Breaking Windows». Colaborou na área do Fantástico como crítico literário no Diário de Notícias, como editor de romances na Devir Portugal e como organizador nos Encontros de FC&F da Associação Simetria. As suas publicações mais recentes incluem a novela «Aquele Que Repousa na Eternidade» na antologia comemorativa de temas Lovecraftianos “A Sombra sobre Lisboa” e na antologia “Galeria do Sobrenatural” (Terracota). Edita o site TecnoFantasia.com

Com que idade começou o seu interesse pelo fantástico? Bem sei que é uma pergunta difícil mas… sabe porque começou este interesse?
O despertar terá ocorrido algures nos primórdios da leitura, quando
tudo o que existia era a banda desenhada e as séries televisivas. Era
impossível afastar-me do ecrã quando começava um Espaço: 1999, uma Galáctica, um Twilight Zone, um Conan – O Rapaz do Futuro… (por
sinal, já então o Star Trek não despertava grande interesse).
Lembro-me distintamente de desenhar álbuns inteiros de odisseias
espaciais com personagens inspiradas na Disney (queria então que o meu futuro fosse participar na criação de longas metragens de animação). Ou seja, algures a partir dos 8, 10 anos comecei vincadamente a gostar de Ficção Científica, e o salto para a leitura em prosa foi mínimo.

Quanto ao motivo do interesse, sem dúvida o sentido do maravilhoso e o deslumbramento da ciência. Não seria um pensamento consciente, mas por base estaria a admiração profunda por o universo não só ser mais complexo e admirável do que éramos capazes de conceber na nossa imaginação como ser passível de entendimento. Quantos livros de física e astronomia devorei na adolescência…

Que livros o despertaram para a literatura Fantástica?
TEMPESTADE NO TEMPO de Gordon R Dickson foi sem dúvida o que me
impeliu a escrever a sério, aos 12 anos. Até então tudo o que conseguia encontrar a nível da colecção de bolso da Europa-América foi
imprescindível para o meu amadurecimento progressivo e a percepção que a FC era muito mais do que viagens e aventuras no espaço. Não há como fugir ao encontro com NO BLADE OF GRASS e UBIK e AVATAR, e outros, que me fizeram expandir, em poucos meses, a minha ideia do que a literatura – em particular a fantástica – era capaz de alcançar.
Nesses tempos, até as “novelizações” de séries e filmes eram
inteligentes, e em particular, o trabalho de Robert Thurston com os
primeiros quatro livros da série Galáctica são bons exemplos de como
se pode enriquecer o material de base em termos de profundidade
temática e complexidade dos personagens (que decididamente a série
televisiva não tinha).

Depois estaria atento aos autores do género, e isso levar-me-ia
rapidamente a descobrir um Heinlein em capa cinzenta pequena, e por
este saber que existia algo chamado Argonauta. O resto, como dizem, é
enredo…

Quais são os autores que mais o influenciaram?
Penso que esta é uma simpática pergunta de algibeira… Isto porque na verdade serão múltiplas e variadas as fontes de influência de quem procura escrever, e não se limitam necessariamente a autores ou obras – por vezes, no meio do filme mais disparatado, surge uma fala ou um truque de enredo que brilha como um diamante deitado para o lixo. É uma questão de estar atento, de ter um problema ou uma interrogação em mente (“como é que tiro o herói deste “enrascanço”, “como é que a aldeia vai reagir à confissão do miúdo”, “que tempo narrativo usar para uma história de saltos no tempo”). E nem sempre o que influenciará uma história servirá para outra. Lembro-me que um conto em particular, já lá vai o tempo, a “Série Convergente”, que recorre a uma forma entrecortada a nível temporal para apresentar um enredo simples resultou da influência mista de várias bandas desenhadas, dois filmes e um conto, cada qual contribuindo com uma sugestão distinta para o resultado final. Efectivamente não há nada debaixo do sol, excepto as sombras que traça na paisagem, e estas contam muitas histórias.

A nível global, os críticos ajudaram-me tanto quanto os autores. Os bons críticos explicam o que funciona e o que está desenquadrado, apontam para exageros ou faltas de ambição. Tudo o que se escreve resulta de opções, e por vezes é preciso alguém que está atento entender que rumo o autor pretendia seguir e porque não conseguiu lá chegar. Como em tudo, Portugal tem também falta de bons críticos, embora tenhamos alguns excepcionais, momento em que gostava de destacar o bom trabalho do João Seixas nesta área.

Não quero com isto afirmar que não tenho os meus autores preferidos, e que eles não me influenciaram. Em diversos graus de importância, o meu modo de pensar e escrever seria bastante diferente se não tivessem existido Ursula LeGuin, Theodore Sturgeon, Bruce Sterling, William Gibson, Lucius Shepard, João de Melo, Sartre, Ellery Queen, Ruth Rendell, Frank Herbert, James Tiptree Jr, Frank Miller, só para retirar alguns da tômbola.

Acha que os escritores portugueses podem rivalizar em qualidade com os escritores estrangeiros?
Perfeitamente. Todas as línguas têm os seus escritores de destaque, e a nossa tem uma forte tradição a nível literário, além de ter uma riqueza suficiente para permitir a qualquer autor exprimir-se no limite da sua capacidade.

Claro que para isto acontecer é preciso que se criem as condições necessárias para o autor poder crescer e aprender. Não é à toa que equacionamos os escritores estrangeiros com qualidade.

E não se trata propriamente da questão estatística dos números – a quantidade ajuda, obviamente, mas se têm muitos bons escritores, têm escritores maus e horríveis em maior número… O que está em causa é que os melhores de entre eles estão acima dos melhores de entre nós – é isso que deve ser comparado.

Aqui entra a questão das condições – condições de mercado que permitam a um autor profissionalizar-se, ou seja, viver da escrita e da profissão de autor (incluindo palestras, entrevistas televisivas, etc., que são pagas no estrangeiro mas aqui não); ao viver da escrita, ser-lhe-á possível dedicar-se à literatura a tempo inteiro, e logo escrever mais ou trabalhar melhor o que escreve.

As condições não são só financeiras, mas de discurso literário. Quando muitos autores, leitores e críticos se juntam nasce um movimento. Um movimento é o que resulta de uma prática que se vai melhorando. Os críticos constroem um padrão e estabelecem normas, os autores quebram as normas e enriquecem o conjunto, os leitores divertem-se no processo e incentivam à continuação. Este tipo de discurso tem possibilitado à FC no estrangeiro evoluir de meros contos pulp de máquinas, monstros e enredos imberbes para uma especulação efectiva sobre o futuro e o movimento das civilizações e o significado do ser humano quando confrontado com o Outro.

A nós falta-nos esse discurso, e se aprendemos com a manifestação alheia, e por ela conseguimos avaliar a nossa escrita e utilizar algumas das lições ditadas pelos outros, a verdade é que não é um processo que consiga desenvolver-se com alguma autonomia – os nossos críticos regem-se pelos ditames alheios, os leitores em grande medida desconhecem a história nacional do género, e os autores, por falta de tempo, jeito ou vontade, não tentam sequer entender que não podem começar do zero e que há que passar a um nível de sofisticação elevado por estarem numa competição internacional que dura há décadas… Não digo que se deva virar as costas ao que se faz lá fora nem isso seja minimamente benéfico, mas a condição permanente de estarmos constantemente a espreitar a festa pela janela e a tentar imitá-la no meio da rua torna difícil, ou mesmo impossível, o surgimento de uma abordagem nacional, de uma literatura fantástica de cariz lusitano.

O mundo não precisa de FC americana escrita em português (já existem afinal tantos americanos a fazê-lo) mas sim de autores que consigam aproveitar a distância cultural e, livres dos vícios históricos e conjunturais dos seus colegas além-mar, reinterpretem o género, renovem as fundações em que assenta e o transportem, no seio da própria língua, para o século XXI. Dessa forma conseguiremos ter autonomia e legitimidade para contribuir para o panorama mundial do fantástico, com autores que assumam orgulhosamente que pertencem ao género.

Como vive o actual “boom” de literatura fantástica em Portugal? Ou será este “boom” uma ilusão?
O boom é um facto: a literatura fantástica impôs-se como mercado e preenche uma boa percentagem das prateleiras disponíveis. Existem secções dedicadas ao género nas principais livrarias e tem-se assistido a uma agradável disputa entre as editoras para conquistar leitores pela introdução rápida das mais recentes obras internacionais, algo que até há poucos anos acontecia por acaso. Ora, edição (permanente e crescente) não existe sem interesse, e interesse implica leitores. Pelo que se pode afirmar que o boom da edição é na verdade um boom da leitura, o que só pode ser positivo. Por arrastamento, vem a contribuição dos autores portugueses, pois as editoras começam a procurar a prata da casa para complementar o catálogo…

O boom é uma ilusão: quantidade não implica variedade, e nunca representou necessariamente qualidade. Não existe um boom de literatura fantástica, mas um crescimento de alguns temas dentro do vasto universo da literatura fantástica. Abundam os livros de vampiros, goblins, jovens mágicos a quem é prometido o universo sem ainda terem tido oportunidade de demonstrar o seu valor. Ficam no caminho os romances, outrora preferidos, de exploração espacial, contacto com alienígenas, sociedades futuras, hiper-tecnologia. Ficam esquecidas as temáticas surrealistas, o terror, o sobrenatural não urbano. É dado destaque desmesurado a jovens autores que ainda agora começaram a escrever, que não apresentam ideias novas e originais sobre os temas que abordam – como dita a regra do bom senso, para um punhado de bons haverá muitos que não mereciam igual atenção. E para o lado foram afastados autores de outras gerações, ou que não abordam exactamente o assunto do momento, mas que teriam mais para dizer (e fascinar).

Colocando-lhe uma questão semelhante à colocada ao Jorge Candeias, acha que os blogues sobre literatura fantástica apresentam qualidade suficiente para conquistar novos públicos?
Depende. Há vários tipos de blogues – alguns mais pessoais e de ocasião, outros com aspirações de maior formalismo. Entre a opinião e a crítica experiente e fundamentada existe um espectro de variações. Creio que o grande ponto a favor é que, mais importante que o factor de qualidade é a mera diversidade, que por um lado demonstra o tal interesse atrás referido e por outro possibilita que cada gosto particular encontre o que procura.

O que me parece que falte serão blogues interessados no passado da literatura fantástica, em particular o passado nacional. A história é a grande lacuna da internet – quem entrasse no nosso mundo e se limitasse a analisar esta biblioteca virtual ficaria com a ideia que a sociedade humana teria nascido há poucas décadas, tal é o interesse (relativo) que se confere aos acontecimentos do dia-a-dia. A memória é importante para cada ser, para cada cultura. Depois de nós virá quem nos tenha esquecido. Se nos cumpre manter o registo de quem somos e o que fizemos, também nos cumpre lembrar quem nos antecedeu. De destacar o excelente trabalho que João Seixas fez no seu blogue Blade Runner em Novembro passado, durante o qual foi buscar às prateleiras edições de antanho e as apresentou, ao ritmo de uma por dia, aos leitores.

E que blogues portugueses destaca neste momento?
Sigo com muito interesse os blogues de quem mais de perto contribui para a literatura fantástica – entre autores, críticos e editores. Sem prejuízo dos restantes, faço notar os blogues do David Soares, da Safaa Dib, do João Seixas, da Cristina Alves, do Nuno Fonseca. O Rui Pedro Baptista tem, recentemente, apresentado recensões a um ritmo invejável, que espero possa manter. Blogues colectivos como o Correio do Fantástico são imprescindíveis mas têm uma semi-vida curta (sendo a «Trilha de Moebius» talvez o caso mais flagrante). Existem outros que entretanto se afastaram um pouco do tema, mas cujos autores vão mantendo presença assídua em fóruns de discussão. E outros ainda que gostaria que iniciassem ou regressassem a uma presença bloguística.

A nível dos “portugueses” de além-mar, que segundo uma notícia do Google, são o segundo país que mais contribui para o fenómeno bloguista, refiro, de entre as dezenas de sítios interessantes, o Universo Fantástico, a Cristina Lasaitis, o Fábio Fernandes, Hugo Vera, Bráulio Tavares, Ana Cristina Rodrigues, Tibor Moricz, Fernando Trevisan, a Maria Helena Bandeira, o Octávio Aragão, e tantos outros.

E será que a literatura fantástica tem hoje maior incidência nos leitores através da internet ou continua a mensagem a passar através dos livros? Ou seja, será que o “Boom” foi criado pela internet?
Bem, só uma análise estatística poderia responder com legitimidade à pergunta. Mas a internet sem dúvida que contribuiu, pela facilidade de comunicação e divulgação de qualquer tema. E contribuiu em grande medida a nível do fantástico português, permitindo que se oncretizassem projectos que de outra forma seriam quase impossíveis de chegar ao fim (veja-se, a título de exemplo, o exercício que tentei construir à volta da elaboração alternativa da antologia “Por Universos Nunca Dantes Navegados” num universo sem internet, publicado na Bang! 4).

Estará o futuro do fantástico nas artes em Portugal assegurado, contando com valores tão importantes como o próprio Luís Filipe Silva, como o David Soares ou o Jorge Candeias, entre outros?
O futuro do fantástico nas artes em Portugal estará assegurado desde que se consiga garantir o sagrado triângulo da criação: aquele que tem por cantos o autor, o leitor e o crítico, cada qual a contribuir com a sua função, de forma equiparada e em dinâmico equilíbrio.
>> CORREIO DO FANTÁSTICO – por Roberto Mendes – Dagon nºzero


JOVEM AUTORA DE ‘A FADA’ PREPARA NOVOS PASSOS

sábado | 19 | dezembro | 2009

Carolina Munhoz embarca para Londres em busca de
oportunidades no mercado europeu: site tem obra autografada


A autora Carolina Munhoz: “Quero seguir os passos de Paulo Coelho e ficar conhecida na Europa” (foto: Estevam Scuoteguazza/AAN)

Uma história envolvendo fadas, bruxas e magia. Uma jovem que se tornou escritora influenc’iada por Harry Potter. Uma editora campineira apostando em literatura fantástica. A mistura destes ingredientes resultou no romance de ficção A Fada, que a estudante Carolina Munhoz lançou em fevereiro pela editora Arte Escrita. O livro pode ser considerado um dos maiores sucessos recentes do mercado editorial de Campinas: desde que ganhou as lojas, a obra tem conquistado o público infanto-juvenil.

A autora, que está cursando o terceiro ano da faculdade de jornalismo na Universidade Paulista (Unip), não sabe precisar quantos exemplares da obra foram vendidos até o momento, mas conta que a repercussão foi maior do que o esperado. “Recebi vários convites para participar de palestras e eventos literários”, comemora. Dentre outros, Carolina palestrou no 1º Festival Internacional de Leitura de Campinas e fez tarde de autógrafos no evento de anime FanMixCon.

Em entrevista ao Caderno C, a jovem escritora revela que está de passagem comprada para Londres, onde irá passar 45 dias. Ela embarca no próximo dia 28 e diz que vai em busca de uma oportunidade no mercado literário europeu. “Quero seguir os passos de Paulo Coelho e ficar conhecida na Europa, onde o reconhecimento é maior”, avalia. Carolina acredita que o fato de A Fada ser ambientada em Londres poderá ajudá-la a conseguir que alguma editora londrina publique a obra em inglês.

A Fada, conforme a autora, foi escrita quando ela tinha 16 anos de idade e acabara de voltar de uma temporada nos Estados Unidos. “Morei um ano em São Francisco e pude conhecer outros países, dentre eles a Inglaterra, onde me inspirei para escrever a história”, conta.

Carolina que se diz apaixonada pelos livros da série Harry Potter, revela que o personagem serviu de base para a construção de Melanie, a fada criada por ela. “Sentia falta, no Brasil, de uma literatura na linha da autora J. K. Rowling”, justifica.

A Fada, cujo exemplar autografado pode ser comprado on-line pelo site do Sebo Porão (www.seboporao.com), gira em torno da história de Melanie Aine, uma garota que completa 18 anos no mesmo dia da morte de seu pai. A data ficará marcada também por uma revelação que mudará sua vida: ela descobre que não é humana, mas uma princesa vinda de outra dimensão. A partir de então, Melanie tem que aprender a lidar com várias situações inusitadas decorrentes de sua descoberta.
>> COSMO ON LINE – por Agência Anhanguera de Notícias


GIULIA MOON EM ENTREVISTA PARA A REVISTA SAMIZDAT

sábado | 19 | dezembro | 2009

Giulia Moon, autora do romance Kaori: Perfume de vampira, e de mais uma porção de contos tendo como protagonistas as criaturas mais badaladas da atualidade, fala à SAMIZDAT sobre ela mesma, sobre a diferença de escrever um conto e um romance, sobre os clichês da literatura de horror – e como não cair em suas armadilhas, e, é claro, sobre vampiros. Saiba mais sobre Giulia Moon em seu blog Phases da Lua (http://phasesdalua.blogspot.com). Sobre o romance Kaori, visite a página da obra na Giz Editorial.

SAMIZDAT — Fale-nos um pouco de você, enquanto cidadã paulistana: quem é você, enquanto não está escrevendo ficção? Conte-nos um pouco de sua trajetória até publicar seus primeiros livros.
GIULIA MOON — Eu sempre tive habilidade para desenhar, herança do meu pai, seu Kazuo, que pintava à mão os painéis nas fachadas de cinemas paulistanos lá pelos idos dos anos sessenta e setenta. Com o tempo, esse tipo de atividade foi desaparecendo, pois os cinemas passaram a usar apenas letreiros luminosos nas fachadas. Lembro-me perfeitamente de meu pai pintando enormes painéis com as imagens do 2001: Uma Odisséia no Espaço, Sol Vermelho, O Dólar Furado e muitos e muitos filmes. Ele ampliava, com a ajuda de um episcópio, as imagens dos posters oficiais e depois os coloria no galpão que ficava nos fundos da minha casa. E deixava que eu pegasse pincéis velhos e restos de tinta para brincar.

Quando era adolescente, desenhei mangás e quadrinhos que serviam apenas para divertir os amigos. Nessa época comecei também a escrever contos, que também ficaram engavetados, pois nunca imaginei que poderia um dia publicá-los. Depois entrei numa faculdade de Comunicações, a FAAP, e me especializei em Publicidade e Propaganda. Fiz estágio em algumas agências e acabei trabalhando como diretora de arte na área de Promoção e Merchandising durante muitos anos. Nesse período fiz alguns trabalhos interessantes, como a criação dos personagens da Marisol, Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre. Como publicitária, exerci várias funções: direção de arte, ilustração, direção de criação.

Em 2000, eu me encontrava meio entediada com os rumos da minha vida profissional. Havia conseguido um certo sucesso, mas não via muitas perspectivas além disso. Eu lia muito, principalmente livros de FC, Fantasia e Horror, e estava fascinada pelos livros da Anne Rice. Havia escrito, ainda como um simples passatempo, um conto de vampiros compridão, chamado A Dama Branca. Numa noite, navegando à toa pela internet, coloquei num buscador a palavra “vampiro”. Surgiu um site brasileiro chamado Mundo Vampyr de fãs de vampiros. Comecei a explorar o site e, entre outras coisas, encontrei uma seção de contos. Resolvi então escrever um conto, “Um Tédio de Matar”, uma história curtinha, do tamanho dos que estavam publicados lá, e enviei para o webmaster. Recebi quase em seguida um convite para participar de um grupo de discussão no Yahoo, a Tinta Rubra, composto de escritores amadores de contos de vampiros, pois o webmaster era o moderador do grupo. Foi assim que comecei a escrever regularmente nas minhas horas vagas. A Tinta Rubra trouxe também a oportunidade de mostrar o meu trabalho para um público mais amplo, fora do círculo de familiares e de amigos, e percebi então que talvez eu pudesse ambicionar algo maior do que simples passatempo na área literária. Acabei lançando o meu primeiro livro, uma coletânea de contos chamada Luar de Vampiros (Scortecci, 2003) graças ao incentivo dos participantes do grupo e, de lá para cá, tenho mantido uma produção constante, com mais dois livros de contos: Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros (Landy, 2004) e A Dama-Morcega (Landy, 2006). Este ano lancei o meu primeiro romance, Kaori: Perfume de Vampira pela Giz Editorial.

SAMIZDAT — Giulia Moon é, segundo fontes seguras (rsrs) um nome artístico. Como é o seu nome de batismo, e por que a opção pela adoção de um pseudônimo? Você publica textos como “você mesma”, diferentes dos textos escritos como Giulia Moon?
O meu nome real é Sueli Tsumori. “Giulia Moon” é um nickname que adotei quando entrei na Tinta Rubra. Ao invés de escolher, como os outros, um nome romeno vampiresco com títulos de nobreza como “condessa” e “lady”, reuni dois nomes curtos que tivessem algum tipo de significado para mim. Eu sempre gostei do nome “Giulia”, porque soava sensual, gracioso e fácil de ser pronunciado. E “Moon”, porque sou uma apaixonada pela lua, adoro ficar devaneando sob uma lua cheia ou ler histórias que envolvam noites de luar – além de achar a grafia de “moon” muito legal, com os “o”s lado a lado, lembrando dois olhos arregalados de espanto. Quando lancei o primeiro livro, não havia razão para assinar de outra forma, já que a maioria dos meus leitores me conhecia como “Giulia Moon”. E assim ficou. Nunca publiquei nada como Sueli, pois Giulia continua sendo, pelo menos para mim, o meu lado vampiresco, noturno, aventureiro – enfim, o meu eu que passava as noites teclando com amigos soturnos e escrevendo contos cruéis na Tinta Rubra.

SAMIZDAT — Os vampiros são um dos temas que, de tempos em tempos, voltam a ser moda. A que você atribui este fascínio que temos por estas criaturas?
Acho que as pessoas gostam de vampiros porque são, em primeiro lugar, vilões com um bom layout. São parecidos com os seres humanos, têm as vantagens da juventude eterna, imortalidade, dons psíquicos, força física. É um monstro que tem um arsenal de armas variado: a força, o poder psíquico, a sedução, a esperteza. Pode agir com a “mão pesada” ou com sutileza, dependendo da situação. Mas também pode ser sentimental, frágil, enfim, pode ter todas as fraquezas da mente humana, pois já foram humanos um dia. Para o autor, é um personagem muito estimulante, e isso faz com que o produto da criação tenha grandes chances de ficar bom. E, para o leitor, é aquele vilão (ou vilã) bonitão, sacana e malvado que adoramos odiar. Vilões assim sempre fizeram sucesso, pois adoramos esses contrastes: beleza com maldade, delicadeza com crueldade, e assim por diante.

SAMIZDAT — Com tantos autores, nacionais e estrangeiros, abordando o vampirismo, é possível fugir de certos clichês do gênero, ou ao fazê-lo corre-se o risco de descaracterizar o tema?
GIULIA — Bem, não existe uma lei que diga que tais e tais características são obrigatórias para um personagem vampiro. Acho que depende do bom senso de cada autor. Um bom senso que o faça reconhecer que, sem algumas características básicas, o seu personagem não é um vampiro, mas alguma outra criatura. Os vampiros do meu livro Kaori são os vampiros clássicos: predadores, bebem sangue (e só sangue), não andam a luz do dia, têm muita força e capacidade de se regenerar de ferimentos. Mas já escrevi contos em que os vampiros são seres microscópicos, por exemplo. Os clichês ruins são apenas aqueles que são mal trabalhados pelo autor.

SAMIZDAT — Muitos autores da nova geração encantaram-se com os vampiros por causa dos jogos de RPG, especialmente “Vampiro: a Máscara” (publicado no Brasil pela Devir). Você pertence a este grupo ou seu interesse é anterior? Qual foi sua inspiração inicial?
A minha inspiração inicial veio da literatura, do cinema e dos mangás. Só joguei RPG uma única vez, com alguns amigos. Eu adorei! É um jogo incrível, que faz uso de imaginação, de atenção, de perspicácia e é, antes de tudo, uma grande diversão. Mas mesmo àquela época eu não tinha tempo para frequentar as sessões de RPG e por isso não me tornei uma praticante. Tenho muitos leitores RPGistas e alguns deles estão até usando personagens dos meus livros para jogar. Deve ser bem interessante assistir Kaori, Kodo, Mimi e Missora inseridos num jogo de RPG

SAMIZDAT — Em seu Kaori: perfume de vampira, você narra a história paralelamente em duas épocas e lugares diferentes: no Japão da Era Tokugawa, e na São Paulo contemporânea. É evidente que a porção moderna do enredo depende muito dos eventos narrados na parte do século XVIII. Mesmo assim, como foi o processo de escrita? Como você montou o romance? Foi escrito da forma como se apresenta, ou foram feitas duas tramas, e amarradas posteriormente?
Na verdade, eu tinha duas histórias na cabeça desde o início, e fui escrevendo as duas ao mesmo tempo, para que os detalhes de ambas fossem se entrelaçando. Pois mesmo que a história atual dependa mais da trama do passado do que o contrário, a forma de narrar o passado dependia também do que o leitor já sabia que ia acontecer no futuro. Por exemplo, todo mundo sabia que Kaori não morreria, pois ela reaparece na São Paulo de 2008. Mas a narrativa tinha que manter o leitor em suspense quando ela corria perigo no passado.

Às vezes, eu escrevia dois ou três capítulos no presente para depois voltar ao passado e vice-versa. Noutras vezes eu reescrevia alguns trechos para que se moldasse melhor à trama paralela. Foi um trabalho de verdadeiro artesanato, tecendo, cortando, costurando.

SAMIZDAT — Os protagonistas Kaori e Samuel aparecem em uma outra narrativa – um conto – segundo uma nota do romance. Quem veio primeiro: o conto ou o romance? Há outros personagens reincidentes, em outros contos? Você se sente tentada a escrever uma saga de três, quatro ou sete romances?
Inicialmente, o conto “Dragões Tatuados”, com Kaori e Samuel, fazia parte do esboço de romance que eu estava planejando. Quando recebi o convite de Ednei Procópio, editor da Giz Editorial, para fazer parte da coletânea “Amor Vampiro”, tive a idéia de usar esse trecho para um conto, pois ele mostrava de uma forma interessante algumas facetas do amor de uma vampira. O conto fez sucesso e acabou abrindo caminho para a publicação posterior do romance.

Kaori já havia aparecido antes em dois ou três contos, alguns apenas como coadjuvante. A idéia dos famélicos já tinha sido lançada num conto chamado “Parasitas!”, o vampwatcher já havia aparecido no conto “Mil e Trezentos Vampiros”, ambos publicados na minha coletânea Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros. Enfim, eu já estava delineando o universo de Kaori há algum tempo.

Quanto à saga, não sei se haverá tantos romances, mas estou escrevendo mais um livro dentro desse universo, pois sinto que ainda há muito nele a ser explorado.

SAMIZDAT — Sabemos que você era, essencialmente, uma narradora de contos. Como você define a diferença de escrever em um e em outro gênero?
A diferença mesmo é de fôlego. Assim como num conto a sua capacidade de síntese é posta à prova, num romance você precisa se dedicar a pesquisar, a se aprofundar e a detalhar. Um romance é um trabalho árduo, braçal, e de imensa concentração. Mas também é a ponte para uma ligação mais intensa e apaixonada com o leitor. Os contos são um exercício de imaginação, de criatividade, de habilidade. Um romance é, além de tudo isso, uma prova de resistência, de persistência e de foco.

SAMIZDAT — Você já tem um público fiel? Como seus leitores receberam o romance? Você tem algum feedback de seus leitores? É importante saber a opinião de quem nos lê, mas até que ponto você escreve para seu público, e em que medida você se mantém fiel ao que você quer escrever?
Os meus leitores receberam Kaori com festa. Acho que todo mundo que me conhece já me perguntou, em algum momento, por que eu não escrevia um romance, pois muitos dos meus contos tinham aquele jeitão de pedaços de algo maior. Senti, por parte desse público, uma grande alegria com a chegada de Kaori, uma recepção tão calorosa que até me surpreendeu. Por outro lado, com a publicação de Kaori, o número de leitores aumentou muito. Tenho recebido mensagens entusiasmadas comentando sobre o livro e os personagens. O engraçado é que eles leram Kaori, em média, em três dias, o que é surpreendente para um livro com quase quatrocentas páginas. Isso é um forte indício de que o livro cumpre bem a sua função de divertir e entreter o leitor, e estou bastante satisfeita com isso.

Quanto a escrever para o leitor, tenho a sorte de pertencer à grande fatia da população que adora se divertir com a leitura. Não acho que sou muito diferente da maioria dos leitores, por isso, sempre escrevo para mim mesma. Se não estou gostando do que escrevo, eu me entedio e não consigo ir adiante.

SAMIZDAT — Há um evidente trabalho de pesquisa sobre o folclore japonês em Kaori. Quanto tempo levou esse processo? A que fontes você recorreu? Há um ponto onde entra alguma “licença poética”, ou você se manteve fiel à tradição?
A maior parte da minha pesquisa concentrou-se na História do Japão, que eu pouco conhecia, nem tanto para colocar dados no romance, mas para situar os personagens, seu comportamento, o ambiente em que vivem, na minha própria cabeça. As criaturas míticas de Kaori são bastante conhecidas pelos japoneses, é como se usasse Saci e Iara do folclore brasileiro, portanto não foi preciso muita pesquisa. Eu já conhecia os tengus e o nekomata de livros japoneses, mangás e filmes e só procurei me certificar de alguns poucos detalhes. Para isso recorri a consultas a sites que tratam do folclore japonês na internet. Quanto à fidelidade às lendas, no caso dos tengus de Kaori, usei apenas a forma visual original e brinquei com a idéia de uma criatura fantástica fazer uso da imagem de outra, pois eles não são tengus de verdade, e sim vampiros que se apropriam dessa lenda para incutirem temor às pessoas ingênuas da região. Quanto ao nekomata, mantive a maioria das características originais como as duas caudas, a possessão de cadáveres, etc.

SAMIZDAT — Você tem algum projeto em andamento? Pode nos falar um pouco a respeito?
Afora alguns convites para coletâneas, estou começando a escrever um novo romance dentro do universo de Kaori. Não posso detalhar muito a respeito, pois as idéias ainda estão se formando na minha cabeça, e tudo o que eu disser aqui pode mudar no instante seguinte. Pretendo mergulhar completamente nesse projeto a partir do início do ano, por isso devo “desaparecer” durante alguns meses para dedicar todo o meu tempo ao novo livro. Em 2010, completo dez anos como escritora, por isso quero iniciar o ano com força total!
>> SAMIZDAT