UM FATO FANTÁSTICO

Domingo | 22 | Novembro | 2009

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H. G. Wells afirmou certa vez que uma história sobre um porco capaz de voar por cima das cercas era fantasia, mas se todos os porcos pudessem fazer o mesmo passava a ser outra coisa.  Wells não definiu (pelo menos na citação que li) que outra coisa seria essa, mas talvez sua frase tenha sugerido a Anthony Boucher, um dos melhores críticos norte-americanos de FC (responsável pela primeira tradução de Borges nos EUA, em 1948) uma importante recomendação: “O autor tem direito a uma única premissa fantástica, que dará origem a toda a sua história.  Ele pode usar uma pessoa capaz de atravessar paredes, mas não pode usar na mesma história outra pessoa que é invisível”.  Um conselho perceptivo e sensato, embora grande parte da FC e da Fantasia contemporâneas se obstine em desobedecer a ele. 

Wells escreveu romances sobre um homem invisível, uma máquina do tempo, marcianos invadindo a Terra, um médico que tenta transformar animais em seres humanos.  Qualquer um desses livros é um primor de narrativa.  Fico imaginando que salada seriam se o autor tivesse tentado escrever sobre um médico que tenta transformar animais em seres humanos invisíveis, ou sobre marcianos que invadem a Terra utilizando máquinas do tempo.  Cada premissa fantástica estabelece uma “quebra” com o realismo narrativo.  Cada uma propõe um mundo semelhante ao nosso com exceção de um aspecto, e apenas um.  Quando os aceitamos, o restante da narrativa decorre numa espécie de comparação constante entre o mundo como o conhecemos e essa outra direção narrativa sugerida por aquele detalhe.  Postular dois deles ao mesmo tempo é bifurcar a atenção do leitor, pedindo-lhe que vire ao mesmo tempo duas esquinas opostas, que aceite a existência de dois elementos improváveis e, mais do que isto, heterogêneos.  É pedir-lhe que olhe em duas direções ao mesmo tempo.

Pego como exemplo um livro que tem esse defeito (não obstante ser um bom livro, envolvente, bem escrito), um dos meus preferidos na adolescência: “O Dia das Trífides” de John Wyndham (1951), que tem dois elementos fantásticos.  O primeiro é a existência das trífides, plantas inteligentes, capazes de se mover sobre três “pernas” e dotadas de um aguilhão venenoso, que são uma ameaça para os seres humanos.  Por sorte as trífides não enxergam.  O segundo elemento fantástico é a ocorrência de uma chuva de meteoros que dura uma noite inteira.  Na manhã seguinte, todas as pessoas que os contemplaram estão cegas.  E então os seres humanos e as trífides ficam em igualdade de condições. 

Duvido que José Saramago não tenha lido a mesma edição que li (Colecção Argonauta, Lisboa), nos anos 1960, e que o livro de Wyndham não tenha inspirado seu “Ensaio sobre a cegueira”.  “O Dia das Trífides” é um ótimo romance de FC sob vários critérios, e seu único defeito é a ocorrência de duas premissas fantásticas tão distantes (plantas inteligentes, cegueira coletiva) e tão convenientes para o autor.  Bastaria uma.
>> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares


FICÇÃO CIENTÍFICA E RASTROS DIGITAIS

Domingo | 22 | Novembro | 2009

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Privacidade agora só nos livros de ficção científica

Não é apenas na internet onde as corporações conhecem seus movimentos. A cada passo que você dá, seja com seu celular ou GPS, empresas coletam essas informações. Quem decide o bom uso desses dados?

Há mais de 67 anos, Isaac Asimov posicionou a Fundação, sua principal obra, em um futuro longínquo ao ponto de as personagens não se lembrarem mais da existência da Terra. Talvez porque parecesse impensável, para o próprio autor, a ideia de uma ciência ligada à matemática capaz de prever o futuro.

Asimov construiu toda a Trilogia da Fundação sob a previsão terrível de que o Império Galático seria aniquilado, feita por Hari Seldon, criador fictício da psico-história, uma espécie de ciência estatística extremamente apurada, que analisa as ações no presente e estabelece, com elevado grau de certeza, acontecimentos futuros.

Mas muita coisa mudou de 1942 para cá. E o que parecia uma ideia absurda e infundada já começa ao menos a fazer sentido.

Se pararmos para pensar, por alguns minutos, para a quantidade avassaladora de registros sobre atividades humanas armazenados em bancos de dados, ou seja, nossos rastros digitais, começamos a enxergar o que seria a fonte de informação primária de Hari Seldon.

Hoje fazemos compras online, que ficam devidamente registradas; utilizamos nossos cartões de crédito, que também registram com precisão o que, quando e onde compramos.

Usamos aparelhos de GPS e estas informações também podem ficar registradas; fazemos viagens aéreas, alugamos carros, nos registramos em hotéis, fazemos reservas em restaurantes, compramos ingressos para shows pela Internet.

Trocamos e armazenamos e-mails; navegamos na web, onde registramos nossos dados pessoais, damos nossa opinião e agora, com as redes sociais, fazemos isso em tempo real.

À primeira vista, tudo é muito assustador. De certa forma até é, mas o fato é que isso já acontece.  Existe uma “energia informacional” que jogamos diariamente na rede e que agora, com ferramentas como o Twitter e com a busca em tempo real, começa a ser percebida.

Hoje, empresas realmente preocupadas em atender aos desejos de seus clientes investem parte do tempo de seus executivos e dos recursos de seus orçamentos para criar ferramentas que utilizam esta energia.

Antever os desejos do consumidor pode parecer prepotente e arrogante, mas aqui também, se analisarmos a forma como pensamos comunicação durante todo o século XX, vemos que é exatamente o contrário.

Por todo século passado tentamos criar mecanismos para que marcas e corporações definissem o que seria e o que não seria consumido. Era o poder na mão de poucos. Hoje acontece exatamente o contrário. É a vitória da maioria que já fala alto o suficiente para ser ouvida e, principalmente, para ser atendida.

Viva Hari Seldon.
>> WEBINSIDER – por Gustavo Camargo


PÓS-HUMANO: CIBERARTE E PERSPECTIVAS PÓS-BIOLÓGICAS

Sábado | 21 | Novembro | 2009

O termo pós-humano tem ganhado espaço nos meios intelectuais e acadêmicos nos últimos tempos, ele parece vir substituir, de certo modo, o já desgastado termo pós-moderno e passou a tornar-se uma constante nos cadernos de cultura, nas discussões filosóficas e sócio-culturais ditas de ponta. Segundo Jair Ferreira dos Santos (2002:58), ele foi inventado pelo intelectual norte americano de ascendência egípcia Ihab Hassan em um ensaio publicado em 1977 na Georgia Review intitulado Prometeus as Performer: Toward a Posthumanist Culture, o autor acreditava que esse neologismo poderia ser usado como mais uma “imagem do recorrente ódio do homem por si mesmo”.

O termo hibernou durante alguns anos e voltou fortalecido na década de 90, desta vez adotado por filósofos, cientistas e artistas ligados ao avanço tecnológico e às proposições de hibridização entre homem e máquina, carne e silício, no sentido de transposição da ontologia tradicional, dos limites físicos e culturais que definiram historicamente o conceito de humano. Mas ele ainda é motivo de visões controversas, como a dos adeptos do movimento The Extropy, que entre outras coisas acreditam na possibilidade de perpetuação infinita a partir do upload da consciência humana em um chip de computador, eles adotaram o termo como uma espécie de renovação do conceito Nietzchiano de Super-Homem, ou seja, a superação absoluta de todos os valores humanos em um pretenso estágio superior de humanidade. O Extropy Institute fundado por Max More no início dos anos 90 acaba de ser fechado com o objetivo de unir-se a outras instituições transhumanistas e fortalecer o movimento em direção aos seus objetivos pós-humanos.

A visão dos extropianos implica na adoção de uma nova ética, baseada na crença de que o corpo-humano é um hardware em processo de obsolescência, portanto devemos buscar um novo hardware para “habitarmos”, com melhor desempenho e durabilidade. O polêmico pesquisador Ray Kurzweil, um dos conselheiros do The Extropy e autor do livro The Age of Spiritual Machines – When Computers Exceed Human Intelligence (2000), afirma que as máquinas irão tomar consciência e substituir o homem dentro dos próximos 30 anos, essa tomada de consciência por parte das máquinas resultará numa reconfiguração planetária, talvez até no surgimento da nova espécie que irá nos substituir na dominação da Terra. Como o homem evoluiu do australopitecus ao homo-sapiens biologicamente, desta vez estamos literalmente construindo a nova criatura que irá nos substituir nessa escala evolutiva algo como o humanimal-roboticus. Em artigo com o sugestivo título de “Ser Humano Versão 2.0″ Kurzweil diz:

Nossa espécie já aumentou a ordem “natural” de nossas vidas por meio de nossa tecnologia: drogas, suplementos, peças de reposição para virtualmente todos os sistemas corporais e muitas outras invenções. Já temos equipamentos para substituir nossos joelhos, bacias, ombros, cotovelos, pulsos, maxilares, dentes, pele, artérias, veias, válvulas do coração, braços, pernas, pés e dedos. Sistemas para substituir órgãos mais complexos (por exemplo, nossos corações) começam a funcionar. Estamos aprendendo os princípios de operação do corpo e do cérebro humanos e logo poderemos projetar sistemas altamente superiores, que serão mais agradáveis, durarão mais e funcionarão melhor, sem serem suscetíveis a panes, doenças e envelhecimento (KURZWEIL, 2003).

Esta postura extremista dos extropianos gera posições controversas como o seu descaso à questão ecológica por não acreditarem mais no mundo orgânico, baseado no carbono, como única referência para a vida. A Artista Natasha Vita-More, presidente do extinto The Extropy Institute e autora do “Manifesto da Arte Extropiana”, desenvolve atualmente seu projeto de arte conceitual Primo Posthuman, uma proposta para um novo corpo pós-humano, utilizando uma visão prospectiva do avanço tecnológico como arcabouço para a idealização de seu projeto radical para o corpo do futuro. Outros pesquisadores apresentam uma visão menos radical do conceito de pós-humano, como Katheryne Hayles, professora da Universidade da Califórnia e autora de How We Became Posthuman, Virtual Bodies in Cybernetics, Literature and Informatics (1999), onde analisa a nossa atual condição pós-humana como o resultado do fluxo de informações através das redes conectando homens e máquinas, como em um processo acelerado de cibernetização.

Meu sonho é uma versão do pós-humano que abrace as possibilidades das tecnologias da informação sem ser seduzida por fantasias de poder ilimitado e imortalidade descorporificada; que reconheça e celebre a finitude como uma condição do ser humano, e que entenda a vida humana como embebida em um mundo material de grande complexidade, mundo do qual dependemos para continuar sobrevivendo (HAYLES apud FELINTO, 2005:114).

Ainda em 1985, Donna Haraway, em seu “Manifesto Ciborgue” (Apud SILVA, 2000), apontava que nossa crescente conecção com todos os aparatos tecnológicos, da TV aos games, tornava-nos cyborgs, criaturas híbridas muito distintas de nossos antepassados. Ela antecipou o período de ruptura drástico que vivemos atualmente, nas palavras do gnosticista das novas mídias Erik Davis:

Quando você constata que hoje podemos destruir todo o planeta, nos clonarmos, considerar seriamente a eugenia genética, erradicar doenças comuns, alterar o clima, dizimar milhões de espécies, criar proto-inteligência com máquinas, forçar fótons a “diminuírem a sua velocidade”, etc, etc…a verdadeira questão se torna: será que o ser que pode fazer e contemplar tudo isto está realmente ligado ao milênio que a tudo precedeu? Ou há um ponto de ruptura, que justifica ser examinado mais de perto?(…) A condição humana já há muito não significa mais nada, justamente porque muitas das limitações que uma vez definiram esta condição, agora parecem estar prontas para o arrebatamento (DAVIS, 2004).

Ao observarmos a aceleração contemporânea dos avanços tecnológicos, vislumbramos um panorama complexo e dinâmico, onde muitos dos temas caros à ficção científica tornam-se acaloradas discussões entre sociólogos e filósofos. Jean Baudrillard é citado como referência pelos criadores de um dos novos emblemas da cultura pop, a série Matrix, já o sociólogo brasileiro Laymert Garcia dos Santos está interessado em analisar os impactos sócio-culturais e econômicos da informação digital e genética em um novo panorama mundial, onde reinam a linguagem binária e cromossômica. Garcia dedicou inclusive um capítulo de seu mais recente livro, Politizar as Novas Tecnologias: O Impacto Sócio Técnico da Informação Digital e Genética, às relações entre tecnologia e arte no panorama contemporâneo; assim como a conceituada semióloga Lucia Santaella intitulou um de seus recentes livros de Culturas e Artes do Pós-Humano: Da Cultura das Mídias à Cibercultura, e dedica boa parte dele a analisar as ditas “Artes do Pós-Humano”, citando nomes seminais como Roy Ascott, Diana Domingues, Orlan, Gary Hill, Gilbertto Prado, Suzette Venturelli, Tânia Fraga e Eduardo Kac, artistas envolvidos com projetos nas áreas de realidade virtual, telepresença, cibermundos, caves, transe cibernético, transgênica, bio-robótica e nanoengenharia.

A obra desses artistas parece também dialogar com as proposições de alguns cientistas polêmicos como os já citados Ray Kurzweil e Hans Moravec, ambos adeptos da teoria da possível tomada de consciência por parte dos computadores. Moravec é escritor de Robot: Mere Machine to Transcendent Mind (1999), e autor de uma teoria segundo a qual as máquinas evoluirão para a autoconsciência a partir do surgimento dos primeiros robôs multifuncionais. Para ele o processo biológico que levou milhões de anos para produzir o homem levará apenas 30 anos para produzir a primeira máquina autoconsciente, é importante destacar que os robôs multifuncionais já começaram a pulular pelo mundo afora, principalmente no Japão. Esses robôs repletos de dispositivos sensoriais começaram a ser vendidos no ano 2000 como brinquedos – o exemplo maior são os cãezinhos AIBO. O matemático Vernon Vinge é autor de outras reflexões polêmicas no contexto da pós-humanidade, sendo criador da “Teoria da Singularidade”, segundo ele:

A aceleração do progresso tecnológico é uma questão central na história da humanidade. Estamos no limiar de uma mudança comparável ao surgimento da vida humana na Terra, com a criação iminente de entidades com inteligência maior que a humana. Desenvolvimentos que antes pensaríamos só ocorrer em “um milhão de anos”, se ocorressem, acontecerão neste século. Creio ser correto chamar este evento de singularidade. É o ponto em que uma nova realidade passará a governar o mundo (VINGE, 2003).

Vinge propõe três hipóteses para a “singularidade”, na primeira delas a tecnologia produziria computadores avançados com uma inteligência sobre-humana; na segunda, as interfaces entre homem e máquina tornar-se-iam tão íntimas que vamos nos considerar superinteligentes; já na terceira hipótese, a biotecnologia proporcionaria a expansão de nosso intelecto humano. Essas previsões parecem confirmar uma das observações dos ciberartistas Suzete Venturelli & Mario Maciel (2004) ao discorrer sobre suas investigações poéticas a respeito do pós-humano, onde destacam uma progressiva mecanização e eletrificação do humano paralela à crescente humanização e subjetivação da máquina.

Muitos teóricos conceituam o pós-humano como a emergência ontológica relacionada às proposições de hibridização entre homem e máquina, carne e silício, aos avanços gradativos da consciência através da conexão com dispositivos múltiplos e à manipulação gradativa do DNA humano que poderá resultar em mudanças drásticas na estrutura biológica da espécie. Termos semelhantes também são usados com essa mesma intenção, Hans Moravec adotou o termo ex-humans, o artista e teórico inglês das redes telemáticas Roy Ascott fala de uma “era pós-biológica” vislumbrada por ele através dessa fusão entre carne e silício – do mundo seco do silício com o mundo úmido do carbono – e da expansão da consciência pela conexão em rede. Assim como Derrick de Kerchkove acredita que a ligação planetária em rede cria uma mente expandida pela somatória das inteligências conectadas.

O artista australiano Stelarc usa o conceito das artes do “corpo obsoleto” para balizar suas obras estruturadas a partir da conexão com próteses robóticas/biológicas e dispositivos telemáticos de expansão da percepção. Poderia citar outras definições do termo e de seus sinônimos, menos ou mais abrangentes que essas, como a da pesquisadora Lucia Santaella, que acredita que um dos grandes dilemas da noção contemporânea de ser humano está diretamente conectado às mudanças pelas quais o corpo humano está passando em direção a uma possível nova antropomorfia:

O potencial para as combinações entre vida artificial, robótica, redes neurais e manipulação genética é tamanho que nos leva a pensar que estamos nos aproximando de um tempo em que a distinção entre vida natural e artificial não terá mais onde se balizar. De fato, tudo parece indicar que muitas funções vitais serão replicáveis maquinicamente assim como muitas máquinas adquirirão qualidades vitais. O efeito conjunto de todos esses desenvolvimentos tem recebido o nome de pós-humanismo (SANTAELLA, 2003:199).

Com toda certeza o termo pós-humano ainda irá gerar muitas polêmicas, dezenas de teses serão escritas para tentar analisá-lo, dissecá-lo, reinventá-lo, e como sempre pouquíssimos serão os trabalhos sagazes a respeito dele. Como artista eu o adotei em minha obra como termo representativo da ruptura com a noção biológica de vida e de corpo baseado no carbono, das limitações impostas pelas características do DNA humano que definem nossa configuração física, e de consciência pelos limites impostos por nossa percepção do mundo estruturada sobre os cinco sentidos. A maioria dos ciberartistas citados nesse artigo apresentam poéticas que refletem conceitual ou metaforicamente sobre essas rupturas, e por esse motivo chamo seus trabalhos de “arte pós-humana”, considerando o termo como uma das categorias da ciberarte. A arte continua desempenhando o seu papel de força visionária capaz de produzir conhecimento regado de poesia e reflexões prospectivas.

Referências Bibliográficas:

DAVIS, Erik. Interview by Ruy Christopher for the site www.frontwhelldrive.com , arquivo capturado em 10/01/2004.
__________. Techgnosis – Myth, Magic and Mysticism in the Age of Information. New York: Harmony Books, 1998.
FELINTO, Erick. A Religião das Máquinas – Ensaios sobre o Imaginário da Cibercultura, Porto Alegre: Sulina, 2005.
_____________. “Transhumanismo e Mito: Notas Sobre o Culto do Ciborgue”, in: Olhares Sobre a Cibercultura (André Lemos & Paulo Cunha orgs.), Porto Alegre: Sulina, 2003, pp.24-36.
FRANCO, Edgar Silveira. “Arte e Novas Tecnologias: O Movimento Pós-Humano”, in Quiosque: Observatório das Mídias, João Pessoa, (Marca de Fantasia: Nº 2), João Pessoa, 2001, pp.11-14.
KURZWEIL, Ray. “Ser Humano Versão 2.0″, in Caderno Mais!, Folha de São Paulo, São Paulo, domingo, 23 de março de 2003.
______________. The Age of Spiritual Machines – When Computer Exceed Human Intelligence, New York: Penguin Books, 2000.
MACIEL, Mario & VENTURELLI, Suzete. “Imagens Pós-humanas: Ciborgues e Robôs”, in Anais do Sigradi (Simpósio de Gráfica Digital -2004) – Projeto, Desenho Comunicação, 2004, pp. 247-248.
MORAVEC, Hans P. Mind Children: The Future of Robot and Human Intelligence, Cambridge: Harvard University Press, 1990.
________________. Robot: Mere Machine to Transcendent Mind, Oxford: Oxford University Press, 1999.
MORE, Max. The Extropian Principles 3.0 – A Transhumanist Declaration, Url: http://www.extropy.org/ideas/princ, arquivo capturado em 08/12/2002.
SANTAELLA, Lucia. Culturas e Artes do Pós-Humano: Da Cultura das Mídias à Cibercultura, São Paulo: Paulus, 2003a.
SANTOS, Jair Ferreira dos. Breve o Pós-Humano: Ensaios Contemporâneos, Curitiba: Francisco Alves & Imprensa Oficial do Paraná, 2002.
SANTOS, Laymert Garcia dos. Politizar as Novas Tecnologias: O Impacto Sócio Técnico da Informação Digital e Genética, São Paulo: Editora 34, 2003.
SILVA, Tomaz Tadeu (Org.). Antropologia do Ciborgue –as vertigens do pós-humano, Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
VINGE, Vernor. True Names: And the Opening of the Cyberspace Frontier, New York: Tor Books, 2001.
____________. “A Ameaça Concreta”, entrevista concedida a Peter Moon. Site da Isto É On-line -http://www.terra.com.br/cgi-in/index_frame/istoe/1753/ciencia/1753_especial_refens_tecnologia_01.htm – arquivo capturado em 07/05/2003
VITA-MORE, Natasha. CREATE/RECREATE: The 3rd Millennial Culture, Los Angeles: Extropy Institute, 2000
>> TIPOS – por Edgar Franco


A MUSA PÓS-HUMANA

Sábado | 21 | Novembro | 2009

Os Dias da Peste - Fábio FernandesE eis que aporta às livrarias Os Dias da Peste, primeiro – mas, espera-se, não o último – romance do escritor, crítico e teórico da cybercultura Fábio Fernandes. Um dos melhores contistas da ficção científica brasileira, introdutor do movimento cyberpunk no Brasil e veterano das antigas guerras de trincheiras travadas pelo fandom tupiniquim, Fábio Fernandes devia(-se) um romance que lhe desse espaço suficiente para expandir sua verve e inventividade de um modo que a forma concentrada do conto nem sempre permite. Publicado pela Tarja Editorial, que vem se firmando como um dos principais nichos da literatura de gênero no Brasil, Os Dias da Peste é esse romance.

Dividida em três partes, a história começa nos dias de hoje (mais exatamente, no dia 06 de abril de 2010) e segue até 2016, acompanhando – pelos olhos do técnico de computadores Artur Mattos – o que começa como uma série de panes nos equipamentos do mundo todo, apelidada pela imprensa de infodemia (e, dado o ouvido de Fernandes para trocadilhos, o cacófato é certamente intencional), e acaba desembocando na maior transformação de toda a história da humanidade.

O livro é composto pelos diários de Arthur, sob a forma de entradas de blogs, anotações e podcasts escritos no calor da catástrofe, que aqui deve ser entendida em seu sentido aristotélico original, como uma guinada de 180 graus nos acontecimentos, fazendo com que situações positivas se transformem em negativas (por exemplo, a dependência humana de tecnologias facilitadoras desembocando no caos da infodemia) – e vice-versa.

Encontrados no século XXII, os diários de Artur são editados e exibidos para o público no Museu Líquido de Nova Copacabana, em comemoração aos cem anos da Convergência NeuroDigital, espécie de versão brazuca da Singularidade Tecnológica prevista pelo escritor Vernor Vinge e abraçada com entusiasmo pelo futurólogo Ray Kurzweil (cujo livro A Era das Máquinas Espirituais, por sinal, foi traduzido pelo próprio Fábio Fernandes).

A introdução escrita pela curadora do museu (e esc-ape artist, num jogo de palavras genial, que condensa toda a temática do livro), bem como as notas de rodapé que acompanham o texto, formam a moldura do romance. Aliás, as notas de rodapé são, com trocadilho, uma nota à parte. Seu objetivo é tornar os diários de Artur mais compreensíveis para os leitores de 2109, explicando alusões, expressões e referências do passado distante – isto é, o nosso presente. Mas como a própria editora não tem essas referências, suas tentativas de adivinhar o sentido das frases são, frequentemente, de rolar de rir, como por exemplo na nota 7, em que ela tenta entender a expressão “tirar a inhaca do corpo”:

Segundo a BioWeb, Inhaca é o nome de uma ilha na costa leste do antigo continente da África, ao sul de um país chamado Moçambique. Impossível entender como ele conseguiu tirar essa ilha do corpo. Não há registro de que a tecnologia do século XXI dominasse a miniaturização.

A função das notas, no entanto, não se esgota na piada. Pelo contrário, é através do que a pós-humanidade futura ignora, e de referências crípticas a entidades como a BioWeb, ao Panteão Terrestre de Consciências Downloadadas (do qual o escritor Arthur C. Clarke, com o nome de Ser Clarke, participa como Hipermestre Grau 12) ou à extinta Igreja Católica Renovada Humana (que considera as celebridades da cultura pop como santos), que vamos aprendendo em filigrana como é a civilização futura e quão cognitivamente estranhada ela se encontra do nosso presente.

Uma curiosidade final: em hebraico, dabar significa ao mesmo tempo “peste” e “palavra ou assunto” – ou seja, no sentido amplo: informação. Como verbo, dabar também quer dizer “gerar descendência”. Por uma estranha coincidência cabalística, essas três acepções resumem bem o que é, do que trata e para onde aponta o romance de Fábio Fernandes.
>> EPISTEMONIKE PHANTASIA – por Jack Starman – 3/04/2008


ROBERT PATTINSON: O NERD QUE DEU CERTO

Sábado | 21 | Novembro | 2009

Robert Pattinson, o Edward Cullen da saga Crepúsculo que volta às telas nesta sexta (20/11), com a estreia Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon, EUA, 2009) e status de pop star, é o nerd que deu certo. É como ele mesmo se define, numa entrevista à revista Vanity Fair, da qual é capa da edição de dezembro.

“The Pattz”, como o vampiro é conhecido no fã clube de Crepúsculo, se mostra um cara tímido e com tendências a intelectual, sempre com um livro na mão, querendo conversar sobre música e/ou cinema. Trata-se, enfim, de um jovem europeu – sim, Pattinson é mais inglês do que muita gente pensa. “Não sou um tipo muito sociável”, adverte o “novo Leo” – como a revista se refere ao jovem galã da vez. “Então, me ressinto de não dar aquele retorno que os fãs gostariam”.

Na vida real, Pattinson se define como sendo um cara “muito mais comum e sem os apelos” de seu personagem faltal em Crepúsculo – um sujeito culto, misterioso, perigoso e charmoso de 108 anos, que terá a eterna aparência de alguém de 17 anos. Na vida real ele tem 23, trabalhou como modelo (“era medonho”, diz), estudou teatro, foi cantor de banda de rock e, antes de Crepúsculo, fez uma ponta em Harry Potter (como Cedric Diggory, em Cálice de Fogo), além de peça The Woman Before, na qual foi substituído antes da estreia, levando Pattinson a realmente repensar sobre sua carreira de ator.

(BR Press) - É como o ator Robert Pattinson, o Edward Cullen da saga Crepúsculo que volta às telas nesta sexta (20/11), com a estreia Lua Nova e status de pop star, se define, numa entrevista à revista Vanity Fair, da qual é capa da edição de dezembro.

Música
Londrino, filho de um comerciante de carros e de uma secretária de agência de modelos, Pattinson sempre gostou de música. Aos 15, começou a tocar guitarra, ouvindo muito soul, como James Brown e Wilson Pickett, além de Van Morrisson. Também aprendeu a tocar piano quando garoto. Totalmente despretensioso no quesito atuação, além de cultivar o look “byroniano”, como definiu o produtor de Crepúsculo Erik Feig, talvez tenho sido isso que o tornou atraente para diretores com alma independente como Catherine Hardwicke.

O escolhido
Ela estava tendo muito trabalho para escolher que faria Edward Cullen. Um dia, cansada de testar caras errados, sugeriu ao produtor: “Cheque todos os atores britânicos de 15 a 25 anos no IMDb, quem fez os Harry Potter, ect”. Bingo. A sorte grande de Pattinson estava lançada. Ele, pessoalmente, já tinha ouvido falar que estavam abrindo testes para algo chamado Crepúsculo, em LA, Londres, Chicago e NY, em 2007. “Cheguei a gravar um vídeo caseiro, mas me achei tão ridículo que sequer enviei”, conta.

Quando Feig mostrou a foto de Pattinson a Catherine, com um inseguro ´O que acha desse cara?´, os olhos da diretora de Crepúsculo brilharam: “Ótimo!”. Depois, assistindo a cenas de Cálice de Fogo diversas vezes, já não tinha tanta certeza. Mas agendou um teste dele com Kristen Stewart (Bella, em Crepúsculo), que já havia sido escolhida para o papel, com muita convicção pela diretora.

“Aparência horrível”
Pattinson, mais uma vez, parecia predestinado a bancar o esquisitão: agora um vampiro “vegetariano”. Ele não tinha ideia no que estava se metendo. “Eu estava somente trabalhando com minha banda, cultivando uma aparência horrível, nada saudável, praticamente ficando bêbado toda noite quando a oportunidade desse teste apareceu”, diz o ator.

O resultado? Ele detestou, claro. Mas Catherine pôde ver uma boa química entre ambos e Kristen decretou: “Ele foi o melhor, até agora”. Os executivos da Summit Entertaiment, no entanto, não estavam tão convencidos assim de que um inglês obscuro funcionaria na pele de um sexy jovem americano. “Catherine, você tem certeza de que consegue fazer esse cara ficar bonito?”, um deles inquiriu. “Meu diretor de fotografia trabalha muito bem com a luz e eu prometo: vou fazer esse cara ficar muito charmoso”, garantiu.

Intensidade rara
Embora tenha sido substituída e criticada, a diretora de Crespúsculo prometeu e cumpriu, dando vida ao par romântico mais interessante desde Kate Winslet e Leornado Di Caprio, em Titanic. “Eles trabalham muito seus personagens juntos – intensamente”, conta Catherine, negando que tenha havido algo sexual entre os dois na vida real. Mas, como a própria história do filme mostra, quem precisa de ir para as vias de fato quando o assunto é desejo e amor?

“Rob e Kris têm profundos e complexos sentimentos mútuos – o que inclui uma intensa fascinação”, diz a diretora. Os atores realmente passaram a viver como Bella e Edward. Kristen tinha um outro namorado à época da filmagem (o também ator Michael Angarano), mas ficava tanto com Pattinson que parece que o romance desandou.

O sucesso e magnetismo de Crepúsculo foi instantâneo e graças ao dark casal: em três dias, o filme faturou US$ 70 milhões. “É claro que jovens atores sabem da importância de estar numa franquia de sucesso”, diz o diretor de Lua Nova, Chris Weitz . Pattinson, dizem os contadores de Hollywood, assinou com a franquia por US$ 10 milhões. “Esse dois [Stewart e Pattinson] estão dispostos a tudo para tornar seus personagens críveis”, elogia Weitz.

Filmando Lua Nova na Itália, Pattinson não podia sair do quarto do hotel. Hordas de adolescentes o seguiam em todo canto. E o frisson eestá apenas começando. Ele está trabalhando no terceiro episódio, Eclipse, e já se prepara para o quarto.

Pós-Crepúsculo
Como será a vida após Crepúsculo? “Não tenho grandes planos nem desejos materiais – e, afinal, raramente saio!, brinca. Ele já optou por um western de baixo orçamento, Bel-Ami, adaptação de um romance de Guy de Maupassant, em que ele vive “um cara que pensa – e age – como um animal”.

Mais um esquisitão para a coleção de Robert Pattinson.
>> YAHOO – por BR Press


‘ANJO DE DOR’: LANÇAMENTO DA DEVIR COMEÇA COLEÇÃO DESTINADA À FICÇÃO DE HORROR

Sábado | 21 | Novembro | 2009

Anjo de Dor (Devir, 207págs., R$ 25,)  o novo livro de Roberto de Sousa Causo, é um romance de horror que foi finalista do Projeto Nascente (da Pró-Reitoria de Cultura da Universidade de São Paulo e do Grupo Abril de Comunicações).

A história é ambientada em uma cidade do interior de São Paulo, igual a tantas pequenas cidades próximas a uma grande capital. Ricardo Conte, o protagonista masculino, um jovem artista sem perspectivas, sobrevive de pequenos empregos até que precisa usar o seu talento de pintor para exorcizar demônios que sequer sonhava conceber. Ele encontra em Sheila Fernandes — a cantora que veio da Capital para se apresentar em uma boate da cidade — uma mulher madura de passado violento, e desenvolve por ela uma paixão irresistível. Sheila, porém, é seguida por um homem do seu passado, o sádico Ferreirinha, disposto a tudo para exercer sua vingança.

O encontro de Sheila com Ricardo mobiliza reações em muitas esferas, neste e no outro mundo, e põe em ação mecanismos que ambos vão lutar para deter. A paixão deles pela vida e de um pelo outro não vai permitir que o leitor abandone a leitura nem por um instante.

Esta história, que poderia acontecer em qualquer tempo ou lugar, se distorce e se complica com a entrada insidiosa do sobrenatural que vem transformar tudo.

Ação, violência, sensualidade, terror — elementos que se entrelaçam e se completam em uma narrativa ágil, ambientação sólida e realista, personagens consistentes em suas melhores qualidades e aterradoras deficiências. Todos são vítimas e algozes diante de monstros de pesadelo que se tornam reais. Uma história cinematográfica de arte que ultrapassa as fronteiras da vida e da morte.

A literatura de horror — ou numa definição mais abrangente, a “fantasia sombria” — ganha com este romance um representante original, à altura dos mestres do gênero em qualquer tempo ou idioma.

Com introdução de Rubens Teixeira Scavone (da Academia Paulista de Letras) e texto de orelha de Braulio Tavares.

O lançamento de Anjo de Dor acontece no dia 2 de dezembro de 2009, uma quarta-feira, na livraria Martins Fontes da Av. Paulista — Av. Paulista, 509, 01420-002 – São Paulo – SP, tel.: (11) 3082.8042. A partir das 18h30.

Endossos a Anjo de Dor, por importantes personalidades da literatura fantástica brasileira:

“Roberto de Sousa Causo manipula as doses certas de terror e erotismo para empurrar seus personagens, de modo quase hipnótico, na direção de um desenlace fatal. A eficiência de seu controle narrativo demonstra que a literatura de terror, nos moldes daquela praticada por autores best-sellers como Stephen King e Peter Straub, tem amplas possibilidades de se desenvolver no Brasil, como uma ampliação legítima do leque temático de nossa literatura. … Um escritor desse gênero, como de qualquer outro, obtém sucesso quando se entrega todo à obra que escreve, na plena medida de seu envolvimento emocional e de sua habilidade técnica, como se dá no caso de Anjo de Dor.” — Braulio Tavares (autor de A Máquina Voadora e A Espinha Dorsal da Memória)

“Difícil caracterizar com segurança o gênero do enredo: novela policial, argumento de terror, repositário de erotismo, incursão pelo fantástico? … Mas uma coisa é certa, Causo domina qualquer dos gêneros e consegue certa amálgama de situações que subjuga o leitor da primeira à última linha.” — Rubens Teixeira Scavone (autor de Clube de Campo (Prêmio Jabuti)

“Quando a narrativa dá mostras de ter estabelecido uma trilha convencional, magistralmente novos ingredientes vão sendo acrescentados, como se o autor assumisse seu papel de bruxo e no caldeirão mágico fosse depositando um a um… Causo consegue o que parecia ser impossível: dar às cores provincianas de uma cidadezinha do interior uma dimensão universal, mostrando o quão perto estamos de uma realidade cuja existência preferimos não admitir.” — R.F.Lucchetti (autor de O Crime da Gaiola Dourada e roteirista de Ivan Cardoso e José Mojica Marins)

Anjo de Dor é o primeiro título do novo selo da Devir destinado à literatura de horror: Pentagrama.

foto.jpgSobre o autor:
Roberto de Sousa Causo cresceu em Sumaré, interior de São Paulo. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo. Seus mais de cinquenta contos e novelas apareceram em revistas e livros na Argentina, Brasil, Canadá, China, Finlândia, França, Grécia, Portugal (com o livro de contos A Dança das Sombras, 1999), República Tcheca e Rússia. Foi um dos classificados no Prêmio Jerônimo Monteiro, da Isaac Asimov Magazine, e no III Festival Universitário de Literatura, com a novela Terra Verde (2001); foi o ganhador do Projeto Nascente 11 de Melhor Texto com O Par: Uma Novela Amazônica (2008). Escreveu para o Jornal da Tarde, Folha de S. Paulo e Gazeta Mercantil, para as revistas Cult, Ciência Hoje e Palavra, etc. Mantém coluna no Terra Magazine (http://terramagazine.terra.com.br), a revista eletrônica do Portal Terra. Seu primeiro romance foi A Corrida do Rinoceronte, publicado em 2006 pela Devir, que também lançou o seu segundo livro de contos, A Sombra dos Homens (2004).


MOON: EM BLU-RAY NO BRASIL COM TÍTULO DE LUNAR

Sexta-Feira | 20 | Novembro | 2009

Surpresa: tido por muitos como o melhor filme de ficção científica dos últimos anos, Moon, do diretor Duncan Jones e estrelado por Sam Rockwell, já está com o lançamento em Blu-ray no Brasil agendado para 7 de janeiro de 2010 – com o título de Lunar

A Sony lançaria o filme nos cinemas daqui dia 27 de novembro, mas pelo jeito ele vai chegar diretamente em alta definição. Ainda não há previsão de lançamento em DVD. Confira os detalhes do Blu-ray no site da DVD World.
>> SCI FI DO BRASIL


LEGIÃO ALIEN EM FILME PELA WALT DISNEY PICTURES

Sexta-Feira | 20 | Novembro | 2009

Jerry Bruckheimer quer agora um Piratas do Caribe no espaço

A série de quadrinhos de ficção científica Legião Alien (Alien Legion), criada pelo quadrinista Carl Potts em 1984, é conhecida dos leitores veteranos pelas duas histórias publicadas no Brasil nas extintas revistas Epic Marvel e Graphic Novel, ambas da Editora Abril; além de uma edição especial pela Brainstore Editora lançada em 2003. A série tratava de uma espécie de “Legião Francesa” espacial, a Legião Nômade, uma força intergalática militar.

O interessante título ganhou um republicação de luxo essa semana nos EUA e promete voltar a partir do ano que vem em uma nova minissérie em quadrinhos pela Dark Horse Comics.

Melhor ainda, terá um longa-metragem de ação misturando atores reais e personagens em computação gráfica pela Walt Disney Pictures. O produtor será ninguém menos que o midas do gênero, Jerry Bruckheimer – sempre buscando seu próximo Piratas do Caribe.

Potts confirmou a novidade ao USA Today e informou que o roteiro já está em seu terceiro tratamento. “Bruckheimer nunca fez uma ficção científica antes. O desafio o está interessando bastante. O sucesso que eles tiveram misturando CGI e live-action em Piratas do Caribe pode facilmente ser traduzido em um filme de Legião Alien“, disse.

Derek Haas (O Procurado) e Michael Brandt (Os Indomáveis) estão atualmente cuidando do texto. Não há diretor contratado ou cronograma divulgado do filme.
>> OMELETE – por Érico Borgo


‘LEGENDS – THE ENCHANTED’: CONHEÇA MAIS SOBRE OS CONTOS DE FADAS NA ESTÉTICA STEAMPUNK E PÓS-APOCALÍPTICA

Sexta-Feira | 20 | Novembro | 2009

O artista Nick Percival e a Radical Comics vão fazer uma nova releitura dos contos de fada e personagens folclóricos em Legends: The Enchanted..
Nesse universo, “os encantados”, como são conhecidos os personagens fantásticos, são desprezados pelas pessoas normais e por suas contrapartes sombrias, conhecidas como The Wicked. A maioria dos encantados atua à margem da lei, tentando sobreviver em um mundo onde eles não são mais bem vindos.

“O mundo desses seres é abalado quando eles descobrem que alguém descobriu uma maneira de acabar com o encanto que os torna imortais”, explicou Percival. “Esse inimigo começa então a matá-los, a começar pelo guerreiro Pinóquio”.

A versão do escritor para os personagens que conhecemos dos contos de fadas é bem mais adulta, bastante inspirada em ficção-científica e na estética steampunk e pós-apocalíptica. A Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, vive com sua filha em uma floresta biônica, onde árvores biomecânicas crescem desordenadamente e criAturas lupinas mutantes são abundantes. Jack, o matador de gigantes, é um bêbado que anda por aí na sua moto que usa sangue de gigante como combustível. O resto do elenco ainda traz Hansel e Gretel, que são irmãos videntes; Cachinhos Dourados e Bear, seu namorado meio homem, meio urso; e Humpty Dumpty and the Billy Goats Gruff Biker Gang.

“Entre esses ainda teremos aparições de Rapunzel, do Flautista de Hamelin, Rumpelstiltskin, entre vários outros”, disse o artista. “Estamos criando um mundo que, ao menos visualmente, é bem diferente de tudo o que já foi feito com esses personagens antes”.

Para tirar a prova, basta clicar aqui e conferir algumas páginas e clique aqui para artes conceituais da HQ.

A Radical lançará um preview com preço especial de US$1.00 em janeiro, sendo que a graphic novel completa será lançada nos EUA em abril.

A Radical Publishing foi fundada por Barry Levine, Jesse Berger e o escritor David Elliot, com o propósito de trazer o melhor em narrativa e arte, com talentos famosos como Yoshitaka Amano, John Bolton, Luis Royo, Jim Steranko, Steve Niles, Ian Edginton, Steve Moore, Sam Sarkar, Dan Abnett, Stjepan Sejic, Dave Wilkins, Steve Pugh, James Heffron, Nick Percival, Bryan Edward Hill, Nelson Blake, Glenn Fabry, Bill Sienkiewicz, WETA, Imaginary Friends Studios, entre outros.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


STEAMPUNK: 3ª FANTÁSTICA JORNADA NOITE ADENTRO

Sexta-Feira | 20 | Novembro | 2009

steampunk fantastica jornada steampunk SteamPunk   Fantástica Jornada Noite Adentro III

SteamCon: Vem sendo veiculado que vai ocorrer um evento SteamPunk nos dias 27 e 28 de Novembro de 2009? Quem organizou o evento?

Karl: O evento é organizado pela Biblioteca Viriato Corrêa, em conjunto com Silvio Alexandre e é a terceira edição de um evento que costuma ser organizado com temas diferenciados.

Raul: A Viriato Corrêa é uma biblioteca temática de literatura fantástica. Recentemente chegou a promover eventos do bicentenário de Edgar Alan Poe, ao qual atendemos prontamente.

SteamCon: Qual o envolvimento do Conselho SteamPunk na promoção do evento?

Raul: Silvio se aproximou de nós com a proposta da Fantástica Jornada e o nosso envolvimento foi colaborar com a produção do evento, além do fornecimento de recursos e contatos com artífices e pessoas chave ligadas a produção cultural SteamPunk.

Karl: Perguntou-se o que poderíamos oferecer para o evento, de forma a enriquecê-lo e prontamente nos dispusemos a ajudar.

Que outras instituições estão envolvidas na organização?

Raul: Além da Biblioteca Viriato Correa está participando a Confraria de Idéias, que é um grupo que admiramos muito pelo empenho em atividades ligadas a RPG.

Karl: A Confraria de Idéias vai organizar um Live Action RPG com efeitos especiais, luzes, fumaça, sonoplastia e uma série de recursos destinados especificamente para o Live.

SteamCon: Recentemente, em outra Jornada, ocorreu uma “mesa” sobre SteamPunk. Foi daí que surgiu a idéia do evento?

Raul: Segundo o Silvio Alexandre a idéia foi consequência direta da ocasião deste outro evento e a uma conversa com Bruno Accioly, co-fundador do Conselho SteamPunk.

SteamCon: Quais atrações mais importantes do evento do dia 27 e 28?

Raul: Estão programados um Live Action RPG, um Desfile performático com peças de Lili Angélica, da FetishFurrys, máscaras Vitorianas de Susie Hervatin e acessórios SteamPunk de Naná Hayne, todas já inscritas na Liga de Artífices SteamPunk.

Karl: Vai haver ainda um debate aberto sobre o gênero e sobre o movimento; uma exposição de peças que fazem referência ao estilo; uma apresentação da companhia de teatro Em Cena Ser, de Cristina Gimenezes, com textos selecionados pelo Conselho SteamPunk.

SteamCon: De onde surgiram estas pessoas que produzem cultura SteamPunk?

Raul: A maior parte delas já era interessada pela proposta estética SteamPunk ou conheceram o movimento através do próprio Conselho SteamPunk. Eventualmente todos eles acabaram sendo convidados para a Liga de Artífices SteamPunk.

SteamCon: Qual a importância de eventos como este para a popularização do gênero SteamPunk?

Karl: Creio que principalmente para popularizar, pois ainda existe muita discussão sobre o que é o SteamPunk. Mesmo as pessoas envolvidas com ficção científica ficam confusas acerca de definições e significados. Eventos como este são importante para que as pessoas se sintam compelidas a se envolver.

SteamCon: O evento então vai ser importante para quem não conhece o gênero, o que é muito bom. E quem já é entusiasta de SteamPunk e procura mais do que vem encontrando por aí?

Raul: Para quem já é entusiasta o evento será ainda mais interessante porque teremos mostras de filmes, apresentação teatral, desfile de modelos trajadas com roupas Vitorianas e acessórios SteamPunk, exposições de objetos e jóias dentro da proposta estética do gênero, RPG, livros e o pessoal do Conselho SteamPunk disponível para discutir vários assuntos.

Karl: Vamos ainda levar HQs que fazem alusão ao gênero. Gotham by Gas Light, Master of the Future, Liga Extraordinária. A coletânea de contos SteamPunk – Histórias de um Passado Extraordinários será também vendida por lá. É bom lembrar ainda do lançamento de “Ano Drácula”, livro de Kim Newmam que será lançado no evento. Nem todo mundo considera um livro SteamPunk, invocando o termo romance gaslight, mas se trata de uma obra de referência com certeza.

SteamCon: O Conselho SteamPunk pretende, daqui para diante, essencialmente promover o gênero SteamPunk ou existem outros objetivos ainda não divulgados?

Karl: Com certeza há muito mais. Pretendemos promover não apenas o SteamPunk, mas todo um conjunto de valores e ideais que acreditamos que precisam ser resgatados. Invocar nossa história, nossa cultura e as raízes Brasileiras são prioridade para o Conselho SteamPunk.

Raul: Pretendemos abrir as portas do Conselho SteamPunk para muito mais que os entusiastas de gênero, mas provocar uma revolução na qual os interessados nos demais gêneros literários se sintam a vontade para fazer uso da infra-estrutura e da plataforma cultural desenvolvida pelo conselho.

Karl: Não deixem de aparecer por lá!

Serviço

Biblioteca Pública Viriato Corrêa
Local: R. Sena Madureira, 298. Vila Mariana, zona sul.
Telefone: (11) 5573-4017
Data: Sexta-Feira, dia 27 de Novembro de 2009, com início às 22h
Entrada Franca
Exibir mapa ampliado

Programação

Desfile performático (Dia 27, às 22h)
Um desfile de moda Steampunk composto por modelos feitos a partir de tecidos antigos que quase não se usam mais como o morin, cambraia de linho, juta, fibras vegetais, sendo alguns de seda misturados com alguns elementos feitos artesanalmente como luvas e chapéus.
A estilista Lili Angelika busca a união do romantismo com elementos de uma realidade pós-apocalíptica, inspirado em filmes Cyberpunks, Steampunks e de Fantasia como “Van Helsing”, “Blade Runner”, “Cavaleiro sem Cabeça”, “Stardust”, “A Liga Extraordinária”, entre outros.

Apresentação Teatral (Dia 27, às 22h30)
A atriz Cristiana Gimenes, da Cia Em Cena Ser, apresenta textos Steampunk, selecionados por Karl F.

Bate-papo: Saiba tudo sobre Steampunk (Dia 27, às 23h)
Gerson Lodi-Ribeiro, Bruno Accioly e Karl F. falam sobre os princípios, e o que é Steampunk, sua presença na literatura, no cinema e como sub-cultura. A mediação será de Silvio Alexandre.

Lançamento de livro: “Anno Dracula”, de Kim Newman (Editora Aleph)

Exibição de filmes (dia 27, às 24h; dia 28, às 2h e 4h)

RPG live-action: “Steam-live” (dia 27, a partir da meia-noite)
Durante a madrugada acontecerá o RPG live-action, “Steam-live”. Em breve, mais informações sobre a história e cenário. Coord.: Confraria das Idéias.

Obs.: Para as atividades do teatro é necessário retirar ingresso, sujeito à lotação da sala (101 lugares), no dia 27, a partir das 21h. Durante os intervalos das projeções, ocorrem esquetes teatrais. Após a meia-noite, você pode assistir aos filmes no auditório ou acompanhar o jogo de RPG /Live-action no andar térreo. Para participar do jogo é preciso se inscrever antecipadamente.

>> STEAMCON””’ – por Jack Starman – 3/04/2008


‘MARCAS NA PAREDE’: LANÇAMENTO EM SÃO PAULO

Sexta-Feira | 20 | Novembro | 2009


“AVATAR”: MÚSICA TEMA E INTÉRPRETE DEFINIDAS

Quinta-feira | 19 | Novembro | 2009

Neytiri

O marketing agressivo de “Avatar“, a ficção científica dirigida por James Cameron (“O Exterminador do Futuro”), já começa a tomar conta de várias mídias. Além de um novo clipe e imagem (que traz Neytiri, o Na’vi com a voz de Zoe Saldana, e que pode ser conferida acima), foi divulgado quem irá cantar a música tema do filme.

A Atlantic Records anunciou que irá lançar a trilha sonora, embora os detalhes sejam pequenos, o release que consta no site da Atlantic revela que “Avatar: Music From The Motion Picture” terá músicas compostas e conduzidas pelo vencedor do Oscar James Horner (responsável pelas trilhas de “Coração Valente” e “Titanic”) e a canção título, “I See You“, será interpretada pela cantora Leona Lewis.

Tudo indicava que o tema seria algo meio tribal, sem vocal principal, mas como a 20th Century Fox está querendo disputar na categoria Melhor Canção do Oscar, esta parece ser uma clara tentativa de repetir o sucesso de “Titanic” com Celine Dion e a música My Heart Will Go On. Lewis venceu algo equivalente ao American Idol inglês (The X-Factor), e é provavelmente mais conhecida pela música “Bleeding Love”. Uma das apresentações mais famosas da cantora é durante o programa onde ela cantou Over The Rainbow. A trilha sonora será lançada dia 15 de dezembro (14 de dezembro internacionalmente) e está atualmente disponível para pré-venda na AvatarScore.com.

Leona Lewis

Já o clipe liberado é uma cortesia da LG que estão exibindo em uma divulgação por algum tipo de aparelho de telefone celular. O vídeo mostra o protagonista enfrentando os bichos da selva. Para assistir, é só clicar aqui.

O filme se passa em um futuro distante, onde o homem desenvolveu tecnologia para se deslocar entre sistemas solares. Numa viagem ao sistema solar mais próximo, a humanidade encontra o planeta “Alpha Centauri B-4″, no qual abunda riqueza de valor incalculável. A Terra havia colonizado novos planetas, a que foi chamado de novo mundo. Num deles, habitado por “aliens” com formas exóticas de vida, um ex-Marine vê-se envolvido em hostilidades. O dilema é que esse ele, Jake (ex-veterano paraplégico) é um “Avatar”, ou seja, meio alien, meio humano, encontra-se divido entre dois mundos, numa luta desesperada pela sobrevivência.

O elenco conta com Sam Worthington (”O Exterminador do Futuro: A Salvação“), Sigourney Weaver (”O Corajoso Ratinho Despereaux“), Michelle Rodriguez (”Velozes e Furiosos 4“), Giovanni Ribisi (”Inimigos Públicos“) e Zoe Saldana (”Star Trek“). A estreia mundial acontece em 18 de Dezembro.
>> CINEMA COM RAPADURA – por Arthur Yoffe


FIM DOS TEMPOS NÃO ACONTECERÁ EM 2012, DIZ NASA

Quinta-feira | 19 | Novembro | 2009

O filme 2012, que estreia no próximo dia 13 de novembro, retrata o fim do mundo apontado pelo calendário maia Foto: DivulgaçãoO filme “2012″ retrata o fim do mundo apontado pelo calendário maia

Na semana passada, a Agência Espacial Americana (Nasa) anunciou que o mundo não ia acabar – pelo menos não em curto prazo. No ano passado, o Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern), declarou a mesma coisa, o que se pode imaginar, seja uma boa notícia para aqueles dentre nós que costumam se assustar com qualquer coisa. Quando é que duas instituições científicas desse grau de competência já haviam garantido à humanidade que tudo ficaria bem?

Por outro lado, a notícia é um tanto deprimente para aqueles que estavam planejando deixar de lado os pagamentos da prestação da casa própria para gastar tudo em uma última farra. Os pronunciamentos do Cern tinham por objetivo atenuar a preocupação quanto à possibilidade de que seu novo acelerador de partículas, o Large Hadron Collider (LHC), viesse a criar um buraco negro capaz de devorar o planeta.

Já os anúncios da Nasa, feitos em forma de uma série de posts em seu site e de um vídeo postado no YouTube, eram resposta à preocupação quanto à possibilidade de que o mundo acabe em 21 de dezembro de 2012, quando um ciclo de 5.125 anos conhecido como “Contagem Longa”, no calendário maia, supostamente deve chegar ao fim.

Os rumores sobre o fim do mundo atingiram o ponto de fervura esta semana com o lançamento de ‘2012′, novo filme de Roland Emmerich, que no passado já havia infligido previsões catastróficas ao planeta, em forma de ataque alienígena e era glacial, nos longas ‘Independence Day’ e ‘O Dia Depois de Amanhã’.

Em seu novo trabalho, um alinhamento entre o Sol e o centro da galáxia, em 21 de dezembro de 2012, faz com que o Sol enlouqueça e cause ferozes tempestades em sua superfície, que lançam ao espaço partículas subatômicas difíceis de detectar conhecidas como neutrinos. De alguma forma, os neutrinos se transmutam em outras partículas, o que resulta em aquecimento do núcleo planetário da Terra.

A crosta terrestre perde sua estrutura e começa a enfraquecer e deslizar. Los Angeles desliza para dentro do oceano; o vulcão Yellowstone entra em erupção, o que recobre a América do Norte de cinzas negras. Maremotos gigantescos varrem o Himalaia, onde os governos do planeta haviam construído secretamente uma frota de navios que permitirão a 400 mil pessoas seletas sobreviver à calamidade.

Mas essa é apenas uma das versões de apocalipse em circulação. Em outras variações, um planeta chamado Nbiru colide com a Terra, ou o campo magnético de nosso planeta se inverte. Existem centenas de livros dedicados a 2012, bem como milhões de sites, a depender de que combinação entre ‘2012′ e ‘juízo final’ você digite no Google.

E tudo isso é pura bobagem, dizem os astrônomos
“A maior parte do que é alegado quanto a 2012 depende de uma imensa credulidade, de sandices pseudocientíficas, de uma completa ignorância quanto à astronomia e de um nível de paranoia digno de um filme sobre zumbis”, escreveu Ed Krupp, diretor do Observatório Griffith, em Los Angeles e especialista em astronomia do passado, em artigo para a edição de novembro da revista Sky & Telescope.

Em termos pessoais, as histórias sobre o fim do mundo me apaixonam desde que comecei a consumir ficção científica, em meio a uma infância de desajuste. Apavorar o público vem sendo a principal ferramenta desse segmento desde que Orson Welles transformou “A Guerra dos Mundos” em um programa de rádio que narrava uma falsa invasão marciana a Nova Jersey, em 1938.

Mas a tendência passou dos limites, sugeriu David Morrison, astrônomo do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, em Moffett Field, Califórnia, o responsável pelo vídeo que a organização veiculou no YouTube e principal representante da organização quanto às profecias apocalípticas dos maias. “Fico zangado com a maneira pela qual as pessoas estão sendo manipuladas e submetidas a medos, com o objetivo único de propiciar lucros a terceiros”, disse Morrison. “Não existe direito ético a assustar crianças a fim de gerar lucro”.

Morrison diz que tem recebido em média 20 cartas e mensagens de e-mail diárias, algumas de lugares distantes como a Índia, enviadas por interlocutores apavorados. Em uma mensagem de e-mail, ele me enviou uma amostra que incluía um e-mail de uma mulher que imaginava se o melhor não seria se matar, bem como à sua filha e seu bebê ainda não nascido. Outra pessoa perguntava se não seria melhor sacrificar já o seu cachorro, para evitar que o animal viesse a sofrer em 2012.

Tudo isso me lembrou das cartas que recebi no ano passado sobre o suposto buraco negro do Cern, outro problema que existia mais como ficção científica do que como fato científico. No entanto, aparentemente não existe nada tão capaz de tornar a morte presente quanto os abstratos reinos da física e da astronomia. Em situações como essas, quando a Terra ou o universo estão tentando descartar a pessoa e seus entes queridos deste plano mortal, questões cósmicas claramente se tornam pessoais.

Morrison diz que não atribui a culpa por isso ao filme, e sim aos muitos outros vulgarizadores da predição maia, bem como à aparente incapacidade de muita gente para distinguir realidade de ficção “tendência bastante perceptível em diversas outras áreas de nossa vida nacional. Ele ressalva, quanto a isso que “meu doutorado é em astronomia, não psicologia”.

Em uma troca de e-mails, Krupp afirmou que “estamos sempre incertos quanto ao futuro e sempre consumimos representações dele. Sempre nos deixamos atrair pelo romance do passado distante e pela escala exótica do cosmos. Quando as duas coisas se combinam, ficamos hipnotizados”.

Um porta-voz da Nasa, Dwayne Brown, afirmou que a agência não comenta sobre filmes, e que isso é tarefa para críticos de cinema. Mas quando o assunto é ciência, disse Brown, “consideramos que seria prudente oferecer uma base de recursos”.

Se você deseja se preocupar, afirmam os cientistas, deveria pensar sobre a mudança no clima mundial, asteróides em trajetórias imprevisíveis ou guerra nuclear. Mas caso seu interesse seja a especulação sobre passadas profecias, eis alguns fatos que Morrison e outros estudiosos acreditam você deva conhecer.

Para começar, concordam os astrônomos, não existe nada de especial em um alinhamento celeste entre o Sol e o centro da galáxia. Isso acontece a cada mês de dezembro, e as consequências físicas não vão além do consumo excessivo de perus de Natal. E, de qualquer forma, o Sol e o centro galáctico não coincidirão exatamente nem mesmo em 2012.

Se existisse outro planeta em rota de colisão com o nosso, todo mundo já o teria avistado, a essa altura. E quanto às ferozes tempestades solares, o próximo ponto máximo de atividade solar não acontecerá antes de 2013, e mesmo assim não será muito intenso, de acordo com os astrônomos.

O apocalipse geológico é uma aposta mais plausível. Já aconteceram grandes terremotos na Califórnia, e é provável que voltem a acontecer. Esses abalos poderiam destruir Los Angeles, tal como o filme mostra, e Yellowstone poderia entrar em erupção mais uma vez, e com força cataclísmica, mais cedo ou mais tarde. Os seres humanos e aquilo que constroem são de fato ocupantes temporários e frágeis do planeta. Mas, no caso em questão, “mais cedo ou mais tarde” quer dizer um prazo de centenas de anos, e haveria alertas consideráveis antes do evento.

Os maias, cuja astronomia e capacidade de medição do tempo eram avançadas o suficiente para permitir que previssem a posição do planeta Vênus 500 anos no futuro, mereciam tratamento melhor.

O tempo maia era cíclico, e especialistas como Krupp e Anthony Aveni, astrônomo e antropólogo da Universidade Colgate, dizem não haver provas de que os maias imaginassem que algo de especial aconteceria quando o hodômetro zerasse de novo em 2012, depois da Contagem Longa.

Existem referências, nas inscrições maias, a datas tanto anteriores quanto posteriores à atual Contagem Longa, eles afirmam, da mesma maneira que o seu próximo aniversário e o dia 15 de abril ficam depois do dia de Ano-Novo, no calendário do ano que vem. Por isso, é melhor manter em dia o pagamento das prestações da casa própria.
>> TERRA / NEW YORK TIMES – por Dennis Overbye


O FIM DO MUNDO ESTÁ PRÓXIMO

Quinta-feira | 19 | Novembro | 2009

O que o calendário Maia revela sobre o Juízo Final em 2012

Depois de tantas novidades, a humanidade parece estar à espera de um ponto culminante para uma história que está por terminar. O que poderia ainda espantar as multidões acostumadas aos espetáculos e aniquilações e reviravoltas as mais avassaladoras e imprevisíveis? A resposta é: só o fim do mundo pode matar a curiosidade de nossos sentidos embotados pelo excesso de informação.

O ser humano anda sedento de apocalipse, mesmo que ele seja parte envolvida. Daí o sucesso dos programas de televisão e filmes que trata de catástrofes em geral. No fundo, a aniquilação em massa da humanidade é fascinante. Houve um gostinho de fim dos tempos com a explosão das bombas de Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945. Outro se fez presente na crise dos mísseis nucleares soviéticos em Cuba apontados para os Estados Unidos em outubro de 1962. Mais uma dose de elixir de apocalipse se deu em 11 de setembro de 2001, com os atentados suicidas contra o World Trade Center e o Pentágono nos Estados Unidos. Por causa disso, até poucos meses atrás o mundo amargou a impressão de que nada mais poderia acontecer. E as plateias se cansaram de tantas hecatombes em série que têm assolado o mundo: atentados, massacres, terremotos, tsunamis, a agonia da natureza… tudo virou um tédio só. Não parecia haver filme nem profecia capazes de preencher o instinto do rebanho que ruma à execução final. Experimentamos vários fins do mundo, anunciados ou não. Cansamos.

Agora o desejo ancestral volta a ser aceso com o longa-metragem 2012, um blockbuster sobre a catástrofe que destruirá o planeta na data-título. Mais especificamente, o filme mostra que tudo desabará no final do ano de 2012, inclusive o nosso Cristo Redentor. O papa explode com o Vaticano, a Golden Gate, o Empire State… Corra que o fim do mundo vem aí… mais um. O Apocalipse de São João fala de 1999, no que foi seguido por Nostradamus. Esses nossos amigos profetas assustaram a humanidade até o bug do milênio (lembra dele?). Eu próprio passei a infância tentando decifrar Nostradamus e São João, para não falar no Pero Magalhães de Gândavo, António Vieira, Santo Agostinho, Paracelso e até no Omar Cardoso (um horoscopista dos anos 70). Uma de minhas diversões consistia em extrair fatos da linguagem cifrada dos textos proféticos e discuti-las com meus amigos. O estilo dessa turba de iluminados é tão obscura, que qualquer tradução se afigura possível. Era um belo jogo de decifração. E os programas de televisão daqueles tempos incentivavam a prática de obscurantismo. Eu era menino e embarcava nessa. Há quem embarque até hoje nos astrólogos de plantão.

As invectivas ameaçadoras dos profetas me soam hoje inócuas. Como se não restassem mais profetas a recorrer, os realizadores foram buscar o pavor expresso nas previsões de uma civilização indígena extinta antes da chegada à América Central da horda sanguinária de dom Pedro de Alvarado, preboste do conquistador Hernán Cortés. Trata-se dos maias. Daqui a três anos, encerra-se a contagem do calendário desse povo, depois de 5 mil anos de vigência. Sim, agora há mais uma forte razão para entrar em pânico.

Já não sou otimista, como quando menino, que achava que o homem podia prever o dia de sua aniquilação – ainda que ele esteja se esforçando para facilitar o serviço dos visionários, tentando abreviar cada vez mais o tempo entre a profecia e o acontecimento… Prefiro hoje professar a crença de Jorge Luis Borges, que dizia que a metafísica era um dos ramos mais fecundos da literatura fantástica.

A volta da moda dos maias é a prova de que a doutrina do eterno retorno que eles professavam pode voltar, nem que seja sob a espécie da cultura pop tardia, e de uma narrativa fantástica. Eu me lembro que no início dos anos 70 eles eram populares por causa do livro e depois do filme Eram os deuses astronautas? do arqueólogo e ufólogo suíço Erich von Däniken. Däniken escreveu 29 livros para demonstrar a tese de que as civilizações antigas haviam entrado em contato com extraterrestres tecnologicamente avançados que teriam aterrissado no planeta e passado algumas de sua superstições e conhecimentos astronômicos. A imagem mais forte de todas as que Däniken coletou é a do “astronauta maia”, acomodado em uma espécie de cápsula espacial. Na realidade, tratava-se da fotografia do baixo-relevo que representa o deus alado da tumba de Palenque, no México. Miragem ou retrato fiel? Seja como for, os maias desenvolveram um calendário astronômico que se inicia no ano 3114 a.C. e se encerra no fatídico 2012.

Vou tentar esclarecer a questão e mostrar que os maias realmente previram o fim dos tempos para 2012, embora sem a agitação e os efeitos especiais de um filme catástrofe. Quando criança, eu me debrucei sobre os textos maias, além dos profetas e alquimistas europeus que citei anteriormente. Tive um surto maia com 11 ou 12 anos. Minha mãe era professora de História da América e tinha em casa As lendas do Popol-Vuh e Os livros de Chilam Balam, os dois volumes de escritos maias, considerados os documentos pré-colombianos mais importantes. Não há versão original de um e outro, já que a escritura pictográfica e simbólica dos maias havia se perdido antes da conquista. Esses livros foram elaborados depois da conquista. E resultaram da tradição oral e ritualística dos povos herdeiros dos maias.

O Popol-Vuh conta a história dos povos da região em que hoje se localiza a Guatemala e o sul do México desde a criação divina até a chegada dos espanhóis. É um lindo poema, escrito em espanhol por um índio quiché (descendente dos maias) que teria aprendido a ler e escrever com os padres jesuítas.

O Chilam Balam é uma coletânea de códices com textos das mais variados funções pertencentes aos povos maias da península de Yucatán. Nesses textos publicados no fim do século XVII sobre fontes antigas as mais diversas, há um pouco de tudo: receitas médicas, novelas espanholas, lendas puramente indígenas, rituais de sacrifício etc. Seu aspecto mais importante está nos relatos históricos (e proféticos) baseados no calendário maia. Os três códices remanescentes foram enviados à Europa, cotejados e unificados, pois constatou-se tratar-se da mesma crônica indígena, o relato das várias dinastias maias, formadas por sacerdotes e imperadores, sua expansão territorial e sua agonia.

Astronomia, astrologia, profecia e história compunham para os índios o mesmo ramo do conhecimento. Chilam Balam quer dizer Oráculo Jaguar. Conta ter sido um sacerdote maia que existiu antes da conquista. Balam teria previsto o fim da civilização maia e a substituição das antigas crenças por uma nova religião – que logo foi identificada como o catolicismo dos conquistadores espanhóis. E anteviu o fim do mundo.

O calendário maia da “conta curta” (há o da “conta larga”, que não nos interessa aqui) compreende ciclos cujas datas se repetem a cada 260 anos tunes de 260 dias. Nesse período, há outro ciclo, que são os katunes, que se repetem de 20 em 20 anos. O último dia que encerra o ciclo de katunes é chamado de Ahau. Os números não seguem o sistema decimal, e seguem a seguinte ordem que forma um ciclo de treze: 8, 6, 4, 2, 13, 11, 9, 7, 5, 3, 1, 12, 10. No total, 260 anos, que voltam a se repetir ao final do ciclo. Para simplificar, as datas e seus acontecimentos de alguma forma são reprisados, com poucas variações: ciclos de abundância, de pobreza, de triunfo, de ambição, de luxúria… Até que o dia 21 de dezembro de 2012, katun 13 Ahau, quando terão se completado os 5.125 anos da fundação do império maia. Nesse dia, ocorrerá um inédito alinhamento de astros. E a roda da história vai se perfazer.

O Chilam Balam registra em sua primeira parte o início da saga da tribo xiues, da saída da região de Nonoual no Katun 3 Ahau (de 849 a 869 d.C.) até que se estabeleceu em Chacnabitón, no Katun 5 Ahau (1086 a 1106 d.C.). Os europeus apareceram com a praga da varíola, que os descendentes maias assinaram como sendo katun 2 Ahau (1500-1520). O último katun (as derradeiras ocorrências históricas) registrado do Chilam Balam se dá no katun 5 Ahau (entre 1599 e 1618) quando o governador Diego Pareja realizou um censo demográfico. O derradeiro katun é o 3 Ahau, de 1618 a 1638, sem nenhuma ocorrência anotada.

Os textos restantes do Chilam Balam são os mais interessantes porque contêm as agora famosas profecias, que descrevem o “fim do mundo”, como derretimento da Terra, o derramamento da seiva das plantas e a ressurreição dos mortos. Isso depois de um período de ambição, luxúria e desmesura. Diz o profeta: “Virá o apressado arrebatar bolsas e a guerra rápida e violenta dos codiciosos ladrões: esta é a carga do katun para o tempo do cristianismo. A gente da Flor de Maio (os maias) terá grandes misérias, grandes padecimentos, terá o grande Itzá, Bruxo-da-Agua. No dobrar do katun deste décimo terceiro 8 Ahau cairá o poder dos Halach Uiniques, Chefes dos grandes Itzaes, Bruxos-da-água. Mas não por completo acabará a gente da Flor de Maio, porque no 9 Ahau emparelhar-se-ão escudos, emparelhar-se-ão flechas, até quando o Katun se encerre totalmente”. Como qualquer texto cifrado e sagrado, este também dá vazão à fantasia.

Há pelo menos um fato concreto. Os descendentes atuais dos maias interpretam o profetizado Juízo Final como o recomeço do calendário maia, e o retorno aos valores puros do princípio dos tempos. O homem não será mais levado pela ambição e um virá um katun em que dominarão a liberdade, a igualdade e a fraternidade. O cataclismo de 2012, se houver, terá consequências éticas. E assim por diante na eterna roda dos katunes. Quem sabe novas eras de trevas ao infinito…

Se o longa 2012 fosse seguir à risca as profecias dos oráculos maias, teria que repetir os episódios de uma forma nauseante e anticinematográfica. De qualquer modo, como um bom enredo de filme catástrofe, os herdeiros dos maias desejam, também eles, um final feliz. Assim, de acordo com eles, o pânico é relativo. Talvez a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 no Brasil, já na pós-história maia, aconteçam sob a nova lei da felicidade. Isso se eu estiver interpretando o katun e o Ahau de forma precisa. Seria muito injusto para o Povo do Ipê Amarelo não realizar a sua vocação universal.
>> REVISTA ÉPOCA – por Luís Antônio Giron


ALAN MOORE E AS ADAPTAÇÕES DE QUADRINHOS PARA O CINEMA

Quinta-feira | 19 | Novembro | 2009

Na sabedoria popular, uma das categorias de maluco é o “louco de rasgar dinheiro”, um cidadão tão pancada que não dá a menor importância para opiniões, valores, ou seja lá o que venha de outras pessoas.

Alan Moore, desenhista e roteirista britânico, é um dos artistas cujos roteiros de quadrinhos estão entre os mais requisitados na indústria do cinema. E também é o mais avesso às adaptações de quadrinhos no cinema, chegando a abrir mão de todos os direitos sobre as histórias só para não ter seu nome envolvido com as produções.

Seria Alan Moore um louco de rasgar dinheiro? É o que vamos tentar esclarecer.

Moore nasceu em 18 de novembro de 1953, em Northampton num meio muito pobre, social e financeiramente. Aos 18 anos, desempregado e sem nenhum treinamento, resolveu começar um projeto de revista chamado Embry com alguns amigos o que o levou, em 1979 a trabalhar como cartunista numa revista de música. Decidiu que como desenhista tinha pouco talento, focando seus esforços em roteirização. Nesse período criou sua primeira e comentada série: V de Vingança.
Não demorou para executivos de grandes editoras, especialmente a DC Comics, perceberem um grande talento. Como Midas, Moore transformava em ouro tudo o que caia nas suas mãos. E pelas suas mãos passaram O Monstro do Pântano, Superman, Lanterna Verde e finalmente Watchmen, considerada por muitos a melhor história em quadrinhos de todos os tempos.

A partir do renascimento dos filmes baseados em quadrinhos, não demorou para que o cinema batesse à porta de do roteirista. Agora, para tentar responder à questão lá de cima, vamos listar filmes baseados em histórias desse grande artista, seguidos de citações do próprio sobre as adaptações. As conclusões nós deixaremos a cargo de vocês. Vamos lá.

Do Inferno – From Hell, EUA (2001)

Na HQ, Alan Moore deu uma nova visão ao famoso caso de Jack, o Estripador. A produção não é ruim, na verdade, mas as adaptações feitas para as telas acabaram descaracterizando em muito o trabalho original. Vale ressaltar que o próprio Moore foi chamado pelos diretores Albert e Allen Hughes para uma conversa, o que parecia promissor. A quantidade de alterações nessa primeira adaptação à sério de um trabalho do autor deve ser a principal responsável por Moore torcer o nariz para toda e qualquer tentativa de levar um trabalho seu às telas.
A visão de Moore: Não consegui passar dos primeiros 10 minutos e não tenho a intenção de fazê-lo. Simplesmente quero distância disso porque não foi uma adaptação fiel do meu trabalho.

A Liga Extraordinária – League of Extraordinary Gentleman, EUA (2003)

Fantástica história onde Moore imagina uma agência secreta do governo britânico que reúne nomes lendários como Alain Quatermain, Mina (de Drácula), Dorian Gray e o Dr. Jeckyll para lutar contra um gênio do crime que quer conquistar o planeta. O problema todo começa na escalação de Sean Connery para viver Quatermain. Nos quadrinhos, Quatermain é um mero coadjuvante. Connery EXIGE que o papel seja aumentado para que ele participe do filme. O resultado é que ele acaba virando protagonista, desvirtuando toda a história.
 Uma pena, Moore realmente acreditava que esse roteiro tinha estrutura para virar filme.
A visão de Moore: Houve tantos incidentes com esse filme que eu pensei que a melhor atitude a tomar seria recusar todo o dinheiro, repassá-lo ao desenhista e retirar meu nome dos créditos do filme. E isso se tornou constante.

V de Vingança – V for Vendetta, EUA (2006)

Os Wachowskis – diretores de Matrix – juraram de pés juntos que queriam fazer uma versão absolutamente fiel à história de Moore passada numa Inglaterra distópica, onde um rebelde mascarado dedica a vida a derrubar um governo fascista. Na verdade o resultado se aproxima bastante do original. Mas Moore, que já estava ressabiado, foi apunhalado pelas costas na questão de direitos autorais. Foi a pá de cal que faltava na sua opinião sobre adaptações para o cinema

A visão de Moore: Depois de repassar meu dinheiro ao artista, a DC e a Warner acharam de colocar meu nome nos créditos. Um de seus produtores ridículos, Joel Silver, anunciou uma mentira irritante de que eu estaria incrivelmente empolgado com o filme e que estava conversando com ele e com os Wachowskis. Foi o início de uma briga de quase um ano bastante chata. Depois, no fim do ano, eles me mandaram um papel dizendo que iriam tirar meus nomes dos créditos.

Watchmen – idem, EUA (2009)

Para muitos, a maior história em quadrinhos de todos os tempos. É extremamente complicado resumir em poucas linhas do que se trata a história pela quantidade impressionante de subtramas que compõe um riquíssimo universo. Basicamente é a história de um mundo à beira do colapso num futuro paralelo onde vigilantes mascarados – e suas conseqüências no mundo real – são parte do cotidiano.
O problema com a adaptação, citando Moore quando começou a se cogitar uma adaptação para o roteiro, é justamente a quantidade de microhistórias  absolutamente necessárias que compõe um universo maior. Moore abriu mão dos direitos sobre a história, não quis ver seu nome vinculado à produção, e não quis assistir nem ao trailer.
Uma curiosidade: o diretor Terry Gillian cogitou adaptar a história para o cinema ainda nos anos 80. Depois de conversar com Moore, Gillian abandonou o projeto.

A (extensa) visão de Moore:
- Sobre Zack Snyder (diretor): Ele pode até ser um cara legal, mas o negócio é que ele fez 300. Não vi os últimos filmes de quadrinhos, mas particularmente não gostei da HQ 300. Tenho vários pontos a criticar, e tudo que ouvi ou vi sobre o filme parece ter incrementado as críticas, ao invés de reduzi-las: que é algo racista, que é homofóbico e, acima de tudo, totalmente idiota.
- Dave Gibbons me ligou, e é sempre bom conversar com Dave, mas ele compreende que não estou interessado em Watchmen. Ele perguntou se eu estaria interessado em ser mantido informado sobre o filme, e eu respondi que era sempre bom falar com ele, mas não estava interessado. Não sei muito sobre o filme. Sei que estão seguindo em frente. Não assistirei, obviamente.
- Há coisas que fizemos em Watchmen que só funcionariam em um gibi, e inclusive foram projetadas para mostrar coisas que outras mídias não conseguem.
- O que posso lhe dizer é que vou ficar cuspindo veneno por tudo [relacionado ao filme] nos próximos meses.
- Acho que o cinema na sua forma atual é muito prepotente. Ele nos dá comida na boca, o que dilui nossa imaginação cultural coletiva. É como se fôssemos passarinhos recém-saídos dos ovos olhando pra cima, com nossas bocas bem abertas, esperando que Hollywood nos alimente com um vômito de vermes. O filme de Watchmen parece mais vômito de vermes. Eu, pelo menos, cansei de vermes.

Para finalizar, Moore afirma ter aberto mão de pelo menos US$ 77 mil referentes a direitos de adaptação de seus roteiros para os cinemas. Essa quantia, vale dizer, é a que ficou sabendo. Quando abriu mão definitivamente dos seus direitos, Moore simplesmente desencanou de fazer as contas. Alguém aí se arrisca a dizer quanto dinheiro o roteirista já rasgou até hoje?
>> REVISTA MOVIE

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‘O HOBBIT’: VERSÃO EM QUADRINHOS DO LIVRO DE TOLKIEN É LANÇADO PELA MARTINS FONTES

Quinta-feira | 19 | Novembro | 2009

O Hobbit é um dos livros mais importantes de J. R. R. Tolkien, prelúdio a O Senhor dos Anéis. Conta a história de Bilbo Bolseiro, um Hobbit pacato e satisfeito cuja vida vira de cabeça para baixo quando ele se junta ao mago Gandalf e a treze anões em sua jornada para reaver um tesouro dos anões que foi roubado por Smaug, um dragão.
roubado.

No caminho, Bilbo perde-se em escuras cavernas e encontra a criatura Gollum. Tentando escapar da morte, vence o estranho em um jogo de adivinhas e foge com um misterioso anel em seu bolso.

O Hobbit em quadrinhos (WMF Martins Fontes, 138 pág, R$ 49,80) , foi cuidadosamente condensada por Charles Dixon e ilustrada por David Wenzel, tornou-se por si só um best-seller clássico.

O artista David Wenzel é aclamado por suas detalhadas versões de histórias fantásticas e folclóricas, incluindo O Hobbit. Seus livros para crianças vão da arte medieval clássica Pier Piper a acontecimentos que conduzem à Revolução Americana no The Liberty Tree. É dono de reconhecida e apreciada habilidade para criar cenários e personagens imaginativos, com aquarela e tinta acrílica. Ele também realiza workshops de ilustrações em sua casa em Connecticut.

O adaptador Charles Dixon é um prolífico autor de livros em quadrinhos e para crianças. Desde 1984 tem produzido histórias originais e seriados para muitas das maiores editoras de quadrinhos, assim como vários livros infantis para Golden Books e Walt Disney.


MAURÍCIO DE SOUSA: NOTA SOBRE HOMOSSEXUALISMO EM REVISTA DE ‘TINA’

Quarta-feira | 18 | Novembro | 2009

Este blog optou por não noticiar a alusão a um relacionamento homossexual na história “O Triângulo da Confusão”, publicada no sexto número da revista “Tina”, à venda nas bancas.

O critério jornalístico que pautou a decisão: dar visibilidade à cena seria criar uma falsa polêmica e poderia alimentar um preconceito que, na verdade, não deveria existir.

Não se nega, no entanto, a curiosidade do caso, produzido pelos Estúdios Mauricio de Sousa. Foi o que possivelmente pautou outros colegas, que noticiaram a trama.

Agora, quando Mauricio de Sousa emite uma nota à imprensa “para esclarecer alguns pontos”, a situação muda. Haver a necessidade de o empresário se pronunciar sobre o assunto é sinal de que houve intolerância. Isso, sim, é algo que deve ser noticiado.

A nota emitida na tarde desta terça-feira procura desvincular a revista das demais da Turma da Mônica, voltadas ao público infantil. Segundo o texto, creditado a Mauricio, “Tina” é destinada a um público “adulto jovem”.

Outro cuidado da nota foi o de não afirmar categoricamente que o personagem Caio, alvo da suposta polêmica, seja gay. “Não há qualquer afirmação sobre a sexualidade deste ou daquele personagem”, diz.  ”Lida a história, feita a interpretação, daí, sim, comentários e críticas poderão ajudar no sentido de falarmos a língua de uma sociedade esclarecida.”

Na história, a amizade dos personagens Tina e Caio gera ciúmes no namorado dela. A situação se resolve no diálogo desta cena:

Crédito: reprodução da Folha Online

Não há uma afirmação explícita de que Caio seja gay. A homossexualidade fica sugerida.

A nota emitida por Mauricio de Sousa encerra registrando que o tema aparece em outras mídias. E que deve ser abordado em uma publicação voltada a um leitor não infantil.

“Vale ressaltar que publicações dirigidas a faixas de público com idades diferenciadas podem – e devem – tratar de quaisquer assuntos de maneira adequada ao seu leitor”, diz, na nota. 
 
“Mas uma posição vai se manter em TODAS as nossas produções: o respeito pelo ser humano, pela pessoa, e a elegância no trato de qualquer tema.”

O tom da nota dá a entender que se repete a visão de que quadrinhos sejam voltados só ao leitor infantil. Foi o que pautou, também neste ano, polêmicas envolvendo sobre envio a escolas de obras em quadrinhos adultas, como as de Will Eisner, vistas com cunho sexual.
>> BLOG DOS QUADRINHOS – por Paulo Ramos

Confira a seguir o nota:

“Sobre a recente polêmica a respeito da revista Tina 6, é preciso esclarecer alguns pontos.

A revista Tina é uma publicação da Editora Panini produzida para um público adulto jovem. Ou seja, não tem nada a ver com a Turma da Mônica ou o público infantil ou infanto-juvenil (Turma da Mônica Jovem). A publicação é destinada a uma outra faixa de leitores e suas histórias refletem isso – tanto que Tina, atualmente, é estudante de jornalismo e maior de idade.

A história publicada em Tina nº6, intitulada “O triângulo das confusões”, deve ser lida e interpretada pelo leitor. Não há qualquer afirmação sobre a sexualidade deste ou daquele personagem.

Lida a história, feita a interpretação, daí, sim, comentários e críticas poderão ajudar no sentido de falarmos a língua de uma sociedade esclarecida. Tanto que, em nossas publicações recentes, temos usado cada vez mais a interatividade com os leitores. Essa promoção do diálogo com a juventude, especialmente pela internet, é essencial e já nos ajudou a direcionar histórias e personagens em outras ocasiões.

E vale ressaltar que publicações dirigidas a faixas de público com idades diferenciadas podem – e devem – tratar de quaisquer assuntos de maneira adequada ao seu leitor.

No cinema, na televisão ou nas revistas há a separação por faixa de idade. Por que não haveria na nossa vasta galeria de publicações?

Mas uma posição vai se manter em TODAS as nossas produções: o respeito pelo ser humano, pela pessoa, e a elegância no trato de qualquer tema” .

Mauricio de Sousa


QUADRINHOS GAYS: INGLESES TÊM O PRIMEIRO GRUPO DE SUPER-HERÓIS

Quarta-feira | 18 | Novembro | 2009

CUIDADO! Se você for preconceituoso ou não aceitar ler alguns palavrões, não continue nesta notícia!

Quando parece que tudo já foi escrito nas histórias em quadrinhos, é aí que se quebram tabus. O blogueiro Rich Johnston descobriu na internet uma pérola digna de nota nesta terça-feira. Trata-se do webcomic Spandex, criado por Martin Eden e protagonizado por super-heróis gays. A série também está sendo vendida em algumas lojas britânicas.

A capa, que pode ser vista ao lado é, por si só, impagável. Abaixo dos protagonistas da série está escrito “They Watch Men” - nem preciso dizer de onde vem a referência, né? -, que, em bom português, quer dizer “Eles Vigiam Homens”.

A paródia vai mais longe. Os heróis da HQ tem nomes e poderes sugestivos: Liberty é uma travesti glamourosa. Diva é uma espécie de Mulher-Maravilha lésbica. Glitter é a versão não tão masculina da mutante Cristal, Indigo é uma linda gay francesa que pode se teleportar. Há ainda os irmãos gêmeos Mr. Muscles e Butch, fortões que são o terror das bichas magrelas.

Uma das histórias da primeira edição se chama O Ataque da Lésbica de 50 pés (de altura, não que ela seja uma sapatão privilegiada). Entre outros vilões estão Pussy and the Pink Ninjas (algo como Buceta e as Ninjas Rosas), Muscle Mary e o agente secreto James Bend, O Homem com o Caralhão de Ouro.

A primeira edição da HQ pode ser baixada clicando aqui. Se você ficou interessado em ver mais imagens da hilária brincadeira mas tem medo que sua mãe te veja lendo um webcomic gay, confira páginas da revista em nossa galeria de imagens, clicando aqui.

>> HQ MANIACS – por Artur Tavares


PAULO COELHO: MESTRE DA FICÇÃO CIENTIFICA?

Quarta-feira | 18 | Novembro | 2009

 Pelo menos para a mega loja on-line Amazon, que colocou O Alquimista na lista de best-sellers de ficção-científica!

O Alquimista

Siga o link original e veja como Paulo Coelho ficou na mesma prateleira que Julio Vernes (20 Mil Leguas Submarinas) e Mary Shelley (Frankestein)
>> NEWS SERRADO – por Antonio Carneiro


‘BATTLESTAR GALACTICA: THE PLAN’ CHEGA EM 2010

Quarta-feira | 18 | Novembro | 2009

A distribuidora Universal está agendando o lançamento do telefilme “Battlestar Galactica: The Plan” para o dia 16 de janeiro de 2010. O DVD chega primeiro para locação; a data para a venda ao público ainda não foi confirmada, mas deverá ser lá pelo mês de abril.

O telefilme apresenta a visão dos cilônios para os fatos ocorridos na série de TV, remake da produção dos anos 70.

Nos EUA o telefilme foi lançado nos formatos DVD e Blu-ray, mas, por enquanto, no Brasil está sendo agendado apenas o DVD.

Já “Star Trek”, filme de J. J. Abrams lançado pela Paramount em DVD para locação e blu-ray para a venda, terá o DVD lançado para venda ao público no final do mês de fevereiro.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


‘STAR TREK’ (‘JORNADA NAS ESTRELAS’): PILOTO INÉDITO

Quarta-feira | 18 | Novembro | 2009

Os fãs de Jornada nas Estrelas sabem que a NBC rejeitou o primeiro piloto (The Cage) por ser muito cerebral. Talvez o que muitos ainda não saibam é que o segundo, Where No Man Has Gone Before, teve uma versão alternativa, não apresentada na TV. Aparentemente, um colecionador alemão tinha esse material e o apresentou a CBS/Paramount.

O vice-presidente e gerente geral da CBS Home Entertainment, Ken Ross, ficou muito entusiasmado com essa descoberta. Então fãs, aguardem, pois a terceira temporada de Jornada nas Estrelas em Blue-ray, que será lançada dia 15 de dezembro nos EUA, vai incluir essa raridade.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim

 


SMALLVILLE: IMAGEM E DETALHES DO GAVIÃO NEGRO

Quarta-feira | 18 | Novembro | 2009

O site da revista TV Guide revelou a primeira imagem do ator Michael Shanks caracterizado como o herói Gavião Negro em Smallville.

O site revelou também que o especial de duas horas com a Sociedade da Justiça, antes previsto para janeiro, será exibido nos EUA somente em 5 de fevereiro. E a segunda hora será dirigida por Tom Welling, o próprio Clark Kent.

Em entrevista ao site, Shanks afirmou que veremos várias cenas de vôo do Gavião, incluindo uma no topo do Planeta Diário e outra na Torre de Vigilância. O ator revelou também que veremos Carter Hall (a identidade civil do herói) em seu museu e que sua origem como um príncipe egípcio reencarnado será mantida. O especial fará referência à Sociedade nos anos 1970, mas o grupo já se encontra separado há anos no momento atual. E as referências não param por aí. Segundo Shanks, veremos muita parafernália e citações ao passado da Sociedade, inclusive a personagens que não dão as caras na trama, como a Moça-Gavião.

O ator ainda confirmou a participação do Caçador de Marte na história, dizendo ainda que a Sociedade terá dificuldades para confiar nele. Revelou ainda que o motivo pelo qual os demais heróis nunca ouviram falar da Sociedade será uma parte importante da trama. E, claro, confirmou que o Gavião terá grandes diferenças ideológicas e políticas com o Arqueiro Verde, algo que é uma tradição nos quadrinhos. O vilão da especial será um velho conhecido da Sociedade.

Smallville conta a adolescência de Clark Kent, suas descobertas sobre suas origens, seus primeiros encontros com seus futuros inimigos e aliados e o desenvolvimento de seus poderes, tudo parte do caminho que o transformará no herói Superman. A série é exibida no Brasil pelo Warner Channel e pelo SBT.

Criado por Gardner Fox e Dennis Neville em 1940, o Gavião Negro é o arqueólogo Carter Hall, reencarnação de um príncipe egípcio chamado Khufu. Usando um arsenal de armas medievais e asas dotadas do metal enésimo (oriundo do planeta Thanagar), o Gavião combate o crime há décadas, seja sozinho, ao lado da Moça-Gavião ou como membro da Sociedade da Justiça.

A Sociedade da Justiça da América, da DC Comics, é o primeiro grupo de super-heróis das histórias em quadrinhos. Criada pelo editor Sheldon Mayer e pelo escritor Gardner Fox, a equipe fez sua primeira aparição em All-Star Comics #3 (1940), em plena Era de Ouro. O grupo incluía as versões originais do Senhor Destino, Lanterna Verde, Flash (no Brasil, conhecido como Joel Ciclone), Homem-Hora, Sandman, Gavião Negro, Átomo e Espectro. A equipe teve várias formações ao longo dos anos. Atualmente é um misto de veteranos e novos heróis que levam adiante o legado de seus antecessores. No Brasil, as histórias da equipe são publicadas na revista Liga da Justiça, pela Panini Comics.
>> HQ MANIACS – por Leonardo Vicente Di Sessa


THOR: VAZAM OS ATORES QUE VIVERÃO OS TRÊS GUERREIROS

Quarta-feira | 18 | Novembro | 2009
Variety removeu a notícia de seu site, sem explicação

Os Três Guerreiros, personagens criados por Stan Lee como companheiros de aventuras do Poderoso Thor, aparentemente encontraram seus intépretes no cinema. O site da Variety informou os nomes dos atores, mas rapidamente removeu a notícia, deixando leitores em dúvida se a publicação apenas aconteceu em hora errada, se os contratos ainda não foram assinados ou se a informação é incorreta.

De qualquer maneira, Stuart Townsend (Liga Extraordinária) deve ser Fandral, o Galante; já Ray Stevenson (Punisher: War Zone) pode viver Volstagg, O Volumoso; e, pra completar, Tadanobu Asano (O Guerreiro Genghis Khan) deve ficar com o papel de Hogun, o Severo.

Stuart Townsend / Fandral

Ray Stevenson / Volstagg

Tadanobu Asano / Hogun

Com direção de Kenneth Branagh, Thor estreia em 20 de maio de 2011. O elenco é formato por Chris Hemsworth (Thor), Tom Hiddleston (Loki), Natalie Portman (Jane Foster), Anthony Hopkins (Odin), Jaimie Alexander (Sif), Colm Feore (um vilão), Samuel L. Jackson (Nick Fury) e Stellan Skarsgård.
>> OMELETE – por Érico Borgo


A DÉCADA DOS QUADRINHOS NO CINEMA

Quarta-feira | 18 | Novembro | 2009

Superman - The Movie Os quadrinhos e o cinema sempre andaram lado a lado. Mas desde 1998, mais precisamente, essa “parceria” ganhou novos contornos.

Em 1998, a New Line lançou Blade (dirigido por Stephen Norrington, com base num roteiro de David S. Goyer), uma adaptação dos quadrinhos do personagem criado por Marv Wolfman e Gene Colan para a Marvel. Era um projeto despretensioso, cujo protagonista, apesar de ser um vampiro (algo que é sempre cool no cinema), era obscuro e pouco conhecido. Ainda assim, o filme se tornou um enorme sucesso comercial no mundo inteiro.

De 1978 (ano em que estreou Superman) a 1997 (quando foi lançado o desastroso Batman e Robin), foram feitos 14 filmes para o cinema baseados em personagens da DC Comics.

No mesmo período, apenas nove longas baseados nos da Marvel foram lançados – e isso incluindo os dois telefilmes do seriado do Homem-Aranha e outros três que a editora licenciava de terceiros. Eram trabalhos modestos, de baixo orçamento e elenco de segunda categoria.

BatmanNessa época, muitos outros estúdios lançaram filmes baseados em personagens de quadrinhos, seguindo a onda de películas como Superman, Batman e até Conan, numa espécie de efeito rêmora (aquele peixe-piloto que segue os tubarões). Poucos se tornaram sucessos comerciais, embora alguns, como Rocketeer, por exemplo, tenham um público dedicado.

Blade surgiu na esteira do lamentável Batman e Robin, que deixou os fãs do personagem (e o resto do público) cansados de adaptações fracas, que faziam pouco uso do material publicado em quadrinhos.

Talvez por isso, a DC só voltaria a ter um filme no cinema baseado num de seus super-heróis em 2003: o péssimo A Liga Extraordinária, que foi seguido por outra bomba, Mulher-Gato.

Essa nova era de adaptações, liderada pela Marvel, abriu as porteiras, por assim dizer, para o “estouro da boiada” que estamos presenciando neste final de década.

A Liga Extraordinária De modo geral, as novas produções têm como características uma maior fidelidade aos quadrinhos, valores de produção mais altos e um bom elenco. Nesse período, quase sempre, os filmes bem produzidos, com atores competentes e que fugiram demais dos conceitos das HQs não tiveram êxito comercial, casos, novamente, de Mulher-Gato e A Liga Extraordinária.

Claro que se a história e a direção são ruins, não adianta ter boa produção e atores renomados, nem ser fiel ao conceito original.

Entre 1998 e 2004, chegaram aos cinemas dez filmes com personagens Marvel (Blade, X-Men, Homem-Aranha, Blade II, Demolidor, X-Men 2, Hulk, Justiceiro, Homem-Aranha 2 e Blade Trinity), contra apenas três da DC (o ótimo Estrada para Perdição, baseado na HQ de Max Allan Collins, publicada pela Paradox Press, um selo da DC Comics (e que no Brasil saiu pela Via Lettera) Mulher-Gato e A Liga Extraordinária.

Estrada para PerdiçãoEstrada para Perdição, filme com Tom Hanks, Jude Law e Paul Newman, é um exemplo claro de uma boa adaptação de quadrinhos para as telonas, dentro dos moldes do “cinemão” comercial, mas afastada do universo dos super-heróis.

Dos dez longas-metragens da Marvel mencionados acima, Hulk (que apesar do bom elenco e da direção de Ang Lee, não era o que os fãs queriam ver), Justiceiro, Blade – Trinity e o Demolidor são os mais fracos, com piores resultados de crítica e bilheteria.

Hulk e Justiceiro tiveram suas franquias reiniciadas ainda nesta década (veja mais abaixo), Blade virou seriado de TV (que logo foi cancelado) e o Demolidor permanece no limbo.

Certa vez, Avi Arad, que já foi o homem forte do cinema da Marvel, declarou que para salvar o Demolidor seria necessário recomeçar do zero.

Homem-Aranha Os seis primeiros anos desta década geraram muito lucro nas bilheterias, principalmente os dois filmes iniciais do Homem-Aranha e dos X-Men. Esse sucesso financeiro iniciou uma corrida dos estúdios para conseguir os direitos de todo e qualquer tipo de personagem de quadrinhos.

Em 2005, a DC contra-atacou: lançou Batman Begins, que reiniciou com louvor a franquia do Cavaleiro das Trevas.

Além disso, chegaram ao cinema Hellblazer (no longa Constantine), V de Vingança e Marcas da Violência (baseado numa HQ publicada primeiro pela Paradox Press e depois pela Vertigo).

Ainda em 2005, a Marvel colocou no mercado filmes pífios, como Elektra (um derivado do Demolidor), Homem-Coisa (que ficou engavetado por alguns anos, teve um lançamento pequeno nas telonas e saiu discretamente em DVD) e Quarteto Fantástico (que conseguiu se segurar por mais um longa-metragem).

X-Men 2 Mas a notícia importante foi que a Marvel se reestruturou como empresa de entretenimento e seu estúdio conseguiu um financiamento de mais de 500 milhões de dólares para a produção de dez filmes.

O terceiro episódio de X-Men foi lançado em 2006.

No mesmo ano, chegou aos cinemas Superman – O Retorno, com a volta do Homem de Aço num filme que, apesar de bem feito, não era o que se esperava do personagem.

Outra novidade da DC/Vertigo nas telonas foi The Fountain, baseada na graphic novel de mesmo nome.

Já em 2007, a Marvel esteve representada em três filmes: Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, Motoqueiro Fantasma e Homem-Aranha 3.

Homem de Ferro E, finalmente, chegamos a 2008, ano em que os lançamentos modificaram não apenas a maneira de se adaptar quadrinhos para o cinema, mas também a relação dos grandes estúdios com as editoras.

2008 marcou a estreia da Marvel como estúdio, com o lançamento de Homem de Ferro e O Incrível Hulk (filme que reiniciou a franquia). O Justiceiro chegou às telonas pela terceira vez com Punisher: War Zone, mas nem assim conseguiu melhorar seu desempenho.

O grande sucesso foi mesmo Homem de Ferro, que tinha um bom elenco e arrecadou mundialmente 585 milhões de dólares. Um feito excepcional para a estreia da Marvel como estúdio de cinema, especialmente por ser com um personagem pouco conhecido do público que não curte quadrinhos.

Isso não teria sido possível sem o financiamento obtido em 2005, que só ocorreu graças à rentabilidade de franquias como X-Men e Homem-Aranha.

Batman - O Cavaleiro das Trevas Claro que o enorme sucesso do “Latinha” foi parcialmente ofuscado pelo tsunami que foi Batman – O Cavaleiro das Trevas, a segunda parte da nova franquia do Morcegão, que atingiu a soma de um bilhão de dólares.

Note que, num mesmo ano, apenas dois filmes baseados em quadrinhos renderam juntos 1.585 bilhão de dólares.

Por isso, a busca desesperada por personagens de quadrinhos ainda não licenciados se intensificou. Não havia como ignorar 1,5 bilhão de dólares. E o resultado direto disso é que, em 2009, a Disney comprou a Marvel e a Warner Bros. reestruturou a DC Comics, para maximizar o potencial da empresa. E tudo isso na primeira quinzena de setembro.

Aqui vale um parêntese: durante essa disputa entre Marvel e DC (que na prática envolve Fox, Warner, Columbia, Sony, Universal, New Line, Paramount e outras) várias editoras de quadrinhos e autores independentes também conseguiram adaptar seus projetos, como, por exemplo, Hellboy I e II (de Mike Mignola), Mundo Fantasma (de Daniel Clowes), Sin City e 300 (de Frank Miller), Procurado – Wanted (de Mark Millar) entre tantos.

Procurado - Wanted No entanto, as consequências das duas mudanças gigantescas, citadas acima, só serão sentidas no mercado em 2010, quando estrearão os filmes The Losers (DC) e Homem de Ferro 2 (Marvel).

O fato é que, gostem ou não os fãs mais radicais (aqueles que ficam bravos porque não se respeita ipsis literis o que foi feito nas HQs), os quadrinhos se tornaram efetivamente um laboratório de pesquisa. E seu principal papel é gerar conteúdo que possa ser transformado em uma dezena de mídias diferentes, numa estratégia de saturação similar à dos “bombardeios em tapete”.

É difícil dizer se, a longo prazo, essas mudanças beneficiarão os autores de quadrinhos e seus leitores, ou se este será apenas mais um momento frustrante na história da nona arte. Mas uma coisa é certa: nada será como antes.

Superman - The Movie Os quadrinhos e o cinema sempre andaram lado a lado. Mas desde 1998, mais precisamente, essa “parceria” ganhou novos contornos.

Em 1998, a New Line lançou Blade (dirigido por Stephen Norrington, com base num roteiro de David S. Goyer), uma adaptação dos quadrinhos do personagem criado por Marv Wolfman e Gene Colan para a Marvel. Era um projeto despretensioso, cujo protagonista, apesar de ser um vampiro (algo que é sempre cool no cinema), era obscuro e pouco conhecido. Ainda assim, o filme se tornou um enorme sucesso comercial no mundo inteiro.

De 1978 (ano em que estreou Superman) a 1997 (quando foi lançado o desastroso Batman e Robin), foram feitos 14 filmes para o cinema baseados em personagens da DC Comics.

No mesmo período, apenas nove longas baseados nos da Marvel foram lançados – e isso incluindo os dois telefilmes do seriado do Homem-Aranha e outros três que a editora licenciava de terceiros. Eram trabalhos modestos, de baixo orçamento e elenco de segunda categoria.

BatmanNessa época, muitos outros estúdios lançaram filmes baseados em personagens de quadrinhos, seguindo a onda de películas como Superman, Batman e até Conan, numa espécie de efeito rêmora (aquele peixe-piloto que segue os tubarões). Poucos se tornaram sucessos comerciais, embora alguns, como Rocketeer, por exemplo, tenham um público dedicado.

Blade surgiu na esteira do lamentável Batman e Robin, que deixou os fãs do personagem (e o resto do público) cansados de adaptações fracas, que faziam pouco uso do material publicado em quadrinhos.

Talvez por isso, a DC só voltaria a ter um filme no cinema baseado num de seus super-heróis em 2003: o péssimo A Liga Extraordinária, que foi seguido por outra bomba, Mulher-Gato.

Essa nova era de adaptações, liderada pela Marvel, abriu as porteiras, por assim dizer, para o “estouro da boiada” que estamos presenciando neste final de década.

A Liga Extraordinária De modo geral, as novas produções têm como características uma maior fidelidade aos quadrinhos, valores de produção mais altos e um bom elenco. Nesse período, quase sempre, os filmes bem produzidos, com atores competentes e que fugiram demais dos conceitos das HQs não tiveram êxito comercial, casos, novamente, de Mulher-Gato e A Liga Extraordinária.

Claro que se a história e a direção são ruins, não adianta ter boa produção e atores renomados, nem ser fiel ao conceito original.

Entre 1998 e 2004, chegaram aos cinemas dez filmes com personagens Marvel (Blade, X-Men, Homem-Aranha, Blade II, Demolidor, X-Men 2, Hulk, Justiceiro, Homem-Aranha 2 e Blade Trinity), contra apenas três da DC (o ótimo Estrada para Perdição, baseado na HQ de Max Allan Collins, publicada pela Paradox Press, um selo da DC Comics (e que no Brasil saiu pela Via Lettera) Mulher-Gato e A Liga Extraordinária.

Estrada para PerdiçãoEstrada para Perdição, filme com Tom Hanks, Jude Law e Paul Newman, é um exemplo claro de uma boa adaptação de quadrinhos para as telonas, dentro dos moldes do “cinemão” comercial, mas afastada do universo dos super-heróis.

Dos dez longas-metragens da Marvel mencionados acima, Hulk (que apesar do bom elenco e da direção de Ang Lee, não era o que os fãs queriam ver), Justiceiro, Blade – Trinity e o Demolidor são os mais fracos, com piores resultados de crítica e bilheteria.

Hulk e Justiceiro tiveram suas franquias reiniciadas ainda nesta década (veja mais abaixo), Blade virou seriado de TV (que logo foi cancelado) e o Demolidor permanece no limbo.

Certa vez, Avi Arad, que já foi o homem forte do cinema da Marvel, declarou que para salvar o Demolidor seria necessário recomeçar do zero.

Homem-Aranha Os seis primeiros anos desta década geraram muito lucro nas bilheterias, principalmente os dois filmes iniciais do Homem-Aranha e dos X-Men. Esse sucesso financeiro iniciou uma corrida dos estúdios para conseguir os direitos de todo e qualquer tipo de personagem de quadrinhos.

Em 2005, a DC contra-atacou: lançou Batman Begins, que reiniciou com louvor a franquia do Cavaleiro das Trevas.

Além disso, chegaram ao cinema Hellblazer (no longa Constantine), V de Vingança e Marcas da Violência (baseado numa HQ publicada primeiro pela Paradox Press e depois pela Vertigo).

Ainda em 2005, a Marvel colocou no mercado filmes pífios, como Elektra (um derivado do Demolidor), Homem-Coisa (que ficou engavetado por alguns anos, teve um lançamento pequeno nas telonas e saiu discretamente em DVD) e Quarteto Fantástico (que conseguiu se segurar por mais um longa-metragem).

X-Men 2 Mas a notícia importante foi que a Marvel se reestruturou como empresa de entretenimento e seu estúdio conseguiu um financiamento de mais de 500 milhões de dólares para a produção de dez filmes.

O terceiro episódio de X-Men foi lançado em 2006.

No mesmo ano, chegou aos cinemas Superman – O Retorno, com a volta do Homem de Aço num filme que, apesar de bem feito, não era o que se esperava do personagem.

Outra novidade da DC/Vertigo nas telonas foi The Fountain, baseada na graphic novel de mesmo nome.

Já em 2007, a Marvel esteve representada em três filmes: Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, Motoqueiro Fantasma e Homem-Aranha 3.

Homem de Ferro E, finalmente, chegamos a 2008, ano em que os lançamentos modificaram não apenas a maneira de se adaptar quadrinhos para o cinema, mas também a relação dos grandes estúdios com as editoras.

2008 marcou a estreia da Marvel como estúdio, com o lançamento de Homem de Ferro e O Incrível Hulk (filme que reiniciou a franquia). O Justiceiro chegou às telonas pela terceira vez com Punisher: War Zone, mas nem assim conseguiu melhorar seu desempenho.

O grande sucesso foi mesmo Homem de Ferro, que tinha um bom elenco e arrecadou mundialmente 585 milhões de dólares. Um feito excepcional para a estreia da Marvel como estúdio de cinema, especialmente por ser com um personagem pouco conhecido do público que não curte quadrinhos.

Isso não teria sido possível sem o financiamento obtido em 2005, que só ocorreu graças à rentabilidade de franquias como X-Men e Homem-Aranha.

Batman - O Cavaleiro das Trevas Claro que o enorme sucesso do “Latinha” foi parcialmente ofuscado pelo tsunami que foi Batman – O Cavaleiro das Trevas, a segunda parte da nova franquia do Morcegão, que atingiu a soma de um bilhão de dólares.

Note que, num mesmo ano, apenas dois filmes baseados em quadrinhos renderam juntos 1.585 bilhão de dólares.

Por isso, a busca desesperada por personagens de quadrinhos ainda não licenciados se intensificou. Não havia como ignorar 1,5 bilhão de dólares. E o resultado direto disso é que, em 2009, a Disney comprou a Marvel e a Warner Bros. reestruturou a DC Comics, para maximizar o potencial da empresa. E tudo isso na primeira quinzena de setembro.

Aqui vale um parêntese: durante essa disputa entre Marvel e DC (que na prática envolve Fox, Warner, Columbia, Sony, Universal, New Line, Paramount e outras) várias editoras de quadrinhos e autores independentes também conseguiram adaptar seus projetos, como, por exemplo, Hellboy I e II (de Mike Mignola), Mundo Fantasma (de Daniel Clowes), Sin City e 300 (de Frank Miller), Procurado – Wanted (de Mark Millar) entre tantos.

Procurado - Wanted No entanto, as consequências das duas mudanças gigantescas, citadas acima, só serão sentidas no mercado em 2010, quando estrearão os filmes The Losers (DC) e Homem de Ferro 2 (Marvel).

O fato é que, gostem ou não os fãs mais radicais (aqueles que ficam bravos porque não se respeita ipsis literis o que foi feito nas HQs), os quadrinhos se tornaram efetivamente um laboratório de pesquisa. E seu principal papel é gerar conteúdo que possa ser transformado em uma dezena de mídias diferentes, numa estratégia de saturação similar à dos “bombardeios em tapete”.

É difícil dizer se, a longo prazo, essas mudanças beneficiarão os autores de quadrinhos e seus leitores, ou se este será apenas mais um momento frustrante na história da nona arte. Mas uma coisa é certa: nada será como antes.
>> UNIVERSO HQ – por Sérgio Codespoti


EXISTE PRECONCEITO CONTRA O USO DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NAS ESCOLAS?

Terça-feira | 17 | Novembro | 2009

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e o Ministério da Educação distribuíram duas HQs consideradas impróprias para escolas públicas, entre elas títulos consagrados como “Um Contrato com Deus”, de Will Eisner. O problema é inadequação à faixa etária ou existe resistência ao uso dos quadrinhos na educação formal de crianças e jovens?strong>

EISNER_quadrinhos
A graphic novel “Um contrato com Deus e outras histórias de Cortiço”, de Will Eisner. O livro foi considerado inadequado pela cena acima e por outra de violência doméstica. Preconceito?

Em maio desse ano, o projeto Ler e Escrever da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo distribuiu 1216 exemplares do livro Dez na área, um na banheira e nenhum no gol para alunos do terceiro ano do ensino fundamental. O livro, feito para o público adulto, reúne 11 histórias em quadrinhos de diversos autores que falam sobre futebol e, como o tema sugere, usam palavrões e uma linguagem que foi considerada por algumas escolas inadequada para crianças. Segundo nota divulgada pela Secretaria, os livros foram recolhidos antes de chegar às mãos dos estudantes.

O caso gerou críticas em relação à escolha da obra para as crianças e à obra em si, avaliada como de “muito mau gosto” pelo governador do Estado, José Serra. Uma parte dos meios de comunicação se valeu de uma rasa apuração para se referir ao livro como uma obra sem qualidades.

O ilustrador Orlando Pedroso, organizador do Dez na Área, em comentário no Blog dos Quadrinhos, do jornalista Paulo Ramos, disse que houve um engano nos critérios de escolha nas compras do governo. “Há um erro grave no governador dizer que a obra é de mau gosto, quando deveria dizer que é inadequada para crianças de nove anos. Isso faz diferença enorme na conceituação da coisa. Uma pena”.

No começo de junho, a graphic novel Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço (2007, editora Devir), de Will Eisner, sofreu uma retaliação parecida. A obra teve exemplares distribuídos pelo PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) para alunos do Ensino Médio, mas, por estar disponível nas bibliotecas para todos os alunos, o livro também foi considerado inadequado por duas cenas: uma de violência doméstica e outra onde uma menina de dez anos (veja imagem acima), na tentativa de roubar dinheiro, oferece mostrar o corpo a um adulto. Essas são duas cenas de contos diferentes desta obra que mostra a vida dos cortiços de Nova York, na década de 1930, onde o autor nasceu e passou a juventude.

Para Rogério de Campos, diretor da Conrad Editora, especializada em quadrinhos, houve realmente um erro no caso do Dez na Área, mas o problema tomou uma dimensão desproporcional. “As forças conservadoras do país, desde gente de esquerda que aproveitou para dizer que o Serra distribuía pornografia na escola, até os comentários do próprio Serra, aproveitaram o fato para fazer terrorismo, atacar a liberdade de expressão e alimentarem a paranóia atual com relação à cultura”, diz. “A reação foi tão exagerada que causou muito mais males que os que o livro poderia causar em uma biblioteca escolar”, considera.

Por outro lado, Campos acredita que isso só prova a força comunicativa dos quadrinhos. “Não há dúvida que essa corja obscurantista encontraria coisas muito piores em Jorge Amado ou até em Machado de Assis, mas para isso teriam que ler os livros. Quadrinhos são bem mais fáceis de entender”, disse.

Orientação para diferentes faixas etárias
Os dois casos têm pontos diferentes. A indicação do Dez na área para crianças, segundo Waldomiro Vergueiro, um dos organizadores do livro Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula, foi um erro, o que não desmerece a obra em si. Já os livros de Eisner, sofreram críticas por estarem em um local onde as crianças e não só os adolescentes teriam acesso. Ele acredita que isso é o ressurgimento de um velho preconceito contra o gênero.

“No caso do Dez na Área, alguém pisou na bola. O livro foi pra ensino fundamental e realmente não era indicado para aquele público. Mas, o livro do Will Eisner foi selecionado para ensino médio, ou seja, alunos com 14, 15 anos ou mais, que têm que ter acesso a esse tipo de informação. A função de direcionar o material é da escola, que deve fazer isso da forma que considerar adequada. Os alunos não podem pagar por um problema administrativo da escola.”, disse Waldomiro.

Segundo carta publicada no Blog dos Quadrinhos para explicar a importância da obra de Eisner e dos quadrinhos na educação, “a escola tem a função de levar o mundo ao estudante por meio de leituras e de práticas de letramento, inclusive visual”. O texto ainda defende a permanência da obra em questão nas bibliotecas escolares: “o simples controle de empréstimo das obras resolve as questões de acesso a alunos das séries iniciais”. A carta foi assinada por cinco especialistas, entre eles Paulo Ramos e Waldomiro Vergueiro, mas outras 275 pessoas já haviam assinado até a publicação desta matéria.

Censura Ingênua e generalizada
O problema com livros distribuídos pelo governo não para nos quadrinhos. Os livros Aventuras Provisórias (Record), de Cristovão Tezza, Memórias Inventadas (Planeta), de Manoel Barros, e o poema Manual de Auto-Ajuda para Supervilões, de Joca Rainers Terron, integrante do livro Poesia do Dia – Poetas de hoje para leitores de Agora (Ática), também foram criticados pelo conteúdo. O romance de Tezza havia sido indicado como leitura obrigatória para vestibular, mas foi recolhido por uma passagem que descreve relações sexuais. O poema irônico de Terron sofreu críticas por frases como “Nunca ame ninguém. Estupre” e “Tome drogas, pois é sempre aconselhável ver o panorama do alto”, que foram consideradas inadequadas, pois as crianças não entenderiam a ironia. Já o poema de Manoel de Barros, entregue aos alunos da 6ª série, foi recolhido por conter textos eróticos.

Apesar de as críticas aos conteúdos perpassarem todos os gêneros, a repercussão sobre as HQs foi mais duradoura, o que pode ser indício de preconceito. A escritora Regina Zilberman, especialista em literatura infantil, acredita que se o cartoon ou o quadrinho que tem qualidade de gráfica, além do conteúdo, pode circular onde quer que seja sem ter efeito negativo nenhum. “Não é um livro ou uma história em quadrinhos que vai transformar uma mocinha pura numa pessoa perversa, de mau caráter”, lembra. “O máximo que pode acontecer é ela se tornar mais lúcida e consciente do mundo. É ilusório e até puritano achar que um livro vai estragar a vida da pessoa. A censura pela pornografia ou por apresentar situações que a criança não entenderia é completamente ingênua”, disse.

Histórias em Quadrinhos também educativas
De acordo com a escritora, a HQ não pode ser rejeitada sob o argumento de que não é educativa. “Isso é preconceito, uma censura muito negativa. O material deve ser disponibilizado e, se o adolescente não gostar, ele mesmo vai rejeitar”, completa. O que vale também para os clássicos. “Um jovem poderia rejeitar Os Lusíadas, mas isso não desmerece a obra. De qualquer forma, tem que estar à disposição dos leitores”, argumenta.

Desde a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996, existe uma indicação formal para a utilização de quadrinhos, com menções específicas para a inclusão das HQs. A partir de 2006, os quadrinhos foram incluídos na lista do PNBE, que compra obras de diferentes editoras e as distribui a escolas de Ensino Fundamental e Médio.

De acordo com Regina Zilberman, nossa relação com o mundo passa pela imagem e a leitura de uma história em quadrinhos pode tornar a aula agradável e divertida, onde a criança ou o adolescente aprende e curte. “Fora da escola, os jovens têm contato com o material e, incorporando-o, não se desconsidera ou marginaliza uma prática que a criança já tem. Lidar com esse tipo de material reforça a atividade docente e pode resultar em uma parceria entre professor e aluno, onde todos aprendem juntos”, explica.

Para Waldomiro, o limite está só na criatividade do professor. “É possível ensinar tudo com quadrinhos. As figuras permitem os alunos dominem o código visual, algo ainda pouco trabalhado na escola. Os quadrinhos devem ser entendidos também como forma de leitura, assim como o são a literatura, os textos jornalísticos e tantos outros gêneros que existem na sociedade”, disse.

Com a diferença de que, na maior parte dos casos, quanto mais proibido um gênero é, maior é a curiosidade de procurá-lo. Fora da escola.
>> REVISTA BRAVO – por Gabriela Rassy


EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE QUADRINHOS EM SÃO PAULO

Terça-feira | 17 | Novembro | 2009

DO SUPERMAN AO GATO DO RABINO:
A história dos quadrinhos à luz das memórias judaicas

PARA O ALTO E AVANTE:
Personagens Franco-Judaico-Brasileiros na visão de cartunistas brasileiros

O Centro da Cultura Judaica está realizando, desde o dia 12 de novembro, a exposição De Superman ao Chat Du Rabbin (Do Superman ao Gato do Rabino), com co-produção do Museu de Arte e História do Judaísmo de Paris e o Museu de História Judaica de Amsterdam. A mostra, que fica no Brasil até o dia 28 de fevereiro de 2010, relembra os momentos-chave das histórias em quadrinhos entre o período de 1912 e 2007, atravessando as culturas americanas e europeias. O evento faz parte da programação do 7º Ciclo Multicultural, tradicional projeto do CCJ, que engloba diversas atividades e que nesta edição homenageia o Ano da França no Brasil, promovendo a integração entre as culturas brasileiras, judaicas e francesas.

As Histórias em Quadrinhos não são uma especialidade judaica e, tampouco o clássico The Spirit, pode ser considerado um super-herói judeu. No entanto, a partir da análise do trabalho de artistas como Joe Shuster e Jerry Siegel, que criaram entre 1932 e 1934, um super-herói cuja versão final foi publicada como o Superman pela DC Comics, em junho de 1938, fica evidente a ligação histórica entre as HQs e a cultura judaica, seja em gêneros clássico ou underground.

Os primeiros super-heróis são desprovidos de identidades étnicas e religiosas. Em nome dos Estados Unidos da América, estes incansáveis justiceiros mantêm o mundo em ordem, impulsionados pelos valores universais do Bem e Justiça e pelo seu único dever, a defesa da raça humana. Foi somente depois do Holocausto que os super-heróis começaram a mostrar sinais de uma identidade judaica. Alguns episódios do Superman mostram um super-herói que faz lembrar Moisés ou o Messias. O supervilão Magneto da série X-Men, sobrevivente do campo de extermínio, criado por Jack Kirby e Stan Lee em 1963, são personificações de partes da experiência judaica.

De Superman ao Chat Du Rabbin evidencia no desenvolvimento da arte dos quadrinhos e das graphic novels, as memórias americanas, com autores que testemunham em seus trabalhos a autoanálise da geração que chegou à vida adulta no pós-guerra, em um clima de segregação racial, Guerra Fria e Macarthismo, e também as memórias europeias que, a partir dos anos 70, com conflitos e confrontos entre gerações, provocaram uma nova visão do judaísmo, que circula entre a contribuição com a reminiscência do passado judaico, preparando o terreno para a narração da memória coletiva judaica e canalização das energias em questionamentos acerca da sociedade.

Fruto de toda esta movimentação, um dos mais brilhantes e talentosos artistas da nova geração do quadrinho contemporâneo francês, Joann Sfar fecha o trajeto proposto pela exposição com seu aclamado Chat Du Rabbin, que recebeu o Prêmio do Juri do Festival Internacional de HQ de Angouléme, e convida os visitantes a reconsiderarem as mudanças e divisões na África do Norte e Leste Europeu durante a primeira metade do século 20 e as confronta com questões do presente.

Para dialogar com todas estas referências, a exposição traz ainda os cartunistas brasileiros: Leandro Spett, Marcelo Azalim, Paulo Galdino Sá, Ricardo Soares, Yan Pinheiro e Marcio Levyman, na mostra “Para o Alto e Avante!”, para criarem suas próprias versões e leituras, em misturas de forma de traço e cores, para personagens franco-judaicos-brasileiros. O resultado poderá ser conferido até o dia 28 de fevereiro de 2010, no Centro da Cultura Judaica.

A exposição De Superman ao Chat Du Rabbin acontece de terça a domingo, das 12 às 18 horas.

Já a exposição Para o Alto e Avante! acontece de terça a sábado, das 12 às 21 horas.

O Centro da Cultura Judaica fica à rua Oscar Freire, 2500, próximo à estação Sumaré do Metrô, em São Paulo. A entrada é franca, com a contribuição de um quilo de alimento não perecível destinado ao programa Ajuda Alimentando. Os ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria do local.

Sobre o Centro da Cultura Judaica:
O Centro da Cultura Judaica é um centro de referência e convivência aberto ao público que oferece, regularmente, eventos gratuitos de música, teatro, cinema, literatura, artes plásticas, fotografia, dança e educação. Promove o respeito entre os povos com atividades interativas que levam à reflexão e à aceitação das diferenças culturais através da arte, além de difundir o patrimônio cultural, as tradições e as raízes do judaísmo. www.culturajudaica.org.br.
>> HQ MANIACS – por Carlos Costa


SEDENTOS POR SANGUE #1: NOVAS GARRAS

Segunda-feira | 16 | Novembro | 2009

Literatura vampírica volta à moda e invade as livrarias brasileiras. Novas obras procuram interpretações do personagem vampiro, distantes do clássico Conde Drácula

Clique para AmpliarVampire diaries: série de livros protagonizada por vampiros adolescentes (como em “Crespúsculo”), ganhou seriado de TV

Exercer poderosa atração é próprio da figura do vampiro. Na maioria das culturas, há figuras que se encaixam nessa definição, de sugadores da vida alheia. Mesmo entres os povos nativos do Brasil, dos quais se ouviu histórias sobre uma tribo alada de hábitos noturnos. Na literatura, desde finais do século XVIII, o personagem marca presença. E de lá para cá, de tempos em tempos, os vampiros conhecem picos de popularidade. Processo que ficou ainda mais intenso quando o personagem se consolidou no imaginário dos consumidores da Indústria Cultural (sobretudo com o sucesso nos cinemas de filmes como “Drácula”, de 1931, e a primeira versão de “Nosferatu”, de 1922).

O sucesso editorial da série “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer, pôs os vampiros mais uma vez no topo da cultura de massas. O resultado foi a multiplicação de livros – e, derivados deles, filmes e séries de TV. Em comum, os livros desta nova onda têm o esforço de reformar a imagem do vampiro, virando pelo avesso o modelo aristocrático e anticristão do Conde Drácula, de Bram Stoker; ou dos afetados, e igualmente aristocráticos, desmortos de Anne Rice.

A bela e a fera
Uma das primeiras crias do sucesso de “Crepúsculo” foi, ironicamente, a reedição da série “Diários do Vampiro”, da norte-americana Lisa Jane Smith. A primeira trilogia (que está sendo lançada no Brasil) saiu lá fora em 1991. Assim como na saga “Crepúsculo”, os vampiros são colocados no contexto de jovens estudantes. Há, também, o inevitável “amor proibido” entre um deles e uma mortal.

Recentemente, Smith começou a lançar obras de uma nova trilogia de seu “Diários do Vampiro”, que coincidem com a adaptação dos romances numa série de TV homônima, exibida no Brasil pelo Warner Channel.

Na linha dos vampiros adolescentes há, ainda, “Academia de Vampiros”, de Richelle Mead, que conta as aventuras de duas jovens vampiras, uma princesa e sua guarda-costas. A série “Rua do Berro”, cujo primeiro lançamento no Brasil é “Dente de Vampiro”, leva esta mesma ideia do personagem para o universo infantil. A série de Tommy Donbavand ainda mantém certa proximidade com a literatura de horror, enquanto os livros para o público teen investem no drama e no romance.

O retorno do conde
Seguindo o modelo clássico do vampiro, “draculiano”, destacam-se as obras do brasileiro André Vianco, sucesso antes do “Crepúsculo”, mas que se beneficiou com a mídia extra que este ofereceu para o personagem.

Merece atenção “Anno Dracula”, do inglês Kim Newman, que a editora Aleph lança na próxima semana. A premissa do romance é pensar a Inglaterra com a vitória de Drácula sobre Van Helsing.

Personagem tradicional, cenário inusitado
Dentre os livros do recente boom da literatura vampírica, merecem destaques as reedições da obra de Nazarethe Fonseca. Em meados da década de 1990, a escritora maranhense lançou o primeiro volume da trilogia “Alma e sangue”. “O despertar do vampiro” (Aleph, 416 páginas, R$ 46)mostra o encontro de Kara Ramos, uma restauradora de prédios antigos, e Jan Kmam, um vampiro antiquíssimo, nas ruas de São Luís.

O livro ganhou uma segunda edição em agosto, pela Editora Aleph (responsável pelos melhores lançamentos na área de ficção-científica no Brasil). Agora é a vez do segundo volume da saga, “O império dos vampiros” (Aleph, 384 páginas, R$ 44). A ação se desenrola cinco anos depois dos eventos do primeiro livro. O atrativo é a tensão amorosa entre os protagonistas e a recorrência ao passado da cidade. O terceiro volume, “O pacto dos vampiros”, sai em 2010.
>> DIÁRIO DO NORDESTE – por Dellano Rios

Em catálogo Internacionais
“O Despertar – Diários do Vampiro (Vol. 1)”, de L.J. Smith.
(Editora Record, 240 páginas, R$ 24,90)
“O Confronto – Diários do Vampiro (vol. 2), de L. J. Smith.
(Editora Record, 224 páginas, R$ 29,90)
“Vampiros em Dallas”, de Charlaine Harris.
(Editora Arx, 256 páginas, R$ 39,90)
“Noturno”, de Chuck Hogan e Guillermo Del Toro.
(Rocco, 464 páginas, R$ 46,50)
“Rua do Berro – Dente do Vampiro”, de Tommy Donbavand. (Salamandra, 2009, 152 páginas, R$ 19,50)
“Os Últimos Dias – Vampiros em Nova York”, de Scott Westerfeld.
(Record, 336 páginas, R$ 42,90)

Nacionais
“Amor Vampiro”, vários autores.
(Giz Editorial,2008, 176 páginas, R$ 29)
“O Livro Vermelho dos Vampiros”, de Luiz Roberto Guedes (org.).
(Devir, 2009, 141 páginas, R$ 26)

Romance
“O Império dos Vampiros”, de Nazarethe Fonseca
(Editora Aleph – 384 páginas, R$ 44)


SEDENTOS POR SANGUE #2: OS PRIMEIROS VAMPIROS

Segunda-feira | 16 | Novembro | 2009

Entre lendas e mitos, verdades e suposições, a figura do vampiro teve sua origem estabelecida na Europa Centro-Oriental há cerca de 300 anos

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A lenda de Nosferatu: as primeiras imagens dos vampiros eram de monstros repugnantes e sem raciocínio que matavam suas vítimas sem pena em busca de sangue

A ideia de que existem criaturas tomadoras de sangue talvez tenha nascido junto com a humanidade, e, ao longo de toda a História, esses seres assustadores surgiram e ressurgiram repetidas vezes, em diferentes épocas e em incontáveis culturas ao redor do mundo. Nem todos, porém, influenciaram o surgimento e a evolução do mais famoso de todos: o vampiro.

O conceito do vampiro, tal como o conhecemos hoje, tem uma origem bem definida no tempo e no espaço: ele surgiu na Europa Centro-Oriental, em especial nos países eslavos, há pouco mais de trezentos anos. No começo, esse tomador de sangue só era conhecido pelos moradores de aldeias remotas e atrasadas.

Entre o final do século XVII e o início do século XVIII, porém, uma verdadeira epidemia de vampirismo espalhou-se pela Sérvia. O episódio permitiu que o termo vampiro atingisse o oeste europeu, mais desenvolvido e culto, uma vez que os relatórios oficiais e médicos sobre as mortes atribuídas aos vampiros introduziram a palavra em idiomas como latim, inglês, francês e alemão.

A figura do vampiro ganhou, então, as atenções nos círculos culturais mais sofisticados, em pleno coração do mundo ocidental. Na Alemanha e França, entre outros países, médicos, filósofos e religiosos estavam perplexos com os relatos de vampirização e discutiam o fenômeno como um possível fato médico. Logo eles se deram conta de que o vampiro não passava de um ser folclórico, mas já era tarde. O desmorto assassino já havia invadido e se instalado de vez na imaginação e na cultura da Europa.

Surgimento do mito
Na época em que surgiu, o vampiro não era só um mero fantasma ou assombração. Seu mito apareceu como explicação para acontecimentos reais, que a população inculta e sem acesso a informação ou ajuda externa não conseguia explicar de forma mais convencional.

É bem provável que a lenda tenha nascido da necessidade de explicar o alastramento de doenças epidêmicas, numa época e num lugar onde não se conheciam os mecanismos de contágio de enfermidades transmissíveis. Surgiu, assim, a crença de que o morto transformado em vampiro retornava da cova para atacar familiares e amigos, ou seja, pessoas com quem tivera contato mais estreito.

Essa situação nos lembra muito a transmissão de uma doença contagiosa, do doente para as pessoas mais próximas a ele. O intervalo que havia entre as mortes sugere o transcurso de período de incubação e de desenvolvimento dos sintomas do doença, antes da próxima vítima morrer. Várias enfermidades que poderiam dado origem ao mito vampiro foram sugeridas, como a peste bubônica, a tuberculose e a raiva. Outro fator que pode ter contribuído para o surgimento do vampiro folclórico foi a falta de conhecimento sobre o processo de decomposição cadavérica e de como ele pode ser perturbado por fatores externos. Assim, se uma exumação revelasse um cadáver muito menos decomposto do que o esperado, as pessoas lançavam mão da única explicação possível: a sobrenatural.

Seus ancestrais
O vampiro não nasceu simplesmente do nada. Ele derivou de antepassados mais antigos, por sua vez originários de diferentes pontos não só da Europa como da Ásia. Tais antepassados eram criaturas que já tinham alguma característica “vampírica”, mas não exibiam todo o conjunto que define o vampiro propriamente dito.

Os vampiros originais da Sérvia, ancestrais diretos do vampiro moderno, assimilaram características de cinco tipos diferentes seres sobrenaturais: os mortos-vivos, presentes no folclore por toda a Europa; os espíritos que fazem visitas noturnas, como os íncubos e súcubos da Igreja Católica; os seres que chupam sangue, como as estriges, bruxas da Roma antiga; os bruxos dos países eslavos e balcânicos, que faziam malefícios mesmo depois de mortos; e os licantropos ou lobisomens, pessoas que se transformavam em lobos e que voltavam após a morte para tomar sangue humano.

O vampiro ancestral eslavo assumiu e amalgamou características de todos esses seres sobrenaturais, mas estes não desapareceram do folclore. Alguns sobreviveram até os dias de hoje e podem ser reconhecidos na mitologia europeia e até na brasileira, como as bruxas e os lobisomens. De certa forma, poderíamos considerar o vampiro ancestral como uma criatura transgênica, que incorporou e transmitiu a seus descendentes características que originalmente eram de outras espécies.

Nasce um vilão
A partir do momento em que o vampiro ancestral invadiu a literatura e o teatro, em especial na Alemanha, França e Grã-Bretanha, ele começou a sofrer um processo de transformação e de adaptação ao ambiente cultural. Muitas de suas características originais foram perdidas ou alteradas, enquanto outras surgiam. De monstro repugnante e sem raciocínio, ele se tornou um nobre atraente e cínico, cheio de más intenções. O cenário deixou de ser a aldeia atrasada, e a criatura vampira passou a circular nas altas rodas e a viajar livremente entre países e até continentes, atrás de suas vítimas, em geral mocinhas lindas, indefesas e de boa família.

No final do século XIX, em 1897, saiu publicado o romance “Drácula”, do irlandês Bram Stoker, que estabeleceu de vez os traços principais do vampiro-vilão: um estrangeiro vindo de terras distante e exóticas, aristocrático, refinado e quase invencível. Nascia o vampiro moderno, que nas décadas que se seguiram dominou o mundo todo. Martha Argel e Humberto Moura Neto são biólogos e pesquisadores do vampiro na cultura popular. Publicaram “O Vampiro Antes de Drácula”, um estudo da evolução do vampiro no século XIX que reúne doze contos da época, incluindo autores ilustres como Edgar Allan Poe, Alexandre Dumas e H. G. Wells. Martha Argel tem ainda vários livros de ficção vampírica, incluindo o romance “O Vampiro da Mata Atlântica” (Idea, 2009) e seu blog é http://vampirapaulistana.blogspot.com

Livro
O vampiro antes de Drácula Martha Argel e Humberto Moura Neto
(Editora Aleph, 336 páginas, R$ 46)

>> DIÁRIO DO NORDESTE – por Martha Argel e Humberto Moura Neto


SEDENTOS DE SANGUE #3: MOCINHOS E VILÕES

Segunda-feira | 16 | Novembro | 2009

 

Robert Pattinson arranca gritos das adolescentes como um vampiro apaixonado

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A lista de atores que interpretaram vampiros é grande. Béla Lugosi e Christopher Lee se transformaram em ícones cinematográficos graças às diversas vezes que surgiram no cinema na pele do mais famosos dos vampiros, o Conde Drácula. Gary Oldman também já viveu o personagem, emprestando um ar romântico à cruel criatura que empalava sem pena suas vítimas na versão dirigida por Francis Ford Coppola.

Mas nem só de Dráculas vive a sétima arte e muitos outros vampiros causaram medo, repulsa ou seduziram e despertaram desejo. Muitos vilões e alguns mocinhos criaram um extenso repertório de vampiros que ganharam vida graças à magia despertada pela tela grande de cinema.

Talvez a versão mais horrenda de um vampiro seja a do ator Max Schreck, no clássico “Nosferatu” (1922). A representação de Schreck é tão arrepiante que o filme “A Sombra de um Vampiro” (2000) lança a dúvida de que o ator (interpretado por Willem Dafoe, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante pelo papel) era ou não mesmo um vampiro assassino.

Recentemente, bem antes de Robert Rattinson arrancar suspiros com seu alvo e esbelto Edward, na saga ´Crepúsculo”, tonou-se bastante comum representar vampiros como galãs. Talez o filme que melhor espelhe essa lógica seja a adaptação do romance de Anne Rice, “Entrevista com Vampiro”. No longa de 1994, dois dos maiores galãs da década de 1990 emprestam seus rostos para os trágicos Lestat e Louis (Tom Cruise e Brad Pitt, respectivamente). Antonio Banderas, começando sua carreira em Hollywood, e Kristen Dunst (“Maria Antonieta”) também estão na adaptação como um vampiro secular (Armand) e uma garota mordida por Lestat (Claudia).

Sangue na tela
Mas nem só de filmes de horror vivem os vampiros. Nos anos 1980, depois da interpretação pop dada por Tony Scott aos vampiros em “Fome Viver”, adaptado do romance de Whitley Strieber, as criaturas ganharam apelo juvenil na série cômica “A Hora do Espanto” (1985 e 1989) e no juvenil “Os Garotos Perdidos” (1989).

Depois do sucesso de “Matrix”, os vampiros ganharam roupas de couro e produções com muitos efeitos especiais. Caso das séries “Underwold – Anos da Noite” (2003, 2006 e 2009), da trilogia “Blade” (1998, 2002 e 2004) e do péssimo “Van Helsing – O Caçador de Monstros” (2004), que faz de modo desvirtuado de um dos personagens da obra de Bram Stoker.

Tratados com aprofundamento psicológico em filmes que discutem sua condição, retratados como monstros em produções que buscam o horror ou utilizados como meras desculpas para a inserção de efeitos especiais. Presentes em filmes de grande visibilidade que atraem multidões às salas de cinema ou em longas obscuros que ganham status de cult. Muitos filmes de vampiros são adaptações de livros (caso de “Crepúsculo”) ou de histórias em quadrinhos (“30 Dias de Noite”). Alguns adotam o tom da tragédia como elemento narrativo; outros apelam para a inocência. Sozinhos ou acompanhados com outros monstros (lobisomens são uma constante em filmes de vampiro, por exemplo), uma coisa, porém, é certa e não pode faltar em um bom exemplar audiovisual vampiresco: sangue, muito sangue. Os beijos e as mordidas vêm como acessórios.
>> DIÁRIO DO NORDESTE – FF


SEDENTOS DE SANGUE #4: UM BEIJO OU UMA MORDIDA

Segunda-feira | 16 | Novembro | 2009

Clique para Ampliar“DEIXA ELA Entrar”: o filme sueco narra a relação entre um garoto de 12 anos e uma vampira criança.

Clique para AmpliarVampiros em cena: “Fome de Viver”, “Entrevista com o Vampiro” e a saga “Crepúsculo” fizeram sucesso em diferentes épocas.

Sim, a literatura e, principalmente, Hollywood são os maiores responsáveis pela popularidade dos vampiros. São eles os responsáveis também por uma visão mais romântica dos vampiros, retratados como figuras trágicas e apaixonadas que veem a imortalidade como um mal e não como uma bênção. Mas a verdade em relação às lendas vampirescas é outra, e raramente os meios de comunicação são fieis à mitologia vampiresca.

“O vampiro, originalmente, é o cadáver que permanece vivo às custas do sangue que bebe dos vivos, os quais ele ataca furtivamente à noite”, descreve o jornalista Carlos Primati. “Sua natureza é maligna e ele é basicamente um monstro maldito como outros similares do folclore europeu (especialmente os carniçais e lobisomens)”.

Segundo Primati, esse conceito permaneceu inalterado, na literatura fantástica, até pelo menos o final do século XIX, quando Bram Stoker publicou “Drácula”. “O conde transilvano descrito por Stoker em seu livro é um ser asqueroso, destruidor e que espalha sua praga maldita por onde passa”, relata. “O filme mudo alemão ´Nosferatu, uma Sinfonia do Horror´, de 1922, é bastante fiel à essa imagem: o vampiro é grotesco, com rosto similar ao de um roedor”.

“O Drácula original não é romântico nem sedutor; é um equívoco as pessoas pensarem no vampiro desta maneira – pelo menos é um erro atribuir isso ao personagem criado por Bram Stoker”, acredita Primati, voraz consumidor de todos os filmes de horror, não só os protagonizados por vampiros.

“Essa imagem romântica provavelmente se deve à interpretação de Bela Lugosi, que transformou Drácula num aristocrata encantador e irresistível na versão para as telas de ´Drácula´, em 1931″, credita. “Basicamente, o fascínio em torno do vampiro se deve ao fato de ele ser imortal, independente e destemido. Re-interpretações do próprio ´Drácula´ fazem com que pareça invejável a situação do conde, que vive num castelo com três mulheres e tudo que faz é sugar o sangue dos vivos. De todos os monstros mitológicos, este parece ser o mais atraente ao senso-comum, especialmente por sua imortalidade”, explica o jornalista.

Evolução do homem
O sucesso dessa “nova” visão dos vampiros e o impacto causado por ela mudaram radicalmente a maneira de se imaginar o vampiro nos tempos modernos. Hoje, graças ao poder que o cinema e a televisão exercem no imaginário das pessoas, temos vampiros com dúvidas existenciais (os personagens das histórias de Anne Rice, que inspiraram o filme “Entrevista com Vampiro”); amaldiçoados e em busca da reencarnação do amor de sua vida (a bela versão de “Drácula” dirigida por Francis Ford Coppola); e vampiros modernos e figuras pop (“Fome de Viver”).

“Na verdade, a mídia praticamente ignora a mitologia clássica do vampiro, que seria mais próximo de um carniçal ou do que normalmente imaginamos como um zumbi nos filmes contemporâneos”, destaca Carlos Primati. “Os únicos filmes famosos que retratam o vampiro com as características da criatura que espalha praga e morte são as duas versões de ´Nosferatu´ – a de 1922, que citei anteriormente, e a refilmagem que Werner Herzog fez, em 1979, com Klaus Kinski no papel do morto-vivo”, cita.

“Estes são, em resumo, os únicos filmes nos quais a imortalidade e a necessidade de se alimentar com sangue humano são mostradas como maldição”, reforça o jornalista. “A grande maioria dos filmes mostra a condição de vampiro como uma grande vantagem sobre os seres humanos; não raramente, os vampiros são retratados como seres sobre-humanos, um estágio evoluído do homem”.

Reinvenção dos vampiros
Trágico, amaldiçoado, poderoso ou maligno, figuras que conquistam por meio de um beijo ou matam graças a uma mordida, os vampiros são personagens atualmente em voga. A versão adolescente dos vampiros explorada pela saga “Crepúsculo” ou acompanhada nos capítulos dos seriado “True Blood” (exbido no canal de assinatura HBO) é apenas um reflexo de um fascínio que perdura e tem se mantido constante desde a época do cinema mudo.

“Tal interesse é renovado de tempos em tempos com obras que despertam a atenção por algum aspecto novo, atraindo mais admiradores ao tema”, discorre Primati. “Para citar alguns dos filmes mais populares sobre o assunto, além das várias adaptações de ´Drácula´, vale destacar ´A Hora do Espanto´, de 1985, com seu estilo de horror cômico, ´Os Garotos Perdidos´, de 1987, que usou o vampiro como metáfora das ´tribos´ de jovens urbanos da década de 1980, e ´Anjos da Noite´, de 2003, que adaptou às telas a cultura dos RPG em estilo épico”, enumera.

Se Primati considera difícil citar obras que sejam ´fieis´ à mitologia clássica (com exceção de ´Nosferatu´), isso se dá em virtude do fascínio em torno dos vampiros se dever justamente à possibilidade de cada nova obra criar sua própria mitologia, de estabelecer novas regras e reinventar o vampiro. Isso justifica a profusão de novos livros e filmes lançados de tempos em tempos. Além de “Lua Nova” – que entra em cartaz na próxima sexta em volta de muita expectativa dos fãs para saber o desenrolar do romance entre a adolescente Bella (Kristen Stewart ) e o vampiro Edward (Robert Pattinson) -, outras produções também voltaram a dissecar o mito. O terror sueco “Deixa Ela Entrar”; a comédia trash ” Matadores de Vampiras Lésbicas”; e o sul-coreano “Sede de Sangue”. De produções independentes a produtos de grande orçamentos, os vampiros reinam.
>> DIÁRIO DO NORDESTE – por FF


“MARCAS NA PAREDE”: LANÇAMENTO DO LIVRO DE CONTOS SOBRENATURAIS, DE SUSPENSE E DE TERROR

Segunda-feira | 16 | Novembro | 2009

Marcas na Parede_capaA

Mesa-redonda sobre entrada no mercado editorial
marca lançamento do livro
Marcas na Parede.

A Andross Editora promove, no dia 21 de novembro, às 15h, a mesa-redonda Ingressando no mercado editorial, com as escritoras Cristina Lasaitis e Hanna Liis-Baxter, e mediação de Silvio Alexandre.

O evento, que será realizado na Biblioteca Temática de Literatura Fantástica Viriato Corrêa, é gratuito e marca o lançamento da antologia Marcas na Parede – Contos sobrenaturais, de suspense e de terror, que reúne 47 contos de novos autores.

Segundo o diretor Editorial da Andross, o escritor Edson Rossatto, o diferencial da editora com novos autores é o cuidado com as obras recebidas: “Não se trata de aprovado ou reprovado, pois isso limitaria muito a quantidade de obras publicadas, além de não dar oportunidade a quem tem criatividade, mas não tem técnica. Nenhum escritor nasce pronto. Por essa razão, a organizadora o auxilia na preparação de sua obra, desde a eliminação de palavras repetidas ou mal colocadas até a sugestão de parágrafos de maior clareza, entre outras coisas.

A programação segue, às 16h, com a leitura dramática de cinco contos da coletânea, com o intérprete Abel Xavier. Às 17h, está prevista a sessão de autógrafos com os autores.

A organização de Marcas na Parede – Contos sobrenaturais, de suspense e de terror foi feita pela escritora Hanna Liis-Baxter. Há escritores de vários estados brasileiros.

A Biblioteca Temática de Literatura Fantástica Viriato Corrêa fica na Rua Sena Madureira, 298, Vila Mariana, em São Paulo.

Sobre os debatedores
Silvio Alexandre é editor. Criou e dirigiu várias coleções de literatura fantástica. É o idealizador e organizador do “Fantasticon – Simpósio de Literatura Fantástica”, curador dos Festivais de Quadrinhos da Fnac (São Paulo, Brasilia, Curitiba e Porto Alegre) e membro da Comissão Organizadora do Troféu HQMIX, o principal prêmio dos quadrinhos no Brasil.

Cristina Lasaitis é escritora e biomédica pela Unifesp, onde atua como pesquisadora na área de Neurociências. É co-autora das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” Tarja), revista “Scarium” (Scarium Info), “FC do B” (Book House Boys), “Paradigmas, volume 1″ (Tarja) e “Todas as Guerras” (Bertrand) ; e autora do livro “Fábulas do Tempo e da Eternidade” (Tarja).

Hanna Liis-Baxter é formada em Jornalismo pela UniSantos — Universidade Católica de Santos. Mantém o blog sobre cultura http://cinegrapho.blogspot.com. Produziu três curtas-metragens. Publicou nos livros “Anno Domini – Manuscritos Medievais”, “Dias Contados – Contos sobre o fim do mundo” e “Dimensões.BR – Contos de literatura fantástica no Brasil”, todos da Andross Editora.

Sobre a Andross Editora:
Com cinco anos de mercado e 38 títulos publicados, a Andross Editora nasceu no campus da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, para abrir espaço no mercado aos alunos que não tinham condições de publicar seus primeiros textos. Iniciou as atividades com obras acadêmicas, mas cresceu e se manteve no mercado graças a um modelo de negócio diferenciado: a publicação de antologias. Até hoje, a editora já lançou 22 livros deste tipo.

Serviço

MARCAS NA PAREDE – CONTOS SOBRENATURAIS, DE SUSPENSE E DE TERROR.
Vários autores – Organização de Hanna Liis-Baxter.

DATA: 21 de novembro de 2009, das 15 às 19 horas

PROGRAMAÇÃO:
15h : Mesa-redonda Entrando no mercado editorial.
16h : Leitura dramática de contos do livro Marcas na Parede.
17h : Sessão de autógrafos.

LOCAL: Biblioteca Viriato Correa de Literatura Fantástica – R. Sena Madureira, 298, Vl. Mariana, São Paulo, SP.
ENTRADA GRATUITA


ATAQUE DE PANICO!

Segunda-feira | 16 | Novembro | 2009

ATAQUE DE PANICO

Alta tecnologia e baixo orçamento. É a receita do uruguaio Federico Alvarez no curta Ataque de Panico. Assim como Neil Bloomkamp em seu Alive em Joburg (curta que deu origem ao blockbuster District 9), Alvarez tira Nova York e os Estados Unidos do circuito e mostra uma Montevidéu invadida por robôs gigantes no curta escrito e dirigido por ele.

Alvarez faz parte do time da Murdoc Films, coletivo uruguaio que produz curtas, videoclipes e comerciais de TV. Com menos de uma semana no ar, Ataque de Pánico já contabiliza mais de 140 mil exibições no youtube.
>> UARÉVAA – por Jack Starman – 3/04/2008

Confira o curta:


CHINA MIÉVILLE: CINCO RAZÕES PARA SERMOS GRATOS À TOLKIEN

Sábado | 14 | Novembro | 2009

O autor China Miéville, um dos maiores nomes das nova geração de autores de fantasia, publicou no dia 15 de junho em seu blog um artigo falando sobre a obra tolkieniana. Conhecido por não ter “papas na língua” ao criticar a obra de Tolkien, Miéville desta vez nos apresenta uma lista de razões pelas quais devemos ser extremamente gratos à Tolkien. Não sem antes comentar, que em sua essência nem todas as críticas ao trabalho do professor são sem fundamento. Na verdade, segundo ele, existem argumentos perfeitamente razoáveis sobre o impacto, a natureza, a escala e o sucesso do trabalho do Tolkien. Argumentos esses não somente sobre o que é lamentável em Tolkien, mas, também sobre o que é indispensável. Mas vamos deixar de lero-lero e conhecer as razões que temos, segundo Miéville, para sermos gratos a Tolkien.

A primeira razão está no fato de Tolkien esmerar-se em delinear e glorificar em sua obra a Magia Nórdica, para Miéville este era o brado que faltava para aqueles que sempre lamentaram a hegemonia dos clássicos classicistas e a falta de calor nos mitos gregos e romanos.

A Tragédia quem diria, é a segunda razão. Para Miéville ao contrário do que muitos possam achar a história tolkieniana é trágica. No final, nem todas as lágrimas nos olhos dos personagens e dos leitores são expressões de felicidade. Se por um lado, os bons ganharam, por outro a “vergonha” que a época representa contribui para diminuir a Glória. Vendo por este prisma, é impossível negar isso. Se a união de personagens tão diversas por uma causa maior demonstra a grandeza da obra, o fato dessa união ser necessária é só um fato a mais para comprovar que a decadência da Terra Média caminhava a passos largos, e sim isso é trágico!

“O episódio do Expurgo do Condado conclui bem, naturalmente, na medida em que ocorre, mas em relação à sua própria insignificância é apenas aquilo que foi, é brilhantemente insatisfatório, anunciando uma era de paródias de epopéias degradadas, onde não são apenas os elfos que vão: você não pode sequer mais obter um bom Senhor do Escuro. Qualquer que seja a visão que temos como a unidade por trás da visão trágica de Tolkien e, no entanto, dizem respeito à sua política e estética, a tragédia da desordem cotidiana da Terra Média, confere uma poderosa melancolia lamentavelmente ausente em muito do que seguiu. Isso merece ser celebrado e cultivado.” 

(…)

 “Podem falar o que quiser de Tolkien, mas o fato é que ele criou bons monstros. Shelob, Smaug, o Balrog… Com seus espantosos nomes e a descrição vivaz de suas malevolências. Ninguém mais pode descrever sobre aranhas gigantes a não ser através de Shelob, todos os dragões são agora auxiliares. E assim por diante.” 

A terceira razão está justamente aí, mas mais precisamente no Monstro na Água: o fato de Tolkien utilizar a técnica de esconder mais do que revelar é o que garante o diferencial aqui. Sabemos muito pouco sobre a criatura de muitos braços que habita o lago em Moria. E isto é o que a torna sobrenatural e fantástica, a incerteza que paira sobre a criatura só a torna mais forte e mítica.

A quarta razão remete a Alegoria. E talvez agora, os fãs mais afoitos devem estar pensando que este cara é doido afinal Tolkien sempre falou que sua obra não era alegórica e sim que possuía uma aplicabilidade variada ao pensamento e à experiência do leitor. É, é justamente por aí que Miéville passeia. Segundo ele, a obra de Tolkien é rica em metáforas. E aqui cabe explicar justamente a diferença entre alegoria e metáfora: a última é fecunda, polissêmica, geradora de significados, mas evasiva de estabilidade; a alegoria é fecunda e interessante em grande parte, até que falha. Ao negar a alegoria, Tolkien recusa a noção de que uma obra de literatura é de certa forma redutora, principalmente, exclusivamente, ou mesmo “sobre” qualquer outra coisa, de forma restritiva e precisa. 

“O problema não é o fato de que a alegoria exagere inutilmente sobre o ’significado’ de uma história ‘pura’, mas sim o fato de que ela a reduz criminalmente.
Se Tolkien iria seguir todo o caminho com este argumento não é o ponto aqui: a questão é que o seu “desagrado cordial” é absolutamente fundamental para o projeto de criação de uma ficção fantástica viva e irredutível em si, tornando a ficção digna deste nome.”

A última razão, mas não menos importante é a Subcriação:
E na falta de palavras que melhor pudessem explicar o que o termo significa, recorro às palavras de Tolkien sobre o assunto.

 “(…)A filologia foi destronada do lugar elevado que ocupava neste tribunal de inquérito. A opinião de Max Müller, a visão da mitologia como “doença da linguagem”, pode ser abandonada sem remorso. A mitologia não é nenhuma doença, porém pode adoecer, como todas as coisas humanas. Da mesma forma alguém poderia dizer que o pensamento é uma doença da mente. Estaria mais próximo da verdade dizer que as línguas, em especial as européias modernas, são uma doença da mitologia. Mas ainda assim a Linguagem não pode ser descartada. A mente encarnada, a língua e o conto são contemporâneos em nosso mundo. A mente humana, dotada dos poderes de generalização e abstração, não vê apenas grama verde, discriminando-a de outras coisas (e contemplando-a como bela), mas vê que ela é verde além de ser grama. Mas quão poderosa, quão estimulante para a própria faculdade que a produziu, foi a invenção do adjetivo: nenhum feitiço ou mágica do Belo Reino é mais potente. E isso não é de surpreender: tais encantamentos de fato podem ser vistos apenas como uma outra visão dos adjetivos, uma parte do discurso numa gramática mítica. A mente que imaginou leve, pesado, cinzento, amarelo, imóvel, veloz também concebeu a magia que tornaria as coisas pesadas leves e capazes de voar, transformaria o chumbo cinzento em ouro amarelo e a rocha imóvel em água veloz. Se era capaz de fazer uma coisa, podia fazer a outra, e inevitavelmente fez ambas. Quando podemos abstrair o verde da grama, o azul do céu e o vermelho do sangue, já temos o poder de um encantador em um determinado plano, e o desejo de manejar esse poder no mundo externo vem a nossa mente. Isso não significa que usaremos bem esse poder em qualquer plano. Podemos pôr um verde mortal no rosto de um homem e produzir horror, podemos fazer reluzir a rara e terrível lua azul, ou podemos fazer com que os bosques irrompam em folhas de prata e os carneiros tenham pelagem de ouro, e pôr o fogo quente no ventre do réptil frio. Mas numa “fantasia”, tal como a chamamos, surge uma nova forma: o Belo Reino vem à tona, o Homem se torna subcriador.
Assim, um poder essencial do Belo Reino é o de tornar as visões da “fantasia” imediatamente efetivas através da vontade. Nem todas são belas, nem mesmo salutares, certamente não as fantasias do Homem decaído. E ele maculou os elfos que têm esse poder (em verdade ou fábula) com sua própria mácula. Este aspecto da “mitologia” – a subcriação, não a representação ou interpretação simbólica das belezas e dos terrores do mundo – é muito pouco considerado, em minha opinião. (…)”

J. R. R. Tolkien
Sobre Histórias de Fadas, pp. 28-29.

Que a Terra Média não foi o primeiro mundo a ser inventado é sabido. Mas a forma como esse mundo é encarado e gerido é o que representa a revolução. Anteriormente, era consenso que o mundo mágico tinha papel secundário para o enredo. Tolkien foi o arauto do que se mostrou uma inversão extraordinária: o mundo vem primeiro, e só então as histórias ocorrem, dentro dele. Quer se comemore ou lamente este fato, esta forma de abordagem literária é incrivelmente poderosa. 

Miéville finaliza o seu artigo da seguinte forma:

“Nunca faltam elogios à Tolkien, mas isso não é razão para não repetir aqueles mais merecidos, ou, mais ainda, de salientar a razões negligenciadas por justificados e fervorosos elogios.”

Talvez Miéville ainda não tenha se dado conta, mas parece-me que ele também já está sendo “fisgado” pela obra do professor. E ter um autor reconhecido elogiando a obra tolkieniana não pelos aspectos aos quais estamos mais acostumados e sim por outros menos alardeados é sem dúvida nenhuma muito representativo.

Algumas informações sobre o autor:
China Miéville é inglês, escritor de ficção fantástica e membro do Partido Socialista Operário. É autor dos romances Rei Rato, Perdido Street Station, The Scar e Iron Council. Pertence a um grupo de escritores por vezes chamado de Weird Fiction (“Ficção Estranha”), os quais conscientemente tentam manter-se longe das fantasias do gênero Tolkien.

Vocês podem ler o artigo de China Miéville na íntegra em seu blog Omnivoracious

>> VALINOR – por Nubia Esther de Oliveira Miranda


‘O HOBBIT’: GUILLERMO DEL TORO CONFIRMA PARTICIPAÇÃO ESPECIAL NO FILME

Sábado | 14 | Novembro | 2009

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Guillermo Del Toro apareceu em um programa de televisão na Alemanha, onde ele revelou que não somente irá dirigir a adaptação cinematográfica de O Hobbit, como também fará uma participação especial na mesma. Segundo o diretor, ele fará “um pequeno monstro”. Ele irá se transformar em uma pequena criatura, nada importante, só um cara de fundo.

Ao site TheOneRing, Del Toro deu mais detalhes, dizendo que ajudará no design de seu próprio personagem, bem como irá esculpir pessoalmente os moldes que serão aplicados em suas mãos e rosto. O diretor disse ainda que dirá uma fala ou duas e morrerá rápido.

O primeiro filme de O Hobbit chega aos cinemas no final de 2011.
>> JOVEM NERD – por PoLLaR – 3/04/2008


OS CONTOS DE FADAS E A SANIDADE MENTAL: A VISÃO DE G. K. CHESTERTON E J. R. R. TOLKIEN

Sábado | 14 | Novembro | 2009

Vida de juiz de Corte Superior. Estressante, quer pela quantidade de processos a resolver, quer pela responsabilidade de não se cometer injustiça ao deslindar os casos mais complexos. Perto de 50 processos a despachar por dia, cifra humanamente impossível de se dar conta, sem (ou mesmo com) uma assessoria qualificada e numerosa, em torno de 25 gabaritados bacharéis, mas que devem ser formados ad mentem judicem. Sessões longas de julgamento, em que nem sempre todos os elementos dos autos são dominados pelo julgador. E atendimento a advogados, que buscam convencer de que a razão está com seus clientes e esperam alguma sinalização de que terão ganho de causa. Tantas ocupações e preocupações, afora aulas, escritos, família e amigos, parecem não caber num dia de 24 horas. O recurso a Deus é contínuo, como sentido de tudo o que se faz, mas também para não perder a paciência e para resolver com sabedoria tantas causas e problemas alheios. Ingredientes suficientes para colocar à prova a saúde física e mental de qualquer um.

    Vida não diferente da de tantos homens e mulheres da moderna sociedade de consumo e produção em massa, informatizada e globalizada, que se dedicam a ganhar o seu pão de cada dia com sacrifício nas mais diversas áreas de atividade humana (médicos, advogados, engenheiros, professores, comerciantes, empresários…), correndo atrás de clientes (para ter serviço ou receber por eles), estudando para passar em concursos (cada dia mais difíceis e concorridos), lutando para compaginar dois ou três empregos simultâneos (senão não se consegue pagar o aluguel do apartamento), enfrentando a concorrência desleal (desde o meio acadêmico ao negocial), suportando chefes iracundos e superlativamente exigentes (perfeccionistas mesmo) e procurando atender da melhor forma possível seus demais compromissos profissionais, familiares, religiosos e sociais. Há momentos em que, diante de tanta pressão e tensão (a corda do arco da vida está continuamente tencionada), dá vontade de repetir o que se viu numa pichação de muro de casa: Parem o mundo que eu quero descer!

    Será que não existe alguma outra válvula de escape ou de proteção da sanidade física e mental dos habitantes do planeta submetidos à azáfama da vida moderna, em que a rapidez das respostas num mundo dominado pelos computadores leva à necessidade de que as decisões sejam também rápidas, para não se perder no jogo da vida? Josef Pieper (1904-1997), filósofo alemão, dizia (na obra O que é Filosofar? O que é Acadêmico?) que a filosofia, a religião, a arte, o amor e a morte seriam os cinco elementos que teriam o condão de provocar um abalo no sujeito, capaz de fazer transcender o mundo do trabalho: é a natural admiração (o mirandum aristotélico), que faz desligar das atividades do dia a dia, percebendo que há algo mais no mundo além de produzir, ganhar dinheiro, conquistar poder ou obter reconhecimento social.

    Pois bem, para o homem de negócios de uma sociedade globalizada da era da informática, esse abalo existencial ou válvula de escape renovadora que a arte pode provocar (sem deixar de considerar o outros quatro elementos) pode vir das mais variadas manifestações estéticas, desde a música, poesia, pintura, escultura, dança… até os contos de fadas. O que teriam eles de especialmente candente a ponto de serem, mais do que outras manifestações artísticas, capazes de preservar ou recuperar a sanidade psicológica ao homem comum, trabalhador e pai de família?  
 
Em 1939, J. R. R. Tolkien (1892-1973) publicou na Inglaterra um ensaio intitulado “On Fairy Stories”, expondo as três funções que, a seu ver, os contos de fadas desempenhariam na vida humana, que seriam:
a) terapia de restauração para a alma em relação à atividade produtiva e laborativa absorvente;
b) sã evasão dos problemas angustiantes do dia-a-dia, encontrando um mundo de sonhos que engloba as mais elevadas aspirações humanas; e
c) consolo da alegria, que não se confunde com um gozo meramente evasivo da realidade, mas que constitui um eco da vida real (satisfação dos desejos humanos primordiais, de sabedoria, amor e beleza, como também de comunicação com todos os seres viventes).

    Parem o mundo que eu quero descer! Quantas vezes não é precisamente esse o grito abafado que assoma aos lábios e ecoa na mente, em dias de especial pressão, derrotas ou fracassos. Em tempos de pressão, estresse e cansaço mental, sair do mundo do trabalho e penetrar num outro mundo, semelhante mas diferente daquele em que vivemos, pode ser a terapia restauradora da alma.

    Um mundo diferente é importante, para desligar das preocupações do dia-a-dia e aliviar a pressão interior de decisões a tomar ou trabalhos a concluir. E que seja um mundo semelhante é também de fundamental importância, pois só quando há similaridade com o mundo real se consegue a ressonância interior que atrai e cativa a alma, vendo-se retratada nas ações nobres ou vis dos personagens que povoam esse mundo diferente.

    A literatura fantástica, como é conhecida a literatura de fantasia ou dos contos de fadas, tem muito a oferecer ao homem moderno nesse sentido, como o fez em séculos passados, preservando aquilo que G. K. Chesterton (1874-1936) mais prezava: o senso comum e o bom humor.

    “A minha primeira e última filosofia, aquela na qual acredito com uma certeza inquebrantável, foi a que aprendi na escola maternal. A babá, essa grave sacerdotisa da democracia e, ao mesmo tempo, da tradição, foi quem, de maneira geral, ensinou-a a mim. As coisas nas quais mais acreditava, na época, e as coisas nas quais mais acredito agora são os chamados contos de fadas. Tais contos são, a meu ver, absolutamente racionais. Não são fantasias: as outras coisas é que, comparadas a eles, parecem-me fantásticas. Comparados a eles, a religião e o racionalismo são coisas anormais, embora a religião seja uma coisa anormalmente certa e o racionalismo uma coisa anormalmente errada. O País das Fadas não é outra coisa senão o ensolarado país do bom senso” (“Otodoxia”, LTr – 2001 – São Paulo, pg. 71).

Chesterton, no capítulo “A Ética da Terra dos Elfos”, do livro “Ortodoxia”, procura mostrar como os contos de fadas retratam, na sua lógica interna, um dos traços básicos do Cristianismo e do senso comum: o princípio da felicidade condicionada, ou seja, de que toda a alegria humana está condicionada à observância de umas regras morais mínimas, que, desprezadas, acabam por quebrar o encanto e a harmonia da vida.

Nesse ponto se verifica a similaridade com o mundo real. Chesterton traça o paralelismo entre o pecado original (tudo é permitido ao homem no paraíso, à exceção do fruto da árvore da ciência do bem e do mal) e as condições colocadas às fabulosas façanhas dos personagens de contos de fadas (Gata Borralheira que deve voltar do baile à meia-noite; Bela Adormecida que não pode se  ferir numa roca; etc). Esse realidade é bem retratada nas obras de Tolkien, nas quais a disputa pelos “Silmarils” e pelos “Anéis do Poder” é o exemplo emblemático da não aceitação, pela criatura, dos limites impostos pelo Criador, provocando a sua ruína (vide, por exemplo, a rebeldia de Morgoth contra Illuvatar; a dos numenorianos contra a proibição de navegar para o Ocidente; etc), mas com a subseqüente vitória da humildade sobre o orgulho, com o restabelecimento da harmonia quebrada (Elendil escapando do naufrágio da ilha de Númenor; Frodo e Sam salvando o mundo civilizado, com o cumprimento da missão de destruir o Um Anel).

O sentido do dever nos personagens tolkianos e o respeito a um Código de Ética que não é estabelecido pelos personagens, mas lhes vem imposto pela sua própria natureza de seres criados, é uma constante em todos os contos e livros de fantasia, explicando, em muito, o caráter atrativo das lutas e dramas de todas essas estórias.

Ora, não apenas a juventude, mas também a idade madura e a terceira idade, vive buscando paradigmas que encarnem os ideais de sabedoria e fortaleza, nobreza e beleza, simplicidade e paciência, que transparecem nas aventuras de muitos dos heróis e heroínas das estórias de fantasia antigas e modernas, hoje transformadas em filmes:

a) Na saga de “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R.Tolkien, quem não se identifica, em muitas de suas circunstâncias de vida, com Frodo Baggins ou Sam Gamgee, ao tomar consciência da grandeza da missão que têm nesta Terra, não obstante a carência de talentos e virtudes para cumpri-la? Quem não gostaria de ter a prudência de Gandalf ou a nobreza de Galadriel? Quem não passou pela angústia de um amor impossível como Éowyn (encontrando, depois, seu verdadeiro companheiro de jornada) ou pela necessidade de passar oculto por tanto tempo e lutar perseverantemente em tantas frentes, até recuperar aquilo que lhe era devido e ver sua condição real reconhecida, como Aragorn?

b)  Nos “Contos de Narnia”, de C. S. Lewis (1898-1963), quem não se encanta com os irmãos Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia Pevensie, passando do mundo real ao de Narnya, sempre enfrentando em fraterna união (mesmo com rupturas ocaionais) os dramas por que passam na terra maravilhosa da fantasia?

c) Nas aventuras de “Harry Potter”, de J. K. Rowling (1965), a vida familiar e acadêmica atribulada de Harry é um retrato da vida de tantos e tantos estudantes, que com ele e seus inseparáveis amigos Roney Wisley e Hermione Granger se identificam, fazendo paralelismos entre o que acontece no mundo dos bruxos e o que passamos neste nosso mundo de trouxas.

d) Na hexalogia de “Star Wars”, de George Lucas (1944), Luke Skywalker (dominando sua ira para não sucumbir frente ao Lado Negro da Força), a Princesa Leia Organa (valorizando seu amor a Hans Solo, sem se entregar facilmente), os Mestres Jedi Obi-Wan Kenobi e Yoda (com sua prudência sendo mais louvável que sua força), sem falar nos dramas pessoais de Padmé Naberrie e Qui-Gon Jin, são colocados como ícones admirados e emulados na vida de tantos jovens e menos jovens, na luta diária entre o bem e mal que se trava no coração, no trabalho e nas relações sociais.

e) Na “História sem Fim”, de Michael End (1929-1995), a busca de Atreiú (ajudado por Bastian Balthazar Bux) pelo que poderia salvar o Reino da Fantasia e a Rainha Criança é a materialização da tese tolkien-chestertoniana da restauração da alma pela literatura fantástica, pois o tema central do livro é o poder de cura da imaginação, representado pelo estado em que Fantasia se encontra até que alguém a salve, ao reconstrui-la baseado em novas idéias e novos sonhos.

    S. Agostinho (354-430), em sua “A Cidade de Deus”, que pode ser considerada a primeira obra de Filosofia da História, fala de duas histórias paralelas se desenvolvendo no mundo: uma visível (a construção da “Cidade Terrena”), com a sucessão dos impérios e do progresso tecnológico, e outra invisível (a construção da “Cidade Celeste”), com a santificação das almas, pedras vivas que comporiam, com o tempo, o “Reino dos Céus”.   

    Ora, a importância e o papel das pessoas no desenvolvimento da história humana somente poderá ser aquilatado no final dos tempos, sendo que aqueles que aparentemente não fizeram nada de relevante podem ter sido os mais importantes (como, na saga do Anel, os hobbits). Daí que as perspectivas do real e do ideal, do mundano e do sagrado, do pequeno e do grande, do temporal e do eterno, adquirem sua mais plena dimensão quando contrastadas entre si e fundidas em plano no qual, sabendo-se distinguir as diferentes perspectivas, consegue-se aproveitar de cada uma o que tem de mais complementar às nossas deficiências.

    Nossa vida real e o mundo de fantasia no qual nos refugiamos nos momentos de lazer, acompanhando as aventuras dos heróis com os quais mais nos identificamos, são, também, histórias paralelas, que se cruzam e interpenetram, servindo as virtudes vivenciadas pelos personagens de exemplo e estímulo para nossa luta diária contra a preguiça e o desânimo, a vaidade e a sensualidade, a ira e a inveja, a avareza e a intemperança. A diferença é que a nossa aventura é mais bonita e emocionante, porque é real.

    Platonicamente falando, os contos de fadas são o mundo ideal, no qual encontramos os arquétipos de homens e mulheres com defeitos e virtudes equilibradamente distribuídos, passíveis de serem admirados e imitados. Olhando para eles, sentimo-nos quase que acompanhados em nossa caminhada no mundo real, vivendo situações semelhantes às que eles passaram, o que consola e anima, já que são eco de experiências humanas captadas e tão bem expostas pelos autores das sagas.

E mais. Não há atividade profissional que não dependa de muita imaginação para se resolver os problemas que apresenta. Arnold Toynbee (1889-1975), notável historiador inglês, em seu “Um Estudo da História”, sustentava que o elemento chave do desenvolvimento das civilizações seriam as respostas criativas aos desafios que o meio, quer ambiental, quer humano, apresentasse ao homem de cada época ou lugar. Não terá a literatura fantástica um papel a desempenhar na busca de novos caminhos e novas soluções para os problemas que afligem a sociedade moderna, arejando as mentes e distendendo os espíritos, permitindo olhar para o mundo com uma nova perspectiva?

    Enfim, os embates diários da vida real serão melhor enfrentados e vencidos, num clima de distensão, bom humor e esportividade, por aqueles que sabem recuperar as forças e expandir a mente, tanto cultivando uma sólida vida interior quanto escapando temporariamente para um mundo povoado de seres fantásticos (o próprio homem é um ser fantástico!), capazes de fazer rir e chorar, pensar e amar, decidir e mudar, para melhor, o mundo real em que vivemos.
>> VALINOR – por IVES GANDRA DA SILVA MARTINS FILHO (Ministro do Tribunal Superior do Trabalho e Membro do Conselho Nacional de Justiça)


‘A TORRE NEGRA’: STEPHEN KING VAI ESCREVER MAIS

Sábado | 14 | Novembro | 2009

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O autor norte-americano Stephen King revelou em uma palestra que escreverá um novo volume de A Torre Negra. Será o oitavo, e de acordo com o autor, terá uma história que aprofundará a vida dos personagens secundários da série entre os volumes Mago e Vidro e Lobos de Calla, quarto e quinto livros, respectivamente.

De acordo com King, o nome do livro será The Wind Through The Keyhole. Ele ainda disse que demorará pelo menos oito meses para começar a escrevê-lo.

A Torre Negra é um romance épico em sete volumes escrito pelo mestre moderno do terror, Stephen King. Desde o lançamento do primeiro volume da saga, intitulado O Pistoleiro, até o último, intitulado A Torre Negra, passaram-se 33 anos.

Permeando toda obra do escritor, A Torre Negra é a história de Roland de Gilead, descendente da linhagem dos Eld, os reis do Mundo Médio – uma dimensão ameaçada pela queda da torre que dá nome ao livro. É nesta torre que está o centro de todas as dimensões existentes. Roland, o último pistoleiro deste mundo, é o único que pode impedir a queda da Torre. Ele e seu ka-tet, um grupo de pessoas que o pistoleiro encontra em sua jornada, todos unidos pelo destino.

Em 2007, a Marvel Comics começou a lançar a adaptação da obra em quadrinhos, escrita por Peter David e Robin Furth, com arte de Jae Lee e Richard Isanove. Stephen King é consultor da adaptação.
>> HQ MANIACS – por Artur Tavares


‘UNDER THE DOME’: STEPHEN KING ATRASA E-BOOK PARA AJUDAR LIVRARIAS MENORES

Sábado | 14 | Novembro | 2009

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O escritor Stephen King atrasou o lançamento de seu novo romance “Under the Dome” (ainda sem versão nacional) em formato digital, pois quer ajudar as livrarias pequenas. O livro começou a ser vendido no último dia 10 nas livrarias norte-americanas, mas só será lançado em formato digital a partir de 24 de dezembro.

O autor não é contrário aos e-books, tendo lançado diversos volumes como “Riding the Bullet” e “Ur” digitalmente antes de no formato impresso e sendo um fiel dono de um leitor digital “Kindle”, mas afirmou em uma entrevista ao “The Wall Street Journal” que queria ajudar livrarias menores a vender seu livro e ganhar algum dinheiro. Ele afirmou que os vendedores de e-books, por possuírem custos de produção e distribuição muito reduzidos, acabam tendo uma vantagem competitiva sobre as livrarias convencionais.

De fato, grandes best-sellers como o de King acabam sendo colocados em pré-venda por menos de 10 dólares, preço impossível para as livrarias menores, especialmente com uma guerra de preços entre gigantes como Wallmart, Target e Amazon.

Outros autores norte-americanos estão adotando a mesma estratégia para capitalizar as vendas de fim de ano. As memórias de Ted Kennedy e Sarah Palin também tiveram o seu lançamento digital atrasado para aquecer a venda dos livros impressos.
>> FOLHA DE SÃO PAULO


HISTÓRIAS EM QUADRINHOS E VESTIBULAR

Sexta-Feira | 13 | Novembro | 2009


Quadrinhos de Henfil – sátiras aos contextos político-sociais

Não são apenas os textos didáticos ou as aulas expositivas que trazem conhecimentos aos pré-vestibulandos, existe uma gama de literaturas e informativos que preparam o aluno para o exame, de forma qualitativa.

Os quadrinhos também trazem um bom suporte educacional, pois falam a mesma linguagem dos jovens e podem facilitar a compreensão de vários temas, como guerras, fatos históricos, período imperial, dentre outros, levando para os estudantes uma forma crítica e satírica de perceber como tais fatos aconteceram.

Ler quadrinhos não significa que o aluno seja demasiadamente infantil ou alienado com o mundo e a realidade que o cerca, mas uma forma de juntar conhecimento, cultura e entretenimento.

Alguns quadrinhos trazem abordagens históricas e interessantes, criando condições de se envolver com os temas deliberados para o ensino médio, citados abaixo como uma opção para que estudantes se inteirem dos assuntos.

Dom João Carioca (Lilia Moritz S. e Spacca) – é um quadrinho que faz uma abordagem satírica da vinda da corte portuguesa, em 1807, para o Brasil, para fugir da guerra napoleônica.

Gen – Pés Descalços (Keiji Nakazawa) – um texto autobiográfico que conta a história de um garoto de seis anos que viveu em Hiroshima, no Japão, sofrendo as conseqüências do fim da II Guerra Mundial.

Maus (Art Spielgerman) – com o título de vencedor do prêmio Pulitzer, o autor conta, através dessa fábula, a história de vida de seu pai, um judeu que sobreviveu aos campos de concentração, caracterizando as pessoas como animais: judeus – ratos (maus em alemão); alemães – gatos e americanos – cachorros.

Uma História de Sarajevo (Joe Sacco) – esse jornalista faz uma abordagem sobre a história de Sarajevo, capital da Bósnia, e a destruição de uma guerra civil que atingiu a população bósnia, sérvia e croata.

Toda Mafalda (Quino) – esses quadrinhos retratam, em forma de sátira, a vida de uma menina de sete anos, que vivia em Buenos Aires, Argentina, na década de setenta, onde os conflitos políticos e sociais estavam em evidência. É uma personagem muito inteligente, que embora criança, tem conhecimentos de literatura, política e filosofia.

Além desses, alguns jornais de circulação nacional trazem quadrinhos sérios, que abordam os problemas sociais, de forma qualitativa, o que também é fundamental para a formação do pré-vestibulando, a fim de proporcionar a consciência crítica da realidade que nos cerca. Henfil (Henrique de Sousa Filho) foi um dos grandes nomes da história cartunista e quadrinista do Brasil. Hoje temos Cacco Galhardo, da Folha de São Paulo, que publica a tira “Os Pescoçudos” uma vez por semana, e já teve alguns personagens seus transformados em desenhos animados.
>> BRASIL ESCOLA – por Jussara de Barros


“NEGRINHA” E “AYA DE YOPOUGON”: DOIS RECORTES DA JUVENTUDE NEGRA

Sexta-Feira | 13 | Novembro | 2009

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Depois da exposição sobre quadrinhos africanos (LEIA), coincidentemente começam a chegar em nossas prateleiras as HQs do continente vizinho. Dois belos livros em quadrinhos estão disponíveis e fazem parte do catálogo da editora francesa Gallimard Jeunesse.O mote do Ano da França no Brasil pode ter contribuído, mas a qualidade de “Negrinha” (Desiderata) e “Aya de Yopougon” (L&PM) podem endossar o coro dos leitores ávidos por mais títulos made in Africa.

Negrinha” mostra o ponto de vista de dois franceses sobre o Rio de Janeiro dos anos 50, no entanto sem os clichês tradicionais. Olivier Tallec (desenhos) e Jean-Christophe Camus (texto) – este filho de um francês com uma brasileira – contam a história de Maria, uma menina morena de 13 anos que mora em Copacabacana, cuja mãe, Olinda, é uma negra que tem preconceito com outros negros e faz de tudo para esconder da filha sua origem humilde. “Uma morena de Copacabana não é uma negrinha da favela”, diz uma tia de Maria quando esta vai a favela conhecer sua avó e seus parentes. Na verdade, o preconceito é mostrado por uma via de mão dupla, tanto por parte de quem mora no morro quanto de quem está no asfalto.

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No entanto, Maria é uma menina inocente que vê beleza em tudo, cercada por personagens secundários como a dondoca que gasta dinheiro com bebidas e jogo do bicho, o porteiro galanteador e, claro, o vendedor de amendoins batizado de Toquinho, provavelmente em homenagem a época bossanovista da então capital do país. Apaixonada pelo menino, Maria descobre o samba na favela Pavão-Pavãozinho e que, de certa forma, todo mundo é meio parente nas comunidades menos favorecidas economicamente. Os desenhos em aquarela reforçam a poesia desta bela história de amor e descobertas.

COMO SER JOVEM NA COSTA DO MARFIM DOS ANOS 70
Por sua vez, em “Aya de Yopougon # 1“, Clément Oubrerie (arte) dá forma a história de Marguerite Abouet (texto). A autora conta um pouco do cotidiano num bairro popular de Abidjan, na Costa do Marfim, no ano de 1978. Na ocasião, Marguerite tinha 19 anos e de certa maneira se coloca no roteiro no papel da estudiosa Aya, que prefere estudar a sair à noite com suas amigas Bintou e Adjoua. O livro é divertidíssimo e sua narração flui facilmente, ensinando ao leitor as expressões, os costumes e as modas da África, ainda que datados da época de 70.

Um dos méritos deste primeiro volume das histórias de Aya – num total de quatro – é tratar das questões reais que envolvem a juventude africana, como o sexo livre, a gravidez na juventude, a promiscuidade, o machismo, a influência da cultura estrangeira (sobretudo francesa e americana), os valores e a relação conflituosa entre os aldeões (“caipiras”), os pobres da cidade e os ricos (representados pela figura do Senhor Sissoko, dono da Solibra, “a cerveja do homem forte”). Ao final, há um bônus instrutivo ensinando receitas típicas (gnamankudji – um suco de gengibre – e sopa de amendoim), como usar o pano na cabeça ou como saia, e até mesmo como rebolar!

Aya e amiga
amiga de aya escolhe roupa

Para finalizar, mais duas observações: Aya ganhou um prêmio em 2006 no Festival de Angouleme, na França, e pode consolidar uma tendência que começou com Persépolis (de Marjane Satrapi) de retratar a realidade cultural pouco conhecida de países exóticos como o Irã (no caso de Satrapi) e a Costa do Marfim através dos quadrinhos, realizando uma globalização quadrinhesca muito saudável. Vale também citar que tantos o ilustrador de “Aya” quanto de “Negrinha” não são quadrinistas, e sim ilustradores debutantes no mundo das bandas desenhadas. O JBlog estará acompanhando os próximos capítulos destas mudanças no mercado.
>> JORNAL DO BRASIL – por Pedro de Luna


‘OS PASSARINHOS’, DE ESTEVÃO RIBEIRO EM PRÉ-VENDA

Sexta-Feira | 13 | Novembro | 2009

O livreto da mais recente criação do quadrinista Estevão Ribeiro; Os Passarinhos já têm sua revista (ou livreto) em pré venda, e o lançamento previsto para a primeira quinzena de dezembro.

A novidade é que os leitores que comprarem a publicação em pré-venda irão ajudar a pagar os custos gráficos, e por isso, terá seu nome nos agradecimentos da publicação, além de um desenho exclusivo na folha de rosto.

O autor ainda adianta que serão mais de 100 tiras na coletânea; onde será feita uma seleção de tirinhas, algumas serão exclusivas para a publicação e a prioridade serão as inéditas. Mas a revista que não terá lombada quadrada, (por isso esta sendo chamada de revista ou livreto) e sim grampo. Trará curiosidades, como alguns textos; com 120 paginas, formato 15 x 5,3 cm com tiras em preto e branco com capa couché colorida.

A pré-venda continuará até o dia 30/11 ao custo de R$: 8,00 por deposito bancário. Confira mais informações na Loja dos Passarinhos clicando aqui.

>> ZINE BRASIL – por Michelle Ramos