METAMORFOSE: A FÚRIA DOS LOBISOMENS

Sábado | 4 | Julho | 2009
Metamorfose: A Fúria dos Lobisomens

Metamorfose: A Fúria dos Lobisomens

Reunir cerca de 25 escritores com contos de até 8.000 caracteres cada voltados para o mundo dos lobisomens. Os participantes deverão escrever contos sobre os lobisomens. “A Fúria” dos lobisomens no subtítulo da obra já indica o que pretendemos. Você deverá criar o seu tema, desde que use a raiva, ódio, vingança, fúria e seus derivados em seu contexto. Um lobisomem que busca vingança? Um ser diferente, mistura de lobo e homem, que busca as suas raízes ou mesmo uma cura? Um ser mutante que deseja se vingar dos humanos por ser diferente? Use a sua criatividade.
 
Título: Metamorfose – A Fúria dos Lobisomens
Organizador: Ademir Pascale (Invasão e Draculea: O livro Secreto dos Vampiros)
Prefácio: J.Modesto (Trevas e Anhangá: A Fúria do Demônio)
Editora: All Print
Pretensão: Selecionar 25 autores
 
Leia o regulamento completo na página: http://www.cranik.com/metamorfose.html

PRAZO PARA RECEBIMENTO DOS CONTOS: 10/07/09 a 30/09/09


FICÃO CIENTÍFICA: FORMAS DE SE PENSAR O SER HUMANO, A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA

Sexta-Feira | 3 | Julho | 2009

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“Espaço, a fronteira final…” com essas palavras começavam as aventuras da nave estelar Enterprise, do seriado Star Trek, exibido no final dos anos 70 e que foi recentemente (re)adaptado para o cinema. Os diferentes planetas visitados, com as mais variadas civilizações, forneciam elementos para se discutir, na ficção, as atitudes e comportamentos existentes no mundo real.

Os autores de ficção científica, ao construírem realidades alternativas (possíveis apenas na imaginação de seus criadores), utilizam a literatura como forma de jogar com diferentes possibilidades de ser e de viver. Esse tipo de perspectiva é exemplificado pelo raciocínio do antropólogo Edmund Leach ao dizer que “a ficção científica tomou da mitologia tradicional o papel de formadora de fantasias”. Esse tipo de literatura, e de seu equivalente cinematográfico, o cinema de ficção científica, abre possibilidades hipotéticas capazes de colocar questões e de suscitar debates que podem ser úteis para se (re)pensar a realidade em que vivemos.

Racismo, inteligência artificial, desigualdade social, clonagem e ecologia são alguns dos temas que já foram explorados e discutidos em obras que podem ser consideradas parte da literatura de ficção científica. O que diferencia essas obras de outros textos, como a literatura de fantasia, com a qual guardam alguma semelhança (como o fato de se reportarem a realidades imaginadas, mais ou menos descoladas do mundo real) é o fato da literatura de ficção científica ter por base um referencial científico.

Por esse motivo, Star Wars, com suas referências místicas à existência da força, está mais próxima da fantasia do que da ficção científica mais engajada, a qual costuma ter como ponto de partida a presença da ciência e a tecnologia como elementos centrais, em torno dos quais a trama se desenvolve. Essa explicação também esclarece porque obras de Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e de Guy de Maupassant, que muitas vezes fazem referências à eletricidade e ao magnetismo, apesar de utilizarem referências científicas, são consideradas como literatura de horror, já que esse é o aspecto por elas enfatizado. Daí compreendermos também porque os filmes Alien, o 8° Passageiro e O Predador são geralmente considerados, respectivamente, um filme de terror e o outro de ação (a ciência tem um papel secundário na trama), mais do que filmes de ficção científica.

É claro que essa classificação feita acima é didática, questionável e controversa. O termo “ficção científica” abrange uma vasta gama de manifestações e, dependendo do ponto de vista, pode incluir ou excluir diferentes obras. X-Men, com seu argumento baseado na existência de mutantes, é ficção científica? Então Batman Begins e Homem de Ferro também são? O fato de As Crônicas de Nárnia se passarem em um universo paralelo faz com que essa obra deixe de ser um texto fantástico para se tornar ficção científica? O filme 2001, Uma Odisséia no Espaço termina de forma ambígua, fazendo alusão ao nascimento (ou morte) do ser humano. Isso faz com que deixe de ser ficção científica para se tornar um filme sobre filosofia?

Essa diversidade de possibilidades evidencia a complexidade que caracteriza esse gênero literário. Os diferentes subgêneros que o compõem podem variar em temática, abordagem e em ênfase, dando mais atenção às questões filosóficas ou ao jargão científico do que a uma narrativa fragmentada ou tradicional, bem como podem ser textos sobre avanços no futuro ou sobre a tecnologia nos dias de hoje. Se por um lado temos obras solidamente embasadas na Biologia, Física e Informática, por outro lado é possível encontrar trabalhos que discutem questões filosóficas. O Enigma de Andrômeda seria um exemplo do primeiro caso. Já o 13° Andar poderia evidenciar a segunda possibilidade.

Logo, pode-se dizer que a ficção científica é a uma manifestação da cultura de massa que discute como a crescente presença da tecnologia no mundo atual interfere na nossa vida diária. A literatura e o cinema de ficção científica refletem sobre a influência que a ciência e a tecnologia terão no nosso futuro. Por isso, esse tipo de literatura, surgida no final do século XIX (no auge da segunda Revolução Industrial), está fortemente ligado à modernidade. Essa modernidade – caracterizada pela rapidez das transformações, pelo avanço das novas tecnologias da comunicação (telégrafo, telefone, fax, internet e celular) e pela velocidade dos meios de transportes (navio a vapor, ferrovias, aviões e trens-balas) – traz uma forte confiança no futuro, no poder da tecnologia, símbolo do mundo industrial.

Não é a toa que livros e filmes de ficção científica sejam alvo do interesse dos jovens, os quais crescem convivendo cada vez mais com a presença da tecnologia nas suas vidas. Uma pesquisa com mais de cinco mil alunos de 12 anos de idade, em mais de 20 países, mostrou que “os programas (TV/filmes/vídeo) favoritos das crianças de 12 anos eram histórias de crimes ou ação, ficção científica (grifo nosso) e horror, respectivamente. Os programas/filmes dessas três categorias foram mencionados, cada um, por cerca de 20% das crianças ou tomados em conjunto por quase dois terços dos alunos de 12 anos.” (GROEBEL, 2002, p. 71)

Pode parecer estranho (para alguns) pensar que a literatura que talvez esteja mais próxima dos jovens seja a de ficção científica, porém tal visão seria equivocada. Muitas vezes se esquece que Júlio Verne, um clássico das aventuras infanto-juvenis, pode ser considerado como um autor de ficção científica. Textos como Vinte Mil Léguas Submarinas e Viagem ao Centro da Terra, se enquadram dentro dos parâmetros da ficção científica e são considerados clássicos da literatura infanto-juvenil.

A amplitude do espectro temático da ficção científica lhe permite fazer diferentes cortes e pontos de vista, podendo suscitar as mais variadas discussões, sobre os mais diversos temas. Algumas das questões mais clássicas e presentes nas discussões filosóficas e sociológicas são abordadas pela ficção científica. Quem somos nós? De onde viemos? Qual o melhor tipo de sociedade? Essas perguntas são discutidas em diferentes planetas, povos e tempos. A ficção científica permite criar um laboratório de testes, onde é possível experimentar realidades alternativas, onde é possível postular diferentes formas de ser e de viver.

O processo civilizatório que se desenvolveu no Ocidente, durante a modernidade, tem sido pautado pela ideologia do individualismo. Em função disso, o direito à individualidade é visto como um elemento constituinte da noção de pessoa ocidental. Essa forma de ver o ser humano como autônomo, individualizado, independente, imagem que se desdobraria no sonho do “self-made man” burguês, acabou por se tornar uma representação ideológica hegemônica.

Ela é tão forte que tanto os iluministas quanto os românticos, respectivamente defensores e críticos desse processo civilizatório, têm a mesma perspectiva: a defesa de uma humanidade pautada na existência de um indivíduo. Tanto pode haver uma ênfase na racionalidade – produto de um processo civilizatório (na visão iluminista) – quanto uma valorização da emotividade, da impulsividade, destruídas pelo modelo de civilização defendido pelos iluministas e atacado pelos românticos.

Os textos e filmes de ficção científica também servem para nos lembrar que nossa condição de senhores da natureza, de donos do mundo, é uma posição precária, sempre sujeita a riscos. Se nos consideramos seres superiores, com direito a aprisionarmos outros seres para nossa diversão e/ou alimentação, as obras de ficção científica frequentemente colocam esse pressuposto em dúvida. O direito de se colocar como possuidor de valores e qualidades superiores (qualidades humanas que nos definem como livre-arbítrio e racionalidade) seria uma conquista constante frente aos “seres da natureza”.

A concepção do que seja natureza – dependendo da perspectiva – pode ser encarada positiva ou negativamente. Ela é positiva quando nos humaniza, quando desperta, em nós, valores como o amor, a compaixão, bem como quando nos estimula a exercitarmos nosso direito à autonomia, à liberdade. Contudo, a natureza também pode ser vista negativamente, ao nos submeter aos seus desígnios, aos nos lembrar de nosso lado animalesco, nosso lado instintivo.

A partir das representações do que seja o não-humano, a ficção científica mostra como são concebidos os limites entre o humano e o natural de forma fluída. Ela explicita as representações de humanidade e de humano que caracterizam a civilização ocidental moderna. O natural é visto dentro de uma perspectiva comunitária, onde há uma integração total. Benigna, segundo os defensores da importância da coletividade. Ou maligna, segundo os partidários da supremacia do indivíduo.

Partindo-se da definição de “ser humano”, estabelecida pelo mundo ocidental moderno, pode-se compreender como a ficção científica desenvolve algumas das suas interpretações sobre o que é a natureza: ou ela é pensada como um elemento separado do homem, estando em oposição a ele – o que significa dominá-la ou ser dominado por ela – ou ela é vista como uma fonte de restauração da nossa humanidade, de nossos valores, nos renovando ética e moralmente. A primeira perspectiva está presente na visão instrumental que temos do mundo natural, tido apenas como fonte de recursos a serem explorados. Atualmente pagamos o preço da nossa arrogância enfrentando problemas como o buraco na camada de Ozônio e o efeito estufa.

Se pudemos subjugar a natureza graças à tecnologia, isso não a tornará uma heroína, pode, inclusive, transformá-la em “vilã”. Se a natureza pode nos desumanizar, a tecnologia também pode. Os perigos que a arrogância humana podem provocar ao pensar na tecnologia como solução para todos os problemas já eram discutidos em Frankenstein, ou o Moderno Prometeu, de Mary Shelley. Enquanto que a natureza pode nos levar ao nosso estado original mais primitivo, sem uma noção de individualidade; a tecnologia pode nos privar do nosso livre-arbítrio, nos prendendo em atividades alienantes, nos deixando dependentes dela.

Essa cristalização que a tecnologia pode provocar, imobilizando-nos, nos tornando incapazes de agir sem ela, pode nos tornar submissos a ela. Filmes como Até o Fim do Mundo (1991), de Win Wenders – onde as pessoas deixam de viver para permanecerem conectadas a máquinas nas quais revivem seus sonhos – e Estranhos Prazeres (1995) – no qual pessoas experimentam o prazer através de CDs com gravações das vivências de outras pessoas – mostram como o uso da tecnologia pode provocar vícios e evidenciam que a discussão sobre a escravização do Homem pelas máquinas não surge no cinema com Matrix, de 1999.

Recentemente, o filme WALL-E chamou a atenção como, apesar de praticamente não possuir diálogos, tendo a tela “dominada” basicamente por duas máquinas, uma delas chamada EVE (EVA). A trama gira em torno de uma Terra devastada pelo lixo produzido pela tecnologia e sobre como um pequeno robô, WALL-E, na sua tarefa de limpar o planeta desenvolve consciência. Ele busca entender através dos dejetos humanos que encontra quem foram seus criadores. O motor inicial da trama é o nascimento de uma pequena planta, início da recuperação do planeta – é a natureza, superando a destruição deixada pelos humanos, que se recupera, garantindo a possibilidade de uma redenção humana, do retorno dos seres humanos, que viviam uma existência sem sentido no espaço.

É interessante que a presença da natureza como fonte de humanização e de renovação apareça de forma singela através de andróides ou robôs, como em O Homem Bicentenário, obra do grande escritor de ficção científica Isaac Asimov (juntamente com Robert Silverberg), transformada em filme dirigido por Chris Columbus. Embora haja muito temor em relação aos autômatos, sejam eles de forma humana ou não, esse receio não era compartilhado por Asimov; ele pensava que os robôs, poderiam ser um desdobramento das melhores qualidades humanas, desde que houvesse precauções, cuidados. Para ele, as máquinas não eram nem boas nem ruins, seu uso indevido deveria ser evitado e seu bom uso garantido. Para isso, ele criou as três leis da robótica: 1ª lei. Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal; 2ª lei. Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei; 3ª lei. Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.

Essas leis visavam mostrar que robôs e andróides seriam incapazes de fazer mal à humanidade, e que isso só ocorreria se os seres humanos fizessem um uso indevido deles, ou se os reprogramassem como ocorre no filme Eu, Robô, estrelado por Will Smith. Assim, as máquinas não são boas nem más, bons ou maus são os homens que as utilizam. As máquinas, na visão de Asimov, por estarem sujeitas às três leis, não poderiam prejudicar o ser humano, podendo, em alguns casos (através do convívio com pessoas nobres e gentis), desenvolver qualidades humanas. Isso explica em filmes como A. I. Inteligência Artificial, onde alienígenas dependem de um andróide, com sentimentos humanos, para poderem entender o que tinha sido a espécie humana, extinta séculos antes. São os sentimentos humanos que conferem humanidade ao personagem principal, não por acaso, chamado de Adam (Adão).

Com isso, a ficção científica aparece como uma arena privilegiada para perceber como os ideais de progresso defendidos pelo Iluminismo e fortalecidos pelos avanços da Revolução Industrial acabaram se tornando hegemônicos no Ocidente, definindo nossa relação com o mundo. Em vista do domínio do individualismo, as críticas ao processo civilizatório ocidental são vistas como ameaças a essa própria civilização. É importante deixar claro que o conceito de Individualismo aqui presente não é o mesmo do senso comum, como egocentrismo, egoísmo ou o descaso para com o outro e preocupação para consigo mesmo.

Aqui, ao falar de uma ideologia individualista que é predominante na maioria das sociedades ocidentais,  está se falando da crença de que o indivíduo existe em separado da sociedade, que ele é um átomo independente, em contraposição a uma visão holista, dentro da qual o indivíduo ocupa um espaço dentro de uma hierarquia. Enquanto que no Holismo o indivíduo, mesmo tendo um valor específico intrínseco, deve ser pensado como parte da sociedade que a compõem, no Individualismo o indivíduo aparece como base, como possuindo sentido em si mesmo, sentido esse que, por diversas vezes, a sociedade tenta suprimir.

Essa valorização do indivíduo é frequentemente visível em produções hollywoodianas, onde os heróis são personagens que se não se submetem ao sistema, que possuem um jeito próprio de fazer as coisas. Essa tradição remonta ao bandoleiro Robin Hood e ao pirata heróico, mas de bom coração retratados por Errol Flynn, passando pelo detetive particular (imortalizado em vários filmes de Humphrey Bogart) que investiga crimes com métodos que contrariam a prática policial e pelo policial que nunca cumpre as regras, como o personagem Dirty Harry de Clint Eastwood.

Quando essa perspectiva da importância do indivíduo sobre o todo foi ameaçada por um modelo onde o bem geral se dava através da renúncia ao bem individual, através da instauração do modelo do socialismo real nos países do Leste Europeu após a Segunda Guerra Mundial, o temor que a expansão comunista viesse a anular a individualidade ganhou uma releitura cinematográfica. Daí os filmes dos anos 1950, onde os alienígenas (simbolizando os comunistas) tentavam desumanizar os estadunidenses, retirando-lhes a autonomia, a racionalidade e o livre-arbítrio, as bases da individualidade ocidental.

A perda ou o desaparecimento da individualidade, freqüente nas obras de ficção científica, aparecem como uma expiação simbólica – a adrenalina do medo é sentida, sem perigo real. A ameaça de se deixar de ser um indivíduo, submergindo dentro de um todo indiferenciado, seja através das forças da natureza ou da própria tecnologia, é um temor constante em diversas obras. Assim, a luta pela manutenção dos valores do individualismo expressa uma tomada de posição. Há uma afirmação, por parte do homem ocidental, de que ele existe em sua plenitude apenas fora da natureza. Ele se recusa a ser um animal movido por instintos, sua racionalidade o elevaria, enquanto que sua parte instintiva o rebaixaria. O surgimento de alienígenas “malignos”, que nos parasitam, que desejam nos dominar ou devorar – seres que vivem sob seus impulsos naturais – simbolizam a ameaça da natureza, da sua tentativa de dominar a civilização humana.

Da mesma forma que a natureza é vista como ameaçadora por muitos, a tecnologia é perigosa para alguns. Desde o Iluminismo, com Rousseau criticando os efeitos nocivos da sociedade sobre o indivíduo, o desenvolvimento tecnológico tem sido alvo de críticas de desumanização. Enquanto há os que vêem na natureza o inimigo a ser vencido pela tecnologia, há os que pensam a natureza como depositária dos valores humanos da sensibilidade e da solidariedade, ameaçados pelo mundo mecanicista das máquinas.

Se, por um lado, um ser não-humano (como um extraterrestre, um mutante ou um andróide) pode ser uma figura que se apresenta como uma ameaça, capaz de nos subjugar e tirar a nossa humanidade, ele também pode ser aquele que a renova, enriquece e fortalece. Ao mesmo tempo em que existem os espectros, da série StarGate Atlantis, que se alimentam da energia vital dos seres humanos, também temos o andróide Adam, de AI. Inteligência Artificial, demonstrando que é possível amar e ser amado por uma máquina, demonstrando uma gentileza e inocência que nem todos os humanos são capazes de mostrar.

A máquina também é capaz de possuir aspectos positivos e/ou negativos. Podemos citar os Borgs da série Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, que pretendem assimilar outras espécies através da substituição dos órgãos biológicos por próteses mecânicas, tornando-os organismos sem autonomia, integrados dentro de uma entidade coletiva. Por outro lado, o andróide Data, um outro personagem desse mesmo seriado, buscava sempre aprender mais sobre os humanos, tentando se humanizar. Essa atitude nos lembra das qualidades, virtudes e fraquezas humanas, que nos definem como seres humanos.

Dessa forma, a ficção científica nos coloca uma questão: retornar à natureza? Tal decisão preservaria nossa humanidade ou nos levaria a perdê-la, submetida aos ditames do mundo natural, onde seríamos mais uma espécie? Ou permanecer na civilização? A tecnologia poderia nos ajudar a expressar, desenvolver nossa individualidade frente aos nossos instintos básicos ou nos desumanizaria, nos robotizando através de seus instrumentos e recursos alienantes?

Essas dúvidas antagônicas caracterizam os extremos dos debates sobre o que pensamos como humanidade, sobre como entendemos a nossa relação com a natureza. Elas também nos permitem entender a importância que atribuímos à ciência e à tecnologia. As obras de ficção científica aparecem como um palco, onde cada uma dessas possibilidades é testada e caminhos intermediários são sugeridos. Ela surgiu com a industrialização e com o avanço da ciência e tem sido um dos campos que mais reflete sobre os seus efeitos.

Referências bibliográficas:
ALLEN, D. No Mundo da Ficção Científica. São Paulo: Summus Editorial, 1974.
DUMONT, Louis. O Individualismo. Uma perspectiva antropológica da Ideologia Moderna. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2000.
GROEBEL, Jô. Acesso à mídia e uso da mídia entre as crianças de 12 anos no mundo. p. 69-76. IN: FEILITZEN, Cecília Von e CARLSSON, Ulla. A Criança e a Mídia. Imagem, educação, participação. São Paulo: Cortez, UNESCO, 2002.
IRWIN, W. Matrix. Bem-vindo ao Deserto do Real. São Paulo: Madras, 2005.
GONÇALO JUNIOR. Enciclopédia dos monstros. São Paulo: Ediouro, 2008.
LOURENÇO, A. Cinema de Ficção Científica e Guerra. In: yaTEIXEIRA DA SILVA, F. C. (org.) Enciclopédia de Guerras e Revoluções do Século XX. São Paulo: Campus/Elsevier, 2004. pp. 140-142.
ROWLANDS, M. SciFi = SciFilo: A Filosofia explicada pelos Filmes de Ficção Científica. Rio de Janeiro: Relume, 2005.
SCHOEREDER, G. Ficção Científica. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1986.
SF Symposium. FC Simpósio. SC: Instituto Nacional do Livro, 1969.
SICLIER, J. e LABARTHE, A. S. Cinema e Ficção Científica. Lisboa: Editorial Áster, s/d.
>> REVISTA PONTOCOM – por André Luiz Correia Lourenço


‘MOONWALKER’, DE MICHAEL JACKSON VAI SER RELANÇADO NO BRASIL

Quinta-feira | 2 | Julho | 2009

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Musical de Michael Jackson chega em DVD às lojas em 15 dias

Gosto de entrar na Amazon de tempos em tempos para ver a lista dos mais vendidos, enfim, saber como anda o gosto do povo. Quando fiz isso esta semana, dos 25 discos mais vendidos apenas oito não eram de Michael Jackson. É, sem dúvida, um fenômeno pop sem igual.

E as empresas que têm material dele sabe disso. A Warner Home Entertainment avisa que vai relançar no Brasil o DVD Moonwalker, longa-metragem musical de 1988 estrelado pelo Rei do Pop.

Moonwalker conta a história de um herói extraterrestre cheio de poderes mágicos, interpretado por Jackson, que vem à Terra para ajudar três crianças a combater o vilão Mr. Big, um poderoso traficante de drogas. A trama serve como pano de fundo para a apresentação de diversos sucessos como “Man in the Mirror”, “Smooth Criminal” e “Leave me Alone” – que rendeu ao artista um Grammy de melhor videoclipe em 1989.

Com 92 minutos, Moonwalker estará à venda nas lojas a partir do dia 16 de julho, pelo preço sugerido de R$ 29,90.
>> OMELETE – por Marcelo Forlani

Assita ao trailer:


‘MOON’: FILHO DE DAVID BOWIE ESTREIA COMO DIRETOR E CONQUISTA A CRÍTICA INTERNACIONAL COM FICÇÃO CIENTÍFICA

Quinta-feira | 2 | Julho | 2009

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Duncan Jones está em cartaz nos EUA com a ficção científica ‘Moon’.
Produção é homenagem a ‘2001: Uma odisséia no espaço’.

40 anos depois de o cantor David Bowie lançar o sucesso “Space oddity”, seu filho Duncan Jones estreia como diretor de cinema e já começa a ser apontado como fenômeno do cinema independente. Jones está em cartaz nos EUA com seu primeiro longa-metragem “Moon” (“Lua”), uma ficção científica realizada com apenas US$ 5 milhões.

O filme foi lançado durante o Festival de Sundance, em janeiro, e chegou aos cinemas recentemente sob elogios da crítica internacional. O “Wall Street Journal” classificou a produção como “brilhante” e “impressionante”, e o “New York Times” descreveu a atuação do filme como “intrigante”.

O influente Roger Ebert publicou texto afirmando que o trabalho de Jones é “um exemplo superior do gênero”, enquanto a revista “Rolling Stone” disse que o longa é “uma potente provocação que se apoia em boas ideias em vez de truques de computador”.

Nascido Duncan Zowie Heywood Jones, o cineasta de 38 anos, filho do cantor com sua ex-mulher Angela Bowie, estudou na London Film School e iniciou a carreira como diretor de comerciais.

Filme conta história de astronauta ‘duplicado’
“Moon” é uma espécie de “2001: Uma odisséia no espaço” do século 21, uma homenagem a clássicos de ficção científica dos anos 1970 e 80, como “Alien”, “Corrida silenciosa”.

Em “Moon”, Sam Rockwell vive um astronauta isolado em uma estação espacial (Foto: Divulgação)
No filme, o ator Sam Rockwell interpreta um astronauta que passa três anos isolado em uma nave espacial extraindo um gás lunar para ser usado na Terra como fonte de energia. A trama cresce quando ele conhece um clone de si mesmo, só que mais novo e mais revoltado, que também está no espaço realizando o mesmo trabalho.

Jones criou a história especialmente para o ator, que faz os dois papéis. “Eu me encontrei com Sam para discutir outro projeto, que nós terminamos largando, mas nos demos muito bem”, lembra o diretor britânico. Conversando sobre cinema, eles descobriram que tinham em comum o amor pelos mesmos filmes, ficções científicas de décadas passadas. Jones disse a Rockwell: “Olha, se você prometer que vai ler o roteiro, eu escrevo algo para você”.

O filho de Bowie escreveu um longo argumento, mas naquele momento estava ocupado demais com gravações de comerciais para redigir um roteiro. Assim, ele resolveu passar a tarefa para o roteirista novato Nathan Parker, que segundo o cineasta fez “um ótimo trabalho”.

Orçamento limitado
Desde o início, Duncan Jones tinha um orçamento disponível de US$ 5 milhões, que deveria cobrir todas as fases de produção de sua viagem à Lua. “Nossa ideia era manter os gastos no mínimo usando um elenco pequeno, rodando tudo em estúdio e investindo em efeitos especiais específicos”, conta o diretor.

Tudo aconteceu muito rapidamente. As filmagens foram realizadas em apenas 33 dias, apesar de haver mais de 450 cenas com efeitos especiais que precisavam ser rodadas duas vezes, já que Rockwell devia interpretar ambos os personagens. Outros oito dias foram dedicados às seqüências filmadas com modelos em miniatura.

A trama traz ainda outro personagem chave: Gerty, um computador da estação espacial dublado pelo veterano Kevin Spacey. Jones mostrou ao ator o material que já tinha rodado e conseguiu convence-lo a emprestar sua voz ao computador, uma espécie de HAL 9000 do século 21.

Agora, Jones pretende levar às telas uma nova ficção científica, chamada “Mute”, ambientada em Berlim. “Será um suspense muito maior e mais comercial”, revela o diretor.
>> G1, com informações da Reuters

Assista ao trailer:


‘ECLIPSE’: JÁ TEM DATA PARA INÍCIO DAS FILMAGENS O TERCEIRO FILME DE ‘CREPÚSCULO’

Quarta-feira | 1 | Julho | 2009

ECLIPSE
A saga de amor entre a jovem Bella Swan e o vampiro Edward Cullen continua. A Production Weekly revelou que o terceiro filme da série Crepúsculo, entitulado The Twilight Saga: Eclipse, terá sua filmagem iniciada em 17 de agosto deste ano e será produzido no Vancouver Film Studios, no Canadá. A direção fica por conta de David Slade, responsável pela adaptação da HQ 30 Dias de Noite, já o roteiro é de Mellissa Rosenberg, que dá continuidade ao seu trabalho desde o primeiro filme.

Com lançamento previsto para 30 de junho de 2010, a continuação terá Bella, interpretada por Kristen Stewart, mais uma vez em perigo e Edward Cullen (Robert Pattinson) retornando a Forks para salvá-la.

O segundo filme da série, Lua Nova, poderá ser conferido nos cinemas no dia 20 de novembro de 2009.

Crepúsculo segue o romance adolescente entre os dois jovens protagonistas, vividos por Kristen Stewart e Robert Pattinson. Ela é uma mortal, ele é um vampiro, e o romance dos dois enfrenta a oposição dos outros vampiros locais. A série de filmes adapta os romances escritos por Stephenie Meyer.
>> HQ MANIACS – por Diego Vignon


‘MISSÃO ALIEN/ALIEN NATION’: MAIS UMA PRODUÇÃO DOS ANOS 80 GANHA REMAKE

Quarta-feira | 1 | Julho | 2009

Nacao Alien

Esta na verdade estava demorando. Com o resgate da minissérie/série “V”, que fala sobre a invasão alienígena, era mais do que esperado que outro clássico dos anos 80 ganhasse roupagem nova.

“Missão Alien/Alien Nation” começou como um filme escrito por Rockne S. O’Bannon, em parceria não creditada de James Cameron, estrelado por Mandy Patinkin e James Caan.

O sucesso o transformou em uma série de TV pela Fox em 1989 estrelada por Eric Pierpoint e Gary Graham. Mas para variar, a Fox a cancelou prematuramente tendo apenas uma temporada com 22 episódios produzidos.

Os fãs cairam em cima da Fox exigindo o retorno da série que finalizou a temporada com um cliffhanger. O motivo apresentado na época foi problema financeiro da empresa, o qual motivou o cancelamento de várias séries dramáticas e de ficção, que simbolizavam altos custos para o canal.

Mas os fãs exigiram e a Fox foi obrigada a produzir um total de cinco telefilmes: “Dark Horizon”, em 1994, “Body and Soul”, 1995, “Millennium”, 1996, “The Enemy Withn”, 1996, e “The Udara Legacy”, 1997. Também foram lançados vários pocket books com base na série.

A ação é centrada entre dois policiais, um humano e um alienígena. Na trama, os alienígenas vivem entre os humanos, algo que hoje é visto em “True Blood” na qual os vampiros vivem entre os humanos. Os alienígenas que chegam à Terra são escravos de sua raça que buscam um novo planeta para recomeçar suas vidas. A partir daí, surgem questões ligadas aos preconceitos, direitos legais, questões morais, hábitos e costumes.

Nacao Alien_DVD

Um dos pontos altos da série foi mostrar que nesta raça de alienígenas, a gravidez é dividida entre macho e fêmea. Ela inicia a gravidez, mas em determinado ponto, o casulo é passado para o macho que mais tarde dará a luz.

Segundo o jornal Variety, o remake de “Missão Alien” está a cargo de Tim Minear, pelo SyFy para o canal Fox 21, que espera ter uma nova “Battlestar Galactica” em mãos.

Na nova versão, a trama será situada 20 anos após a chegada dos alienígenas na Terra, por volta do ano de 2020. No original, a produção de 1988 era situada em 1991. Ao todo são 3.5 milhões de alienígenas vivendo em guetos.

Seguindo a premissa da série e do filme original, o remake deverá discutir questões como racismo, terrorismo, assimilação a uma nova cultura, imigração e questões morais.

>> UARÉVAA – por Jack Starman – 3/04/2008

Assita a abertura da série de tevê Missão Alien (Alien Nation), exibida no Brasil, à época, na Rede Manchete, e depois reprisada, em meados dos anos 90, na Fox. Dublada na Álamo, em SP, e com vozes de Flavio Dias, Ézio Ramos, Figueira Jr. e outros.


‘TRUE BLOOD’: 1ª TEMPORADA

Terça-feira | 30 | Junho | 2009

Chegou este mês às lojas o box em DVD da primeira temporada de “True Blood”. A produção de Alan Ball, de “A Sete Palmos/Six Feet Under”, tem conquistado público e crítica nos EUA. Aqui no Brasil sua popularidade ainda é menor em comparação, mas crescente graças à Internet e agora com o DVD.

A série tem como base os livros de Charlene Harris, publicados entre 2001 e 2009. Conhecidos como The Southern Vampires Mysteries, a autora já publicou nove livros narrando as aventuras de Sookie e seus amigos: “Dead Until Dark”, “Living Dead in Dallas”, “Club Dead”, “Dead to the World”, “Dead as a Doormail”, “Definitely Dead”, “All Together Dead”, “From Dead to Worse” e “Dead and Gone”. Também existem alguns contos e histórias curtas estreladas por personagens da série de livros e que não contam com as participações de Sookie.

A trama é simples. Temos uma jovem sulista que se apaixona por um vampiro chamado Bill. Ambos enfrentam as oposições das sociedades que eles representam, as quais, cada uma à sua maneira, não aceitam esta miscigenação.

Quando a série estreou causou reações opostas, alguns críticos gostaram, outros acharam o piloto “esquisito” e outros simplesmente não gostaram. Mas o público, leitor da obra de Harris, demonstrou interesse e ansiedade para conhecer a visão de Alan Ball. O painel da série na Comic Con de 2008 foi o mais concorrido, sinal de que a produção não passaria desapercebida quando estreasse na TV.

A resposta foi rápida e a prova mais recente de que a série agradou está no fato de que a primeira temporada em DVD já alcançou a marca de 1 milhão de boxes vendidos somente nos EUA em um único mês.

Se é uma obra de arte? Não, mas tem consistência e apelo popular. O apelo está na trama principal, um “Romeu e Julieta” vampiresco. Mas se você procura por algo mais denso e profundo, dê uma olhada mais de perto na série e encontrará um ambiente riquíssimo e uma construção de personagens que vale a pena acompanhar.

Situada em uma cidade do sul dos EUA a série, em sua primeira temporada, traz uma boa seleção de personagens e situações que representam de forma abrangente os hábitos e costumes sulistas. Não apenas no sotaque, mas na linha de pensamento e comportamentos, retratados em pequenos comentários aparentemente desnecessários, passando por atitudes que para os desavisados podem parecer absurdas, chegando no desenrolar da própria trama em si.

Charlene Harris soube explorar uma cultura ainda atrasada abordando questões como o preconceito à relacionamentos entre duas raças distintas, a presença do pensamento e atitudes religiosas que estão enraigadas nas comunidades sulistas, as questões políticas, passando pelos vícios, chegando à essência do ser humano e seu medo à solidão, temperadas à uma linguagem de metáforas.

Trazendo para as telas da TV, os roteiristas souberam captar esta mensagem. Entre fantasias, folclores e mitos a série explora a imaginação humana questionando comportamentos, seduzindo com imagens de atos sexuais intensos (para a faixa etária a qual se destina) e instigando a curiosidade do público sobre o destino dos personagens.

A primeira temporada tem como base o livro “Dead Until Dark”. A série começa com a informação de que os vampiros “saíram do caixão”, alusão ao termo “saíram do armário” dado aos homossexuais. Eles convivem na sociedade junto com os humanos graças ao surgimento do sangue sintético desenvolvido por uma empresa japonesa (ótimol!) o qual é vendido em garrafas.

Assim, com o “True Blood”, o sangue sintético, a sociedade pode ficar tranqüila em saber que os vampiros estão à solta. Estes, por sua vez, buscam uma legitimação, criando fundações e associações para defenderem seus direitos junto à sociedade dos humanos. É claro que existem as gangues, que não aceitam limitações impostas ao seus estilos de vidas e portanto escolhem viver à margem de sua própria sociedade.

Sookie Stakhouse

No elenco principal da trama temos Sookie (Anna Paquin) uma jovem garçonete capaz de ler os pensamentos das pessoas. Este dom foi descoberto quando ela ainda era criança e, aparentemente, todos na cidade sabem sobre ele. Este dom será sua salvação e seu castigo posteriormente.

Criada pela avó que lhe dá total liberdade de tomar suas próprias decisões, algo raro no ambiente em que ela vive, Sookie demonstra ser uma jovem inteligente e corajosa. No entanto, aos poucos, o público vai percebendo que ela é apenas uma menina no corpo de uma mulher adulta.

Jason Stakhouse 

Inexperiente, ingênua, de pouca cultura, deslumbrada pelo novo Sookie vai aos poucos descobrindo o mundo em que ela vive. Protegida pela avó, Sookie não conhece de fato as pessoas e do que elas são capazes. Ao longo da primeira temporada ela vai caindo em si, o que a leva a decepcionar-se com alguns e a agarrar-se a outros. Sua vida sofre uma reviravolta e a pouca experiência de vida de Sookie a faz ficar sem base para tomar as decisões. Sua honestidade para consigo e seus sentimentos são as únicas armas que ela tem para enfrentar o mundo que se abre para ela.

Neste mundo está seu irmão, Jason (Ryan Kwanten), um jovem viciado em sexo que logo encontra outro vício ao qual dedicar-se: o sangue dos vampiros que dá aos seres humanos a capacidade de elevar seus sentidos, em uma alusão ao uso das drogas. Posteriormente Jason irá se dedicar à religião, a qual será explorada pela série como um vício da humanidade.

Tara Thorton

Tara Thorton (Rutina Wesley) é a melhor amiga de Sookie. Mas a jovem tem grandes problemas. Talvez a personagem que melhor represente uma a vida no sul dos EUA. Negra, filha de mãe alcóolatra, sem pai, cresceu praticamente sozinha tendo o apoio da avó de Sookie. Apaixona-se por um jovem que não percebe sua existência e não consegue manter um relacionamento ou um emprego. O rancor e a tristeza acumulados durante anos endureceram Tara que acredita não precisar de ninguém para viver. Mesmo sabendo não ser verdade, Tara afasta todos que a cercam com um diálogo rude e sincero em excesso.

Sua relação com a mãe é um dos pontos altos desta temporada. Através das duas temos a oportunidade de ver explorada as questões de fé, do vício, da dor de um relacionamento entre mãe e filha, bem como do abandono.

Por curiosidade, Rutina Wesley substituiu Brook Kerr, que chegou a filmar os dois primeiros episódios.

Sam Merlotte

Ainda no elenco central desta primeira temporada temos o jovem Sam Merlotte (Sam Trammell) o rapaz “boa gente”, apaixonado por Sookie, incompreendido e solitário que busca por alguém a quem amar. Logo descobrimos que existe uma longa história por trás do rapaz aparentemente apático. Ele irá representar uma das tramas que será posteriormente explorada.

Bill Compton

E, é claro, temos o vampiro Bill. Curiosamente, Alan Ball não escolheu um modelo de capa de revista para interpretar o romântico vampiro. Stephen Moyer mais parece um ator de filmes pornôs dos anos 70 que propriamente um herói romântico do século XXI. Mas ele dá conta do recado em sua segunda incursão como vampiro. A primeira foi na minissérie britânica “Ultraviolet”, de 1998.

Bill surge do nada na vida de Sookie (e da atriz Anna Paquin, já que os dois começaram a namorar depois que se conheceram no episódio piloto). Solitário, Bill não se envolve nem mesmo com sua própria gente, os vampiros. Ele servirá de elo de ligação entre os dois mundos promovendo situações de risco para Sookie e seus amigos, ao mesmo tempo em que luta para conseguir demonstrar seus sentimentos à muito adormecidos.

Sua história será narrada ao longo da primeira temporada, fazendo com que o público o aceite e dê suporte para sua história de amor, a qual ao longo de toda a série sofrerá com os interesses e atitudes de terceiros.

Em sua primeira temporada “True Blood” conseguiu apresentar sua proposta e provar sua força junto ao público. No entanto, a série dependerá do pulso firme de Alan Ball para não correr o risco de se perder ao longo de sua jornada. Visto que ela se apóia em dois elementos significativos: a trama de aventuras fantásticas e a construção sócio cultural de personagens/ambiente presentes nos livros.

Desta forma, com a fama, Ball precisa controlar os interesses econômicos e populares para não permitir que a aventura se sobreponha ao embasamento cultural no qual a série foi contruída e o qual lhe dá a legitimidade junto à uma crítica especializada.

Com uma bela fotografia que trabalha os tons fortes ao longo do dia e a cor acizentada com o jogo de luz e sombra durante a noite, a série mantém a presença do ambiente sulista em seus cenários e figurinos mesmo sendo filmada em Los Angeles; apesar de pequenos escorregões, como a presença de uma palmeira no episódio 10.

A trilha sonora é assinada por Nathan Barr em seu primeiro trabalho significativo na TV. No cinema ele foi assistente para as trilhas de “Melhor Impossível” e “O Príncipe do Egito” e assinou a trilha de “Os Gatões”, entre outros.

“True Blood” – Primeira Temporada

Título Original: True Blood: The Complete First Season
Estúdio: Warner Home Video
Tempo: 641
Cor: Colorido
Ano de Lançamento: 2009
Recomendação: 14 anos
Região do DVD: Região 4
Legendas: Português, Francês, Inglês
Idiomas / Sistema de som: Dolby Digital 2.0
Formato de tela: Widescreen
Nº de Discos: 5
Preço de Lançamento: R$119,90


POE: ESCRITOR FALA SOBRE A MINISSÉRIE

Terça-feira | 30 | Junho | 2009

Poe é o nome de uma nova minissérie da Boom! Studios que mistura fantasia e realidade ao mostrar o escritor Edgar Alan Poe como um detetive do sobrenatural em meados do séc. XIX.

Escrita por J. Baton Mitchell, um estreante em quadrinhos, mas um veterano do cinema e da TV, a narrativa de Poe começa logo após a morte de sua mulher, cuja dor despertou nele algumas habilidades macabras, como a capacidade de ver como as pessoas morrem.

“Acho que a maior força dessa trama está nos elementos das histórias de Edgar Alan Poe que fazem parte da narrativa. A ideia é que o mundo onde Poe vive é esse do sobrenatural e suas experiências nesse mundo são a matéria-prima para as histórias que ele ira escrever”, disse Mitchell.

Para o escritor, mostrar Poe como um personagem é uma atração à parte, já que o protagonista da história não é um típico herói. “Ele é baixo, franzino, inseguro. O que o força a pensar como ele pode sair das situações de perigo ao invés de lutar, ao contrário do seu irmão, William, que é seguro, confiante e esperto. A relação entre os dois cria uma dinâmica chave para a história”.

Mitchell também disse que existe até uma história de amor incrustada nessa mini, de forma que nem tudo será voltado apenas para fãs das histórias de Poe.

Os desenhos da minissérie são de Dean Kotz e o lançamento do #1 acontecerá em julho.

O Boom! Studios foi inaugurado em 2005, com a proposta de viabilizar projetos autorais de grandes nomes dos quadrinhos. A editora possui uma série de títulos em vários gêneros diferentes, entre os quais se destacam Hero Squared, Zombie Tales, Cthulhu Tales e títulos com personagens da Pixar e Disney. Mark Waid é seu atual editor.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


‘LITTLE HEROES’: PEQUENOS E GRANDES PERSONAGENS

Terça-feira | 30 | Junho | 2009

Previsto para ser lançado em agosto, o projeto “Little Heroes”, criado e roteirizado pelo capixaba Estevão Ribeiro (”Contos Tristes”), reúne oito histórias em quadrinhos estreladas por crianças e adolescentes onde acontecem atos heróicos que remetem a grandes personagens da DC Comics.

- A ideia era mostrar o “Little Heroes” para as editoras gringas, por isso o nome das histórias e do projeto ser em inglês – explica Ribeiro, por email, ao Gibizada. – Aqui, o álbum será chamado de “Pequenos Heróis” e será bilingue. Eu criei o projeto e assino os roteiros, que não tem falas, até para podermos imprimir no Brasil e enviar para editoras dos EUA e da Europa para apreciação.

Como co-editor do projeto, cuidando dos convites a diversos ilustradores, está o ilustrador Mário César, que também é responsável por uma das HQs: “Superbro”, homenagem ao Super-Homem. A imagem que abre este post, da HQ “Little Wonders”, de Fernanda Chiella, presta homenagem a Mulher-Maravilha. As outras seis histórias são: “The dark boy” (Batman), de Emerson Lopes; “The Deep Sea’s Little King” (Aquaman), de Jaum; “The Boy From Mars” (Ajax), de Ric Milk; “My Sweet Little Bird” (Canário Negro), de Leo Finocchi; “The Quickest” (Flash), de Vitor Cafaggi; e ”The Lantern” (Lanterna Verde), de Raphael Salimena.

Segundo Ribeiro, serão 80 páginas de quadrinhos mais ilustrações avulsas de artistas convidados, biografia de cada autor e bastidores da produção, tudo bilíngue. O álbum terá cerca de 110 páginas em formato americano.

- A maior parte dos envolvidos já confirmou a participação no segundo número de “Little Heroes”, que será uma trilogia: Heróis da DC, Heróis da Marvel e Heróis Clássicos, como Mandrake, Fantasma, Flash Gordon, Tarzan, Príncipe Valente e outros.
>> GIBIZADA – por Télio Navega – 3/04/2008


MAURÍCIO DE SOUSA: PERSONAGEM MÔNICA É NOMEADA EMBAIXADORA DA CULTURA DO BRASIL

Terça-feira | 30 | Junho | 2009

Depois de conquistar gerações e gerações de fãs, a personagem Mônica, do desenhista Maurício de Sousa, foi nomeada embaixadora da cultura do Brasil, nesta sexta-feira (26), durante evento do Ministério da Cultura, no Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo.

Monica_evolucao A evolução da personagem Mônica ao longo das décadas 

A homenagem marca o início das comemorações dos 50 anos de carreira de Maurício de Sousa, que vão contar com lançamentos de exposições, livros e um documentário sobre a Turma da Mônica.

Publicada em quadrinhos desde 1970, a personagem tem hoje mais de 1 bilhão de revistas publicadas e mantém a liderança nas vendas de HQs no Brasil. As histórias da Turma da Mônica também foram editadas em 50 idiomas, em 126 países.
>> G1, DO RIO


LANÇAMENTO: ‘O VAMPIRO DA MATA ATLÂNTICA”, DE MARTHA ARGEL

Segunda-feira | 29 | Junho | 2009

Lancamento_conviteA


WILLIAM SHATNER ENTREVISTA LEONARD NIMOY

Segunda-feira | 29 | Junho | 2009

Entrevista para o programa “Raw Nerve“, talk show de William Shatner
para o canal Biography,realizada em janeiro de 2009


MAGOS, BRUXAS E FEITICEIROS: O BEM E O MAL NA LITERATURA DE FANTASIA

Domingo | 28 | Junho | 2009

Personagens praticantes de magia aparecem em histórias da tradição oral desde que o mundo é mundo. Muito antes que Harry Potter voasse em sua vassoura nas aulas de vôo de Madame Hooch em Hogwarts, feiticeiros e feiticeiras já andavam às voltas com palavras de poder, encantamentos, vassouras e caldeirões nos mitos e contos de fadas, as narrativas ancestrais que deram origem ao que hoje chamamos de Literatura.

E, embora nessas histórias antigas os bruxos e bruxas tenham sido retratados com frequência como personagens malignos, nem sempre isso aconteceu. Bem antes de a ideia de “Mago do Mal / Mago do Bem” ser personificada em Voldemort / Dumbledore, temos feiticeiras odiadas como Medéia e Circe (mitologia grega), magos nefastos como o tio de Aladim (1001 Noites), e bruxas terríveis como a madrasta de Branca de Neve (Irmãos Grimm); mas encontramos também magos benignos como Merlin nos mitos do Ciclo Arthuriano ou Gandalf  na obra de J. R. R.Tolkien, e bruxas ambíguas como a da tradição oral russa, Baba-Yagá, que se apresenta ora com um aspecto maligno, ora com um aspecto maternal.

O arquétipo da bruxa, aliás, é caracterizado por essa ambiguidade: sua origem pode estar em antigas religiões matriarcais, em que se venera a Deusa, a Grande Mãe, que tanto pode doar vida como tirá-la. Há inúmeros exemplos em variadas mitologias (Inanna, Ishtar, Astarté, Ceridwen), mas uma das figuras mais arquetípicas nesse sentido é a deusa Kali, do Hinduísmo – deusa da morte mas também da vida, terrível porém necessária à manutenção da existência. Essa dualidade vai permear as figuras literárias que são sucedâneos do arquétipo da Mãe-Bruxa-Deusa através dos séculos (seja em figuras femininas ou masculinas, devemos notar) e que são descritas como praticantes de magia, feitiçaria, bruxaria – machos ou fêmeas.

Podemos começar a analisar como esses praticantes de magia são vistos nas histórias da literatura (e como com o passar do tempo essa visão muda, transforma-se, enriquecendo nossa percepção da ideia de Bem versus Mal) escolhendo dois casos interessantes.

O primeiro caso une a obra O Mágico de Oz, de L. Frank Baum (1900), a seu sucedâneo, o livro Wicked, de Gregory Maguire (1995).

O Mágico é Oz é considerado o primeiro e mais bem-sucedido livro de Fantasia infanto-juvenil dos Estados Unidos. Foi publicado em 1900, quando seu autor, o eclético Lyman Frank Baum, tinha 44 anos. Baum foi avicultor, produtor teatral e caixeiro-viajante, entre outras coisas; e, como ocorre a muitos escritores (inclusive eu mesma), começou a inventar histórias apenas para contá-las aos filhos. Após o lançamento do livro A Cidade Esmeralda de Oz, cujo título foi alterado para O Maravilhoso Mágico de Oz, ele se firmou como escritor e adaptou a história para uma versão musical, apresentada em Chicago em 1902. Daí o musical foi para a Broadway, e o grande sucesso do livro e da peça o levaram a escrever outras histórias baseadas na Terra de Oz.

Magico de OzA

Em 1939 seu primeiro livro foi transformado em uma superprodução da Metro sob a direção de Victor Fleming, estrelando Judy Garland e, embora houvesse uma versão anterior, nos primórdios do cinema, esta foi considerada a definitiva. A grande popularidade da produção fez com que a obra se transformasse em uma das histórias mais conhecidas e parodiadas na história das telinhas e telonas. Os personagens se tornaram parte da cultura oral, virtual, televisiva e cinematográfica: quem nunca ouviu falar no Mágico de Oz, na Cidade Esmeralda, nos Munchkins, na Estrada de Tijolos Amarelos, nos sapatos encantados, nos Macacos Voadores e na Boa Feiticeira Glinda, além dos inefáveis Espantalho sem cérebro, Homem de Lata sem coração e Leão covarde? Quem nunca cantarolou a canção “Over the Rainbow”?

A Terra de Oz é um mundo colorido – em oposição ao mundo cinzento original da protagonista, Dorothy (o Kansas). Sob esse ponto de vista, trata-se de uma Utopia: uma terra cheia de magia, animais falantes e bons sentimentos – veja-se como Dorothy encontra acolhida e bondade pelo caminho – exceção feita, é claro, aos antagonistas como a pérfida Bruxa Malvada do Oeste e monstros ocasionais, como os Kalidahs e os Cabeças-de-Martelo. O Mágico (uma tradução para Wizard, que hoje seria traduzida de preferência como Mago, ou Feiticeiro; veja nota de rodapé. 1 ) é um governante na Cidade Esmeralda, temido e poderoso. Mais tarde descobrimos que na verdade Oz é humano, e não possui capacidade mágica alguma; usa de tecnologia, truques, para impressionar os Ozianos e se manter no poder (é peculiar como, ao optar pela tecnologia como forma de dominação de um povo, ele se assemelha a Saruman, embora o Istar [mago] de O Senhor dos Anéis possuísse, sim, poderes de magia, apesar de que não pudessem superar os de Gandalf, que o combateu antes e depois de se tornar Gandalf o Branco) 2.

No entanto, Oz não é perverso, é apenas uma fraude, um usurpador; e tem medo dos reais poderes existentes na Terra de Oz – as quatro Bruxas, do Norte, Sul, Leste e Oeste. Nesse cenário, tais personagens (suas designações às vezes são traduzidas como Bruxas, às vezes como Feiticeiras, uma palavra menos carregada de carga semântica negativa) dominam os quatro países, ou regiões, Ozianas: Gillikin ao Norte, Quadling ao Sul, Winkie / Winkus a Oeste e Munchkin a Leste. As Bruxas do Leste e do Oeste são malignas, enquanto as do Norte e do Sul são benignas. A única a ser designada pelo nome, por Baum, é Glinda (segundo ele, a Bruxa Boa do Sul).

O clássico de Baum está novamente em efervescência hoje em dia por obra e graça do autor Gregory Maguire, que em 1995 publicou o best-seller Wicked (Maligna,), uma versão da história de acordo com o ponto de vista da Bruxa Malvada do Oeste – ou, talvez, fosse mais correto chamar o livro de uma versão ampliada das motivações dos personagens, centrada no relacionamento entre Glinda e Elphaba (a Maligna, ou Wicked Witch of the West do título) e levando em conta uma história anterior da Terra de Oz e um detalhamento das relações entre os diversos povos Ozianos.

Em Maligna, Oz não é mais uma Utopia, um mundo colorido e bonitinho, mas um mundo enroscado em diversidades, que fazem com que as diferentes terras / diferentes raças convivam num delicado equilíbrio político – e onde existem dúvidas, preconceitos, divergências religiosas, problemas com a posse dos meios de produção, luta pelo poder, assassinatos, corrupção, erotismo, censura e terrorismo. Ah, sim, e magia.

Essa intrigante e perturbadora fantasia é uma versão do que teria ocorrido na Terra de Oz antes e durante a visita da menina  Dorothy àquele mundo, porém contada do ponto de vista da Bruxa Malvada do Oeste, o que faz com que, como é dito na contracapa do livro, após essa leitura nunca mais olhemos para Oz da mesma forma…

O foco na vida das bruxas é mostrado com detalhes que não existem no livro que deu origem a tudo. Glinda, aqui, será a Bruxa Boa do Norte; Nessarose, a Bruxa Má do Leste; e sua irmã Elphaba, a Bruxa Malvada do Oeste. Tais personagens são desenvolvidas desde a infância/adolescência até o momento em que entram em confronto com o personagem ambíguo do Mágico de Oz (grandes surpresas quando percebemos sua verdadeira natureza…) e da tremenda Madame Morrible – esta sim, a verdadeira malignidade da história, e que não está presente no clássico. A pergunta inicial que Maguire coloca é: por que Glinda é tão amada e Elphaba tão odiada? O que fez as Bruxas serem o que são?Maldade? Bondade? Ou a força onipresente da Propaganda?

Os Munchkins, Winkies e Quadlings são mostrados de uma forma bem diferente do que nas obras originais; e quanto a Dorothy, a garota não é mais apenas a protagonista boazinha que (literalmente) caiu em Oz por obra do acaso – ela aparece como uma inocente útil que se envolve com a luta por poder e liberdade em Oz. Mas, de certa forma, essa noção já estava presente em Baum. No livro original, quando a garota finalmente chega à Cidade Esmeralda (após percorrer a Yellow Brick Road, estrada de tijolos amarelos) e encontra o Mágico, as palavras dele são as seguintes:

– Você não tem o direito de esperar que eu a mande de volta ao Kansas, a menos que você em troca faça algo por mim. Nesta terra todo mundo deve pagar por tudo que obtém. Se você quer que eu use meus poderes mágicos para mandá-la de volta a sua casa, precisa fazer alguma coisa por mim antes. Ajude-me que eu ajudo você.
– Que devo fazer? – perguntou a menina.
– Mate a Bruxa Malvada do Oeste – respondeu Oz.

Maguire leva às últimas consequências esse diálogo. Manipulada por Oz, a criança deve se tornar uma assassina. O resultado é que o Bem e o Mal se confundem, e de repente não podemos distingui-los claramente, pois também nós, leitores, somos ofuscados pelas verdes e hipnotizantes luzes da Cidade Esmeralda. No torvelinho que se segue a personagem mais fascinante é Elphaba, a menina que nasce verde e que, sem perceber, vai sendo transformada pelas circunstâncias na figura que hoje temos como estereótipo da malignidade. Seria ela realmente maligna, ou apenas teria optado por manter seu livre arbítrio diante de um déspota? De repente, o Mágico de Oz não é mais apenas um atrapalhado usurpador, tornou-se uma figura assemelhada a um Sauron (de O Senhor dos Anéis), um Galbatorix (de Eragon), um Tirano (de Crônicas do Mundo Emerso) e tantos outros arquétipos do detentor de poder militar, esteja ele à direita ou à esquerda de uma classe média que preferiria permanecer neutra quanto à política. Perdidos ma história, em meio à eterna dualidade do Bem contra o Mal, enxergamos nuances inesperadas nas entrelinhas do discurso que envolve esses dois conceitos – em Wicked não tão rígidos quanto na obra clássica, embora, como vimos, até ali já se abrisse certo espaço para uma discussão não-maniqueísta.

A versão da Broadway para Wicked, um musical magnífico, em cartaz desde 2003, é mais leve e menos complexa que a história do livro, mas transborda de ironia e sarcasmo quanto à hipocrisia de uma sociedade ávida por bodes expiatórios (e um dos bodes expiatórios aqui é mesmo um Bode…). Mas são ricas e interessantíssimas as discussões resultantes desse embate entre O Mágico de Oz livro, musical e filme e Wicked (livro e musical, sem esquecermos que diz-se haver em Hollywood a pré-produção uma versão para cinema, prometida para 2010).

Magico de Oz_WickedA

Na saída do teatro, na Broadway, em letras garrafais (verdes, é claro), há os dizeres:

YOU ARE NOW LEAVING OZ. REALITY RIGHT AHEAD.
DRIVE (OR FLY) CAREFULLY.

Ao deixar a Terra de Oz, então, e encontrar a Realidade à nossa frente, restam-nos as dúvidas e a necessidade premente de analisar sempre, duvidar sempre, das noções de Bem e Mal que nos são apresentadas, na ficção ou na realidade.

O segundo caso que gostaríamos de comentar, ao confrontar algumas versões de obras de Fantasia que abordam Magos, Bruxas e Feiticeiros, é a história de Branca de Neve. Certa ocasião, para compor uma peça teatral encomendada, li pelo menos dez versões desse conto folclórico, recontado pelos irmãos Grimm em sua forma mais conhecida. Em todas elas encontrei a garota, Snow White (Branca de Neve) retratada como a proverbial princesinha dos contos de fada, bondosa, amorosa e merecedora de toda a felicidade, enquanto sua Madrasta é maligna, dada a práticas de magia negra e traições sem fim. Os mesmos estereótipos que cercam Dorothy e Elphaba.

Originalmente, como ocorre com os contos de fada, esta não era uma história para crianças; com o tempo, porém, passou a ser; e reconhecemos sua origem não-infantil claramente, ao analisar os castigos a que a Madrasta-Bruxa é submetida no final do conto. Eles dariam inveja a um torturador da Inquisição: vão desde a versão açucarada da Disney, em que a tempestade a faz cair de um precipício, até a condenação à morte, que a faz ser levada a uma praça pública e ter de calçar um par de sapatos de ferro incandescentes, para dançar até cair morta.

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Podemos encontrar, porém, uma versão dessa história que faz o que Wicked fez a Oz: mostra a versão do antagonista – não mais a Bruxa Malvada do Oeste, mas a Madrasta de Branca de Neve. Em Smoke and Mirrors, uma coletânea de contos do autor britânico Neil Gaiman, o conto Snow, Glass, Apples retrata Branca de Neve como uma vampira – faz sentido, afinal a garota é branca como a neve, tem a boca vermelha como sangue, e ostenta um aspecto frio, gelado, presente até em seu nome.

Então a inversão acontece novamente: o Bem e o Mal se confundem, e a Rainha, a feiticeira maligna que enfeitiça a enteada com uma maçã envenenada e manda arrancar-lhe o coração estaria apenas tentando livrar o mundo de uma gélida sugadora de sangue. O que a condena (a Rainha) a uma morte terrível. Perturbador, não?

Não há dúvidas de que, se O Mágico de Oz e Branca de Neve são hoje consideradas histórias exemplares para crianças, reflexões sobre elas a que obras como as de Maguire e Gaiman nos levam são bem-vindas e salutares. Num mundo em que pessoas e instituições, devidamente respaldadas por leis setoriais ou escrituras ditas sagradas, ainda queimam livros (literalmente), e seus autores são execrados por parcelas da população que abençoam a censura, consideram a tortura a terroristas aceitável e certamente aplaudiriam a execução pública de praticantes de magia / bruxaria / feitiçaria ou quaisquer práticas que eles julguem como tais – é mais do que importante discutir os arquétipos e as noções de Bem e Mal presentes nos livros, suas implicações e motivações.
    E está aí uma das funções mais importantes da Literatura Fantástica.

Leituras sugeridas:
O Mágico de Oz – L. Frank Baum. Editoras: Ática, Martin Claret, Ediouro, L&PM.
Maligna – Gregory Maguire. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.
Branca de Neve – Irmãos Grimm. Inúmeras editoras.
Smoke and Mirrors – Neil Gaiman. New York: Harper Collins, 1998.


Notas:
 
1. Vejamos as traduções mais correntes para palavras da língua inglesa ligadas aos praticantes de magia: Witch – bruxa, feiticeira. Wizard – mágico, feiticeiro, bruxo, encantador, adivinho.  Sorcerer – mágico, feiticeiro. Sorceress – feiticeira, bruxa. Magician – mágico, prestidigitador. Magi – (plural magus) mágicos, feiticeiros ou astrólogos – esta provavelmente a origem da variação Mage, muito usada em Role Playing Games.
 
2.  Tolkien, J.R.R., O Retorno do Rei, SP: Martins Fontes/Lisboa: Europa-América.

>> VALINOR – por Rosana RiosMagico de Oz_colagemA


‘HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE’: LIVRO ILUSTRADO CHEGA ÀS BANCAS

Domingo | 28 | Junho | 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe_cards 
Toda a magia e emoção do sexto filme de Harry Potter chega até você com o Livro Ilustrado Harry Potter e o Enigma do Príncipe e uma série de cromos especiais!

O filme Harry Potter e o Enigma do Príncipe tem lançamento no Brasil previsto para 15 de julho. A editora Panini desenvolveu um álbum de figurinhas com 360 cromos sendo que 12 brilham no escuro, 24 são estampados e 36 metalizados e  têm detalhes em verniz. Cromos muito especiais para um filme muito especial.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe promete ser um marco na história do jovem bruxo. Harry, Rony, Hermione e seus amigos têm muito pela frente em seu sexto e penúltimo ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts!

Como se não bastassem as confusões típicas de um período tão conturbado quanto a adolescência, eles ainda têm que enfrentar Lord Voldemort e seus aliados, que agora também ameaçam o mundo dos trouxas! Mas Harry e Dumbledore reúnem cada vez mais informações sobre o passado do Lorde das Trevas e estão perto de descobrir uma maneira de derrotá-lo. 

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‘LUA NOVA’: BELLA E JACOB JUNTOS EM CAPA ALTERNATIVA DA SÉRIE ‘CREPUSCULO’

Sábado | 27 | Junho | 2009

New Moon Book Cover Featuring Taylor Lautner
Little, Brown aproveita o novo filme para reeditar
o segundo livro da série Crepúsculo

A editora Little, Brown dos EUA divulgou uma capa alternativa para o segundo livro da série Twilight. Para ligar o volume ao filme, a arte coloca Kristen Stewart e Taylor Lautner juntos. Confira ao lado e na galeria.

Lua Nova (The Twilight Saga: New Moon), o segundo filme da cinessérie Crepúsculo, tem direção de Chris Weitz (A Bússola de Ouro) e sai no Brasil pela Paris Filmes simultaneamente ao lançamento nos EUA, em 20 de novembro. O terceiro filme, Eclipse, será dirigido por David Slade, com estreia prevista para 2010.
>> UARÉVAA – por Marcelo Hessel


‘DAYBREAKERS’: ASSISTA AO PRIMEIRO TRAILER DO FILME DE VAMPIRO

Sábado | 27 | Junho | 2009

Daybreakers_posterA

Prévia estilosa mostra um futuro assolado pela escassez de sangue fresco

Depois do pôster mostrado esta semana, Daybreakers, filme de vampiros estrelado por Ethan Hawke e Willem Dafoe, acaba de ganhar o seu primeiro trailer. Confira abaixo.

Daybreakers se passa em 2016, quando a população mundial é composta essencialmente por vampiros, e os poucos vivos são presos para fornecer sangue. Agora o alimento está no fim – e o personagem de Hawke se alia a um grupo de humanos para tentar salvar a raça humana.

Sam Neill (Jurassic Park), Michael Dorman e Vince Colosimo também estão no elenco. A direção é dos irmãos australianos Peter e Michael Spierig, do cult Undead.

A Lionsgate lança o filme nos EUA em 8 de janeiro de 2010. No Brasil ainda não há data definida.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


‘DISTRICT 9′: ASSISTA AO NOVO TEASER DA FICÇÃO CIENTÍFICA POLÍTICA

Sexta-Feira | 26 | Junho | 2009

District 9

Noticiário alerta população para fuga dos seres não-humanos do Distrito 9

District 9, ficção científica com teor politizado, ganhou um novo teaser. O vídeo tem formato de plantão noticiário e informa a fuga de seres não-humanos da área de segurança Distrito 9. Assista abaixo.

Na trama, uma raça alienígena cai na Terra e, uma vez aqui, acaba isolada numa região similar a uma periferia, provocando o medo – e o rancor – dos humanos. As cenas foram rodadas no Soweto de Joanesburgo, na África do Sul.

A produção da WingNut Films de Peter Jackson, dirigida pelo novato sul-africano Neill Blomkamp, tem distribuição da Sony Pictures. O roteiro foi co-escrito por Blomkamp e Terri Tatchell. A estreia acontece em 30 de outubro no Brasil.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel

Confira o trailer logo abaixo:


“THE BOX”: FILME DA WARNER É VERSÃO DE “ALÉM DA IMAGINAÇÃO”

Sexta-Feira | 26 | Junho | 2009

Quem acompanha este blog a mais tempo deve se lembrar deste post. A Warner e a Appian Way, que pertence ao ator Leonardo DiCaprio, estavam na ocasiação pesquisando entre os episódios produzidos para a série “Além da Imaginação/The Twilight Zone”, histórias que pudessem adaptar para o cinema. Pois encontraram a primeira.

O próximo filme de Cameron Diaz que estréia em breve nos cinemas americanos é uma adaptação do episódio “Bottom, Bottom”, escrito por Richard Matheson e exibido no remake da série “Além da Imaginação produzido nos anos 80, o qual produziu novas histórias além de refilmar antigos roteiros.

No episódio, Mare Winningham e Brad Wright formam um casal que recebe uma caixa de um estranho. Este lhe diz que se apertarem o botão que está na caixa, ganharão muito dinheiro, mas alguém, em algum lugar, morrerá por isso.

No filme “The Box”, que será lançado pela Warner por volta de setembro ou outubro, Norma e Arthur Lewis formam o típico casal do subúrbio que recebem anônimamente uma caixa com a qual poderão ganhar um milhão de dólares caso apertem o botão da caixa. No entanto, causarão a morte de uma pessoa em algum lugar do mundo, alguém que eles não conhecem. Eles têm agora 24 horas para decidir se apertam o botão.

O filme é dirigido por Richard Kelly, que também adaptou a história de Matheson, e estrelado por Cameron Diaz, James Marsden, de “Ally McBeal”, e Frank Langella.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim

Veja abaixo o trailer:

Assista ao episódio de “Além da Imaginação”:


KAFKA: DA PÁGINA PARA A TELA

Sexta-Feira | 26 | Junho | 2009

Assisti O Processo, filme de David Jones feito em 1993, adaptando o romance de Kafka, com Kyle MacLachlan no papel de Joseph K. Como se sabe, este romance havia sido adaptado em 1963 por Orson Welles, sendo K. interpretado por Anthony Perkins. Quem se interessar, pode pegar os dois filmes em qualquer boa locadora e fazer uma comparação. São filmes que contam a mesma história, com episódios basicamente na mesma ordem, com os mesmos personagens, diálogos muito parecidos, etc. e tal. E no entanto são filmes substancialmente diversos. Pode-se também fazer o teste com o Macbeth do mesmo Orson Welles (1948) e o de Roman Polanski (1971). Mesma história, mesmos personagens, mesmos diálogos (Shakespeare, religiosamente intocado por ambos os diretores). Filmes diferentíssimos.

Não é só uma questão de visual, fotografia, cenários. É uma questão (por exemplo) de como os diálogos são ditos. Lembro-me de uma entrevista de Paulo Autran na TV em que ele recordava uma cena que fez numa peça. Havia uma cena entre um casal, e um diálogo (não lembro o quê) que era extremamente emotivo, intenso, e ele tinha medo que ficasse “over”, exagerado, e estragasse a cena. Aí ele disse que teve a idéia (aprovada pelo diretor) de dizer aquelas longas falas sentado na cama, calçando as meias e os sapatos. Isto deu às frases um contraponto de banalidade, de rotina, de cotidiano-de-casal, que tornou as frases ditas ainda mais pungentes.

O crítico Roger Ebert tem uma frase ótima sobre isto: “Um filme não precisa ser fiel ao livro. Adaptação não é casamento. Refilmagem não é adultério”. Seria terrível se Guerra e Paz ou Grande Sertão: Veredas só pudessem ser adaptados para o cinema uma única vez. Adaptar não é transpor. Adaptar não é transcrever-o-mais-fielmente-possível. Adaptar pode ser várias coisas, porque não existe uma receita universal, existem soluções que cada cineasta, seja ele Welles ou David Jones, acha mais adequada ao seu modo de fazer as coisas.

Para uns, é mais fácil captar e reproduzir a atmosfera psicológica e social de um filme, mesmo desmontando sua estrutura, inventando episódios, deletando personagens, etc., e no fim o filme torna-se quase que um prolongamento do livro, uma extensão, um complemento de cenas que poderiam muito bem estar no livro, poderiam ter sido escritas pelo autor. Para outros, adaptar é preencher as lacunas, colocar em primeiro plano o que no livro estava sem destaque, comentar visualmente o que tinha sido dito em palavras. Mal comparando, é como vários compositores receberem uma mesma letra, e a incumbência de musicá-la, sem alterar uma palavra sequer. Cada um vai fazer aquela letra dizer coisas que estavam latentes e a gente nunca tinha percebido. Dali resultarão canções diferentes – e irmãs. Imagine Guinga, Luiz Tatit, Arnaldo Antunes e Antonio José Madureira recebendo, para musicar, o mesmo soneto de Camões.
>> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares


“INDIGNAÇÃO” DE PHILIP ROTH

Sexta-Feira | 26 | Junho | 2009

Em Indignação, Philip Roth coloca em cena um “defunto-narrador”
e combina o realismo da sua ficção com elementos da tragédia

Por quase toda sua longa e prolífica carreira literária, Philip Roth atravessou décadas sem encontrar um tema adequado que amplificasse seu imenso talento verbal. Seus primeiros romances com os personagens Zuckerman e Kepesh, nas décadas de 1970-80, são todos fluentes e imaginativos, mas escritos com esmero numa prosa vibrante que passava uma incômoda impressão de ser desperdiçada com assuntos tão banais. Até mesmo o incensado Complexo de Portnoy (1969), quando lido sem fanatismo, revela-se pueril e superestimado. No entanto, em 1993, algo aconteceu: com Operação Shylock, Roth se reinventou como escritor e atingiu uma densa gramatura narrativa que parecia não estar mais ao seu alcance. Ocupou o proscênio e não mais o largou. A partir da obra-prima O Teatro de Sabbath (1995), Roth publica, incansável, um grande livro após o outro. É impreciso o motivo exato dessa virada. O que se pode afirmar, no entanto, é que esse renascimento, esse encontro de sua prosa com uma substância que lhe fizesse justiça, em parte é fruto do enamoramento de Roth com o potencial ficcional da história. O arco de narrativas que vem de Pastoral Americana (1997) ao agora editado no Brasil Indignação é um contra-relato da história estadunidense oficial.

Borges não disse nem afirmou, mas assim como lhe pareceu a Filosofia ser um tramo marginal da literatura fantástica, pode-se ver a História como filha metódica dos romances de aventura. Tanto a narrativa da História como a narrativa da Aventura possuem o mesmo nó: um homem perdido na voragem dos acontecimentos; instabilizado, no olho da tormenta. Seus atos são desencontrados; o texto organizado ao seu redor sabe mais que ele; e no final da narrativa, quase sempre, sua vida assume um sentido exemplar. Borges chamava atenção para uma aproximação de poéticas entre o metafísico, o fantástico e o sobrenatural, sugerindo que a diferença entre o filosófico e literário era de artifício. Buscavam a mesma coisa: apenas cerceavam-na de forma diferente. Romancistas e historiadores são irmãos de sangue, separados pelo método (ou gênero). E nesse contexto, não é absurdo afirmar que o historiador Carlos Ginzburg, por exemplo, com sua verve imaginativa e apurado senso de detalhes, é o melhor “romancista” europeu contemporâneo. Basta, para isso, ler de outro lugar.

Considerando que ficção é repetir em diferença, tanto o historiador como o romancista trabalham-na em chaves divergentes. Quanto mais próxima da materialidade dos fatos, quanto mais “exata” for essa repetição, melhor e mais persuasiva será a narrativa historiográfica. No entanto, para funcionar, o romance precisa ir pela direção contrária, muitas vezes. Trabalham com a mesma essência, mas o gênero romanesco funciona com convenções mais desarticuladas. Nem tão factual e lógica, com um método delirante em que ser exato pode levar ao erro. Philip Roth tornou-se um entusiasta tão grande do potencial ficcional da História que tem uma ótima narrativa dedicada não apenas em repetir em diferença como também em explorar a possibilidade histórica de outra versão dos acontecimentos: o romance O Complô Contra a América (2004), em que imagina o que seria dos EUA caso Lindbergh, um entusiasta do nazismo, tivesse se candidatado e ganhado a presidência e, assim, alinhando-se com as políticas anti-semitas durante a 2º Guerra Mundial. Em literatura, criar uma narrativa sobre acontecimentos que nunca aconteceram é iluminar e comentar, de outro lugar, aquilo que sucedeu de fato. E nenhum romancista escapa da História porque os sujeitos sociais são marcados por ela.

O fortíssimo Indignação se alinha com a Trilogia Americana – Pastoral Americana (1997), Casei com um comunista (1998) e A marca humana (2000) – como um romance que traça comentários ficcionais de determinado momento da História estadunidense. Narrado pelo protagonista Mascus Messner (estratégia diferente da Trilogia, narrada por Zuckerman), Indignação se debruça sobre um momento emblemático da cultura estadunidense: o impacto que o envolvimento americano com a Guerra da Coréia provocou no cotidiano das pessoas. Como em todos seus livros de maturidade, existe no romance tanto a contumaz e persuasiva riqueza de detalhes como a cinética força vernacular de sua prosa. Roth narra mais uma vida exemplar: um indivíduo devastado pela virulência de sua época. Seu personagem é centrado e consciente, estudioso e responsável, e em Roth é a consciência que acaba tornando as personagens vítimas das circunstâncias. Basta que abaixem a guarda uma única vez para serem arrebatadas na voragem dos acontecimentos. Como o reitor da faculdade onde Messner estuda afirma, após controlar uma baderna, num dos momentos mais eloqüentes do romance: “A História é o palco. E vocês estão no palco”. Não há fuga.

O romance, dessa forma, é menos sobre a Guerra da Coréia e mais sobre como uma cultura jovem, alimentada por um sentimento de inadequação aos valores hegemônicos da década de 1950, é “castigada” pelos mais velhos com o envio a uma Guerra violenta para onde se vai para morrer. Há sempre esse elemento estrangeiro demolidor em todas as narrativas de maturidade de Roth: é o macarthismo em Casei com um comunista; o politicamente correto em A marca humana; a morte progressivamente materializada em doenças em Homem Comum; a impotência e velhice em O Teatro de Sabbath. Há uma mesma trajetória nas personagens de Roth – reconhecimento do perigo, rendição consciente ao risco, e vertigem destrutiva pelo meio social -, e o sofrimento infligido acaba, no sentido fechado da obra, por tornar essas vidas exemplares. São construídas como se fossem núcleos a partir dos quais se podem construir comentários ficcionais de determinado momento histórico assumindo o olhar de quem está dentro da tormenta. Indignação, no entanto, é um livro mais simples, já que Roth usa, com exceção do brevíssimo epílogo, a própria voz de Messner, que está macerado por feridas fatais, delirando pela ação da morfina. Ao ter Zuckerman narrando os livros da Trilogia Roth criava, de forma sofisticada, outra camada ficcional: sobre a voz da personagem relatando seus conflitos, existia a voz de Zuckerman deslocando para outro contexto os sentidos daquela narrativa que apropriava. Ao mesmo tempo em que narrava o mundo da personagem como ela o via, desmontava o que acabava de narrar trazendo os acontecimentos para sua perspectiva, amplificando assim as ambigüidades das interpretações. Em Indignação, resta ao leitor simpatizar ou não com a versão delirante de Messner dos fatos. Não é pouco, é um grande livro; e apesar de não ser tão impactante quanto a Trilogia, e mais uma cintilante pérola no colar maduro de suas recentes narrativas.
>> TERRA MAGAZINE – por Vinicius Jatobá


“AMANHECER”: O ÚLTIMO LIVRO DA SÉRIE ‘CREPUSCULO’, DE STEPHENIE MEYER CHEGA ÀS LIVRARIAS

Quinta-feira | 25 | Junho | 2009

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Depois de vender mais de 55 milhões de exemplares em todo o mundo Amanhecer (Intrínseca, 576 pp., R$ 49,90) começou a chegar ontem (23/6) às livrarias brasileiras.

Com tiragem inicial de 400 mil exemplares, o último livro da série bestseller de Stephenie Meyer (Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse) vai prender os fãs na cadeira, na cama, no chão ou onde acharem melhor mergulhar nos últimos lances dessa aventura.

Vampiros, lobisomens e a bela Bella se unem pela última vez no empolgante romance. Bella vai mesmo se tornar uma imortal vampira? Edward terá coragem para cumprir sua promessa e dar-lhe o beijo da morte – ou da vida…? Seu amigo Jake, o lobisomem, vai ficar quieto no seu canto? Parece que os acontecimentos inesperados e os perigos não têm fim na vida da heroína – ou seria ela uma vilã? O final dessa história pode transformar o destino dos dois clãs: vampiros e lobisomens.

Os fãs que aguentaram esperar pela versão em português certamente vão devorar as 576 páginas que encerram esta emocionante série. Se o livro ainda não chegou à sua livraria leia aqui o primeiro capítulo. “Quando se ama aquele que vai matá-la, restam alternativas?” (Bella Swan).
>> PUBLISHNEWS – por Ricardo Costa


DISNEY DIVULGA ARTE DO VILÃO DE “A PRINCESA E O SAPO”

Quinta-feira | 25 | Junho | 2009

Disney_Princesa e o SapoO site oficial da Walt Disney Animation Studios divulgou as novas imagens conceituais do vilão Dr. Facilier, personagem do longa-metragem de animação “A Princesa e o Sapo”. Na história, ele será responsável por transformar o príncipe Naveen em sapo e modificar para sempre a vida de Tiana, a primeira princesa negra da Disney.

O amigo Léo Francisco destacou que teremos uma nova prévia do filme no próximo dia 28. Confira abaixo:

A Disney acaba de anunciar que no próximo domingo, dia 28 de Junho, acontecerá a apresentação de uma nova prévia do filme no Disney Channel dos Estados Unidos. Confira abaixo as informações em inglês:

SUNDAY, JUNE 28 (7:00 p.m., ET/PT)

* This evening's presentation features an exclusive sneak peek of footage from Walt Disney Pictures' “The Princess and the Frog,” an animated comedy adventure that provides a modern twist on a classic tale, featuring a beautiful girl named Tiana, a frog prince who desperately wants to be human again, and a fateful kiss that leads them both on a hilarious adventure through the mystical bayous of Louisiana.

Produzido em animação tradicional, o longa marca o retorno do estúdio a técnica que o tornou uma das maiores empresas da animação. A estréia oficial de “A Princesa e o Sapo”, o primeiro longa-metragem de animação do estúdio a apresentar uma princesa negra, acontecerá dia 11 de Dezembro nos Estados Unidos, sendo que algumas sessões especiais começaram a ser exibidas a partir do dia 24 de novembro.

No Brasil, a Disney confirmou o lançamento do animado para o dia 11 de Dezembro.
>> ANIMATION-ANIMAGIC – por Celbi Pegoraro


DISNEY PREPARA LIVROS SOBRE CANÇÕES E “A BELA E A FERA”

Quinta-feira | 25 | Junho | 2009

Disney_song

Duas novidades para quem curte livros sobre os bastidores de Disney. Dois novos livros estão prometidos para breve no mercado norte-americano. O primeiro deles se chama The Disney Song Encyclopedia dos autores Thomas Hischak e Mark A. Robinson.

O livro descreve e discute mais de 900 das mais famosas e não-tão-famosas canções de produções Disney para televisão, cinema, Broadway e parques temáticos desde a década de 1930 até os dias atuais. A idéia é determinar exatamente o que fazem essas canções serem tão memoráveis.

O livro incluirá também um glossário de termos da canção, uma lista de todas elas e suas origens, alem de uma lista com todas as canções de acordo com seu compositor e letrista, bibliografia e guia de gravações e DVDS. Aparentemente esse é um daqueles livros imperdíveis para quem curte música Disney.

Ainda sem autor definido, o segundo livro prometido é Tale as Old as Time (The Art and Making of Beauty and the Beast), e nada mais é do que o tão esperado livro de arte do clássico da animação “A Bela e a Fera” lançado em 1991. Até então, o único registro maior dos bastidores havia sido publicado na segunda parte da primeira edição do livro “The Art of Disney Animation” do autor Bob Thomas (a segunda edição tem os bastidores de “Hercules”).

O livro promete abordar desde a primeira versão do filme concebida pelo casal Richard e Jill Purdum, até a chegada da dupla Kirk Wise e Gary Trousdale, o envolvimento de Howard Ashman com as canções, além de entrevistas com artistas, executivos e atores; além de transcrições de reuniões e ilustrações com esboços, caricaturas, sequências de animação e arte conceitual de cenas descartadas. Dependendo do autor e do tratamento dado ao livro, será também algo imperdível.

O Animagic possui uma lista comentada de livros sobre o mundo da animação (com ênfase Disney). Novos livros serão adicionados em julho.
>> ANIMATION-ANIMAGIC – por Celbi Pegoraro


TRILOGIA “PADRÕES DE CONTATO”, DE JORGE LUIZ CALIFE

Quinta-feira | 25 | Junho | 2009

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Num único volume, a primeira trilogia da ficção científica hard brasileira

O fluminense Jorge Luiz Calife é um dos mais importantes e prolíficos autores de ficção científica do nosso país, considerado o “pai da FC hard brasileira” pelo pioneirismo da sua trilogia “Padrões de Contato” (Devir, 644 páginas), aqui reunida pela primeira vez num único volume, com introdução de Marcello Simão Branco.

Calife ajudou a popularizar a idéia de uma FC brasileira publicando em revistas como EleEla, Playboy, Isaac Asimov Magazine e Manchete – onde foi publicado o seu conto “2002”, que impressionou Arthur C. Clarke e o motivou a escrever uma seqüência ao seu clássico 2001: Uma Odisséia no Espaço. Seus contos apareceram também na França e em Portugal.

Alguns dos contos de Calife estão reunidos em As Sereias do Espaço (2001). Jornalista e divulgador científico, também publicou Espaçonaves Tripuladas (com Cláudio Oliveira Egalon e Reginaldo Miranda Júnior, 2000) e Como os Astronautas Vão ao Banheiro? E Outras Questões Perdidas no Espaço (2003).

“[Agradeço] ao Sr. Jorge Luiz Calife, do Rio de Janeiro, por uma carta que me fez pensar seriamente numa possível continuação [de 2001: Uma Odisséia no Espaço]”

Como este agradecimento em 2010: Uma Odisséia no Espaço II, Arthur C. Clarke colocou o brasileiro Calife no mapa da ficção científica mundial, abrindo a ele as portas para escrever a Trilogia Padrões de Contato:
Século XXV. A humanidade controla o Sistema Solar e vive uma era de hedonismo e tranqüilidade econômica e social. Empreiteiros espaciais disputam megaprojetos de ultratecnologia, dividindo o Sistema Solar entre seus interesses. Residências aéreas dão forma a uma vida paradisíaca nos céus da Terra. Golfinhos mantêm contato telepático com uma inteligência galáctica de bilhões de anos, a Tríade, guardiã da segurança da humanidade. Mas tudo começa a mudar com a chegada do Batedor, sonda de uma civilização distante que oferece testemunho de como o destino da humanidade deve ser entre as estrelas.

Século XXVI. A humanidade tenta encontrar saídas para a colonização estelar. Tensões aumentam entre os que desejam manter a pureza do corpo humano, os que se querem a fusão com a máquina, e os que buscam a simbiose com organismos geneticamente manipulados. Baleias trabalham na construção civil em Europa, a lua de Júpiter, e jovens simbiontes conseguem flutuar no vácuo sem trajes espaciais. Contudo, um problema de preservação ambiental pode limitar a construção de um novo porto espacial de grande importância para a Terra.

Século XXVIII. A ultratecnologia trouxe a felicidade? Não para um grupo de transcendentalistas que enviam apelos ao espaço com radiotelescópios. Para eles, a Tríade tem a solução — a fusão de mentes individuais à sua matriz cristalina, unindo a espécie humana à sua consciência coletiva ancestral.

Assim Jorge Luiz Calife constrói a sua história do futuro. O fio condutor é Angela Duncan, mulher tornada imortal pela Tríade. A saga avança com a descoberta de uma nave de gerações tripulada por brasileiros e vítima de uma cruel ditadura militar, uma guerra com parasitas espaciais, jornadas por de um buraco negro até o passado da Terra, e a resolução do mistério da Tríade.

“Um brasileiro imaginativo, bem informado e irreverente, capaz de lidar com a ficção científica tão bem quanto os melhores autores estrangeiros do gênero.”
—Miriam Paglia Costa, Veja.

“Os romances de Calife são os primeiros a combinar a escala épica do mito, sense of wonder, e a crença na tecnologia no Brasil… Ele representa uma nova espécie de escritor de ficção futurista no Brasil, que explora questões sociais, ecológicas e políticas, ao mesmo tempo que especula sobre a colonização do espaço e novas tecnologias… Calife ultrapassa os limites dos escritores anteriores do gênero, ao criar um mundo no qual a tecnologia, quando associada a uma consciência social e metafísica, abre um novo conjunto de possibilidades para o futuro.”

—M. Elizabeth Ginway, autora de Ficção Científica Brasileira

“Dono já de um estilo, [Calife] manipula os ingredientes próprios do gênero com precisão… sem os artificialismos que tanto prejuízo trazem a grande parte dos volumes que em todo mundo se imprimem…”
—Gumercindo Rocha Dorea


‘COLD SOULS’: ASSISTA AO TRAILER DA COMÉDIA DRAMÁTICA DE FICÇÃO CIENTÍFICA

Quarta-feira | 24 | Junho | 2009

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Paul Giamatti interpreta a si mesmo neste Spike Jonze genérico

A comédia dramática de ficção científica Cold Souls ganhou o seu primeiro trailer. Confira abaixo Paul Giamatti interpretando a si mesmo – não só pelo fato de fazer sempre o mesmo papel de loser, o personagem é ele mesmo de fato – nesta mistura de Quero ser John Malkovich com Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.

Na trama escrita e dirigida por Sophie Barthes, estreante em longas, Giamatti está passando por uma crise criativa e existencial. Eis que surge o Dr. Flintstein (David Strathairn) com uma solução: remover e arquivar a alma de Giamatti. Como o paciente não vê melhoras, pede pra tê-la de volta – e aí começam os problemas. Ela foi roubada por traficantes de almas e agora se encontra em algum lugar na Rússia.

Emily Watson e Lauren Ambrose também estão no elenco. O filme estreia nos EUA em 7 de agosto. No Brasil não há previsão.
>> OMELETE – por Marcelo Hessel


“ALICE NO PAIS DAS MARAVILHAS”: DETALHES DA TRAMA

Quarta-feira | 24 | Junho | 2009

O site norte-americano CC2K divulgou detalhes sobre o roteiro de Alice no País das Maravilhas, novo filme do diretor Tim Burton.

De acordo com a informação, o filme não será uma adaptação fiel da obra de Lewis Carroll, e sim uma espécie de continuação. Alice agora é uma jovem de 17 anos, que não se lembra de sua viagem anterior ao País das Maravilhas.

Na festa do seu noivado com um rico empresário, Alice acaba indo atrás de um coelho branco. O coelho deseja avisá-la sobre uma profecia, segundo a qual a jovem estaria destinada a matar Jabberwock, o guardião do império da Rainha Vermelha. Alice então reencontra velhos conhecidos, como o Gato de Cheshire, Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, a Lebre de Março e o Chapeleiro Louco. A jovem descobre que a bondosa Rainha Branca, de quem todos eram súditos leais, foi banida pela malvada Rainha Vermelha, auxiliada pelo Valete de Copas.

Segundo o site, haverá também um envolvimento romântico entre Alice e o Chapeleiro Louco.

No filme que chega aos cinemas em 5 de março de 2010, Mia Wasikowska faz o papel de Alice, Johnny Depp é o Chapeleiro Louco, Matt Lucas interpreta Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, Anne Hathaway é a Rainha Branca, Helena Bonham-Carter, a Rainha Vermelha e Crispin Glover é o Valete de Copas. O roteiro da produção da Walt Disney Pictures está a cargo de Linda Woolverton.

Alice no País das Maravilhas é o livro mais famoso de Lewis Caroll, considerado um dos clássicos da literatura inglesa. Carregada de nonsense, a história começa quando a menina Alice, perseguindo um coelho branco, cai em um buraco e se descobre em um lugar fantástico, povoado de criaturas peculiares.
>> HQ MANIACS – por Andréa Pereira


TRÊS LIVROS INFANTIS DE NEIL GAIMAN SAIRÃO NO BRASIL EM 2010

Quarta-feira | 24 | Junho | 2009

Rocco traz The Graveyard Book, Blueberry Girl e The Dangerous Alphabet

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a editora Rocco adquiriu os direitos de publicação de três livros infantis do escritor Neil Gaiman. São The Graveyard Book, Blueberry Girl e The Dangerous Alphabet. Todos devem sair em 2010 no Brasil.

Nenhum dos títulos tem tradução para o português até o momento. The Graveyard Book é o mais famoso deles – repetindo o estilo de Coraline (também publicado aqui pela Rocco), é um livro de prosa com ilustrações em preto e branco de Dave McKean, que conta a história de um menino criado pelos fantasmas e assombrações de um cemitério após seus pais serem assassinados. A obra ganhou a prestigiosa John Newbery Medal, dedicada ao melhor da literatura infantil, e vai ser adaptada para o cinema por Neil Jordan.

Blueberry Girl e The Dangerous Alphabet são livros ilustrados – respectivamente por Charles Vess (que colaborou com Gaiman em Sandman) e Gris Grimly. Os dois foram publicados este ano nos EUA e seguem o estilo de Os Lobos Dentro das Paredes, colaboração de Gaiman e McKean também já lançada por aqui pela Rocco.

Vale lembrar que este ano sai no Brasil Mr. Punch, graphic novel inédita de Gaiman e McKean. E para as editoras sedentas por alimentar a gaimania nacional: trabalhos infantis como Crazy Hair e The Day I Swapped My Dad For 2 Goldfish (outras colaborações com McKean) e Odd and the Frost Giants (que sai nos EUA nos próximos meses, ilustrado por Brett Helquist), bem como infanto-juvenis como M is for Magic (coleção de contos) e Mirrormask (McKean de novo) continuam inéditos por aqui.
>> OMELETE – por Érico Assis


TRÊS MOMENTOS GRACIOSOS PORÉM NADA CORRETOS

Quarta-feira | 24 | Junho | 2009

Monstrinhos e monstrengos interagem com pessoas reais, assustando, divertindo...

Monstrinhos e monstrengos interagem com pessoas reais, assustando, divertindo…

1 

Estranhos monstros invadindo as ruas, shopping centers, estações do metrô, escolas, lojas e supermercados. Monstros alegres, mal educados, rabugentos, tristes, desastrados, violentos e confusos. Monstros de todas as cores e tamanhos. Monstros voadores, nadadores, saltadores e rastejadores. Monstros em forma de cachorro-quente, brócolis, Elvis Presley e gorilas. Monstros-bomba e monstros aposentados.

São essas aparições inusitadas que o grupo Volstok Telefunken, formado pelos belgas Thijs De Cloedt e Wouter Sel, que entre outras coisas faz animações comerciais e vinhetas para a MTV, está colocando em seu site em filmes de meio a um minuto.

Em cada um dos cerca de cem vídeos, os monstrinhos e monstrengos interagem com pessoas reais, assustando, divertindo, incomodando e participando de pequenos momentos da vida urbana da população belga.

É impossível entrar no site www.demonsters.be e assistir a apenas um desses pequenos vídeos divertidos e criativos.

2

No blog seemikedraw.wordpress.com uma frase anuncia “Os cartuns mais engraçados da Terra – garantido!” para depois explicar que “A garantia, na verdade, não é garantida”. Mas se não são os mais engraçados pelo menos estão disputando o páreo por uma cabeça.

O desenho de Mike, nos cartuns e quadrinhos do blog, apresenta os personagens com um traço gracioso e cores suaves. Mas esta aparente inocência formal traz um humor adulto e corrosivo, satirizando situações de sexo, literatura, religião, cinema e TV.

As atualizações, que o autor promete serem semanais, não são muito frequentes, mas vale o trabalho de checar e ver o Mike desenhar gags cruéis e nada politicamente corretas.

3

O último da lista é uma animação de pouco mais de três minutos que traz o personagem Quimby the Mouse e sua relação de amor e ódio com Sparky, um gato que é apenas uma cabeça, sem corpo.

No estilo dos antigos desenhos animados da primeira metade do século 20, a história com o traço limpo e preciso de Ware, com cores discretas e sem palavras, mostra um conto de abuso e violência sutil, bem ao estilo do autor, um dos maiores quadrinhistas da atualidade, criador de Jimmy Corrigan e da série de livros/revistas Acme Novelty Library.

A excelente animação pode ser vista aqui: http://vimeo.com/4412391?pg=embed&sec=

Estranhos monstros invadindo as ruas, shopping centers, estações do metrô, escolas, lojas e supermercados. Monstros alegres, mal educados, rabugentos, tristes, desastrados, violentos e confusos. Monstros de todas as cores e tamanhos. Monstros voadores, nadadores, saltadores e rastejadores. Monstros em forma de cachorro-quente, brócolis, Elvis Presley e gorilas. Monstros-bomba e monstros aposentados.
>> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini


“ANTES DE NASCER O MUNDO”: MIA COUTO CHEGA AO BRASIL PARA FALAR SOBRE SEU NOVO ROMANCE

Terça-feira | 23 | Junho | 2009

O escritor moçambicano Mia Couto será homenageado no Festlip, que acontece em julho no Rio

O escritor Mia Couto será homenageado no Festlip, que acontece em julho no Rio

Depois que o mundo acabou, um lugarejo chamado Jesusalém tornou-se o lar do que restou da humanidade –Silvestre Vitalício, os dois filhos, um tio dos meninos, um serviçal e, vá lá, a jumenta Jezibela, “tão humana que afogava os devaneios sexuais” do velho Vitalício.

Mas um dia Mwanito, o filho mais novo, vê uma mulher e desaba em lágrimas, porque achava ue não havia mais nenhuma delas na Terra. É a partir desse ponto, entre o fim e o começo da existência, que se desenrola “Antes de Nascer o Mundo”, o mais recente romance do moçambicano Mia Couto. O livro tem lançamento simultâneo no Brasil e em Portugal, Angola e Moçambique.

Por aqui, Couto, 53, um dos maiores nomes da literatura africana contemporânea, desembarca nesta semana para uma série de eventos. O primeiro acontece nesta quinta, em São Paulo, quando o autor lança o romance na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

Embora a descrição da história de “Antes de Nascer o Mundo” lembre algo de realismo fantástico, é de uma realidade bem próxima do autor que o romance trata. Jesusalém, “a terra onde Jesus haveria de se descrucificar”, é um lugar como tantos outros que o escritor conheceu em seu país.

“No interior de Moçambique deparei com famílias que viviam numa quase completa condição de marginalidade. Estavam aparentemente longe de tudo. Trabalhei com essas comunidades e reparei sempre que, depois de um primeiro olhar, a ligação umbilical com o mundo de hoje estava presente”, ele diz à Folha.

É dessa ligação que Vitalício, o líder do lugarejo, tenta se livrar. Mais precisamente, da lembrança que o mundo real lhe traz –a morte de Dordalma, mãe de seus filhos. A tentativa de apagar o passado é também uma fuga da guerra que, durante 16 anos, fez quase 1 milhão de mortos no país.

“Os moçambicanos escolheram o esquecimento. Quem hoje viaja pelo país não sente sinal nenhum dessa guerra. Esse esquecimento é uma sabedoria, uma percepção de que os demônios do passado ainda não foram enterrados. Mas é um falso esquecimento, como quase sempre sucede com os lapsos de memória”, diz Couto.

No teatro

Os outros eventos de que o autor participa no Brasil são ligados ao teatro. Nesta sexta-feira, ele participa de um bate-papo no Sesc Avenida Paulista, onde está em cartaz a peça “O Outro Pé da Sereia”, adaptada do romance homônimo do autor pela Cia. Fábrica São Paulo.

No dia 3 de julho, faz palestra no Sesc Ginástico, no Rio, dentro do Festlip – Festival de Teatro da Língua Portuguesa (www.talu.com.br/festlip), que reúne 11 espetáculos de seis países.
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Raquel Cozer

ANTES DE NASCER O MUNDO
Autor: Mia Couto
Editora: Companhia das Letras
Quanto: R$ 42 (280 págs.)
Lançamento: qui., às 19h, na Livraria Cultura do Cj. Nacional (av. Paulista, 2.073, tel. 0/xx/11/3170-4033)

BATE-PAPO COM MIA COUTO
Quando: sex., às 18h
Onde: Sesc Av. Paulista (av. Paulista, 119, 3º andar, tel. 0/xx/11/3179-3700)
Quanto: entrada franca
Classificação: não recomendado para menores de 12 anos


“TAIKODOM”: UNIVERSO INTEIRO PARA SER CRIADO

Terça-feira | 23 | Junho | 2009

Taikodom_Cronicas_GersonDesenvolvido em Florianópolis, o jogo on-line Taikodom
tem a sua base literária na ficção de Gerson Lodi-Ribeiro

Principal escritor brasileiro de história alternativa, o carioca Gerson Lodi-Ribeiro já imaginou o que teria acontecido se Zumbi tivesse se aliado aos holandeses e vencido a Guerra dos Palmares, no século 17, no livro Outros Brasis (2006). Agora, como um dos responsáveis pelo projeto do universo ficcional Taikodom (que incluiu literatura de ficção científica, quadrinhos e um jogo on–line desenvolvido pela empresa Hoplon, de Florianópolis), ele criou toda uma história da conquista da galáxia nos sete contos do livro Crônicas (Devir, 360 págs. R$ 40 – acompanha CD-Rom com o game Taikodom) o segundo da série (o primeiro foi Taikodom: Despertar, de João Marcelo Beraldo) publicada pela Devir.

Engenheiro eletrônico, físico e astrônomo, o carioca Gerson Lodi-Ribeiro é uma das referências nacionais da chamada terceira onda (as duas primeiras ocorreram nos anos 1950/60 e na década de 1970) da literatura de ficção científica feita no Brasil. Publicou seus primeiros contos em fanzines no final dos anos 1980, mas sua estreia profissional se deu com a noveleta Alienígenas Mitológicos, publicado na versão brasileira da Isaac Asimov Magazine, em 1991. Dois anos mais tarde, inaugurou o gênero de história alternativa no Brasil com a também noveleta A Ética da Traição, um clássico da ficção especulativa nacional, mais tarde traduzida e publicada na França.

Publicou dois livros de contos pela principal editora portuguesa de FC e fantasia, a Editorial Caminho, Outras Histórias… (1997) e O Vampiro de Nova Holanda (1998). Como editor da carioca Ano-Luz, publicou as antologias de contos Phantastica Braziliana (de história alternativa, em 2000) e Como Era Gostosa a Minha Alienígena! (de contos eróticos, 2002).

Desde 2004, Gerson vem desenvolvendo o universo ficcional Taikodom, vindo com frequência a Florianópolis para discutir os rumos do projeto. A última reunião foi na semana passada, quando ele respondeu por e-mail as perguntas do DC:

Taikodom_Cronicas_capaDiário Catarinense – Qual é a sensação de ter pela frente todo um universo ficcional para descrever e desenvolver e poder usar a sua imaginação e o seu conhecimento para criá-lo?
Gerson Lodi-Ribeiro – Sempre gostei de criar e trabalhar em universos ficcionais ricos e extensos. Tenho a impressão de que esta foi uma das razões principais de ter sido escolhido pela Hoplon para ajudar a desenvolver o Universo Ficcional Taikodom. Uma vez especificadas as propriedades desse universo ficcional, o escritor tem acesso a um vasto playground intelectual, repleto de brinquedos, cujas leis de funcionamento ele pode explorar de forma efetiva para criar ficções instigantes, gostosas de ler e de escrever. Daí, a sensação de possuir um universo ficcional do tamanho do Taikodom para explorar é muito boa e a sensação de estar fazendo algo a um só tempo diferente e importante para a ficção científica brasileira é melhor ainda.

O primeiro conto de Crônicas é a narrativa do início do processo de diáspora da humanidade pela galáxia. Até que ponto esse processo se assemelha ao relatado nas crônicas dos viajantes marítimos do século 16 e 17?
Eu diria que essas duas narrativas de diáspora exploratória se assemelham um bocado. Basta dizer que o título provisório da noveleta Point of K(No)w Return era Pitcairn Eridani, uma referência à história real (já ficcionalizada várias vezes pelos estúdios de Hollywood em filmes como The Bounty) de um punhado de marinheiros britânicos e nativas taitianas que naufragaram na Ilha Pitcairn em 1790 e acabaram criando uma comunidade por lá. Quando a comunidade foi “descoberta” em 1808, só um dos marinheiros originais estava vivo. Essa comunidade ainda existe e está em Pitcairn até hoje.

Alguns nomes e sobrenomes de personagens são uma homenagem explícita a alguns autores de ficção científica que você admira, pelo menos isso fica evidente para os leitores mais atentos do gênero, como Ursulla Tertius, só para citar um, inspirado no nome da escritora norte-americana Ursula LeGuin e no famoso conto de Jorge Luis Borges, Tlön, Uqbar, Orbis Tertius. O quanto esses autores e essas leituras inspiraram a sua escrita?

Meus autores favoritos inspiraram muito minha escrita em geral e minhas histórias no universo ficcional Taikodom em particular. No entanto, creio que essa influência se manifesta mais nas temáticas do que nos nomes dos personagens. Há ideias e conceitos apresentados no Taikodom que dialogam, por assim dizer, com obras clássicas da ficção científica. Muitos dos nomes dos meus personagens são homenagens mais ou menos explícitas a pessoas reais ou ficcionais que eu admiro. No caso da Ursulla Tertius… Bem, eu tenho três filhos: Barbara (primogênita); Erich (do meio) e Ursulla (caçula).

No conto Despertar do Físico, você volta a unir a FC e o erotismo, a exemplo da coletânea de contos eróticos fantásticos Como era gostosa a minha alienígena!, que você organizou em 2002. Como foi aquela experiência? E qual o papel que você imagina que o sexo vai desempenhar numa sociedade pós-orgânica, pós-humana?
Olhando para trás, concluo que organizar a antologia temática de ficção científica e fantasia erótica Como Era Gostosa a Minha Alienígena! foi o auge de minha breve carreira (pelo menos até agora) como editor de ficção científica e fantasia. O objetivo inicial era reunir um número igual de autores e autoras lusófonas, com um certo equilíbrio entre obras inéditas, escritas especialmente para a Gostosa! e obras já publicadas anteriormente, algumas até clássicas dentro da ficção científica brasileira e portuguesa. A experiência de lidar com outros autores e seus egos autorais é muitas vezes complicada, mas quase sempre gratificante, sobretudo quando o resultado final é positivo. Na minha opinião, a Gostosa! é a melhor antologia de ficção científica erótica já produzida em termos mundiais. Sim, já li todas as outras. E, sim, sou altamente suspeito para opinar! O Despertar do Físico é um caso especial dentro do Universo Ficcional Taikodom. A ideia original era veicular esse conto numa revista masculina. Como o pessoal da Hoplon já sabia da minha experiência com a Gostosa!, veio a sugestão de que eu tentasse escrever um conto erótico ambientado em nosso universo ficcional. Lembro que à época produzi duas versões, uma mais light (apelidada canal Playboy) e outra mais hardcore (apelidada Sex Hot). Pode até soar ingênuo, mas creio que o sexo vai continuar desempenhando um papel fundamental na sociedades humanas pós-orgânicas. Só que provavelmente assumirá novos contextos e ocupará outros espaços além dos atuais. Afinal de contas, nosso interesse pelo sexo é parte do que nos define como humanos. Agora, quanto à questão do “pós-humano”, neste sentido ela soa como contra-senso. Porque nossas máquinas e programas autoconscientes e hiperinteligentes não serão elaborados por alienígenas, certo? Então, em certos contextos, referir-se a “pós-humano” pode até soar chauvinista (“organicismo”: o preconceito do futuro? Vários autores de ficção científica já abordaram esse tema) aos ouvidos ou outros órgãos auditivos e/ou sensórios de nossos futuros concidadãos artificiais.

Você imagina o processo de diáspora da humanidade pela galáxia patrocinado por um consórcio de megacorporações e, num dado momento deste percurso, imagina, também, a formação de um império nos moldes do antigo império romano, inclusive com a utilização de termos em latim no texto. Não há como escapar desses dois “ismos”, o capitalismo e o totalitarismo, se a humanidade quiser colonizar outros planetas?
Sim. Uma das premissas do universo ficcional Taikodom é que a iniciativa privada, e não as agências governamentais, irá proporcionar a verdadeira conquista do espaço. Mais tarde, com a Restrição da Terra e o fim da civilização global terrestre, o conceito de Estado é inteiramente abandonado. Cerca de um século após a Restrição, algumas comunidades e corporações descontentes com o Consortium (conglomerado de megacorporações do Sol e de Alpha Centauri criado para organizar o Espaço Humano) migram para outros sistemas estelares. Embora essas facções dissidentes acusassem o Consortium de ferir as práticas hipercapitalistas ao tentar ressuscitar o conceito arcaico do Estado, a grande ironia da coisa é que é justamente a maior e mais influente dessas facções que restabelece o Estado e não um Estado qualquer, mas uma forma inspirada na organização estatal mais duradoura da história humana, o Império Romano. Só que, no fundo, como mostraremos mais tarde, o Império não é muito mais totalitário do que o próprio Consortium. Mas, sim, talvez haja como escapar do hipercapitalismo do Consortium e dos estatólatras do Império. É isto que as comunidades anárquicas de Arcturus estão tentando fazer, como mostraremos em breve na trilogia Protocolos de Etrúria.

O público norte-americano é o maior consumidor mundial de FC, em todas as mídias possíveis; na literatura, no cinema, nos games. Será que algum dia teremos algo parecido com isso no Brasil, ou esse projeto multimídia da Hoplon, com a coleção Taikodom, é mais do que uma aposta nesta possibilidade de mercado?
Nós que trabalhamos na Hoplon acreditamos que um dia a ficção científica será mais popular no Brasil. Apostamos nesta possibilidade e estamos fazendo nossa parte. Só que, como você bem colocou, o projeto multimídia do Taikodom não aposta todas as suas fichas apenas na possibilidade (real) do crescimento do mercado de ficção científica e fantasia lusófono.
>> DIÁRIO CATARINENSE – por Dorva Rezende


‘NEVASCA’ (SNOW CRASH), DE NEIL STEPHENSON

Terça-feira | 23 | Junho | 2009

Primeiro publicado nos Estados Unidos em 1992, Nevasca (Aleph, 434 páginas, tradução de Fábio Fernandes), foi um dos lançamentos mais interessantes da ficção científica no Brasil, em 2008.

O hacker Hiro Protagonist (sic), um jovem afro-asiático-americano, é um espadachim metido a samurai, entregador de pizzas para a máfia (reduzida a uma franquia ítalo-americana de comida típica) e agente da Central Intelligence Corporation, nas horas vagas. A CIC sugere que a atual CIA (Central Intelligence Agency) teria sido privatizada no futuro próximo, e os Estados Unidos que o autor Neil Stephenson imagina é um país fragmentado, pressionado pela hiperinflação, de privatização extrema e de comunidades isoladas ao longo de linhas raciais ou étnicas, administradas por Estados-franquia, os “franchulados”, na tradução de Fábio Fernandes. Como todos têm uma aura criminalizada, fazem lembrar as favelas dos morros cariocas, controladas pelas milícias de policiais militares e o seu capitalismo ultra-selvagem substituindo o Estado brasileiro, nos setores de serviços e segurança.

A diferença é que o foco de Stephenson não está no subúrbio brasileiro, pobre e violento, mas no americano, rico e alienado de Los Angeles. Essa certamente é uma das razões da reputação deste romance, eleito um dos cem melhores romances em língua inglesa do século 20 pela revista Time, e considerado um clássico moderno da ficção científica cyberpunk.

O subúrbio tem sido local de importantes transformações sociais no American way of life desde o fim a 2.ª Guerra Mundial, e nos anos 60 e 70 foram abraçados pela ficção pós-modernista americana – na qual Nevasca se insere. Tanto que o seu primeiro capítulo aparece na Postmodern American Fiction: A Norton Anthology (1998): “Nevasca (1992), de Neil Stephenson, é um exemplar da ficção científica ‘cyberpunk‘, com a sua descrição de um universo de ciberespaço ‘virtual’ sempre em expansão e completamente comercializado, complementado por uma América ‘real’ fragmentada em suburbclaves, cidades-estado privadas onde quatro indústrias principais impulsionam a economia nacional: música, filmes, microcódigos e a entrega de pizzas em alta velocidade”, escreveram os editores da antologia, Paula Geyn, Fred G. Leebron & Andrew Levy.

O subúrbio é às vezes local de novas formas de segregação racial e econômica, e não surpreende que esses suburbiclaves do futuro incluam grupos de supremacistas brancos, negros, latinos e asiáticos. No começo do livro, Hiro só consegue entregar uma pizza na comunidade supremacista branca com a ajuda de uma skatista Kourier conhecida como “Y.T.”, uma bonita loura de 15 anos e muita personalidade, do tipo que não leva desaforo pra casa, e que aos poucos vai rivalizando com Hiro para assumir o centro do interesse do romance. Hiro a emprega na busca de informações para a CIC, mas os dois trabalham em linhas narrativas separadas.

A intriga principal gira em torno do vírus “nevasca”, que Hiro descobre estar circulando na versão do ciberespaço descrita no livro, o Metaverso – considerado uma antecipação do Second Life dos nossos dias. Com toda a geografia física dividida e recortada, o Metaverso é um espaço em constante expansão “imobiliária” e de expansão da persona dos usuários. Desse modo, a persona heróica de Hiro tem expressão maior no Metaverso, cujo código ele ajudou a criar, quando de sua associação com a ex-namorada Juanita Márquez e o atual marido de Juanita, Da5id Meier (sic), um judeo-americano (ela é católica) vitimado pelo nevasca, que atua também sobre a mente humana.

Stephenson, ao contrário de muitos cyberpunks de primeira geração, entende de programação de computadores, e traz mais verossimilhança às suas especulações – ainda que o romance tenha seu aspecto satírico muito mais pronunciado do que a média dos romances cyberpunks anteriores. Por sua vez, Hiro não lembra o herói cyberpunk-padrão – é um sujeito que se vira bem nas ruas, mas que vendeu suas ações do Metaverso para pagar a aposentadoria da mãe, raramente emprega as falas casuais típicas do cyberpunk e é capaz de acompanhar uma discussão altamente erudita envolvendo a cultura suméria (3300 a 2000 a.C.).

De fato, ao seguirem o rastro do vírus nevasca, Hiro e Y.T. (que raramente se encontram fisicamente) acabam metidos numa intriga capitaneada pelo insidioso magnata da religião eletrônica, L. Bob Rife. Esse personagem claramente satiriza o autor de FC e fundador da cientologia, L. Ron Hubbard (1911-1986), e vive em um vasto favelão flutuante aglutinado em torno do porta-aviões nuclear Enterprise, que Rife adquiriu num saldão de sobras militares. Rife quer dominar o mundo por meio de um vírus-software capaz de programar o comportamento humano, o nam-shub. Há uma elaborada teoria por trás disso, recuando no tempo até os sumérios e seus mitos – num recurso que nos faz lembrar de menos uma obra suméria de importância para a ficção científica, O Épico de Gilgamesh (século 20 a.C.).

A questão suméria é central – ela dá a motivação da intriga. E aponta para o tipo de interesse que Stephenson demonstraria na fase seguinte de sua carreira, em tijolões como Cryptonomicon, de 1999, repletos de conspirações milenares e códigos ocultos. E reforça o status pós-modernista do romance, pela mistura do popular (Nevasca foi primeiro concebido como uma história em quadrinhos) com a erudição histórica, já que a ruptura da divisão entre cultura popular e alta cultura é outra suposta característica do pós-modernismo.

O romance é narrado em capítulos curtos e no tempo presente, dando-lhe, especialmente no início, um grande dinamismo. Por outro lado, as discussões de Hiro com um bibliotecário virtual são longas, pesadas, e destoam do restante da narrativa.

Mais problemático ainda é o fato de que Stephenson associa os mitos sumérios à cosmogonia judaico-cristã, por isso acaba propondo uma linhagem do pensamento do mundo ocidental – hipótese levada a sério pelos eruditos: “É fascinante especular”, escreveu o historiador J. M. Roberts (in History of the World; 1993), “que possamos dever tanto da nossa própria ancestralidade intelectual a uma reconstrução mítica feita pelos sumérios, de sua própria pré-história”. E especular é o que faz a literatura especulativa, mas o problema surge quando Hiro afirma: “poderíamos dizer que o nam-sub de Enki foi o início da consciência humana – quando primeiro precisamos pensar por nós mesmos. Foi o início da religião racional, também, a primeira vez em que as pessoas começaram a pensar em questões abstratas como Deus, Bem e Mal.”

Na sua visão, essas qualidades progridem com o avanço da civilização ocidental. O raciocínio exclui da “consciência humana” culturas anteriores ou as que só seriam “contaminadas” mais tarde. Como a ocidentalização do mundo ainda avança, continua valendo essa exclusão implícita. E Hiro revela a sua teoria na presença do Sr. Lee, o criador do primeiro franchulato (a Grande Hong Kong) e do vietnamita Ng, um homem que foi feito em pedaços e queimado vivo pelas tropas americanas durante a Guerra do Vietnã, e sobrevive em um sistema pessoal de suporte de vida.

Isso tudo coloca em cheque o multiculturalismo do romance, já tão dependente do estereótipo satírico. Se a consciência humana só se propaga com a ocidentalização globalizante (e seus momentos anteriores de mercantilismo, escravismo, colonialismo e imperialismo), não equivale a dizer que os povos não-ocidentais não são realmente humanos até que sejam contaminados pela cultura ocidental?

E embora Rife seja o vilão-mor, aquele que vemos cometendo o maior número de atrocidades é Raven, um nativo das Ilhas Aleutas, de dois metros de altura que anda por aí com uma ogiva nuclear debaixo do braço, e que mata gente aos montes com facas de vidro – armas low-tech que colocam o high-tech em cheque.

Enfim, o romance se apóia fortemente na noção de uma correspondência entre os processos da mente e os do computador – o que Stephenson, um programador, traduz em termos de “código”. A noção está circulando desde, pelo menos, a década de 1950, e Brian Aldiss dedica boa parte do seu livro de não-ficção, The Shape of Further Things (1970), a promover a idéia, seguindo as pesquisas do seu amigo cientista de computadores, Christopher Evans (1931-1979). “Logo, a computação se tornou o modelo da mente”, escreveu o psicólogo americano Jerome Bruner em 1990, “e no lugar do conceito de sentido, emergiu o conceito de computabilidade”. Mas é o próprio Bruner quem chama a metáfora da computação de “reducionista” e insuficiente para definir os processos de geração de sentido. Não obstante, o conceito é central para o cyberpunk – sem ele não haveria inteligências artificiais ou personalidades “baixadas” na memória de computadores.

De modo semelhante, é possível apontar como Nevasca, que é ambientado no início do século 21 que vivemos agora, falhou em “prever” o futuro. Afinal, como diria o crítico Antonio Luiz Costa, os EUA não caíram no anarco-capitalismo; ao contrário, buscam fortalecer o Estado contra o mito do mercado livre como panacéia universal. Mas chamá-lo de “datado” também não é o recurso crítico mais apropriado. Está claro que Stephenson se arriscou ao projetar um futuro tão próximo e de mudanças tão radicais. Mas a sátira precisa de um alvo concreto e reconhecível, algo que tal proximidade oferece. E assim como o objetivo da FC é fazer pensar e não ser profética, toda literatura séria busca capturar com engenho e arte o espírito do seu tempo – do instante em que foi escrita -, e nisso e apesar das ressalvas, o livro de Stephenson pode ter sido muito bem-sucedido.

A mudança de foco para os subúrbios e o lado menos punk dos protagonistas fez Nevasca ser listado como uma das primeiras obras “pós-cyberpunk“. Afinal, o esforço de imaginar um futuro coerente, uma das bandeiras cyberpunk, é menos importante do que a sua veia satírica. Mas é possível encontrar obras anteriores que trilharam caminhos semelhantes. Software (1982), do matemático e cyberpunk de primeira geração Rudy Rucker, é um premiado romance de tons cômicos; e A Usina Nuclear de Papai (Dad’s Nuke; 1985), de Marc Laidlaw, é romance satírico que acampou primeiro aos subúrbios.

Não obstante, Nevasca possui uma qualidade de imaginação, uma ferocidade satírica e uma inserção no pós-modernismo americano mais evidente e, supõe-se, inovadora, garantindo-lhe a fama de que desfruta atualmente.
>> TERRA MAGAZINE – por Roberto Causo


COMO CORTÁZAR TRANSFORMOU-SE EM CORTÁZAR

Terça-feira | 23 | Junho | 2009

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Este é um ano de efemérides cortazarianas. No dia 12 de fevereiro completaram-se 25 anos de da morte do escritor Julio Cortázar. Neste ano também comemoram-se os 60 anos da publicação de “Os Reis”, os 50 anos de “As armas secretas” e os 30 de “Um tal Lucas”. Se estivesse vivo, Cortázar completaria neste ano 95 anos. Mais especificamente, no dia 26 de agosto.

Neste contexto de celebrações sobre a vida e obra de Cortázar, há poucas semanas chegou às vitrines das livrarias portenhas o “Papéis Inesperados”, que reúne obras nunca publicadas antes, entre as quais onze contos, quatro autoentrevistas, treze poemas, anotações, além de capítulos – que nunca haviam sido incluídos – das obras “Livro de Manuel” e “Um tal Lucas”.

Por isso, achei interessante contar sobre um livro publicado na Argentina há 10 anos, por um dos brilhantes jovens jornalistas do país, Emilio Fernández Cicco. O livro é “El secreto de Cortázar” (O segredo de Cortázar), publicado pela Editorial de Belgrano. A obra está esgotadíssima. Quem o encontre em algum sebo, não duvide em comprá-lo.

“Inibido, sempre doente, e de cultura eurocêntrica…Quem poderia imaginar que essa descrição se encaixaria na exuberante personalidade de um dos mais famosos escritores argentinos deste século, Julio Cortázar?”, me explicou Fernández Cicco. E logo, arrematou: “esse era o Cortázar antes de ser Cortázar…”.

Na obra, Fernández Cicco resgatou poemas, canções de ninar e hinos que Cortázar escreveu nesse período, e que eram completamente desconhecidas ou que se imaginavam perdidas.

Fernández Cicco relata a trajetória do tímido professor de literatura que começa sua vida profissional nas cidadezinhas de Bolívar e Chivilcoy, no interior da província de Buenos Aires, passando por Mendoza, até sua volta à capital do país quase uma década depois.
A obra é fruto de dois anos de pesquisa, que esquadrinhou a desconhecida juventude do autor de “O jogo da Amarelinha”, “História de Cronópios e de Famas” e “Bestiário”, entrevistando centenas de ex-alunos, amores platônicos, amigos e parentes.
Cobrindo as mudanças fundamentais ocorridas na vida do jovem escritor entre 1937 e 1945, “o livro conta o desabrochar de Cortázar, tanto literário como da personalidade”, explica o autor.

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Julio, imberbe e tímido

O IMBERBE QUE VIROU BARBUDO
Entre as mudanças ocorridas estão as alterações físicas. Ou melhor, uma só, que chamou a atenção: deixar de ser um imberbe a exibir uma vistosa barba. “Não tinha barba. E subitamente lá na França não sei o que aconteceu. Nunca lhe perguntamos se fez um tratamento. Mamãe surpreendeu-se, porque antes ele somente tinha um bigodinho, e nada mais”, explicou Ofélia Cortázar, irmã do escritor.

Fernández Cicco especula que Cortázar começou a tomar hormônios com o mesmo médico que lhe tratava a asma.
A lenda indica que seu colossal desejo de ter barba o levou a ingerir hormônios.

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Julio, barbudo e exuberante

Fernández Cicco também esclarece a obscura história do pai de Cortázar, que em 1920, quando seu filho tinha 6 anos, desapareceu misteriosamente de casa e nunca mais foi visto. Com o dinheiro da avó, conseguiram sobreviver, além do trabalho da mãe em um Fundo de Aposentadorias.
Anos mais tarde, relata Fernández Cicco, surpreenderam-se a ter notícias do pai: havia falecido no interior do país. Maior foi a surpresa quando souberam que tinham direito aos bens que o pai havia deixado: fazendas e uma confortável pensão para a viúva.
Mesmo estando em dificuldades financeiras, Cortázar filho tomou uma atitude que deixava claro que nada queria do pai ausente: convenceu sua mãe a não aceitar um centavo sequer.

O fantasma do pai, também chamado Julio Cortázar, esteve presente durante anos. Por esse motivo, “Julio Denis” foi seu pseudônimo nas primeiras obras. Somente começou a assinar “Julio Cortázar” a partir de meados de 1945.

FANTASMA DA MORTE
Cortázar imaginava que morreria antes dos 30 anos. Francisco Menta, um colega seu, uma vez lhe ofereceu um cigarro. O futuro escritor, que viveria até os 70 anos, respondeu: “desculpe, mas tenho que cuidar o coração”.


Mais tarde Menta surpreendeu-se ao ver fotos de Cortázar fumando avidamente charutos cubanos. Seus amigos tentaram animá-lo quando seu primeiro livro, “Presencia”, um punhado de poemas crípticos, teve pouca repercussão. “Vamos lá, é seu primeiro livro. Depois haverá mais”, lhe disseram. Com o apoio deles, dois meses depois Cortázar retomou sua produção. Além disso, eles orientaram o jovem poeta para um destino literário diferente: “porquê não volta a escrever aqueles contos tão bons?”, lhe disseram, afastando-o irremediavelmente da poesia.

Durante os anos de Chivilcoy, Cortázar participou como roteirista de um filme feito na própria cidade: “A sombra do passado”. O filme era um policial com traições, amor, drama e vinganças. O filme foi estreado em 1945, mas o público foi indiferente. Da obra, não resta uma só cópia. Só sabemos que Cortázar ao escrever o roteiro, dizia “quanto piores os diálogos, mais o público gosta”.

TIMIDEZ
Os depoimentos da época sustentam que Cortázar não falava sobre mulheres. Os amigos lhe falavam sobre elas, mas ele não respondia, o que causou boatos de que era afeminado. “Não queria saber de mulheres”, afirma categórica sua irmã Ofélia. Uma de suas ex-alunas, foi mais ferina: “em suas calças nem havia volume…”. As conversas com colegas restringiam-se à literatura e arte.

Em Chivilcoy estaria o primeiro amor de Cortázar: a estudante Nelly Martín. Cortázar tentou aproximar-se primeiro através de poemas, que enviava anônimamente.

“Não perguntes quem coloca en este canto / uma alma destinada ao sofrimento / e um pobre coração que te ama tanto; / se tu o adivinhas, nada te espante; / mas se não em encontras em teu sentimento / de nada serve que te dê meu nome” foi um dos poemas que Cortázar lhe enviou.

O “avanço” do jovem professor sobre a estudante é ilustrado saborosamente no livro: sabendo que Nelly iria ver uma peça de teatro do qual ele era o roteirista (uma história sobre gauchos – “O punhal dos trovadores”) Cortázar subornou o funcionário da bilheteria para que vendesse a ela a entrada da cadeira a seu lado.
Depois disso, teriam longos encontros na praça central da cidade, sempre às cinco das tarde. No entanto, nunca nada aconteceria. Mais de meio século depois, Nelly diria a Fernández Cicco: “eu e ele nunca nos beijamos na boca”.

Nelly também o inspiraria a escrever sua primeira novela, “Solilóquio”: a clara descrição de sua vida de professor e seu amor platônico por uma aluna não muito culta, mas “selvagemente sensual”. Anos depois, em Paris, Cortázar queimou o livro, junto com seus primeiros contos fantásticos. No entanto, sobreviveram três cópias que haviam ficado com seus amigos na Argentina. Sua primeira esposa, Aurora Bernández, publicaria “Solilóquio” após seu falecimento.

Chivilcoy o sufocava. Ali era visto como comunista, anarquista e nacionalista. Em 1944 partiu para dar aula de literatura francesa na Universidade de Mendoza. Os Aliados haviam liberado Paris e a universidade fervilhava de ideias políticas. Em 1945, Cortázar participou da ocupação da Universidade pelos alunos.

No fim da ocupação, Cortázar foi preso junto com os alunos. Farto de tudo e com o crescente poder do então coronel Juan Domingo Perón (futuro presidente), a quem ele encarava como um autoritário, Cortázar voltou à Buenos Aires. “Mãe, renunciei a tudo. Não tenho um centavo sequer”, disse ao entrar inesperadamente na casa. “Onde come um, comem dois”, respondeu a mãe.
Cortázar havia deixado suas inibições e seu jeito de menino. Cortázar já começava a ser Cortázar.

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SUA IRMÃ, SOBRE JÚLIO:
Sua irmã Ofélia disse a Fernández Cicco que Cortázar nunca lhe mostrou os contos para que os lessem antes de publicado. “Quando o livro saía ele nos dava de presente e pronto. Alguém compreende os livros de Julio? Você teve paciência para ler ‘O jogo da amarelinha’. Ufa ! Por favor…Eu não consegui ler esse livro jamais…”.

Outras frases de Ofélia sobre Júlio:

- “Meu irmão esperava ter uma hora livre para pegar um livro e pensar e imaginar. Essa foi sua vida”.

- “Quando era criança, tínhamos que chamá-lo vinte vezes para que largasse os livros e viesse almoçar’.

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BRUXELENSE-PORTENHO
Filho de um casal argentino nascido em 1914 em Bruxelas, Bélgica (seu pai trabalhava na Embaixada argentina nessa cidade), viveu na Argentina durante sua infância, juventude e início da vida profissional, como professor de literatura.

Nos anos 50, perseguido pelo governo do general Juan Domingo Perón, exilou-se na França. Ali transformou-se em um sucesso literário.
Cortázar morreu de leucemia no dia 12 de fevereiro de 1984 em Paris. No dia em que saiu de sua casa para ir ao hospital para mais uma internação, disse, em alusão ao boxe, uma de suas paixões: “se esta luta fosse de sete rounds, eu ganharia. Mas, com doze rounds, acho que não haverá jeito…”.

Ele está enterrado no cemitério de Montparnasse, tal como era seu desejo, ao lado de sua esposa Carole Dunlop, falecida um ano antes dele. Quem visita seu túmulo costuma deixar uma taça de vinho e o rabisco de uma “rayuela” (o jogo da amarelinha, em homenagem a seu mais famoso livro).
>> O ESTADO DE SÃO PAULO – por Ariel Palacios

E, para encerrar, esta entrevista que Cortázar concedeu nos anos 70 à TV Espanhola. Ele explica como surgiram os “Cronópios” e as “Famas”


SUPERSTIÇÃO E MEGALOMANIA

Terça-feira | 23 | Junho | 2009

Em seu famoso ensaio sobre o “Uncanny” (o Estranho, o Sinistro), Sigmund Freud aponta, como um dos fatores propiciatórios desse contato com uma realidade perturbadora, o que ele chama de “onipotência do pensamento”, que conduz ao pensamento mágico. Do que se trata? Trata-se da sensação instintiva de que o nosso pensamento é capaz de modificar a Realidade sem tocar nela, por um simples esforço da vontade. Freud situa isso numa fase da evolução da mente infantil, em que a criança imagina ou deseja ser capaz de impor suas venetas às pessoas e objetos à sua volta.

A literatura fantástica está cheia de ilustrações dessa fantasia inofensiva, que, quando tratada realisticamente, produz pesadelos arrepiantes. Há um conto de Jerome Bixby, adaptado por Steven Spielberg para um dos episódios do seu Fronteiras da Realidade (Twilight Zone), versão cinematográfica do antigo seriado de TV Além da Imaginação, onde um menino é capaz de transformar seus desejos em realidade. No filme, os adultos vivem humilhados, aterrorizados, bajulando o garoto sem parar, porque sabem que basta uma pequena contrariedade para que ele os faça desaparecer com um piscar de olhos.

Toda a Magia se baseia nisto, tanto a dos índios primitivos quanto a dos intelectuais europeus da Renascença e do Iluminismo. Eles criam que rituais encantatórios, cumpridos à risca, podiam influenciar o Mundo sem ter com ele nenhum tipo de contato. Todos nós lembramos a divertida frase de João Saldanha: “Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano só terminava empatado”. A frase é perfeita, mas do ponto de vista técnico, os adeptos da Magia podem argumentar que o Campeonato de lá é na verdade uma disputa para ver quem é capaz do feitiço mais bem-feito, do ritual executado com mais rigor. É esse quem decide os gols de uma partida na Fonte Nova ou no Barradão.

Eu que o diga. Quando eu tinha 13 anos, um simples jogo do Treze era cercado dos mais complicados rituais. Nos meus cadernos de anotar resultados, tinha canetas que davam sorte e outras (eu só o descobria tarde demais!) que davam azar. Quando o Treze foi campeão invicto em 1966, vi todos os jogos com a mesma camisa. Quando ouvia os jogos pelo rádio, eu cismava que todas as vezes que aumentava o volume o time jogava bem, e quando o abaixava o time jogava mal. Daí a pouco, a altura do rádio estava insuportável. Minha mãe surgia esbravejando à porta da cozinha, colher-de-pau em punho. Que fazia eu? Esperto, dava uma abaixada total no volume, e ficava aumentando de tiquinho em tiquinho cada vez que a bola rondava a grande área.

Toda superstição é uma forma de humildade (reconhecimento de que o Universo é movido por forças mais poderosas do que nós) e de megalomania – o palpite de que essas forças podem ser bajuladas, seduzidas, estudadas, manipuladas de forma solerte, transformando-nos, ao trilar do apito final do juiz, em Senhores do Universo.
>> MUNDO FANTASMO – por Bráulio Tavares


“BASTARDOS INGLÓRIOS” (”INGLOURIOUS BASTARDS”) GANHA NOVO TRAILER

Terça-feira | 23 | Junho | 2009

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Embora a violência tradicional das produções de Quentin Tarantino não possa ser mostrada em um trailer em toda sua glória, ainda assim vale a pena conferir o novo trailer de Bastardos Inglórios, o novo filme do diretor.

Bastardos Inglórios é o mais novo filme dirigido e roteirizado por Quentin Tarantino, contando com grande elenco, que inclui Brad Pitt, Diane Kruger, Eli Roth, Julie Dreyfus, Mike Myers, entre vários outros, tendo ainda Samuel L. Jackson como narrador.

A trama se passa durante a 2ª Guerra Mundial, quando um grupo de soldados judeu-americanos são escalados para espalhar o terror entre os nazistas, os escalpelando e matando brutalmente. Conhecidos como Os Bastardos, esse grupo logo recebe o reforço da espiã alemã disfarçada Bridget Von Hammersmark, cruzando ainda o caminho de uma jovem judia que viu sua família ser executada pelo coronel nazista Hans Landa, um alvo em potencial dos Bastardos. O filme estreia nos EUA no dia 21 de agosto, chegando ao Brasil somente no dia 23 de outubro.
>> HQ MANIACS – por Leonardo Vicente Di Sessa


“STARGATE UNIVERSE”: O PRIMEIRO VÍDEO

Segunda-feira | 22 | Junho | 2009

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O SciFi Channel mostrou neste fim de semana o primeiro vídeo da série Stargate Universe, que estreia no segundo semestre, nos EUA. A série é mais uma passada no universo Stargate, que no ano passado viu o seriado Atlantis cancelado por baixas audiências.

Veja o vídeo abaixo. Nele, são apresentadas algumas cenas do programa, bem como trechos de entrevistas com o elenco.

Stargate Universe segue um grupo de soldados, cientistas e civis que têm que se virar por conta própria ao serem forçados a passar por um Stargate quando sua base secreta é descoberta. Os sobreviventes apavorados aparecem em uma velha nave, que está com um curso desconhecido programado e é incapaz de voltar para a Terra.

Confrontados com problemas básicos como falta de água, comida e ar, o grupo tem que descobrir os segredos do Stargate da nave para sobreviver. As provações que eles enfrentarão à bordo vão revelar quem são os verdadeiros heróis e vilões do grupo. No elenco estão Robert Carlyle e Lou Diamond Phillips, entre outros.
>> HQMANIACS – por Artur Tavares


“CONAN”: SÓSIA DE SCHWARZANEGGER PODE SER O NOVO BÁRBARO DA CIMÉRIA

Segunda-feira | 22 | Junho | 2009


[bomba + cadmia = uma bundinha no seu bíceps]

o ator Roland Kickinger, de 41 anos, está negociando com a Lionsgate e com a Nu Image/Millenniu pra fazer o papel do bárbaro Conan na nova versão pras telas das aventuras do cimério criado por Robert E. Howard e imortalizado nos quadrinhos da Marvel. as filmagens começam este ano ainda, com o diretor Marcus Nispel [do recente reboot de SEXTA-FEIRA 13] no comando.


[Schwarzenegger como Conan]

se Kickinger assinar o contrato vai firmar de vez sua vocação como “Arnold cover”. senão vejamos:

- é a cara do homem;

- é gigante que nem o antecessor no começo de carreira;

- nasceu na Áustria [mesmo país de origem do Governator];

- é um fisiculturista premiado que virou ator;

- interpretou um jovem Shwarza na biografia SEE ARNOLD RUN feita pra TV.

- interpretou o robô T-800 em EXTERMINADOR DO FUTURO – A SALVAÇÃO, sobre o qual foi inserido o rosto do Arnold jovem feito por computação gráfica [isso não é spoiler, apareceu em um dos trailers];

- CONAN, de 82, levou Schwarza ao estrelato como astro de filmes de ação; a nova versão pode fazer o mesmo com Kickinger.

por enquanto o sósia é chegado em comédias. além de ter participado de várias sitcoms, foi o HULK no DISASTER MOVIE. a primeira vez em que o vi foi na série O FILHO DA PRAIA [SON OF THE BEACH], que satirava BAYWATCH na Fox, em que fazia um salva-vidas bobão mas de bom coração.
>> GOMA DE MASCAR – por Hector Lima


‘VIRTUALITY’ EM WEBSODIOS

Segunda-feira | 22 | Junho | 2009

A Fox lançou novos videos da série ainda não produzida “Virtuality“. Limitada por enquanto ao filme piloto, o qual está agendado para ser exibido nos EUA no dia 26 de junho, a série aguarda o sinal verde para começar a ser produzida. Algo que provavelmente somente irá ocorrer após a avaliação da audiência do piloto.

Enquanto isso o canal estimula o interesse do público lançando videos ao estilo webisodio que apresenta a trama e os personagens como se fosse um documentário ou um reality. Sob o título de “Edge of Never: Life on Phaeton” acompanha a vida “real” de membros da tripulação da nave Phaeton em sua jornada pelo espaço.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


‘9′: NOVA ANIMAÇÃO DE TIM BURTON GANHA SITE

Segunda-feira | 22 | Junho | 2009

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Um novo site viral da animação 9 acaba de ser lançado. Clique aqui para conferir.

O site te leva para dentro do laboratório do cientista, que pode ser explorado, apresentando alguns pedaços da história do filme.

Além do site, um perfil para o cientista foi criado no facebook e pode ser visto aqui.

9, produzida pela Focus Features, é uma animação épica que nos apresenta nove bonecos de pano com vida, a última dádiva de um cientista para um mundo pós-apocalíptico dominado pelas máquinas. Juntos, os 9 são a última esperança de um mundo já destruído. Produzido por Tim Burton, Timur Bekmambetov e Jim Lemley, o filme tem direção de Shane Acker. No elenco de vozes estão Elijah Wood, Jennifer Connelly, Christopher Plummer, Martin Landau, Crispin Glover e John C. Reilly. A estreia nos EUA está marcada para 9 de setembro, ainda sem previsão no Brasil.
>> HQ MANIACS – por Willian Matos

Assista ao trailer:


‘VIDA BOA’, DE FABIO ZIMBRES E ‘ONINBO E OS VERMES DO INFERNO’, DE HIDESHI HINO: NOVIDADES DA ZARABATANA BOOKS

Segunda-feira | 22 | Junho | 2009

A Zarabatana Books lança no começo de julho dois novos álbuns: Vida Boa, uma coletânea das tiras de Fabio Zimbres, e o segundo volume de Oninbo e os Vermes do Inferno.

Vida Boa acompanha o personagem Hugo, fracassado, desempregado e solitário, que passa seu tempo entre bares, entrevistas de emprego, seu minúsculo apartamento e batendo pernas pelas ruas em busca da refeição diária. Com seus companheiros de perambulação – camelôs, frequentadores de botecos e até um copo falante – ele discute a vida, as relações pessoais, o emprego e o dinheiro (ou a falta deles).

O álbum traz 50 tiras inéditas, que concluem a narrativa dos jornais, e conta com introdução do cartunista Laerte.
A tira foi selecionada para publicação na Folha de S. Paulo através de um concurso de quadrinhos e ilustração realizado em 1999. Laerte e a ilustradora Maria Eugênia eram integrantes do júri.

Vida Boa tem 168 páginas no formato 21 x 21 cm e custa R$ 39,00.

Oninbo e os Vermes do Inferno – vol. 2 é a continuação da obra de Hideshi Hino, que tem outros três mangás de terror publicados aqui: A Serpente Vermelha e Garoto Verme, ambos pela Zarabatana, e Panorama do Inferno, pela Conrad.

O volume traz a conclusão das aventuras macabras de Oninbo, um pequeno demônio que vive à caça dos Vermes do Inferno, estranhas criaturas que habitam a alma das pessoas, alimentando-se dos traumas e das experiências ruins pelas quais passaram. Monstros assassinos, fantasmas rancorosos, vermes repugnantes, bebês diabólicos, serial killers. Esses são os alvos de Oninbo e de seus companheiros, os pequenos demônios Mamushinbo e Himenbo, que agora se unem para enfrentar as artimanhas de Sasorinbo, que quer acabar com a festa do trio e ficar com os Vermes do Inferno só para ele.

Oninbo e os Vermes do Inferno – vol. 2 tem 208 páginas em preto e branco no formato 14 x 21 cm e custa R$ 29,90.

A Zarabatana Books é uma editora de Campinas que iniciou as atividades em 2006, publicando o álbum O Prolongado Sonho do Sr. T. Sua proposta é publicar obras de artistas mundiais que se destaquem pela qualidade e originalidade.
>> HQ MANIACS – por Andréa Pereira


“MACANUDO”: LINIERS ESTRÉIA NOS QUADRINHOS DA ILUSTRADA, DA FOLHA DE SÃO PAULO

Segunda-feira | 22 | Junho | 2009

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Tirinha do cartunista argentino Liniers
será publicada entre segunda e sexta

Entre os personagens estão o Misterioso Homem de Negro, a menina Enriqueta e o gato Fellini, pinguins e duendes voadores

O ano era 2002. A Argentina atravessava uma aguda crise política e econômica. Para piorar, lá fora, o panorama não se apresentava menos sombrio. Havia poucos meses, as Torres Gêmeas tinham sido derrubadas no ataque terrorista à Nova York que espalhou uma onda de tensão mundial.

Não parecia ser o melhor momento para fazer piadas. Mas foi justamente para quebrar esse clima de pessimismo que o cartunista argentino Ricardo Liniers, 35, resolveu lançar uma série de tirinhas humorísticas, e a elas deu o nome de “Macanudo” (gíria que significa “bacana” ou “supimpa”).

A Ilustrada passa a publicar, de segunda a sexta, o trabalho que Liniers começou a fazer na época. “Os jornais argentinos estavam pessimistas. Pensei que, no meio de manchetes deprimentes como “caem as Bolsas”, ou “EUA vão invadir o Afeganistão”, o leitor poderia receber uma pequena carícia”, disse em entrevista à Folha.

Por indicação da colega Maitena, as tiras de Liniers passaram a sair no “La Nacion”.
O mundo de “Macanudo” é povoado por personagens melancólicos, reflexivos e algo trágicos. A menina Enriqueta e seu gato Fellini, o Misterioso Homem de Negro, duendes e pinguins são os principais.

Sobre o sentimentalismo presente nas piadas que, paradoxalmente, às vezes dão vontade de chorar, Liniers diz: “Meus quadrinhos têm uma alma meio tangueira, uma coisa argentina de alimentar frustrações. Queremos ser pentacampeões, e isso nunca acontece. Queremos ter políticos honestos, e eles não aparecem”.

Os primeiros personagens a surgir foram os pinguins. “São simpáticos, do sul e do frio como nós”, explica. Já Enriqueta é às vezes comparada à Mafalda, do veterano Quino. Liniers discorda: “Não dá para fazer outra Mafalda, é como tentar repetir o gol do Maradona contra os ingleses”.

Por isso, fez de sua Enriqueta uma menina ensimesmada, cheia de questões existenciais que divide apenas com o gato Fellini e o urso Madariaga.

O sucesso do Misterioso Homem de Negro surpreende o autor. “Fiz num dia em que estava me sentindo esquisito, pus nele capa e chapéu, para ficar elegante, mas não achava que iam gostar, porque suas histórias não se fecham. Pelo visto, há algo atraente em sua figura.”
>> FOLHA DE SÃO PAULO – por Sylvia Colombo