WINDOWS 7 É ULTRA

Terça-feira | 10 | Novembro | 2009

Campanha do novo sistema operacional da Microsoft
teve Ultra Seven e Ultraman Zero como estrelas

Segundo o Portal Ultraman, a campanha do novo sistema operacional da Microsoft – Windows 7 – teve Ultra Seven e Ultraman Zero como garotos-propaganda.

Nada mais conveniente para promover o longa-metragem Mega Monster Battler: Ultra Galaxy Legend Movie esperado para 12 de dezembro, nos cinemas japoneses.

Ainda segundo o portal, Bill Gates e sua comissão estiveram no arquipélago no final de outubro, em um evento especial denominado Seven Meets Seven, quando se reuniram com os dois integrantes da Nebulosa M78.

As imagens que ilustram este post são fotos de caixas de transformadores elétricos, tiradas nas ruas de Sukugawa (sub-distrito da prefeitura de Fukushima), terra natal do grande mestre Eiji Tsuburaya
>> HENSHIN – por Mister Kyon


YAMATO: NOVA ANIMAÇÃO DA PATRULHA ESTELAR ESTREIA MÊS QUE VEM NO JAPÃO

Terça-feira | 10 | Novembro | 2009

Yamato – Rebirth Chapter vai bater de frente com o mais novo longa da franquia Ultraman

Um dos animês mais cultuados em todo o mundo vai ganhar uma continuação. Título que provocou um fenômeno comercial sem precedentes em seu país, a saga do Encouraçado Espacial Yamato volta aos cinemas do Japão no dia 12 de dezembro – 27 anos depois do último longa da série – com o animê Yamato – Rebirth Chapter, batendo de frente com o mais novo longa da franquia Ultraman.

Yamato – Rebirth Chapter acompanha uma aventura 17 anos após a destruição da nave, que é novamente reconstruída para entrar em ação. Ambientada no ano 2220, a trama vai mostrar um gigantesco buraco negro errante ameaçando a Terra e obrigando uma nova geração de patrulheiros a entrar em ação. No comando da jovem equipe, o veterano Susumu Kodai.

Kodai é conhecido no ocidente como Derek Wildstar. O Yamato original também se popularizou por estes lados; a nave foi rebatizada nos EUA como Argo, e a série como Star Blazers. No Brasil, fez sucesso na década de 1980, na extinta TV Manchete, como Patrulha Estelar.

A nova produção ficou anos engavetada devido a uma briga judicial entre o produtor Yoshinobu Nishizaki e o autor do mangá e do animê, Leiji Matsumoto. Tudo porque veio de Nishizaki o conceito básico da série, mas a história e criação visual ficaram a cargo, sob encomenda, de Leiji Matsumoto. Ambos nunca chegaram a um acordo comercial e criativo sobre uma retomada da produção e a briga foi parar nos tribunais. Com o fim da briga judicial, vencida por Nishizaki, Matsumoto ficou de fora da nova produção.

Em outra notícia relacionada, no final do ano que vem deverá ser lançada a primeira versão em live-action do Yamato, independente de outras animações que venham a ser anunciadas. Encabeçando o elenco, o astro Takuya Kimura, da banda SMAP, viverá o intrépido Wildstar.

Relembre a Patrulha Estelar aqui.
>> OMELETE – por Alexandre Nagado

Assista a dois trailers e a um vídeo promocional com a abertura remodelada:


‘VOZES DA RUA’, DE PHILIP K. DICK

Segunda-feira | 9 | Novembro | 2009

Como muitos dos primeiros trabalhos de Philip K. Dick, Vozes da Rua (432 págs, R$ 58,50), foi considerado inadequado para publicação quando foi apresentado aos editores. Escrito no começo dos anos 1950, o livro permaneceu inédito por mais de 50 anos, sendo lançado nos Estados Unidos somente em janeiro de 2007. O romance revela um lado de sua obra até então pouco conhecido do grande público. Normalmente associado à ficção científica, o autor de O caçador de andróides e O homem duplo, ambos publicados no Brasil pela Rocco, se debruça sobre o seu tempo e se mostra um escritor crítico e irônico do cotidiano.

Neste romance, o personagem principal é Stuart Hadley, um jovem nascido para o sucesso. Bonito, educado, com uma jovem esposa grávida e devotada, Hadley tem uma carreira ascendente, de vendedor a gerente em uma loja de eletrônicos, mas ainda assim deseja mais. Porém, não consegue descobrir o que quer. Essa crise existencial, o leva a se envolver com o culto à Sociedade das Sentinelas de Jesus, liderada pelo carismático Theodore Beckheim. O flerte de Stuart com o movimento afasta o jovem cada vez mais da sua plácida vida de classe média e cria uma sinistra associação com a misteriosa Marsha Frazier.

Hadley então se revela um jovem irritado, um artista, um sonhador, um depressivo que tenta preencher o vazio que o angustia com bebidas, sexo e fanatismo religioso. Mas nada disso parece satisfazê-lo plenamente, o que o deixa ainda mais furioso, e ele passa a reagir ao amor de sua esposa e à amizade e gentileza de seu patrão com medo e ansiedade.

Quase 25 anos após sua morte, Philip K. Dick continua prendendo a atenção de milhões de leitores em todo o mundo. Com seu impecável olho para detalhe, o autor cria uma obra repleta de referências ao ambiente social, às atitudes políticas e às contradições do dia a dia, ilustrando de maneira brilhante um importante período de transição da cultura americana ao acompanhar a descida de Stuart Hadley rumo à depressão e à loucura.


EU VI O FUTURO, MAS ESQUECI

Segunda-feira | 9 | Novembro | 2009

carro voador

Este post ambiciona ser uma saudável ducha de humildade no caldeirão quente em que agora nos debatemos todos os que lidam com livros, da escrita à divulgação, empenhados – inevitavelmente, mas mesmo assim… – em prever o futuro do nosso negócio.

Vale lembrar um axioma indestrutível: todas as grandes previsões sociais, econômicas e tecnológicas estão fadadas ao erro. Por definição, só o que não foi previsto pode acontecer.

Mas continuamos prevendo, o que garante o ganha-pão deste divertidíssimo site, o Paleo-Future, que leva o seguinte subtítulo: “Um olhar sobre o futuro que nunca foi”. Trata-se de uma coleção – organizada por décadas e começando em 1870 – de prognósticos furados que em algum momento gozaram de crédito junto ao público e aos meios de comunicação. Como o automóvel voador (desenho acima) e a semana de trabalho de 16 horas (que chegaria em 2020 – alguém acredita que esta previsão ainda possa decolar?).

A futurologia que cabe aos escritores de ficção científica também é desmontada por um deles, Cory Doctorow, neste artigo recém-publicado na revista “Tin House”:

Todo escritor de ficção científica tem uma FAQ – Frequently Awkward Question, Pergunta Embaraçosa Frequente – ou duas, e para mim é esta: “Como é possível trabalhar como autor de ficção científica, prevendo o futuro, quando tudo muda tão depressa? Você não teme que os eventos reais ultrapassem aqueles que você descreveu?”talvez consigam prever o presente.

É uma pergunta do tipo sincero, e seu autor ainda faz a gentileza de escalar você como Sábio Previsor no pacote, mas acho que é uma bobagem. Escritores de ficção científica não prevêem o futuro (a não ser por acidente), mas, se forem muito bons,

Do tirocínio futurista dos economistas nem é preciso falar. Mas será que os cientistas se saem melhor? Não muito, segundo este artigo de Stuart Blackman na “The Scientist”:

Naturalmente, os cientistas são fortemente incentivados a fazer previsões ousadas – a saber, para conquistar financiamentos, influência e acesso a publicações de peso. Mas, se poucos deles ficam desapontados quando seus prognósticos mais pessimistas não se confirmam, previsões não realizadas – do tipo que estamos vendo cada vez mais – podem ser um golpe duro para os pacientes, os encarregados de traçar políticas públicas e a própria reputação da ciência.

Depois de considerar tudo isso, não resisto a uma previsãozinha singela: em 2050, se o mundo não acabar antes, o ser humano ainda estará prevendo o futuro. E errando.
>> TODO PROSA – por Sérgio Rodrigues


NÃO ENTRE EM PÂNICO: INTERNET, ENCICLOPÉDIA E FICÇÃO CIENTÍFICA

Domingo | 8 | Novembro | 2009

“tudo dito,
nada feito,
fito e deito”
Paulo Leminski

marvin.jpg image by gssolutions

As palavras deste tílulo são um dos motivos apresentados em nO Guia do Mochileiro das Galáxias para a popularidade do Guia perante a concorrente Enciclopédia Galáctica (Na série de Isaac Asimov, Fundação, a Enciclopédia Galáctica aparece como o acúmulo de todo o conhecimento humano). A famosa frase e seu preço “ligeiramente mais barato”, levaram o Guia a substituir a Enciclopédia como “repositório padrão de todo o conhecimento e sabedoria” na série de ficção científica de Douglas Adams.

Parece que a ficção, neste caso, apresenta uma comparação interessante com a realidade e um ponto de partida para a discussão da relação contemporânea entre a internet e a enciclopédia. Se a Enciclopédia Galáctica é a enciclopédia tradicional, o Guia do Mochileiro das Galáxias é a internet (sua evolução exponencial e concorrência avassaladora).

As palavras “não entre em pânico” parecem pertinentes: somente alguém como o Funes de Borges (sem angústias, pois não pensa sobre toda a informação que absorve) se sentiria verdadeiramente confortável lendo algo como o Guia (seria a internet o mal-estar da nossa civilização?)

O próprio Asimov, que além de grande escritor de ficção científica era também visionário da tecnologia que estava por vir, antecipou a característica totalizadora e centralizadora da internet.

“Haverá uma tendência para centralizar informações, de modo que uma requisição de determinados itens pode usufruir dos recursos de todas as bibliotecas de uma região, ou de uma nação e, quem sabe, do mundo. Finalmente, haverá o equivalente de uma Biblioteca Computada Global, na qual todo o conhecimento da humanidade será armazenado e de onde qualquer item desse total poderá ser retirado por requisição.” Disse em 1979, em seu livro Escolha a Catástrofe.

Diz-se de Asimov que previu em seus livros o aparecimento de mecanismos como a Wikipédia (quando falou da participação de todos na construção do conhecimento) e como o Google Books (quando mencionou uma grande biblioteca computadorizada que guardaria todos os livros).

Não é só na relação entre certas obras ficcionais e a internet/enciclopédia que podemos observar a relação deste tema com a ficção científica. Na enciclopédia original, o (ainda em desenvolvimento) hipertexto servia como forma de comunicação e confronto com a realidade opressora. Robert Darnton explicava que “o elemento radical da enciclopédia não residia em um visão profética mas em sua tentativa de mapear o mundo do conhecimento segundo novas fronteiras.” Dessa forma, os enciclopedistas utilizavam as referências cruzadas para informar, criticar e satirizar.

No mundo da informática e da internet, essa função é deixada, na maior parte das vezes, na mão das máquinas, que, como o Google Robot pesquisam, organizam e hierarquizam informações (vale lembrar que as leis da robótica de Asimov não falam nada sobre informação, apenas sobrevivência). Não seria importante, no entanto, questionar essa hierarquização e seus sentidos? Em um mundo em que todos depositamos nossos conhecimentos no Google e um Robô é responsável por organizar de maneira lógica a informação (e isso é plenamente aceito como verdade por todos), não estamos a caminho de um roteiro de ficção científica?

Ainda dentro dessa lógica, devemos lembrar que a internet sai completamente do modelo de organização e memória aceitável para seres humanos. Se a enciclopédia pretendia resumir todo o conhecimento relevante em um dado período de tempo, a internet pretende acumular todo o conhecimento humano de todos os tempos (independentemente de repetição ou irrelevância). Quando saímos do resumo e fomos para o acúmulo Baudrillard lembra: construir uma “memória artificial talvez seja a garantia maior de que o esquecimento será perfeito.” E Kundera conclui: “a luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento” (então o Google tem o potencial para nos levar de volta a 1984).

Dentro desse paradoxo da internet (de busca de acúmulo de todo o conhecimento e de delegação dos hipertextos para os mecanismos eletrônicos), vivemos um momento em que a seletividade é feita a posteriori, segundo Paulo Serra, e “só funciona na medida em que o leitor é detentor de competências críticas de discriminação do que é importante.”

A internet individualiza, portanto um dos processos mais importantes da enciclopédia (a seleção) e mecaniza o outro (a ligação entre conhecimentos). Dessa forma, ela mecaniza a memória, desumaniza o homem e tira o sentido da comunicação. Isso porque, para a memória humana, acréscimo de informação não é acréscimo de sentido e “essa condição ilimitada do hipertexto tem como efeito a desorientação, a sobrecarga, a banalização e a indiferenciação dos conteúdos veiculados”, conclui Paulo Serra.

Dessa forma, embora a internet aparentemente resolva os problemas inerentes à enciclopédia, talvez a comunicação humana precise de um meio tão limitado quanto os próprios homens.

Toda essa discussão é bastante pertinente para meios jornalísticos na internet (“Se hoje a informação é de graça, quanto vale o conhecimento?”). Neles, há uma ânsia por abraçar por completo todas as informações, informando até o mais irrelevante dos fatos “como registro”. Precisamos lembrar sempre que o Jornalismo como ciência pretende transformar informação em sentido e que o leitor pretende encontrar sentido na informação e não uma pilha de notícias.
>> O MUNDO DE PROMETEU – por Giovanna Montemurro


ESPECIALISTA EM ROBÓTICA ESCREVE FICÇÃO CIENTÍFICA PARA A DREAMWORKS

Domingo | 8 | Novembro | 2009

robopocalypse
Robopocalypse, de Daniel H. Wilson, também vai virar livro

A DreamWorks Studios e a editora Doubleday acabam de adquirir o manuscrito inédito Robopocalypse, em um acordo prévio para ser publicado como livro e adaptado para as telonas. O livro deve sair em 2011 e o filme já foi colocado como prioridade para desenvolvimento acelerado no estúdio.

Robopocalypse foi escrito por Daniel H. Wilson e mostra o futuro da humanidade depois de uma rebelião de robôs. Wilson é Ph.D em robótica, contribuidor da revista Popular Mechanics e já apresentou seu próprio programa no History Channel, chamado The Works. Também publicou vários livros relacionados com ficção científica, como guias para sobreviver a ataques robóticos.

“A bagagem dele em robótica e inteligência artificial dá embasamento para a história, com um grau assustador de realismo conforme ele vai criando uma história emocionante, que eu acho que vai agradar muito a platéia”, declarou Mark Sourian, copresidente de produção da DreamWorks, no anúncio oficial. 

“Minha esperança é que a história que vamos contar faça com que os robôs do futuro sintam orgulho de nós humanos”, disse o autor.
>> OMELETE – por Carina Toledo


A ARTE DE ALAN LEE, ILUSTRADOR DE ‘O SENHOR DOS ANÉIS’

Domingo | 8 | Novembro | 2009

Poucas são as glórias reservadas aos artistas que se dedicam à ilustração editorial. Um Norman Rockwell (1894-1978), festejado ilustrador americano, é exemplo raro de alguém que entrou para a cultura iconográfica do seu país e se tornou uma referência obrigatória.

Um outro exemplo, embora noutro patamar, é o de Chesley Bonestell (1888-1986), artista de paisagens astronômicas que produziu pinturas de fundo para filmes clássicos como Destino Lua (1950), When Worlds Collide (1951) e A Guerra dos Mundos (1953), entre outros. Bonestell, que teve um painel exposto no Smithsonial Institution, também apareceu em publicações sobre astronáutica e na capa de livros e revistas de ficção científica – inclusive em alguns números da brasileira Magazine de Ficção Científica, entre 1970 e 71. Seu trabalho visionário inspirou incontáveis entusiastas da conquista espacial, no pós-guerra.

A maioria dos ilustradores, porém, é obrigada a se contentar com um ou outro livro contendo imagens colecionadas ou com dicas da técnica que usa, e ainda com as honrarias limitadas dos seus campos de atuação – e isso se forem áreas editoriais bem organizadas e de prestígio, como a literatura infanto-juvenil ou a de ficção científica e fantasia. Os prêmios Hugo, World Fantasy e Chesley Awards, por exemplo, contemplam as melhores ilustrações de ficção científica e fantasia.

Em fevereiro de 2004, o artista Alan Lee (ganhador de um World Fantasy Award em 1998) se tornou uma dessas figuras da ilustração que se projetam acima dos colegas e além dos campos em que atuam. Ele recebeu um Prêmio Oscar pela Direção de Arte do filme O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (Newline Cinema), para o qual ele e o colega canadense John Howe produziram dezenas de imagens. Ao receber a estatueta, Lee declarou: “Gostaria de agradecer ao verdadeiro mago que nos levou por esta espantosa viagem e que nos inspirou com sua energia, sua visão e a sua coragem. E Peter Jackson, muito, muito obrigado por nos permitir isso”…


Livro de Alan Lee com Brian Froud, publicado no Brasil

Lee nasceu em Harrow, Inglaterra, em 1947, e cresceu em uma região ainda repleta de rios e bosques. Além dessa influência do ambiente, que aparece claramente em suas pinturas de paisagens, ele começou cedo a ler contos de fadas e as obras de escritores de fantasia como J. R. R. Tolkien, Mervyn Peake (autor da trilogia Gormenghast, um clássico da fantasia inglesa) e T. H. White. Sua vontade de seguir a carreira de ilustração também despertou cedo, aos 15 anos. Entre 1966 e 69, estudou design gráfico em Londres, na Ealing School of Art. Mesmo enquanto estudante, seu interesse centrava-se em trabalhos que retratassem mitos celtas e nórdicos. Sua primeira realização mais marcante foi para a Panther Books – seis capas para uma série cômica assinada por Colin Spencer. Esse conjunto de ilustrações lhe permitiu empregar-se em uma agência de artistas editoriais. Sobre esse período, Lee comenta: “Fiz muitas capas e ilustrações ruis para livros de bolso e revistas, antes de perceber que o meu trabalho funcionava melhor se eu não tentasse produzir o que pensava que era esperado de mim – um trabalho altamente realista em acrílico -, e então me voltei para a aquarela, o meio de que sempre gostei mais”. Ele também lembra que desistiu do apoio fotográfico para as suas pinturas, trocando-o por aulas suplementares de anatomia. “Foi provavelmente a experiência educacional mais útil que tive”, diz.

Essas duas decisões são parcialmente responsáveis pelo aspecto único do trabalho de Alan Lee – não há, por um lado, o colorido ostensivo visto na maior parte da ilustração de fantasia, que emprega quase sempre as tintas acrílicas ou a óleo; e por outro não há aquela óbvia presença da referência fotográfica, também muito comum. Os opostos de Lee seriam artistas como Boris Vallejo, Keith Parkinson, Larry Elmore, Dom Maitz e Stephen Youll.

Sua arte se caracteriza pela fineza de traço e pela suavidade das manchas da aquarela, uma tinta diluída em água, e desde cedo se sintonizavam com um contexto mais antigo: “As poucas capas de ficção científica que fiz pareciam ter uma aparência vitoriana antiquada – por isso eu me vi me especializando no século 19 ou até antes”. Esse material incluía obras clássicas da literatura, romances históricos e volumes sobre mitos e contos de fadas. Entre as suas influências estão artistas de grande importância para a ilustração editorial do século 19, como Arthur Rackham (1867-1939) e John Sell Cotman (1782-1842).

Em 1975, Lee e seu colega ilustrador Brian Froud mudaram-se de Londres para Devon, em busca de um maior contato com a natureza e de um ambiente mais inspirador. Depois de fazer um trabalho menor para a Ballantine Books, Lee, juntamente com Froud, foi convidado por essa editora americana a produzir Faeries, livro ilustrado de 1979 que se tornou um enorme sucesso e permitiu que Lee se envolvesse por dois anos com a ilustração de The Mabinogion, coletânea de narrativas galesas compiladas nos séculos 14 e 15 e um favorito pessoal do artista. Em 1982, produziu novas capas para os livros da trilogia Gormenghast, de Peake, outro favorito de sua juventude.

Em 2004 a editora brasileira W11 publicou os dois primeiros livros da série “O Único e Eterno Rei”, A Espada na Pedra e A Rainha do Ar e das Sombras, do escritor inglês T. H. White (1906-1964). Composta por cinco livros, a série foi o principal fator de popularização, no século 20, da chamada “fantasia arturiana” – aquela baseada nas lendas do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda. As edições da W11 são aquelas ilustradas por Alan Lee a partir de 1977: trazem elegantes artes de capa, além de ilustrações internas a cores e minuciosas e dinâmicas “iluminuras” abrindo os capítulos.

Nesses livros é possível reconhecer todo o gênio do artista: suas imagens possuem uma força discreta, de composição pouco artificial e cheias de atmosfera, indo do alegre ao tétrico. A sua força peculiar emerge mais das situações e tonalidades dentro das cenas, do que de uma estratégia agressiva de composição e de colorido. Sua qualidade narrativa – a sugestão de haver uma história por trás da imagem – também está presente nas iluminuras, que às vezes parecem resumir a ação dos capítulos.

Sobre a capa de A Espada na Pedra, Lee informa que ele mesmo posou como Merlin, e sua filha “se tornou Arthur, enquanto assistia sentada à televisão”. A técnica usada, em tributo à Arthur Rackham, foi a da pena e nanquim, e aquarela sobre papel. A imagem é rica de elementos e de implicações ao mesmo tempo mágicas e cômicas, em que Merlin parece instruir e abençoar, ao mesmo tempo, o jovem príncipe.

Um dos aspectos mais interessantes de Alan Lee é a sua propensão a desenhar elaborados rabiscos antes e durante a execução de um trabalho. No esboço a lápis de A Espada na Pedra, sobre o qual o artista mais tarde aplicou a arte-final a nanquim e aquarela, a certa altura podia-se ver duas dúzias de rabiscos às margens. Alguns eram estudos de elementos da própria composição, outros sem nada a ver – como homúnculos e mulheres nuas – e havia entre esses até mesmo cenas elaboradas e de iluminação sombria.

Tais rabiscos são expressões da energia criativa do artista. Alguns, de natureza sexual ou grotesca, sugerem que Alan Lee explora o subconsciente como fonte dessa energia (Freud explica). Tudo isso impregna seus trabalhos de uma força sutil, difícil de localizar apenas na composição ou no uso das cores. Por trás da elegância e do lirismo de suas imagens, parece haver um mundo invisível de emoções turbulentas. A verdade é que assim como a literatura de fantasia dá entrada para o inconsciente, o trabalho do seu ilustrador nos leva a olhar por essa mesma janela.

Em 1991, Lee viu publicada suas 50 aquarelas produzidas para uma edição especial da trilogia O Senhor dos Anéis reunida em um único volume, a chamada “edição centenária” da trilogia. Essa tour de force aparentemente o levou à posição de Diretor de Arte da adaptação cinematográfica da trilogia, realizada pelo diretor neozelandês Peter Jackson – que teve a sabedoria de envolver ilustradores de Tolkien no projeto, garantindo assim a continuidade entre a obra do escritor e acadêmico inglês, e a saga no cinema.

Lee, porém, já havia trabalhado antes desenhando para o cinema – colaborou, sempre com muita consistência, com os filmes A Lenda (1983), de Ridley Scott; Erik, o Viking (1989), de Terry Jones; e com a minissérie Merlin (1998), dirigida por Steve Barron.

Para realizar os desenhos de produção de O Senhor dos Anéis, ele enfrentou quase um ano na Nova Zelândia: “A ilustração é um modo sedentário e nada aventuroso de ganhar a vida”, comenta. “Tive uma passagem extensa pela Nova Zelândia, tentando recriar a Terra-Média para os filmes de O Senhor dos Anéis, dirigidos por Peter Jackson. Com John Howe e um grupo de talentosos e energéticos neozelandeses, produzi idéias para auxiliar a interpretação visual da história. Os desenhos são uma referência útil para o diretor, o desenhista de produção e todas as outras mentes profissionais e pragmáticas envolvidas no projeto”. Nem tudo é aproveitado, claro, mas um exemplo é a concepção de Lee para os imensos salões de Moria, vistos em O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel usando uma elaborada técnica de desenho arquitetônico, o artista conseguiu traduzir a grandiosidade da descrição de J. R. R. Tolkien, mais tarde perfeitamente traduzida na tela.

Um esforço que, em sua totalidade, rendeu a Alan Lee o Oscar 2004 de Melhor Direção de Arte.
>> TERRA MAGAZINE – por Roberto de Sousa Causo


MUTARELLI VOLTA A PRODUZIR QUADRINHOS

Domingo | 8 | Novembro | 2009

O maior, melhor e mais original autor do país surgido nos últimos 30 anos vai voltar a produzir Histórias em Quadrinhos. Lourenço Mutarelli pretende começar em poucos meses – assim que concluir um romance, já na reta final – um álbum, ainda sem título definido (o que costuma fazer quando o trabalho está quase pronto). Ele adianta que o protagonista da trama será um aposentado bem idoso, que vive isolado de tudo e de todos, envolvidos com problemas existenciais. “Estou amadurecendo essa história há muito tempo e voltei a sentir a mesma empolgação do passado para fazer Quadrinhos. Daí minha decisão de voltar“. E acrescenta: “Nessa trama, quero falar da decadência física e humana de uma pessoa, um tema que sempre me interessou e que está presente de diversas formas em minha obra“, observa.

A história não tem número de páginas pré-estabelecido. Vai ser desenvolvida para o Escritório RT e publicado provavelmente pela Companhia das Letras, com quem mantém um acordo de exclusividade para seus romances. No começo deste mês, Mutarelli pretende apresentar o projeto da graphic novel a um dos sócios da empresa, Rodrigo Teixeira, que foi o produtor do filme O Cheiro do Ralo e com quem o artista tem desenvolvido uma série de trabalhos em diversas áreas, inclusive teatro. Se aprovado, o próprio RT dará um adiantamento e buscará um editor, além de ficar responsável por sua transposição para outras mídias, como o cinema. Esse retorno aos Quadrinhos não significa que Mutarelli se cansou ou se deu mal como romancista ou pretende nunca mais fazer cinema. Muito pelo contrário. A cada novo livro – acaba de lançar dois volumes de uma só vez, pela Companhia das Letras (O Natimorto e Miguel e os Demônios) ganha mais reputação nessa área. E até o começo do ano deve estrear o longa-metragem O Natimorto, do diretor Paulo Machline, com Simone Spolodoreno. No filme, o artista interpretará o protagonista.

Mutarelli parou de fazer Quadrinhos há cinco anos e deixou um buraco sem tamanho e sem fundo na produção nacional. Seu último trabalho, que estava na gaveta havia muito tempo, saiu em 2006, com o título de A Caixa de Areia. Ao mesmo tempo em que começou uma bem sucedida relação com o cinema – fez os desenhos da personagem principal do longa Nina e teve O Cheiro do Ralo (ambos dirigidos por Heitor Dália) adaptado para o cinema – no qual ele fez sua estreia como autor e roubou a cena como um impagável guarda trapaceiro. E passou a se dedicar à literatura. Foi então que chegou a declarar que estava abandonando os Quadrinhos para sempre. O motivo principal foi a sua chateação acumulada ao longo de uma década de parceria com a editora Devir, com quem jamais assinou contrato e de quem recebia regularmente pequenos “adiantamentos”. Enquanto o fim da relação permanece num impasse, que pode acabar nos tribunais, Mutarelli repensou e agora quer começar vida nova na arte que o consagrou. Entusiasmado, ele fala de seus planos. Deseja cuidar do novo álbum pessoalmente. “Quero realizar um velho sonho de ter, por exemplo, uma edição de capa dura, o que eu nunca consegui na Devir“.

O artista também pretende trabalhar com cores, vai principalmente usar ecoline e acrílico. Até pretende sugerir ao editor o tipo de papel para impressão do miolo, o mesmo usado no volume 2 da revista literária Serrote, que acaba de ser lançada. “Gostei muito da cor, do resultado da impressão sobre o papel, que tem um tom mais macio e de brilho fosco“, divaga. Outra opção que ele quer sugerir é tentar imprimir a edição como algo mais próximo da velha revista Seleções do Digest, cujas gravuras ele adorava olhar quando criança. Na verdade, Mutarelli nunca deixou de produzir Quadrinhos. Fazia para si mesmo, sem pretensão de publicar, de forma experimental. Ele guarda nada menos que vinte cadernos de histórias, que recentemente foram temas de um trabalho de conclusão de curso de estudantes da Universidade Metodista, de São Bernardo. Não são histórias convencionais, faz questão de dizer. Muitas são devaneios, sensações, percepções, impressões, desejos, vontades etc. Tudo feito como exercício de criação e terapia, sem o propósito de ser publicado. “Tem muita coisa ali que me agrada muito, existe uma espontaneidade que me parece bem legal”, ressalta, sem esconder a possibilidade de que esse material venha a ser publicado. Em julho deste ano, ele deu sinal de vida ao publicar uma História em Quadrinhos curta na revista Piauí.

Em 25 de janeiro de 2002, publiquei no jornal Gazeta Mercantil o último de vários ensaios que escrevi sobre a obra de Mutarelli. Na época, comecei dizendo que se um livro muitas vezes vende pela capa, valia a pena correr o risco no caso do novo álbum, A Soma de Tudo. Afirmei ainda que quem não conhecia seu trabalho se surpreenderia com a edição que a Devir lançava naquele momento. “O livro pega o leitor à primeira vista, com uma capa arrebatadora, que combina desenho e pintura com cores – integradas ao gênero sombrio que o colocou na posição de principal revelação das Histórias em Quadrinhos brasileiras na década de 1990”. e acrescentei: “internamente, a qualidade se repete em relação aos livros anteriores da trilogia policial protagonizada pelo detetive Diomedes, um anti-herói azarão que busca a fama pela solução de crimes”. Foi uma história que dividiu os leitores de Mutarelli. Parte não gostou do resultado. Diomedes reaparecia no que deveria ser a conclusão da trilogia antecedida por O Dobro de Cinco e O Rei do Ponto, lançados com intervalo de um ano cada, a partir de 1999. Anotei: “Trata-se do melhor que se produziu em Histórias em Quadrinhos nacionais nos últimos três anos”. Afirmei que, como seu processo de produção era meticuloso e detalhista, Mutarelli frustrava o leitor, de certa forma, por não encerrar a série, como havia prometido. Com o adendo de ‘Parte 1′, o novo livro tinha menos ação e preparava para o desfecho que viria no próximo volume. Não significava, porém, queda na qualidade de seu trabalho. Pelo contrário.

Mutarelli, na verdade, rompeu com o convencionalismo e resolveu dar um break na série para retribuir o modo como foi ovacionado em Portugal, um status que não tivera até então no seu país. Ele, aliás, com seu jeito de produzir e de se expor no mercado de Quadrinhos nacional sem se deixar seduzir pelas panelinhas, acabou por se impor como artista ímpar e talentoso que é – repito, sem temer a pieguice, o maior de todos – em relação aos prêmios que recebeu. Simplesmente porque não era possível não premiá-lo. Ia pegar mal. “Passei uma semana entre Amadora e Lisboa e posso garantir que foram os dias mais encantadores e mágicos que vivi”, disse-me na época. Na ocasião, ele também me falou que fazer Quadrinhos era um processo lento e árduo, que exigia sacrifício e disciplina. Por outro lado, se não bastasse o desgaste normal no seu processo de produção, A Soma de Tudo foi realizado num momento doloroso, quando o autor perdeu o pai, revisor e principal incentivador de suas obras. Talvez, por isso, tenha se tornado mais especial que os outros. Este sofrimento, no entanto, não interferiu no resultado técnico do livro. O episódio passava a sensação de uma produção cinematográfica nos moldes do que faziam os grandes estúdios americanos das décadas de 1930 a 1960 – tamanho era o seu zelo em buscar a melhor angulação, cenários e figurinos e arrancar de seus personagens as expressões de dramaticidade mais convincentes. O resultado mostra um êxito que só diretores como Billy Wilder, Robert Capra, George Stevens e John Huston, entre tantos outros, conseguiam.

Um exemplo disso é Diomedes, pensado para aparecer apenas no primeiro livro, mas que mostrou mais talento e convenceu seu criador a transformá-lo em protagonista da série. ‘Todas as minhas personagens morriam no final da história. Diomedes foi mais forte, eu fraquejei, não consegui matá-lo’, escreveu o autor no posfácio. Assim fechei o texto: “Mutarelli continua a se distanciar da maioria dos artistas brasileiros de Quadrinhos por causa da sua visão de como fazer histórias a partir da combinação do desenho com o texto elaborado e imaginado como parte fundamental do conjunto. Ou seja, ilustração e roteiro são indissociáveis para se fazer bons Quadrinhos. Seus trabalhos são pensados em detalhes, a partir de uma série de elementos visuais e de efeito que ele pega principalmente do cinema e da literatura policial – americana e inglesa. Por outro lado, muitos artistas contemporâneos ou de gerações anteriores patinam na sobreposição auto-suficiente e arrogante do desenho sobre a ideia. Como se o roteiro fosse algo menor em qualquer narrativa de imagem. Por essas e outras, ele se consagra como um artista completo”.

Tanto tempo depois com Mutarelli longe dos comics, pouca coisa mudou no mercado de Quadrinhos e, a meu ver, quase sempre para pior, como a entrada de editores tubarões atrás de adaptações literárias para mamar no programa de compra de livros do Governo Federal. Saber que Mutarelli vai voltar com o primeiro de muitos álbuns que certamente virão é uma alegria, um alento, uma esperança de que o nível e a qualidade dos Quadrinhos brasileiros possam melhorar. Amém!
>> BIGORNA – por Gonçalo Júnior


LÉVI-STRAUSS: O PENSAMENTO SELVAGEM

Domingo | 8 | Novembro | 2009

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Pois é, morreu o cara que nos ensinou a ver os mitos não como uma coleção de historinhas absurdas, mas como um sistema. Sempre me lembro de Lévi-Strauss quando vejo Dawkins e seus discípulos enchendo a boca para enunciar, como se fosse uma novidade absoluta, as mesmas críticas que o racionalismo do século XIX fazia aos mitos, e que o antropólogo francês provou por a + b que são completamente equivocadas.

Não que Lévi-Strauss não fosse um racionalista ou que acreditasse literal e ingenuamente nos mitos, muito pelo contrário. Foi justamente com a postura metodológica de um cientista que, em obras como O Totemismo Hoje, O Pensamento Selvagem ou os enciclopédicos quatro volumes das Mitológicas (O Cru e o Cozido, Do Mel às Cinzas, A Origem dos Modos à Mesa e O Homem Nu), Lévi-Strauss se debruçou sobre a mitologia de vários povos, especialmente os povos ameríndios, para revelar a lógica que se oculta por detrás de sua aparente irracionalidade. Uma lógica que, embora diferente da lógica clássica, aristotélica, é, à sua maneira, tão rigorosa quanto um silogismo.

Mitos, dizia Lévi-Strauss, são fatos mentais. Constituem a tradução e o reflexo, em forma de uma narrativa simbólica, das estruturas inconscientes que regem o funcionamento da mente humana, que projeta essas estruturas sobre a realidade exterior a fim de introduzir ordem e significado no caos da nossa experiência bruta do mundo.

Nenhum dos elementos que compõem o mito é arbitrário ou está lá por acaso. Deuses, heróis, animais e plantas são agrupados em função de relações de simetria, afinidade e oposição, e as ações do mito são uma transposição dessas relações em termos de narrativa, mais ou menos à maneira dos sonhos, que também geram histórias a partir das estruturas inconscientes da psique.

Mais ainda, Lévi-Strauss mostrou que as mesmas estruturas refletidas nos mitos desempenham um papel ordenador em todos os níveis da vida humana: na organização da sociedade, nas estruturas elementares de parentesco, nas manifestações culturais e assim por diante. Tomados em conjunto, os mitos são uma linguagem através da qual indivíduos e grupos sociais exprimem e dão forma à sua visão do mundo.

Sempre achei uma pena que Lévi-Strauss e Jung nunca tivessem se encontrado, quer no plano pessoal, quer no plano teórico. Partindo de pólos opostos – o primeiro do estudo das sociedades e o segundo da psique dos indivíduos – ambos chegaram a conclusões essencialmente semelhantes sobre a natureza dos mitos. Apesar disso, Jung nunca se referiu a Lévi-Strauss que, por sua vez, nas poucas vezes em que mencionou Jung, foi com uma atitude crítica. O que se explica, em parte, pelo fato de Lévi-Strauss ser francês e judeu. O cenário intelectual francês sempre foi dominado por Freud, e o Jung que Lévi-Strauss conheceu foi o Jung filtrado pelos preconceitos freudianos, que o retratavam como um nazista e um anti-semita (o que Deirdre Barr, em sua biografia definitiva de Jung, demonstrou que era mentira: Jung não só nunca foi nazista como, de fato, durante a II Guerra, foi agente secreto dos aliados). É natural que o antropólogo francês torcesse o nariz para o psicólogo suíço, mas não deixa de ser lamentável: a análise estrutural dos mitos que Lévi-Strauss introduziu e o método junguiano de amplificação complementam-se admiravelmente.

Ao lado do Curso de Linguística Geral, de Ferdinand de Saussurre, o trabalho de Lévi-Strauss sobre os mitos foi uma das principais molas propulsoras do estruturalismo, um movimento que pegou de roldão o cenário intelectual francês no início da segunda metade do século XX e se alastrou pela psicanálise, crítica literária e filosofia. E, uma vez que o cenário intelectual francês dominava o pensamento acadêmico mundial – hoje já não parece dominar tanto – pode-se dizer que a história das idéias no mundo contemporâneo teria sido outra sem Lévi-Strauss. Praticamente todos os pensadores pós-existencialistas sentiram, direta ou indiretamente, a sua influência: Lacan, Foucault, Roland Barthes, Derrida, Deleuze, Lyotard, até mesmo Baudrillard, cujo primeiro livro, O Sistema dos Objetos, nasceu como uma tese acadêmica orientada por um Barthes ainda encharcado de pensamento estruturalista.

Mas, apesar de lhe ter servido de gatilho, os méritos e deméritos da revolução estruturalista têm muito pouco a ver com Lévi-Strauss, que sempre permaneceu à parte e, mais de uma vez, declarou que considerava o estruturalismo como uma generalização indevida de suas idéias. E a verdade é que, um a um, os próprios estruturalistas foram abandonando suas posições iniciais, migrando para o que se convencionou chamar de “pós-estruturalismo”(e que chegou às praias da América indissoluvelmente mesclado com o pós-modernismo).

Tanto o estruturalismo quanto o pós-estruturalismo, porém, guardadas as muitas diferenças, compartilham uma mesma premissa básica: a de que não existe nada a que se possa chamar de “natureza humana” e de que todos os fenômenos psicológicos e socioculturais não passam de formações históricas e construções ideológicas. Lévi-Strauss não compartilhava dessa premissa. Para ele (como para Jung), as estruturas inconscientes reveladas pelos mitos são um reflexo justamente dessa natureza humana universal que o pós-modernismo jura não existir e que as neurociências vêm de demonstrar.

O fato de Lévi-Strauss ter sobrevivido a todos os demais estruturalistas talvez seja profundamente simbólico.

Talvez não.
>> EPISTEMONIKE PHANTASIA – por Lucio Manfredi


‘HARRY POTTER’ GANHA CENA DE NUDEZ EM PRÓXIMO FILME

Sexta-Feira | 6 | Novembro | 2009

Não é novidade que Daniel Radcliffe já é familiar à nudez diante do grande público, a se lembrar sua participação na peça Equus, em 2007. Mas segundo uma entrevista que o diretor David Yates deu à revista italiana Sorrisi e Canzoni, Radcliffe voltará a se despir e desta vez no papel que o fez famoso pelos quatro cantos do mundo: Harry Potter.

Yates, que desde 2007 está à frente dos filmes da saga potteriana, revelou: “Daniel Radcliffe aparece sem roupa em uma cena em que Harry e Rony estão lutando contra uma criatura mágica, que fugiu para confundir e criar uma visão. Na visão, podemos ver Harry e uma mulher se abraçando e beijando. É uma cena intrigante e muito sensual.”
>> TERRA – por Redação


COMENTÁRIOS SOBRE O REMAKE “V”

Sexta-Feira | 6 | Novembro | 2009

A série que promete trazer uma nova abordagem para a minissérie/série “V” dos anos 80 estreou ontem à noite nos EUA conquistando uma audiência de 13.95 milhões de telespectadores. Uma ótima estréia para uma produção que vem colecionando problemas nos bastidores. Desde atrasos com roteiros até a tentativa de se retirar o nome de seu criador, Kenneth Johnson, dos créditos, finalizando com a decisão de exibir apenas 4 episódios este ano, deixando os demais para março de 2010.

Em função da apreensão da ABC para com a série, a mídia intensificou a presença de “V” nos meios de comunicação estimulando a curiosidade e as expectativas do público. Não se sabe ainda se a série conseguirá manter a audiência conquistada, mas se depender da crítica americana, sua popularidade deverá ser grande.

Cuidado com pequenos spoilers!

A série traz os mesmos elementos e enredo da produção original, mudando apenas personagens e a ordem de alguns acontecimentos. Uma das principais diferenças é que a nova versão não faz uma relação direta com o nazismo; ela relaciona os alienígenas ao terrorismo. Com isso, o símbolo do V, utilizado no original como o V da vitória (símbolo de uma luta contra o nazismo) aparece na nova série como símbolo dos alienígenas, os quais são chamados de Vs. A pichação da letra nos muros se torna, assim, um símbolo de invasão e não de vitória.

Nesta nova versão temos Erica Evans (Elizabeth Mitchell) no lugar de Julie Parrish. Erica é uma agente do FBI que trabalha na prevenção de ataques terroristas. Tal qual Julie, ela se mantém na defensiva em relação a presença de extra-terrestres no planeta Terra.

Erica tem um filho adolescente, Tyler (Logan Huffman), que, aparentemente, representa três personagens do original: Robin, a filha de um cientista que se apaixona por um alienígena, ficando grávida deste; Daniel, filho de judeus que se une aos alienígenas tornando-se parte da “liga jovem” que ajuda os visitantes a patrulhar a Terra; e Sean, filho de Mike Donovan, repórter investigativo que luta contra os visitantes. Se bem me lembro, na série original, Sean é sequestrado pelos alienígenas que o utilizam como arma para deter Mike. Nesta nova versão, Tyler apresenta elementos destes três personagens do original: ele se interessa por uma alienígena e em função disso ele se une a um programa dos visitantes o qual tem o objetivo de “divulgar sua cultura aos terráqueos”. Além disso, ele é filho da heroína da história, portanto, poderá no futuro exercer a função de Sean.

No lugar de Mike Donovan temos o Padre Jack Landry (Joel Gretsch), que tem sua fé em Deus e na Bíblia posta em dúvida com a chegada dos alienígenas. Tal qual Mike, ele é um dos poucos que não “cai na conversa” de Anna, líder dos extraterrestres. Mas ao contrário de Mike, e em função de sua condição de Padre, ele não assume imediatamente uma postura guerrilheira contra os visitantes. Representativamente, o vemos agir como um, dentro de sua área. Ao invés de pegar em armas ou utilizar sua câmera de video para gravar flagrantes, como Mike fazia, Jack usa a palavra como munição de guerra contra os visitantes. Dirigindo-se à sua congregação, ele realiza a mesma função. Em resposta à sua postura, um de seus congregados lhe passa informações que o levarão a unir-se a um grupo de resistência contra os alienígenas.

Um dos aspectos interessantes desta nova versão é o fato de que somos apresentados a situações que estão ocorrendo em paralelo, mas que nós, público, não vemos, até que o personagem cuja vida acompanhamos, seja apresentado a elas, tal qual ocorre em uma boa parte das séries policiais. Em uma série de ficção e ação como “V”, era de se esperar que a evolução dos acontecimentos fossem testemunhadas por nós, público; e quando elas chegassem aos personagens centrais, nós já estaríamos a par. Mas, visto que os fatos da série original já são conhecidos, então, de certa forma, já fomos apresentados a eles.

Por outro lado, com esta abordagem, a série corre o risco de perder o interesse do público, que mesmo sabendo do que se trata, quer acompanhar o desenrolar dos acontecimentos. Por exemplo: não vimos o grupo de resistência se formando e não vimos como eles descobriram que os alienígenas são lagartos. Só ficamos sabendo que eles já têm este conhecimento quando Erica e Jack participam de uma reunião do grupo.

Os demais personagens já apresentados no episódio piloto desta nova versão são Anna (a brasileira Morena Baccarin), que substitui Diana da série original. Aqui a personagem é mais sutil em suas más intenções para com a Terra. Com aparência de uma jovem doce e serena, contrastando com a imagem forte e incisiva de Diana, temos uma líder política, ao passo que Diana era visivelmente uma líder militar. Assim sendo, Anna une as funções de Diana e de John, que era de fato o líder dos alienígenas. Talvez ela reúna também as funções de Steven, que substituiu John.

Temos também Chad Deckker (Scott Wolf), apresentador de um telejornal que é escolhido por Anna para conduzir sua primeira entrevista dirigida ao povo da Terra. Em uma cena que lembra o filme “Frost/Nixon”, vemos Anna, tal qual Nixon, manipulando a entrevista a seu favor, deixando Chad, na figura representativa de Frost, acuado, funcionando como um reles peão. Sua ambição versus seu ego o leva a um conflito, aparentemente moral, mas que na verdade nada tem a ver com isso, já que de moralista ele não tem nada. Chad deve substituir Eleanor Dupres, mãe de Mike no original, que se une por interesse aos alienígenas, tornando-se aliada. A diferença é que Eleanor realmente acreditava na aliança, confiança esta que Chad não parece inclinado a ter.

No lugar de Brian, o alienígena por quem Robyn se apaixona no original, temos Lisa (Laura Vandervoort), uma jovem lagarta que percebe o interesse de Tyler por ela, o que a leva a induzi-lo a se unir ao grupo de jovens que servirá de ligação entre a Terra e os alienígenas, uma espécie de representantes culturais. No lugar de Willie, o alienígena bonzinho, que faz parte da resistência contra a invasão da Terra, temos Ryan (Morris Chestnut), que está apaixonado por Valerie (Lourdes Benedicto), personagem que substitiu a garçonete Harmony.

A série tem uma boa história como base, personagens interessantes, em especial o Padre que deverá, assim espero, mergulhar em um conflito de fé, já que a Bíblia não prevê os fatos que estão ocorrendo. Mas existe um porém. O desenvolvimento do roteiro do episódio piloto apresenta uma tendência que vem ocorrendo nas séries produzidas pela TV aberta americana: cortar caminho para chegar logo ao objetivo da história. Este tipo de desenvolvimento remonta os anos 80, década em que os arcos das séries passaram a ser explorados com maior frequência, influenciados pelo sucesso das minisséries que surgiram nos anos 70.

Por estarem ainda iniciando uma linha narrativa, era comum ver que muitos roteiristas se deixavam levar pela ansiedade ou pela pressa em chegar a um clímax ou situação mais intensa, sem se preocupar em traçar um caminho mais realista para que os personagens chegassem em tal lugar. Um dos maiores benefícios que a série “24 Horas” trouxe para este formato foi justamente dar atenção aos detalhes, os quais movimentam os personagens que levam à um desenvolvimento da ação.

A atenção a estes detalhes levam a um efeito dominó, tornando a situação mais crível, principalmente para produções com base em ficção e fantasia. Estas são as que mais precisam se ater aos detalhes para que possam coexistir com as séries dramáticas, as quais retratam a realidade de uma sociedade.

A grande promessa da temporada, “FlashForward”, falhou miseravelmente neste aspecto, comprometendo o desenvolvimento de personagens e história. Epsera-se que “V” não siga o mesmo caminho, muito embora o piloto tenha apontado para esta direção. Será que foi isso que alertou os executivos da ABC quando eles decidiram adiar a produção dos novos episódios da série, sob a alegação de que os roteristas precisavam de tempo para desenvolver melhor os roteiros? Espero que sim!

O piloto inicia bem com a chegada dos alienígenas à Terra, remontando o mesmo impacto causado nos anos 80 com a produção original. Mas logo depois já temos o primeiro sinal de que a história vai cortar caminho: quando Erica procura por seu filho na multidão, e sem problemas nenhum, o encontra. Não havia de fato necessidade para ela encontrá-lo tão rápido. A continuação da história não dependia disso. Por outro lado, a dificuldade de encontrá-lo poderia ter trazido um realismo e maior tensão ao momento retratado. A partir desse fato vemos o desenvolver da história podar situações que só poderiam ter sido desenvolvidas no episódio piloto.

Por exemplo: não vemos a reação dos governos à chegada dos alienígenas; também não vemos a reação do público à assimilação de que os extraterrestres estão na Terra. Após a chegada, temos um desnecessário e prejudicial salto de três semanas no tempo. O que se desenvolve a partir daí são “clips” de momentos vividos pelos personagens em relação à situação. Desperdiçadamente vemos situações que foram desenvolvidas nos dois episódios da primeira minissérie serem comprimidas em um único episódio: a chegada dos alienígenas, o jovem Tyler se deixar seduzir por eles e decidir se unir aos extraterrestre, a formação de um grupo de resistência, a descoberta de que os alienígenas são lagartos, e a proposta dos alienígenas em relação à Terra. Tudo isso em 46 minutos de episódio!

Não é à toa que nos últimos anos tenho dado preferência às produções feitas para a TV a cabo. Nessas séries são os personagens que movimentam a ação e contam uma história; nas produções da TV aberta, a grande maioria das séries são de histórias que movimentam os personagens que vivem uma ação. Se “V” continuar a seguir este caminho, ela se tornará apenas mais uma série de ficção e ação que desperdiçou seus personagens e situações. O que não justificaria seu remake, a não ser pelo fato de que, com isso, deverá se tornar popular. Algo que a primeira produção já era. Mas na época, os roteiros eram desenvolvidos assim, com raras exceções (que não foi o caso de “V”); hoje não são, ou não deveriam mais ser assim.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


‘FULL MOON FEVER’ VAI PARA O CINEMA

Sexta-Feira | 6 | Novembro | 2009

A graphic novel Full Moon Fever, criada por Joe Casey e Caleb Gerard, está sendo desenvolvida para o cinema pela Solipsist Films.

A produção está a cargo de Stephen L´Heureux e do próprio Casey.

A história é focada em Seke Kirby, um lixeiro lunar que, ao chegar a uma estação na lua descobre que alguma coisa muito errada está acontecendo ali e essa coisa tem nome: lobisomens!

Joe Casey é um roteirista de quadrinhos conhecido por seu trabalho em títulos como Cable, Adventures of Superman, Uncanny X-Men, Godland, WildCATs 3.0 e nas minisséries Avengers: Earth’s Mightiest Heroes I e II.
>> HQ MANIACS – por Leandro Damasceno


VERTIGO: NOVAS SÉRIES PAUTAM ESTREIA DA REVISTA

Sexta-Feira | 6 | Novembro | 2009

Vertigo. Crédito: site da Panini
Publicação da Panini começou a ser vendida nesta semana em bancas paulistas e traz quatro séries inéditas 

A linha Vertigo ganha mais uma vez uma revista mensal no Brasil. Programada inicialmente para o fim do mês passado, a publicação homônima começou a ser vendida nesta semana em bancas paulistas (Panini, 132 págs., R$ 9,90).

O título se pauta em novas séries da Vertigo, selo adulto da editora DC Comics. Das cinco histórias deste primeiro número, quatro são inéditas.

Duas são baseadas em criações de Neil Gaiman. “A Tessalíada” dá sequência à personagem poderosa surgida nas páginas de “Sandman”, escrita pelo autor inglês. A série agora tem texto de Bill Willingham – mesmo autor de “Fábulas”, também da Vertigo – e começa com uma perseguição à protagonista. A série terá quatro capítulos.

A outra série baseada em Gaiman é ”Lugar Nenhum” e também é uma minissérie. No caso, em nove partes. Como a editora define, é uma adaptação da adaptação da adaptação.

Explicação: a série verte para os quadrinhos a leitura feita para a TV baseada no romance do escritor. Nos quadrinhos, mostra um inglês comum, Richard Mayhew, às voltas com uma enigmática e poderosa mulher, Porta.

As outras duas séries novas, “Escalpo” e “Vikings” não tem nada de Gaiman. Destoam inclusive no tema. A primeira se passa numa reserva indígena dominada por um líder corrupto. A segunda mostra o navegante Sven, que retorna à terra onde nasceu para reclamar uma herança.

A quinta série de “Vertigo” é “Hellblazer”, que mostra as aventuras místicas vividas pelo inglês John Constantine. É ele que aparece na capa da revista. Na história, ele investiga estranhos comportamentos no prédio onde mora sua irmã.

“Hellblazer” é um dos títulos mais tradicionais do selo nos Estados Unidos. Também por aqui. É o ponto que une as diferentes tentativas da Vertigo em uma revista mensal.

O nome “Vertigo” já havia sido usado em um título com proposta semelhante publicado pela Abril entre 1995 e 1996, época em que a editora detinha os direitos do selo. John Constantine esteve presente também na revista mensal “Pixel Magazine”, entre 2007 e 2008. A Pixel, selo da Ediouro, foi a última a publicar a Vertigo, até romper o contrato.

Apesar de as três experiências de revista mensal serem semelhantes, a comparação mais próxima é mesmo com a “Pixel Magazine”, a mais recente na memória dos leitores. Pondo as duas lado a lado, esta nova revista leva vantagem: 32 páginas a mais por um real a menos. O papel, registre-se, é o mesmo das revistas de super-heróis da Panini.

A multinacional estreou a linha Vertigo no mês passado com dois encadernados: “Y – O Último Homem” e “ZDM”. As duas eram publicadas pela Pixel e foram reiniciadas.

A Panini programa lançar também encadernados de ”Fábulas” e de “Preacher” do ponto onde as séries haviam parado. E, para 2010, álbuns de “Sandman” e “100 Balas”.
>> BLOG DO QUADRINHOS – por Paulo Ramos


REIVENTANDO SPIROU

Sexta-Feira | 6 | Novembro | 2009

Não é raro, no mundo das histórias em quadrinhos, a obra de um autor passar para as mãos de outros artistas após a desistência ou falecimento do criador original da série ou personagem. O que é raro é que nas mãos desses seguidores as novas histórias consigam a mesma qualidade ou importância da HQ de origem.

Mas com Spirou aconteceu isso. E por duas vezes.

A primeira foi quando o desenhista belga André Franquin assumiu a paternidade da HQ. Spirou havia sido criado por Rob-Vel em 1938, por encomenda da editora Dupuis, como personagem de uma nova revista – que existe até hoje – que trazia o mesmo nome do personagem. Seriam pequenas histórias cômicas que dariam unidade e identidade à publicação. Quando Rob-Vel foi convocado pelo exército belga no início da Segunda Grande Guerra, o personagem foi adquirido pela Dupuis e passou para as mãos de Jijé, um dos grandes nomes da HQ franco-belga, mas que logo passou a responsabilidade para um desenhista iniciante: André Franquin. Nas mãos de Franquin, Spirou ganhou uma nova vida, cheia de aventuras, novos amigos e novos inimigos também. Aos já existentes Fantasio e Spip, Franquin acrescentou uma enorme galeria de personagens, encabeçados pelo cientista/inventor Conde de Champignac, o estranho animal Marsupilami e o vilão Zorglub. Com Franquin a série viveu sua época de ouro.

Depois de abandoná-la no final dos anos 1960 para se dedicar a outras HQs, como o divertidíssimo Gaston Lagaffe, As Aventuras de Spirou e Fantasio já passou pelas mãos de uma dúzia de outros roteiristas e desenhistas. Embora talentosos, não conseguiram alcançar a genialidade de Franquin como criador de histórias e desenhos.

Pois agora, quarenta anos depois, as aventuras de Spirou ganham criadores que trazem uma visão inovadora do universo do personagem. A coleção Une Aventure de Spirou et Fantasio par (Uma Aventura de Spirou e Fantasio por), iniciada em 2006, traz sempre uma história da famosa dupla na visão de diferentes autores convidados. Depois dos primeiros três volumes, que seguiam o caminho já trilhado por Franquin muitos anos antes, com aventuras mirabolantes onde predominam civilizações perdidas e segredos indecifráveis (até Spirou entrar em cena) o quarto e o quinto volume da série resolveram reinventar o passado do personagem.

Em Le Journal d’un Ingénu (O Diário de um Ingênuo), o autor Émile Bravo retorna a 1939, quando as aventuras do personagem davam seus primeiros passos, e decide trazer a política dos anos pré-guerra para as páginas da HQ, que assume o estilo de desenho da época e utiliza cores sóbrias para marcar o clima sombrio daqueles dias em que o conflito iminente e inevitável pairava sobre toda a Europa.

Spirou ainda era um garoto de recados que carregava as malas dos hóspedes do Moustic Hotel e só tinha o pequeno esquilo Spip como amigo. Porém, aos poucos, a trama envolvendo nazistas e comunistas vai se desvelando e vai transformando o garoto despreocupado em um protagonista de secretas negociações políticas que acontecem em uma Bruxelas ainda em tempos de paz, mas com os alemães batendo à porta.

Bravo retraça os primeiros momentos do garoto e explica a razão de Spirou usar seu tradicional uniforme vermelho, seu primeiro encontro com Fantasio, que se tornaria seu companheiro de inúmeras aventuras e alguns outros segredos sobre a vida do personagem.

O livro seguinte, Le Groom Vert-de-Gris (O Garoto de Recados Verde-Oliva), agora pelas mãos de Yann (roteiro) e Olivier Schwartz (desenhos), é quase uma continuação do anterior. A ação se passa na mesma Bruxelas, só que agora em 1942, e já sob o domínio dos nazistas. A dupla responsável pela criação do álbum resolveu aprofundar o tema político/histórico da história anterior e colocou Spirou e Fantasio em meio a uma divertida e movimentada trama envolvendo as forças de ocupação nazista e a resistência belga.

Enquanto o livro de Bravo tem uma ação contida e que se passa quase exclusivamente nos quartos, salões e corredores do Moustic Hotel, a história de Yann/Schwartz é bem mais agitada e mostra grandes quadros representando batalhas e cenas por toda a Bélgica, com a curiosa aparição de outros personagens e autores de HQ (Hergé é um deles) em pequenas cenas espalhadas por todo o livro.

Dois livros que os interessados precisarão buscar a edição original em francês, pois dificilmente serão traduzidos por aqui ou mesmo em inglês.

Dois livros que mostram que com talento pode-se revigorar mesmo um personagem setuagenário e que já estava relegado a uma série de livros onde o apelo comercial era o que mais importava. Vida longa a Spirou e Fantasio.
>> TERRA MAGAZINE – por Claudio Martini


PEANUTS COMPLETO CHEGA AO BRASIL

Sexta-Feira | 6 | Novembro | 2009

A editora L&PM lança no Brasil, no próximo sábado, às 15h, na Livraria Cultura do Shopping Market Place, em São Paulo, o primeiro volume de “Peanuts Completo”, série de livros que reúne as tiras da famosa série em quadrinhos de Charles Schulz. São 360 páginas a R$ 68 com o material produzido pelo autor no período de 1950 a 1952.

Nos EUA, já saíram 12 volumes da série, que ganhou dois prêmios Eisner: um para Melhor Coleção ou Projeto de Arquivo de Tiras e outro para Melhor Design, feito pelo quadrinista Seth. A editora gaúcha diz que há previsão de lançar mais dois volumes da série que, em cada volume, compreende cerca de dois anos de tiras feitas por Schulz. Em cada um deles, há textos de gente como Matt Groeing, Whoopi Goldberg e Diana Krall.
>> O GLOBO – por Télio Navega

Esta é a primeira tira de “Peanuts”, que tinha como personagens Snoopy e Charlie Brown.

A primeira aparição de Snoopy ocorreu na terceira tira da série norte-americana:

Só alguns dias depois, Snoopy iria encontrar seu dono, Charlie Brown:


‘OS FILHOS DE HÚRIN’: NOVO LIVRO DE J.R.R. TOLKIEN

Sexta-Feira | 6 | Novembro | 2009

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Antes da lendária Era de “O Senhos dos Anéis”, um poderoso espírito dominado pelo Senhor do Escuro ameaca a vida do filhos de Húrin.

Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro, habita na vasta fortaleza de Angband, ao norte; e à sombra do temor de Angband e da guerra travada por Morgoth contra os elfos, os destinos de Túrin e de sua irmã Niënor serão tragicamente entrelaçados.

A vida breve e apaixonada dos dois irmãos é dominada pelo ódio visceral que Morgoth tinha deles, os filhos de Húrin, o homem que ousara desafiá-lo frente a frente. Contra eles, Morgoth envia seu mais temível servo, Glaurung, um poderoso espírito na forma de um enorme dragão de fogo sem asas, numa tentativa de cumprir sua maldição e destruir os filhos de Húrin.


‘THE FOURTH KIND’ (‘CONTATOS DE QUARTO GRAU’): MAIS UM FILME DE TERROR “REAL” CHEGA AOS CINEMAS

Sexta-Feira | 6 | Novembro | 2009

 

“Contatos de Quarto Grau”, protagonizado pela atriz Milla Jovovich e que inclui um material inédito de arquivo, é o último exemplo do que foi classificado como o gênero “verite horror“, que pretende deixar o espectador convencido de ser testemunhas de experiências sobrenaturais. A estreia no Brasil está prevista para 22 de janeiro de 2010.

Este filme de abduções e mistérios em uma cidade do Alasca chegará às salas de cinema dos Estados Unidos na próxima sexta-feira para competir com a superprodução de Disney “Os Fantasmas de Scrooge” e também com o objetivo de repetir o sucesso de “Atividade Paranormal”, um longa que custou apenas 11.000 dólares e que arrecadou US$ 84,6 milhões.

“Com uma estrutura que não se parece com a de nenhum outro filme, ‘Contatos de Quarto Grau’ é um thriller provocativo ambientado na atualidade em Nome, Alasca, onde – misteriosamente desde a década de 60 – todos os anos é registrado um número desproporcional de desaparecimentos”, anuncia a sinopse do longa dirigido por Olatunde Osunsanmi.

Para aumentar o suspense, o filme não teve as típicas campanhas promocionais de Hollywood, com entrevistas do diretor e atores. Pelo contrário, a ideia até agora foi a de revelar apenas a data da estreia. A partir do fim de semana será possível descobrir se o boca-a-boca transformou esta história em um novo fenômeno da temporada na bilheteria americana, recordando o êxito de “A Bruxa de Blair” há 10 anos.
>> AFP / UOL

Assista ao trailer legendado:

Baseado em fatos reais sobre um mistério ocorrido no Alasca e jamais resolvido, a história é ambientada numa pequena cidade onde, nos últimos 40 anos, a população presenciou um extraordinário número de desaparecimentos – todos inexplicáveis. A suspeita de todos é que isso teria conexões com extraterrestres, mas os fatos estariam sendo camuflados pelo próprio governo nas mesmas circunstâncias da infame Área 51


FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE DEBATE ONDA DE TERROR CONTEMPORÂNEO

Sexta-Feira | 6 | Novembro | 2009


Livros sobre vampiros são um dos mais procurados na Feira do Livro de Porto Alegre (foto: Mauro Vieira)

Mesa homenageia os 200 anos de nascimento de Edgar Allan Poe

Ontem, numa mesa redonda dedicada aos 200 anos de Edgar Allan Poe e incluída na programação da Feira do Livro, quatro participantes discutiram a trajetória do escritor americano, suas narrativas e desdobramentos. Do Conde Drácula até a série Crepúsculo, da escritora Stephenie Meyer. Para José Francisco Botelho, mestre em Letras e jornalista, sem o novo parâmetro estabelecido por Poe, na primeira metade do século 19, ao quebrar o didatismo, o moralismo e a alegoria do gótico, não haveria o gênero que vemos agora:

— Poe demonstrou que o mal nasce no humano. Ele não tratava o mal do ponto de vista da pessoa. Já o gótico falava do mal que cerca o indivíduo.

Muito antes de Crepúsculo, Drácula, de Bram Stoker, abordava um vampiro imortal, monstruoso, e desconhecido. Agora, como observou outro debatedor da mesa de ontem, o mestrando em filosofia da UFRGS Napoleão Schoeller, a perspectiva se inverteu:

— O que se vê é a dificuldade de o vampiro se relacionar com o mundo humano. É a humanização do vampiro. O herói é o vampiro.

Crepúsculo gira em torno do romance entre uma garota humana e um vampiro que, com mais de cem anos, mantém feições adolescentes e frequenta a escola secundária. O segundo filme da série, Lua Nova — a estreia mundial será dia 20 de novembro —, conta a história de Bella (Kristen Stewart), que se apaixona por Edward (Robert Pattinson).

O físico e escritor Rafael Bán Jacobsen relaciona o surgimento da literatura gótica com a industrialização — “se a realidade é fria, é natural que se busque o oposto, algo na esfera do desconhecido” — com o atual terreno fértil para o florescimento da literatura de Crepúsculo com o boom tecnológico.

— O fortalecimento da realidade virtual talvez explique esse interesse pelos vampiros — diz o escritor, lembrando que Crepúsculo volta ao gótico original, com lições de moral e final feliz.

Se a vampiromania é passageira, ninguém se atreveu a prever, mas a concordância geral é que o gênero do horror não verá a morte tão cedo, seguindo ou não a narrativa de Poe:

— A literatura fantástica é tão antiga quanto o medo. Só vai melhorar — sintetiza Botelho.

5 razões por que Poe ainda é o cara
1. A atmosfera de horror gótico presente em seus contos é uma grande influência ainda hoje.
2. A invenção da literatura policial: Poe é considerado, com as três histórias do investigador Dupin, o inventor da literatura de dedução e elucidação de crimes.
3. O mito do escritor/herói trágico: Poe viveu pouco, morreu aos 40 anos e produziu grande literatura nesse período. Escritor consagrado hoje, morreu em circunstâncias misteriosas, pobre e quase sem quem comparecesse a seu funeral. É, portanto, um personagem cuja vida cheia de elementos patéticos inspira tanto fascínio quanto sua obra de gênio.
4.A Carta Roubada, conto que inspirou o psicanalista Jacques Lacan
5.O Corvo, poema mais popular de Poe, com o clássico refrão “E o corvo disse / Nunca mais”, inspirou poetas tão diferentes como Fernando Pessoa e Vinicius de Moraes e foi adaptado para o cinema num cômico filme estrelado por Vincent Price e Boris Karloff

>> ZERO HORA – por Priscila Montandon


FICÇÃO CIENTÍFICA LEVADA A SÉRIO

Quinta-feira | 5 | Novembro | 2009

Telescope_Allen_SETIa

Há cinqüenta anos foi publicado, oficialmente, o primeiro artigo cientifico considerando a hipótese de vida em outro planeta. Os físicos Giuseppe Cocconi e Philip Morisson, autores do artigo publicado na revista nature em setembro de 1959, além de encararem a vida extraterrestre como algo provável, afirmavam que é possível entrar em contato com eles através da capitação de sinais de radio em direção ao espaço.

artigo sobre vida extraterrestre
Artigo publicado na revista Nature em 19 de setembro de 1959 onde os físicos afirmam: “…a presença de sinais interestelares é totalmente consistente com tudo que conhecemos, e (…) se sinais estão presentes, os meios para detectá-los estão agora sob nosso controle.”

Hoje, a pesquisa anunciada por Cocconi e Morisson avançou e se intensificou, surgiram programas como o Seti (Search for Extra-Terrestrial Intelligence), nos Estados Unidos, dedicado exclusivamente ao desenvolvimento de pesquisas e atividades da astrobiologia.

Ao contrário do que muitos pensam, o estudo sobre vida extraterrestre é um dos mais baratos ao se tratar de questões especiais. Segundo o astrônomo sênior do Seti, Seth Shostak, os experimentos do programa Seti apostam na sugestão dos físicos da revista nature, ou seja, simplesmente apontar antenas para sistemas estelares e captar sinais de freqüência próxima a 1420 Mhz.

Apesar de ainda não ser comprovada a existência de vida semelhante a nossa fora do planeta terra, Seti aposta que, devido ao tamanho do universo e a quantidade de planetas e galáxias existentes, é impossível ter 100% de certeza que só existe vida na terra.

físicos
Os físicos Giuseppe Cocconi e Philip Morisson

Como se fosse um presente aos 50 anos oficiais de estudos ufológicos, A Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) recebeu, no final do mês de outubro, mais um lote de documentos oficiais liberados pelo governo brasileiro, sobre ocorrências de objetos voadores não identificados.

Os documentos estavam mantidos em sigilo há décadas e se encontram agora disponíveis para quem quiser ver neste endereço www.ufo.com.br/documentos/anos_80/.

Já foram divulgados anteriormente, documentos datados das décadas de 50, 60 e 70, e até agora mais de 4.000 páginas estão em âmbito publico. Se você gosta do assunto, confira um programa virtual exclusivo do fantástico, que relembra reportagens sobre o tema, clicando aqui

>> F5 – por Maria Confort e Barbara Dantine


ENTENDA POR QUE É MAIS DIFÍCIL FAZER FICÇÃO CIENTÍFICA NOS DIAS DE HOJE

Quarta-feira | 4 | Novembro | 2009

Produzir livros e filmes para uma plateia qualificada, que recebe todos os dias notícias sobre genética, clonagens, lasers e viagens espaciais é cada vez mais difícil. Mas potencial ainda existe.

O texto acima é a chamada do programa Espaço Aberto – Ciência e Tecnologia, da Globonews. Desta fez o tema é  Ficção Científica.  Adriano Piazzi, Nelson de Oliveira e Roberto Causo foram entrevistados.

Abaixo o link para assistir ao programa direto da Globo News:

É mais difícil produzir ficção científica nos dias de hoje? Por que o gênero não se desenvolveu no Brasil? Ficção científica pode ser considerada “alta literatura”? Saiba mais sobre Philip K. Dick, Isaac Asimov, Willian Gibson e outros escritores do gênero no programa Espaço Aberto, exibido dia 02/11/2009 na Globo News, sobre literatura e ficção científica. Assista abaixo:


‘A IRA DOS DRAGÕES’: DE UM OUTRO MUNDO

Quarta-feira | 4 | Novembro | 2009

Marcelo Elias/ Gazeta do Povo / Encantado pela capa de O Hobbit, livro de J. R. R. Tolkien, Tizzot começou sua vida de leitor aos 15 anos. Hoje são 24 horas em meio aos livros, duas obras lançadas e parceria consolidada com John Howe

Referência na literatura fantástica no Paraná, o escritor curitibano Thiago Tizzot lança livro em parceria com John Howe, ilustrador de O Senhor dos Anéis

Aquela mal-afamada história de comprar o livro pela capa aconteceu com Thiago Tizzot. O garoto curitibano que estava saindo de fé­­rias com o irmão foi a uma livraria no aeroporto Afonso Pena. Até en­­tão era só gibi. Pato Donald lhe fazia a cabeça, mesmo que a mãe, professora de português e literatura, insistisse em algo que combinasse mais com aqueles seus 15 anos.

Foi quando um livro de bolso lhe saltou aos olhos. Na capa cheia de cor, um dragão gigantesco adormecia sobre uma montanha de tesouros. O livro que, sem exageros, mudaria sua vida, era O Hobbit, do sul-africano John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973). E a ilustração na capa tinha a assinatura de John Howe, futuro parceiro de trabalho do menino.

A obra em inglês serviu menos para que Thiago testasse seus con­hecimentos na língua que aprendia e mais para que lhe abrisse por­­tas. Pois a história continua com o garoto, tempos depois, passando em frente a uma livraria, em Curi­­tiba. Deparou-se com outro livro. J. R. R. Tolkien, aquela sigla já conhecida, brilhou de novo. O título era O Senhor dos Anéis, obra-prima do escritor e linguista.

Desde então, Tizzot, hoje com 29 anos, imerge na literatura fantástica. Lê e produz. Até seus cabelos lisos e castanhos que roçam no pescoço poderiam ser de algum elfo da Terra Média – mundo criado por Tolkien – ou de Braesel, universo cunhado pelo próprio curitibano, que está nos livros O Segredo da Guerra e no recém-lançado A Ira dos Dragões.

E ele começou sem querer. Publicitário por formação, escrevia “por brincadeira” e romanceava as aventuras que vivia com seu grupo de RPG – sigla de role-playing game, jogo de interpretação de personagens. Um passo decisivo foi o lançamento de Curso de Quenya, em 2004. O livro ensina uma das línguas criadas por Tolkien e foi colocado à venda quando a editora Arte & Letra, da família de Tizzot, saiu do papel. Era hora de escolher.

“Ou agora continuo na publicidade e escrever vira um hobby ou eu vou com tudo e vejo o que acontece. Escolhi ir com tudo”, diz Tizzot, pernas cruzadas a dez passos de seu cantinho de livros, a livraria que mantém no café Lucca. Um ano depois, O Segredo da Guerra, romance narrado por sete personagens diferentes, surgia. Mas foi com seu segundo livro que Tizzot voltou aos seus 15 anos e conseguiu um feito digno de literatura mágica.

John Howe

A Ira dos Dragões é um volume de nove contos baseados em nove ilustrações. Os desenhos são de John Howe, canadense de 52 anos responsável pelo dragão e pela montanha de tesouros que atraíram a atenção de Tizzot naquela vez, no aeroporto. Foi Howe quem mais trabalhou com Tolkien – também nos livros O Senhor dos Anéis e Silmarillion.

O primeiro contato, via e-mail, foi desanimador. Tizzot sugeriu criar uma coletânea com imagens do ilustrador, já que “todo mundo comenta o trabalho dele, mas no Brasil não há nada publicado”. Howe respondeu “puxa, obrigado, mas, olha, já há muitos trabalhos desse tipo. E eu também não tenho como selecionar minhas ilustrações agora”.

Insistente, Tizzot enviou outro e-mail. “Então o que você acha de fazermos o seguinte. Você me manda uma imagem e eu escrevo um conto baseado nela”. Dias depois, nova mensagem chegava para o curitibano. “Achei superlegal e diferente. Vamos fazer isso, sim.”

Um cavaleiro de cabelos longos e loiros, espada sobre os ombros, vestindo pesada armadura fazia o primeiro plano; a cabeça de um ser grandioso, cheio de escamas e dentes, uma asa de dragão ao fundo e um castelo mais atrás – em tons azulados – foi o que o escritor viu quando o tão esperado e-mail chegou.

Em uma semana estava pronto “Ereduin”, conto que abre o livro. Foi aprovado pelo ilustrador, que perguntou “e agora, como continuamos?”.

Foram mais oito imagens enviadas – que já estavam prontas – e o livro também chegava a seu fim, depois de dois anos. O acordo feito entre os dois dá uma participação a Howe nas vendas da obra.

“A ideia era criar um universo próprio, como o Tolkien fez. Às vezes batia o olho na imagem e já conseguia identificar alguma coisa do meu universo. Outras, ficava quase um mês olhando aquilo e era difícil sair alguma coisa”, comenta Tizzot. Ou melhor, Estus Daheri – nome do mago presente em seu primeiro livro e também pseudônimo do autor.

Escrever literatura fantástica em forma de conto foi um desafio a mais para Tizzot. Em O Senhor dos Anéis, Tolkien gastou mais de mil páginas para criar um mundo, novos seres, e várias línguas. Para se fazer verossímil, enfim. Com textos condensados em poucas páginas, é preciso que o leitor já esteja habituado ao tipo de literatura presente em A Ira dos Dragões. A linguagem de Tizzot, rápida, descritiva e simples, facilita a imersão na obra.

“É preciso convencer o leitor do que ele está lendo. Se eu escrevo que um personagem X pegou um táxi na esquina e foi comprar bananas, 99% das pessoas já vão entrar naquele mundo. Se eu falo que um personagem x estava em uma cidade desconhecida, pegou uma galadrin e voou até uma ilha, 99% das pessoas vão precisar de mais para poder acreditar e em­­barcar na história”, explica o es­­critor, que comemora o fato de a literatura fantástica ganhar mais público e autores.

“A gran­­de sacada do Tolkien é que ele fez a transição da fantasia do mundo infantil para o mundo adulto. É algo mais denso, mais es­­curo, que os adultos também podem apreciar”, diz.

Hoje, Thiago Tizzot está imerso em cinco livros diferentes. O seu “passatempo” do momento é Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski.
>> CADERNO G – por Cristiano Castilho


‘UM SALTO NA ESCURIDÃO’: CONTOS DE TERROR E SOLIDÃO, DE HENRY EVARISTO

Quarta-feira | 4 | Novembro | 2009

 Histórias fantásticas representam um gênero literário tão antigo quanto o próprio ser – humano. Das lendas, dos mitos, do folclore e das tradições orais, os escritores retiram o vasto material a criar todo um universo irreal, sobrenatural. Daí, tem-se a receita indispensável para a construção de uma literatura que dá asas a nossa imaginação, onde casas mal-assombradas, criaturas nefandas, indivíduos perturbados, e toda uma gama de personagens insólitas, nos fazem dormir assustados, perscrutando os cantos escuros, nos cobrindo da cabeça aos pés com nossos ignóbeis lençóis.

Alguns escritores fazem isto com tamanha propriedade, nos levam à recantos tão assustadores, que ficamos a pensar seriamente se tais indivíduos não estão realmente nos relatando a verdade. Se não estão nos apresentando uma história verídica, por isso tão cruciante. Sabemos que há muito estes gênios nos deixaram, e atualmente é raro o autor que consegue nos afligir com suas linhas. Aliás, é raríssimo, em se tratando de autores contemporâneos.

Mas, existe uma luz ao final do túnel. E esta atende por Henry Evaristo! A maestria com que este escreve é algo que só vemos nos grandes mestres da Litfan, especialmente no terreno do medo. Os contos de terror de Henry Evaristo nos levam a um passeio lancinante, a uma dimensão de imperscrutável incômodo, um terreno cujo solo está apinhado de criaturas sibilinas, prontas a nos obsedar. Seus textos estão a todo instante entenebrecendo nosso ditame, nos mostrando, com o apetite edaz que só as linhas dos maiores é capaz, um mundo vertiginoso.

Depois de ler Henry Evaristo, você nunca mais olhará a escuridão da mesma forma, uma vez que é abismal a sua capacidade de exprimir o desespero do homem diante do absurdo, que sussurra aos seus ouvidos: Hei! Você sabe onde está pisando?
>> CONTOS OMINOSOS – por Victor Meloni


O FUTURO É NOSSO

Terça-feira | 3 | Novembro | 2009

FUTURO PRESENTE_capa

Pode-se contar nos dedos os temas explorados pela atual literatura brasileira. Dramas da classe média, dilemas juvenis, conflitos sociais e, mais recentemente, a realidade violenta da periferia – são alguns dos que logo vêm à mente. Mas que tal descrever os confrontos de uma guerra interestelar? Ou prisões humanas controladas por robôs carcerários? Ou, ainda, imaginar os conflitos de um adultério virtual, e as misérias da São Paulo pós-catástrofes climáticas, num longínquo 2058? As especulações intertemporais e interplanetárias da ficção científica não costumam derramar muita tinta entre os autores nacionais. Com códigos e regras delimitados, o gênero ainda sofre certo preconceito nas altas rodas literárias, ficando relegado a um grupo restrito de aficcionados.

Recém-ingressado neste clube, o escritor e pesquisador Nelson de Oliveira acredita, porém, que o cenário está prestes a mudar.

Aproveitando um crescimento do interesse pelo gênero no país, ele acaba de organizar a antologia de ficção científica Futuro Presente, que traz 18 contos inéditos de autores nacionais, jogando luz sobre um território praticamente ignorado pela prosa brasileira “oficial”.

– A literatura brasileira contemporânea precisa despertar para o mundo atual – justifica Oliveira, autor do romance fantástico Subsolo infinito. – É um desperdício que a nova física, a nova psicologia, a nova astronomia, a nova biologia e a nova informática fiquem de fora da nossa ficção. Não dá para investir eternamente nessa prosa sociológica, centrada nas epifanias do sertanejo, do traficante, ou do adolescente perturbado.

Se você olhar o mapa geopolítico da literatura brasileira, verá que a ficção científica está na periferia da periferia. Não é resenhada nos grandes jornais e seus autores não são levados a sério pelo Jabuti.

Preconceito histórico Futuro presente faz uma aproximação de duas esferas da literatura: a do “mainstream”, ao qual pertencem os autores do “circuito cultural”, e a do fandom (abreviação de fanatic kingdom), que se refere ao conjunto de fãs do gênero. Na lista, constam decanos da ficção científica no Brasil, como Roberto de Sousa Causo e André Carneiro, mas também escritores que nunca haviam sonhado em se aventurar pelo gênero.

Daí a surpresa de encontrar a veterana underground Andréa del Fuego discorrendo sobre seres híbridos, “mistura de carne animal e bits de água”, ou o autor do épico amazonense Mad Maria, Márcio Souza, imaginando um vírus mortal criado por uma ONG para exterminar os judeus. Também participam da antologia Ataíde Tartari, Paulo Sandrini, Edla Van Steen Luiz Bras, Maria Alzira Brum Lemos, Rinaldo de Fernandes, Luiz Roberto Guedes, Deonísio da Silva, além de novos valores, como Ivan Hegenberg e Carlos Mores.

A investida de nomes consagrados da “literatura oficial” (há até vencedores de Jabuti) pode retirar do gênero o rótulo de subliteratura.

– Quero que essa seja a primeira coletânea de uma série que provoque os autores “mainstream” a desafiar o gênero – diz Oliveira.

– Acredito que o preconceito venha do fato de a ficção científica ter surgido nas revistas pulps e ficado associada à literatura trash. Mas, diferentemente do cinema, os livros de FC empregam pouca ação e mais inteligência. Tem muito mais a ver com as ideias de pensadores como Michel Foucault do que com elementos estereotipados, como invasões marcianas.

Historicamente, a ficção científica apresenta as angústias e neuroses das sociedades diante de seu futuro (como as parábolas sobre radiação no auge da Guerra Fria, por exemplo). Nos contos do livro, os cenários apocalípticos ganham força, dando espaço aos temores das transformações climáticas e da disseminação da cultura digital.

– A FC projeta nossos medos em narrativas que podem se passar daqui a 200 anos, mas que revelam medos de hoje – explica o organizador, justificando o título da antologia.
>> JORNAL DO BRASIL – por Bolívar Torres


DENIS LEARY PREPARA GATTACA E OUTROS PROJETOS

Terça-feira | 3 | Novembro | 2009

A série “Rescue Me” prepara-se para entrar na reta final. As duas últimas temporadas estão em fase de produção, visto que a série termina em 2011, como divulgado aqui. Mas Denis Leary já está de olho em seus próximos projetos para a TV. Entre eles, uma versão do filme “Gattaca”, de 1997, cujos direitos foram adquiridos por sua produtora Apostle Films, em parceria com Jim Serpico.

Adaptada por Gil Grant, a série deverá ser um drama policial situada no futuro. Na história do filme, uma sociedade utilizava o DNA para determinar a posição social de um indivíduo; formando assim uma espécie de sistema de castas, muito utilizado na antiguidade e ainda presente, de certa forma, na Índia, ou mesmo no inconsciente coletivo mundial, sempre que os pais esperam ou determinam, que o filho siga sua profissão.

No filme o personagem principal, interpretado por Ethan Hawke, era um faxineiro determinado a mudar de classe social, infringindo, assim, a lei. Pelo que foi divulgado no jornal Variety, a série provavelmente enfocará a ação policial na caça a este tipo de criminoso.

Ainda segundo o Variety a produtora de Leary também prepara outros projetos, como uma dramédia para a rede CBS. Ainda sem título divulgado, a série apresenta Michael Rapaport como um assistente social que sabe como ajudar os outros, mas não sabe como resolver seus próprios problemas. Também tem uma sitcom para a Fox, criada por John Beck e Ron Hart, de “According to Jim”. Com o título de “Extended Family”, a série apresenta uma dona de casa que cuida de órfãos.

Outro projeto da produtora que pelo tema parece promissor é um drama em desenvolvimento para o canal FX. Criado por David Folwell, de “Medium”, a série ainda sem título explora o universo dos televangelistas, pastores que têm programas de TV. A idéia é mostrar os dois lados: o da fé e o do dinheiro (será que a Globo teria interesse em trazer a série para o Brasil…caso ela seja produzida?).

Mas os projetos da Apostle Films não terminam por aí. Tem também, “The Rebel League” é um drama com base no livro de mesmo título que está a cargo de Stephen Engel, de “The Big Bang Theory”. Gira em torno de uma equipe de hockey; “Partners in Crime”, de Janinie Sherman-Barrois, sobre um casal descasado que trabalha como detetives particulares; “Sacles of Justice”, de Joen Sutton, drama sobre um policial acima do peso que recruta seus amigos gordinhos de um grupo do tipo “vigilantes do peso”, para se tornarem, também, vigilantes do crime na cidade de New Orleans.
>> TV SÉRIES – por Fernanda Furquim


‘TRUE BLOOD’: À MODA DA TV

Segunda-feira | 2 | Novembro | 2009
  

True Blood, a série sexy e irreverente da HBO virou objeto de desejo das massas através da coleção da Love, Peace and Hope. A marca utilizou prata e rubís para criar uma estética vampiro.

Se você já se perguntou como conseguir roupas tão bacanas quanto as dos personagens das séries norte-americanas, preste atenção. É cada vez maior o número de shows de televisão que licenciam suas marcas para confecções produzirem modelos de roupas e acessórios inspirados em seus protagonistas.

Os últimos a aderirem à moda foram Mad Men, The Real Housewives e True Blood – com isso, os fãs das séries poderão se vestir de modo tão cool quanto um publicitário dos anos 60, sexy como uma verdadeira dona de casa ou adornar os pescoços com colares e correntes ensanguentados (de mentirinha, claro).

Imitar o estilo de personagens de sucesso na televisão está longe de ser algo novo, independente da qualidade duvidosa da tendência na telinha – quem se lembra do chaveiro-mola, popularizado por Cássio Gabus Mendes na novela Champagne, em meados dos anos 80? A diferença é que agora as vestimentas são feitas por licenciados autorizados e de bom gosto.

A designer Anna Sui criou uma linha exclusiva baseada na série Gossip Girl para as lojas Target. Bolsas, calças jeans e roupas de ginástica das participantes do reality show The Real Housewives estão à venda em lojas como Bloomingdales e Fred Segal. A série especial de jóias e acessórios inspirados em True Blood foi desenhada por Udi Behr.

Já a edição especial de roupas Mad Men é confeccionada pela Brooks Brothers. As 250 peças únicas têm detalhes e costuras que remetem à década de 60 e custam US$ 998. São como uma versão atualizada de ternos de alfaiataria que vestiriam elegantemente o publicitário Don Draper nos dias de hoje. >> MEIO & MENSAGEM – por Jonas Furtado


‘THE GRAVEYARD BOOK’, DE NEIL GAMAlN

Segunda-feira | 2 | Novembro | 2009

Este livro de Neil Gaiman andou ganhando prêmios importantes (Hugo, Locus, Newbery) e se não me engano é o seu primeiro romance para “jovens adultos” (um termo inglês que acho preferível a “infanto-juvenil”) depois do ótimo “Coraline”, que resultou inclusive num bom filme.  “The Graveyard Book”, ambientado numa cidade inglesa qualquer, começa com a chacina noturna de uma família inteira, pai, mãe e filha pequena. Há um bebê de um ano e meio que, por distração do criminoso e conveniência do autor, sai do berço ao ouvir o barulho, caminha pela casa, vê a porta da frente aberta e sai caminhando na direção do cemitério que fica na esquina.  Ali é acolhido pelos fantasmas dos mortos, que o protegem do assassino no momento em que este, precisando “terminar o serviço” segue o bebê até o Campo Santo.  O garoto recebe o nome de Nobody Owens e daí em diante é criado pelos fantasmas.

Neil Gaiman é uma espécie de Stephen King com todas as qualidades deste e sem alguns dos defeitos (a morbidez excessiva, e alguns recursos de enredo muito “crus” herdados da pulp fiction).  “The Graveyard Book” é a crônica do crescimento de Nobody Owens, ou “Bod” e das aventuras que ele vive no cemitério e fora dele.  Gaiman afirma ter se inspirado no “Livro da Jângal” de Kipling, a história de Mowgli, o menino criado na floresta pelos lobos.  Isto não me ocorreu durante a leitura, mas, em retrospecto, dá para ver as semelhanças.  Em Kipling, temos uma humanização dos animais, cujas emoções e valores morais são semelhantes aos nossos.  No “Graveyard Book” todos os fantasmas são humanos, mas são de épocas diferentes: do tempo dos celtas, dos romanos, da Idade Média, etc.

O mundo de Neil Gaiman tem uma linha direta de diálogo com os contos de Ray Bradbury em obras como “O País de Outubro” e “Uma Estranha Família”.  Não são propriamente histórias de terror, porque seu objetivo não é aterrorizar.  São crônicas nostálgicas, humorísticas, ou emotivas, que têm lugar em ambientes ocupados por fantasmas, vampiros, ogres, lobisomens, etc.   Como as obras de Bradbury, as de Neil Gaiman podem ser lidas tanto por garotos quanto por adultos, pela finura de sua observação, pela simplicidade e elegância do estilo, pela imaginação incessante que desencava surpresas a toda hora.

Outro paralelo que pode ser feito é com os filmes de Tim Burton, principalmente “Edward Mãos de Tesoura”, “Beetlejuice”, “O Estranho Mundo de Jack” e “A Noiva Cadáver”.  Gaiman e Burton compartilham essa zona crepuscular da imaginação em que crianças convivem com medo mas sem traumas por entre esqueletos, vampiros, bruxas, lobisomens, fantasmas.  Ninguém é tão vulnerável ao terror quanto uma criança, para quem tudo é real e qualquer coisa é possível.  Não há crianças cientistas, marxistas, agnósticas.  Toda criança é um homem primitivo para quem um cemitério é um lugar tão fervilhante de vida quanto a rua por onde caminha, a escola onde estuda.  Toda criança é uma casa mal assombrada.
>> JORNAL DA PARAÍBA – por Braulio Tavares


SALMAN RUSHDIE PODERÁ ESCREVER UMA GRAPHIC NOVEL

Segunda-feira | 2 | Novembro | 2009

Salman Rushdie, autor do polêmico livro Versos Satânicos, poderá escrever uma graphic novel.

A notícia surgiu durante uma entrevista com Craig Ferguson no programa Late Late Show, do canal de TV estadunidense CBS.

Rushdie revelou que recebeu recentemente uma proposta para escrever uma graphic novel, sem esclarecer qual editora o contatou.

Além disso, o escritor também contou que cresceu lendo quadrinhos de super-heróis e chegou até mesmo a explicar detalhes sobre a cronologia do Aquaman e falar sobre as diferenças entre as kryptonitas verde e vermelha.

Embora não tenha confirmado que realmente vai escrever uma HQ, Rushdie disse que está muito interessado na possibilidade.

Os livros de Salman Rushdie são publicados pela Random House, grupo editorial do qual fazem parte a Del Rey e a Pantheon, que possuem divisões dedicadas aos quadrinhos.
>> UNIVERSO HQ – por Sergio Codespoti


‘OS ÚLTIMOS DIAS DE MICHAEL JACKSON’: JORNALISMO GRÁFICO EM CRESCIMENTO

Segunda-feira | 2 | Novembro | 2009

Publicada em formato online pelo G1, a HQ “(imagem acima) é uma produção do Diego Assis (texto), Rafael de Latorre (desenhos), e Rodrigo Chiesa (layout). A historia em quadrinhos é fundamentada em reportagens sobre a morte do artista, a mesma é dividida em duas partes, a ultima, intitulada “O Adeus ao Rei do Pop” foi publicada na ultima sexta feira, dia 04.

“Os Últimos dias de Michael Jackson

Com traços simples, definido e profissional, a HQ mostra mais uma vez sua importância e força, pois explora o jornalismo em Quadrinhos, ou gráfico, coisa não muito comum entre os artistas do Brasil, (apesar de já estar ganhando um bom numero de adeptos) mas bem praticado em outros países, como as conhecidas obras Palestina e Gorazde de Joe Sacco;“O Fotógrafo”, de Didier, Emmanuel Guibert e Frédéric Lemercier entre outras obras.

Iniciativas assim são sempre bem vindas e causa grande interesse por parte dos leitores, como se pôde ver na repercussão que também teve no fim do ano passado, a HQ “2008 em HQ” uma retrospectiva dos fatos mais importantes que ocorreram no ano; produzida pelo quadrinista José Aguiar e publicada pelo jornal O Globo.

Sendo redundante, a HQ “Os Últimos dias de Michael Jackson” é “tão jornalística” que possibilita ao leitor ler as reportagens e notas onde a historia foi baseada, mostrando a bela pesquisa por parte dos autores. È mais que desnecessário dizer que apesar de algumas criticas daqueles que geralmente não tem a menor idéia da importância da nona arte como meio de informação e registro histórico, afirmo que essa iniciativa deve ser mais que imitada, quem sabe não seja esse mais um nicho que pode ajudar a HQB crescer e se consolidar como arte valorizada no Brasil? Façamos nossa parte.
>> ZINE BRASIL – por Michelle Ramos


‘DOC SAVAGE’: ROTEIRISTAS DE STAR TREK FAZEM ADAPTAÇÃO DE QUADRINHOS DOS ANOS 30

Segunda-feira | 2 | Novembro | 2009

A dupla Roberto Orci e Alex Kurtzman estaria trabalhando na versão cinematográfica das histórias do personagem Doc Savage

Fãs dos quadrinhos antigos, Doc Savage, personagem criado em 1933 por Lester Dent, deve retornar às telas dos cinemas muito em breve. Pelo menos é o que garante o site Ain’t it Cool News, que confirmou que o roteirista Shane Black “Beijos e Tiros” está fazendo uma adaptação dos quadrinhos para a dupla de roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman Star Trek. Segundo informações também repassadas pelo AICN, parece que um filme para este personagem já estava sendo desenvolvido há anos, mas sem muitos progressos.

Mas,  já que se trata de uma adaptação, será que Doc Savage será modernizado? “O personagem não pode ser separado de eu ambiente original, que é a década de 30. Como não iremos trazê-lo para os dias de hoje, iremos colocar no filme o quinteto que ajuda Savage em suas missões, o Fabolous Five, o que será como um resgate às histórias originais de Lester”, contou o novo roteirista.

Para quem não conhece, o personagem estreou em 1933 em uma HQ chamada Doc Savage Magazine, com a história O Homem de Bronze. Clark Savage Jr. perdeu a mãe ainda bebê e seu pai acreditava que, com a ajuda da ciência, poderia criar um homem perfeito. Para poder colocar a ideia em prática, ele reuniu um time de cientistas para cuidarem da educação do jovem. Com suas capacidades estimuladas desde a tenra idade, Doc Savage desenvolveu grande força e resistência, memória fotográfica, extensa habilidade em artes marciais e vasto conhecimento científico. Não é à toa que é médico, cirurgião, cientista, inventor, pesquisador e músico.

Savage combate o mal e o crime com a ajuda do arqueólogo e geólogo William Harper “Johnny” Littlejohn, o engenheiro civil John “Renny” Renwick, o engenheiro elétrico Thomas J. “Long Tom” Roberts, o advogado Theodore Marley “Ham” Brooks e o químico Andrew Blodgett “Monk” Mayfair.

Em 1975, o ator Ron Ely, que em 1966 havia estrelado a bem-sucedida série para a televisão, “Tarzan”, foi chamado para filmar um piloto de seriado do personagem. A série não deu certo por motivos desconhecidos, mas a produção acabou se tornando um longa-metragem. O primeiro e único do personagem.

Os produtores Roberto Orci e Alex Kurtzman ainda não confirmaram o projeto, mas espera-se que a produção comece até meados de 2010, para um possível lançamento em 2012. Quem sabe eles não criam um novo “Indiana Jones”?
>> JORNADA NAS ESTRELAS – por Jéssica Esteves


MANGÁ FRANCÊS DO ET DE VARGINHA

Segunda-feira | 2 | Novembro | 2009

Varginha

Caros postulantes brasileiros a criadores de mangá: enquanto a maior parte de vocês ficam fazendo propostas de mangás de fantasia medieval (okay, há um precedente comercial para justificar isso, mas se todo mundo ficar propondo quadrinhos de fantasia rpgística, todos estes vão acabar competindo entre eles mesmos e deixando nichos de mercado desguarnecidos. É ruim para todo mundo), ninjas e samurais, os franceses chegaram a nossa frente e pegaram um dos temas mais ricos de potencial para se fazer material fantástico e ficção científica no Brasil.

O autor Phillipe Auger está lançando, pelo selo Ankama (que é a responsável pelo mangá Debaser, de Raf), o mangá O.V.N.I.: L’Affaire Varginha. O estilo remete, e muito aos mangás para adultos com traço mais anatômico que saem em revistas como a Morning e a Business Jump – e nem venham me dizer que isso não parece com um mangá (apesar de, independentemente de polêmicas estéticas ou não, o traço do autor seja irregular mesmo)!

Não que brasileiros não tenham feito histórias a partir do caso Varginha por aqui; mas quantas delas teriam potencial comercial no atual cenário? Em todo caso, em parceria com o website francês de notícias sobre mangá e anime Manga-News, a Ankama acabou de disponibilizar as primeiras imagens do material (cujo volume terá 192 páginas ao todo) – e que podem ser vistas AQUI NESTE LINK. Divirtam-se.
>> MAXIMUM COSMO – por Lancaster


‘METROPOLIS’, DE OZAMU TEZUKA: UM MARCO HISTÓRICO DA FICÇÃO CIENTÍFICA EM ANIMAÇÃO

Segunda-feira | 2 | Novembro | 2009

Metropolis Osamu Tezuka’s Metrópolis” (Japão, 2001) é um dos mais requintados e primorosos exemplos de ficção científica em cinema de animação. Cores, detalhes, perspectivas e um enredo fascinante e envolvente compõem uma obra-prima que poucos ousariam emular e que deixa marca indelével em nossa lembrança.

Baseado num mangá do mestre Osamu Tezuka, o desenho é a continuação do grande clássico do cinema mudo germânico, “Metrópolis”, de Fritz Lang (1926), universalmente reconhecido como um dos maiores filmes de ficção científica de todos os tempos. Na animação de Tezuka reencontramos aquele insólito cenário futurista: a cidade gigantesca e desumana, com arranha-céus incomensuráveis perdendo-se nas alturas, aeronaves circulando entre os prédios, funiculares, separações classistas e, mais uma vez, uma elite vivendo nas alturas e a ralé nas partes inferiores; só que a situação evoluiu em relação aos acontecimentos narrados por Lang e sua esposa-roteirista Thea Von Harbou, que se passariam no ano de 2026. Foi dado um salto talvez de séculos e nesta Metrópolis mais futurista existe agora a ralé da ralé: os robôs, desprezados pelo povo, que os considera como usurpadores de empregos, e cerceados de toda maneira, implacavelmente caçados pelos fanáticos “Mardukes”, partido político ligado ao Duque Red, um sinistro narigudo que ambiciona o poder completo naquela cidade-estado. Red coordena um plano megalomaníaco, a construção da torre conhecida como “Zigurate”, sobre a qual, num trono, deverá sentar uma andróide que está sendo construída pelo cientista fora-da-lei Dr. Laughton, planejada para ser a criatura perfeita.

Enquanto isso, o Prefeito Boon planeja se livrar do Duque Red. No jogo do poder, porém, surge um elemento perturbador: Rock. O jovem filho adotivo de Red, membro dos Mardukes e que odeia os robôs. Disposto a destruir a andróide Tima, que tem o aspecto de uma doce e meiga adolescente, Rock dá início a uma desastrosa perseguição pela intrincada geografia urbana de Metrópolis.

Para complicar ainda mais a trama, Shensaku Ban, um detetive japonês, com seu jovem sobrinho Kenichi, está em Metrópolis com a missão de capturar o Dr. Laughton, acusado pelo tráfico de órgãos de animais. A polícia local cede-lhe um agente robô, 803DPR, DM, 497-3C, para auxiliar na busca.

Não se esclarece em que país fica Metrópolis. Ela é, porém, um monumento à cupidez humana, à sede pelo poder, à ambição dos bens materiais. É a própria monstruosidade urbana, e o trabalho do diretor de arte, Shuichi Hirata, pode ser considerado primoroso. O esmero da equipe de produção tornou realidade o grandioso projeto de Osamu Tezuka, falecido em 1989 e autor do quadrinho original. Criador de séries famosas como as de “Kimba”, “Astroboy” e “A princesa e o cavaleiro”, Tezuka conseguiu realizar uma nobre sequência da obra de Fritz Lang e o resultado final, pleno de emotividade e com um clímax de arrepiar os cabelos ao som de I can’t stop loving you na voz de Ray Charles, deverá ser inscrito no livro de ouro da ficção científica universal.
>> SCARIUM – por Miguel Carqueija

 OSAMU TEZUKA’S METROPOLIS — Japão, 2001Direção: Rintaro
Roteiro: Katsuhiro OtomoProdução: Masao Maruyama e Iwao YamakiDireção de Arte: Shuichi HirataMúsica: Toshiyuki Honda
Argumento e projeto: Osamu Tezuka


‘AFRO SAMURAI’, DE TAKASHI OKAZAKI, NO BRASIL

Segunda-feira | 2 | Novembro | 2009

A Panini Comics anunciou a publicação de Afro Samurai, mangá criado por Takashi Okazaki. A obra foi adaptada para um anime em 5 episódios, que teve a participação do ator Samuel L. Jackson na dublagem e produção.

Filho do antigo Número 1, Afro presenciou o assassinato de seu pai pelas mãos do então Número 2 em uma disputa pelo título de “mais forte”. Anos depois, Afro carrega o título de Número 2 e segue até o paradeiro do assassino de seu pai e atual soberano do mundo. Em um Japão feudal com engenhocas eletrônicas, o vingativo samurai percorre sua jornada repleta de sangue, tripas e membros decepados, enfrentando mercenários incautos e inimigos bizarros que buscam a sua bandana e a do Número 1.

Afro Samurai terá periodicidade bimestral, formato 13 x 18 cm, 168 páginas, custando R$ 9,90, com distribuição setorizada. Em breve, nas bancas.

A Panini Comics é uma editora italiana com filial no Brasil. Tem contrato internacional de exclusividade com a Marvel Comics, podendo publicar seus títulos em todos os países em que está espalhada. No Brasil, também tem direitos de exclusividade com a DC Comics e publica desde o início de 2007 os títulos da Turma da Mônica, personagens criados por Mauricio de Sousa.
>> HQ MANIACS – por Carlos Costa


LITERATURA GEOMÉTRICA

Domingo | 1 | Novembro | 2009

É a literatura que privilegia a estrutura, a simetria, a disposição harmônica entre suas partes, dando-lhes a mesma importância que dá ao enredo, aos personagens, ao estilo. Acho que os autores que escrevem dessa forma têm uma certa influência da pintura clássica Renascentista, em que a “composição do quadro” era tão importante quando o assunto representado. Proporção, harmonia, dinamismo, estabilidade vs. instabilidade, conflito vs. serenidade, tudo isto aqueles pintores exprimiam através do posicionamento das formas, massas e cores. E os modernos escritores o fazem através do posicionamento dos capítulos, do entrelaçamento de histórias, da trajetória ficcional dos personagens e de outros recursos.

Jorge Luís Borges tem um conto policial, “A Morte e a Bússola”, baseado no conflito entre duas formas geométricas: o triângulo e o losango. Os crimes sugerem a aplicação de uma das formas; o detetive intui que por trás desta primeira existe a indicação da segunda; segue as pistas correspondentes e vai ao encontro do criminoso, na última cena, na qual uma surpresa o espera. O romance V de Thomas Pynchon consta de duas narrativas separadas e convergentes, imitando o desenho dessa letra. O romance O Jogador Adversário de Ellery Queen é baseado (por motivos místico-simbólicos) no formato da letra Y: dois personagens se mesclam no final numa única identidade, e ficamos sabendo quem é aquele criminoso sem rosto cujos passos acompanhamos desde o início.

Escritores de temperamento visual recorrem a isto com freqüência, como Osman Lins, que construiu seu Avalovara reproduzindo o movimento de uma espiral em torno de um quadrado de 25 casas, a cada uma das quais corresponde a letra de uma frase que é um palíndromo, pode ser lida em qualquer direção: “Sator arepo tenet opera rotas”, “O lavrador mantém com cuidado o arado em seu sulco”. Um rótulo para esta literatura teria que incluir também a idéia de serialidade, uma estrutura em que uma série preexistente de elementos (A-B-C-D-E…) é mimetizada numa outra série. Exemplo clássico é o Ulisses de Joyce refletindo de um a um os episódios da Odisséia, ou O Caso dos Dez Negrinhos de Agatha Christie refletindo os versos de uma canção infantil.

Geometrizar uma narrativa significa muitas vezes que o autor está se dando um trabalho enorme para produzir certos efeitos que não serão percebidos pelo leitor. No caso do romance policial, que pelas regras próprias do seu jogo pode deixar explicitadas estas pistas, o efeito é mais fácil de executar. Mas para sabermos que determinados capítulos de Avalovara têm o mesmo número de linhas precisamos da informação do autor, porque acho que ninguém estava contando. Muitos segredos da grande literatura estão soterrados neste tipo de concepção estrutural, porque, como a planta-baixa de um prédio, só podem ser deduzidos por quem tem olho treinado e reconstitui mentalmente estas formas ao caminhar pelos aposentos.
>> MUNDO FANTASMO – por Braulio Tavares


OS FINADOS E AS BRUXAS

Sábado | 31 | Outubro | 2009

finados

Pois é, caro leitor: aproxima-se o Dia de Finado. E chegou também o tal Halloween, ou Dia das Bruxas: uma data que não faz parte do nosso calendário de festividades tradicionais – no Brasil, a comemoração só tem sentido para quem faz curso de inglês e precisa conhecer melhor a cultura Anglo-Americana. E como o Assomblog também é cultura, publico aqui um artigo produzido pelo pesquisador Sérgio Nilsen Barza que vai dirimir muitas das dúvidas sobre Finados, Halloween e também sobre o Dia de Todos os Santos.

O Dia de Todos os Santos foi instituído pelo Papa Bonifácio IV (608-615) no dia 13 de maio: uma data para honrar santos e mártires. E o Papa Gregório IV (827-843) mudou-a para 1 de novembro. Crê-se que essa resolução tenha sido tomada numa tentativa de substituir uma festa pagã, vinda da cultura Celta, por uma celebração cristã.

A festa também era chamada All-hallows ou  All-hallowmas (do inglês antigo,  Alholowmesse, que  significava All Saints’ Day, Dia de Todos os Santos),  e a noite da véspera (31/10) – ou a noite de Samhain do antigos Celtas -  começou a ser chamada All-hallows Eve (véspera)  e, eventualmente, Halloween.

O Dia de Finados foi instituído mais tarde, por volta do ano 1000. Enquanto a festa de Todos os Santos é um dia para celebrar as glórias do Céu e daqueles que já estão lá, o dia de Finados lembra-nos a nossa obrigação de viver sem pecado: a alma, para entrar no Paraíso, deverá passar por uma purificação, aqui ou no Purgatório.  A tradição de Finados começou independente do dia de Todos os Santos. Teve início graças a monges do século VII que resolveram oferecer uma missa no dia após Pentecostes para os membros da comunidade já falecidos. 

Em fins do século X, os monges do mosteiro beneditino em Cluny, na França, decidiram transferir a missa pelos seus mortos para o dois de novembro, após a festa de Todos os Santos.  O costume se espalhou e, no século XIII, Roma tornou-o uma festa oficial da Igreja Católica. Católicos tradicionalistas aproveitam a data para rezar por suas almas e por almas que estão no Purgatório. Nos tempos de hoje, os cemitérios brasileiros ficam lotados no dia dois de novembro. É uma tradição antiga entre as famílias de nosso país nessa data prestar homenagem e rezar pelos parentes mortos.

O Dia das Bruxas – ou Hallowen – vem das tradições do antigo povo Celta, que, até 180  d.C., ocupava vários territórios da Europa onde hoje existem países como a Inglaterra, a Escócia, a França e a Espanha. No calendário dos Celtas, o dia 31 de outubro era o último do ano.  Nessa data acontecia um festival chamado  “Samhain, All Hallowtide”, que assinalava o fim da colheita e o início da estação de inverno. Essa festa tinha um grande significado para os Celtas. O término do verão era para eles, um povo essencialmente de pastores, a época do ano em que suas vidas mudavam radicalmente: o gado era recolhido dos seus pastos de verão nas colinas, e as pessoas se reuniam nas casas para longas noites frias, contando histórias e fazendo artesanato.

Mas o que isso tinha a ver com uma festa para os mortos? Os Celtas acreditavam que, quando as pessoas morriam, iam para uma terra de eterna alegria e juventude, chamada “Tir nan Og”.  Eles não tinham os conceitos de Céu e Inferno,  que seriam  posteriormente levados pela Igreja Católica. O Samhain era o Ano Novo para os Celtas: uma ocasião mágica, quando o véu que os separava do “Mundo do Além” se tornava mais tênue, e os vivos podiam conversar com seus entes queridos em  Tir nan Og. Os celtas acreditavam que, quando o sol desaparecia no horizonte em 31 de outubro, reinava o caos: a noite não pertencia nem ao ano que acabava nem ao que iniciava. Aquele momento também servia como passagem final para os bons espíritos antes da escuridão do inverno iniciar.

Por volta do ano 43 d.C., os romanos conquistaram o território celta e, nos quatro séculos de domínio, dois festivais romanos combinaram-se ao Samhain. O primeiro deles foi Feralia, um dia no fim do mês de outubro que era consagrado à memória dos mortos. O segundo era uma festa em homenagem a Pomona, deusa romana dos frutos e das árvores. Como seu símbolo era a maçã, alguns estudiosos dizem que a tradicional brincadeira de apanhar a maçã com os dentes numa tina d’água, que se pratica no Halloween moderno, teve origem numa homenagem à deusa.

Quando as Ilhas Britânicas se cristianizaram, várias das tradições celtas foram associadas com o mal. Os celtas, contudo, não tinham demônios e diabos nas suas crenças – embora as fadas fossem freqüentemente consideradas perigosas e hostis, pois se ressentiam de ter suas terras invadidas pelos humanos. Na noite de Halloweeen, elas pregavam peças nas pessoas, fazendo com que se perdessem em colinas mágicas, onde poderiam ser aprisionadas por toda a eternidade.

Após a chegada do cristianismo, algumas pessoas começaram a ver as fadas como anjos que não se alinhara nem com Deus nem com Lúcifer e, por isso, foram condenados a vagar até o dia do Juízo. Na escuridão do dia 31 de outubro, muitos imitavam as fadas, vagando na noite, a bater de porta em porta pedindo comida e bebidas. Se não fossem atendidas, invocavam duendes e fadas que se vingariam do dono da residência com uma travessura.  As pessoas saiam vestidas de fadas, espíritos, fantasmas, e acreditavam que, se encontrassem os verdadeiros espíritos, não seriam  reconhecidos por eles como humanos.
>> ASSOMBLOG – por Roberto Beltrão


‘MATADORES DE VAMPIRAS LÉSBICAS’ IRONIZA CLICHÊS DO GÊNERO

Sábado | 31 | Outubro | 2009

Se há um tema em voga no cinema, basta esperar alguns meses para que apareçam produções para debochar dele. Neste caso é a sucessão de obras vampirescas em que “True Blood” e “Crepúsculo” são apenas alguns exemplos.

Escrito pelos roteiristas Paul Hupfield e Stewart Williams (da MTV inglesa), “Matadores de Vampiras Lésbicas” é um exemplo típico: com um título poderoso, ridiculariza todas as referências possíveis do gênero.

Como aconteceu em “Todo Mundo Quase Morto” (2004), que caçoava de zumbis, “Matadores de Vampiras” destila um poderoso humor juvenil sobre essas criaturas que, há muito tempo, aterrorizam espectadores. O filme estreia em circuito nacional, em cópias legendadas e dubladas. As dubladas têm a participação do cantor João Gordo.

Tudo começa em um passado nebuloso, quando uma rainha vampira (lésbica), Carmilla (Silvia Colloca, de “Van Helsing – O Caçador de Monstros”), se envolve com a esposa do barão Wolfgang MacLaren na remota Cragwich, Inglaterra. Antes de ser assassinada, Carmilla roga uma maldição: quando completarem 18 anos todas as moças do vilarejo se tornarão vampiras lésbicas.

Os séculos passam e encontramos os amigos Fletch e Jimmy (James Corden e Mathew Horne, dupla-coqueluche da BBC). Enquanto o primeiro é um romântico, apaixonado pela namorada que já o esnobou oito vezes, Jimmy é um beberrão tagarela que só pensa em sexo – uma espécie de Seth mais velho, o personagem gordinho interpretado por Jonah Hill, em “Superbad – É Hoje”.

Para esquecer seus problemas, os amigos marcam uma viagem pelo interior do país, com passagem por Cragwich, onde encontram um grupo de cinco lindas garotas por quem irão se apaixonar. O que eles não sabem é que acabam de entrar em um ninho de vampiras lésbicas.

Como desde o começo já se sabe que Fletch é um descendente distante do barão (ambos interpretados por Corden), entende-se que ele é o único que pode impedir a volta de Carmilla. Um pretexto para incluir uma lista de profecias, rituais e magias tão caros aos filmes de terror B.

O diretor do filme, Phil Claydon, chegou a dizer que se inspirou nos clássicos da Hammer Films, produtora inglesa que ficou famosa pelas versões de Frankenstein e Drácula nos anos 1950. Essas produções colocaram Peter Cushing e Christopher Lee no caminho anteriormente percorrido por Boris Karloff e Bela Lugosi. Mas a afirmação do diretor é um evidente exagero.

Como deboche, “Matadores de Vampiras Lésbicas” serve ao seu público, inquestionavelmente adolescente, faminto por diversão digestiva. O filme, possivelmente em tom de piada, já dá indícios de uma continuação: os matadores de lobisomens gays. Para rir.
>> CINEWEB – por Rodrigo Zavala

Assista ao trailer:


LÁ VEM O SACI

Sexta-Feira | 30 | Outubro | 2009

Saci_la vemO saci completa agora 90 anos de nascimento literário pela pena do escritor paulista Monteiro Lobato (1882-1948), principal responsável por propagar essa figura do imaginário popular nacional. O personagem, cujo nome é uma corruptela de Çaa cy perereg, do tupi-guarani, saltou do universo oral para o mundo das letras após pesquisa realizada por Lobato no começo do século XX.

O livro O sacy-perere – resultado de um inquérito (1918) foi publicado pouco depois de o escritor paulista reunir, para o Estadinho, edição vespertina do jornal O Estado de S. Paulo, muitos dos “causos” sobre o duende relatados por leitores de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e, principalmente, do interior paulista. O futuro criador do Sítio do Picapau Amarelo convocara leitores a compartilhar informações sobre a criatura “genuinamente nacional”.

A obra, que antecedeu até mesmo Urupês, trazia o inquérito sobre o moleque: havia relatos de constantes aparições nas zonas rurais, a informação de que adorava praticar diabruras, como azedar o leite, embaraçar a crina dos cavalos e esconder objetos da casa. Um dos leitores garantiu: “(…) era um negrinho muito magro, muito esperto, de cima de uma perna só, do tamanho de um menino de doze anos, muito feio, banguela, olhos vivos, rindo sempre um riso velhaco de corretor de praça”.

O saci surgiu nas fronteiras do Paraguai, entre os índios guaranis. Mas foram os negros escravizados no país que se apropriaram da figura. E foi então que ganhou feições africanas, gorro vermelho e pito de barro, segundo Mario Cândido, presidente da Sosaci (Sociedade dos Observadores de Saci), associação engajada na missão de não deixar bruxas de Halloween apagarem a imagem do homenzinho perneta no imaginário das crianças brasileiras – hoje, no país, 31 de outubro é dia do saci.

E o duende perneta no universo lobatiano ressurge com destaque no livro O saci, de 1921. E ali é Pedrinho, mais uma vez de férias na casa da avó, que “andava com a cabeça cheia de sacis”. Com tanta curiosidade quanto medo, o menino vai perguntar sobre a criaturinha para tio Barnabé, aquele que “entende de todas as feitiçarias, e de saci, de mula-sem-cabeça, de lobisomem – de tudo”.

Até que um dia Pedrinho consegue captu¬rar um saci num rodamoinho que chega ao sítio com uma peneira de cruzeta. E, no meio da mata, perto de taquaruçus, espécie de bambu onde os sacis nascem, os dois travam diálogos filosóficos sobre a lei da floresta, a vida na cidade, a sabedoria dos homens, a importância da erudição – questionamentos lobatianos.

Só é lamentável que o livro (editora Brasiliense) seja pouco atraente para meninas e meninos de hoje, já acostumados com edições cada vez mais sofisticadas nas capas, no projeto gráfico e nas ilustrações. Mas em 2007, ano em que o escritor de Taubaté completaria 125 anos de nascimento, a disputa judicial pela obra do autor está na reta final – e tudo indica que novas edições das aventuras do Sítio do Picapau Amarelo estejam bem próximas.

Saci_dezAOs sacis, no entanto, continuam aprontando poucas e boas na literatura infantil. A veterana Tatiana Belinky foi premiada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) por Dez sacizinhos (Paulinas), com as ilustrações de Roberto Weigand. Belinky faz versos sobre o desaparecimento de sacis, que, um a um, vão sendo subtraídos da história: “Eram dez os sacizinhos; um ficou imóvel e nunca mais se moveu, e sobraram nove”.

Em Nas pegadas do Saci (Conex), Marcia Camargos, co-autora do premiado Monteiro Lobato – furacão na Botocúndia (Senac), coloca um grupo de amigos no rastro biográfico do moleque de uma perna só. Os diálogos entre adultos e crianças, recheados de informações históricas e mensagens ecológicas, soam, às vezes, um pouco artificiais. Mas, se a obra carece de recursos literários, o livro com ilustrações de Marcos Cartum destaca-se justamente por oferecer informação de qualidade sobre a criatura folclórica – é boa fonte de pesquisa para crianças em idade escolar.

Saci_DCLaPererêêê Pororóóó (DCL), de Lenice Gomes, escritora de livros que resgatam o aspecto folclórico com roupagem contemporânea, é uma prosa poética cheia de adivinhas – “Pererêêê / Pororóóó / Saci-Pererê! / Adivinha o quê?”. Em versos livres, é contada a história do encontro de Raul e Diva, duas crianças, e três sacis que rodopiam feito “piões enlouquecidos” em um casarão abandonado na cidade. As colagens de André Neves dão um adequado toque folclórico aos personagens.

Saci_caso_cosac naifyÉ também na cidade, em sua periferia, que o enredo de O caso do saci (Cosac Naify), do ilustrador e escritor Nelson Cruz, se desenrola. Os irmãos Manfredinho e Andréa desconfiam que é o duende que anda escondendo o dinheiro do pai, vítima de malandros do bairro. Depois de roubar o gorro vermelho do Saci, o que deixa o duende sem força, os dois acompanham o negrinho até o vale onde estão os objetos escondidos pelo moleque que migrou das zonas rurais para os centros urbanos – pelo menos na literatura infantil
>> ENTRELIVROS – por Gabriela Romeu


‘DEIXA ELA ENTRAR’: RETORNO AO CAMINHO CLÁSSICO DAS HISTÓRIAS DE VAMPIROS

Quinta-feira | 29 | Outubro | 2009

Com o advento da massa-pop vampírica em séries e nas telonas, o gênero vem ganhando novos tons, alguns coloridos até demais (vampiros à lá Don Juan, ou brilhantes como purpurina ao irradiados pelo Sol) e que, inevitavelmente, estão desgastando o mito.

John Ajvide Lindqvist, autor e roteirista de Deixe Ela Entrar (Låt den Rätte Komma In / Let The Right One In), optou por seguir o caminho mais clássico e selvagem: o horror. Mas com requintes de alcoolismo, preconceito, pedofilia, bullying e psicopatia, a maioria deles implícitos no plot, que impõe na história uma originalidade visceral e única.

O filme sueco de 2008, dirigido por Tomas Alfredson, ganhou mais de 40 prêmios em festivais pelo mundo e conta a história do introvertido Oskar (Kåre Hedebrant), garoto de 12 anos, que é alvo constante de outros alunos na escola e revida a fúria com uma faca, solitário, no quarto. Suas noites mudam quando conhece a estranha Eli (Lina Leandersson, uma versão européia da também excelente Ivana Baquero, de O Labirinto do Fauno), que acabou de se mudar para o apartamento ao lado e que chama a atenção pelas janelas tapadas com papelão, a “garota” (as aspas podem ser melhor compreendidas ao final do texto) tem a mesma idade dele, mas há muito, muito tempo.

Numa trama de formação, o foco é a relação entre os dois. Quando Oskar descobre que Eli é uma vampira, não se afasta, pelo contrário.
Os garotos se tornam amigos, mas os sentimentos evoluem ao longo do filme. Ambos se protegem. Ele torna-se seu novo guardião (o antecessor, um adulto assassino, tem seu passado melhor explorado no livro, e subentende-se que pode ter sido um amante ou o pedófilo castrador de Eli), cuidando para que a menina não seja tocada pelo Sol e ajudando no controle de sua sede por sangue, ainda que tenha lá seus requintes masoquistas. Ela, por sua vez, toma conta do garoto sem se preocupar em ser discreta, impondo sua força sobrenatural para preservá-lo, inclusive.

Lindqvist acertou na dupla de protagonistas, tornando-os carismáticos, mesmo na bizarria. Eli é doce ao mesmo tempo que selvagem, enquanto que Oskar disputa sua introversão contra uma fúria contida. O relacionamento dos dois cresce à medida que percebem a solidão que os assola. São cúmplices e se importam apenas com a companhia um do outro. A complexidade deles aumenta no desenvolvimento da história e é bem traduzida em uma interessante metáfora: o vidro que separa o encontro de suas mãos em um determinado momento, representa a barreira presente no relacionamento dos garotos, que mesmo ligados, possuem um obstáculo intransponível entre eles.


O gênero vampiro é abordado de forma didática pelo autor, que aborda os temas-padrão do mito impostos por Stoker, como a necessária permissão para entrar na casa, o Sol que mata, a mordida que transforma, a percepção felina (bem aplicada num conveniente vizinho com a moradia repleta de gatos) e a eternidade. Mas é a direção de Alfredson que recheia a película com tons sombrios e gélidos, dando a real percepção da solidão que assola os personagens. A trilha sonora se permite apenas aos ruídos, no lugar de arranjos e sinfonias, incrustando o espectador dentro da trama, ou ao contrário.

Fã declarado de Morryssey, o autor não esconde que o título de seu livro e filme são baseados em uma composição do cantor, intitulada Let The Right One Slip In, que diz o seguinte em determinado trecho: “Eu diria que você tem todo o direito de dar uma mordidinha na pessoa certa e dizer: ‘O que fez com que você demorasse tanto?’”.
   
A paternidade é outro ponto-chave no roteiro, menos sutis, mas provocadores. O homem que mora com Eli tem uma figura paterna. Mata por ela e a protege, inicialmente, do contato com o Sol, adaptando o novo apartamento para sua peculiar moradora. Percebe-se que envelheceu ao lado da menina, contemplando sua imortalidade, mas que esconde um passado terrível e chocante, subentendido em duas ocasiões: quando o garoto flagra a vampira nua, num ponto específico de seu corpo, que entrega sua androginia e sua real identidade, em decorrência de um ato inescrupuloso do passado; e quando ela dá o destino de seu antigo guardião, sem piedade, no hospital. Já o pai ausente de Oskar (que mora com a mãe, uma coitada), quando juntos, se mostram extremamente cúmplices e afetuosos um com o outro. Mas a chegada de outro homem na casa revela a possível homossexualidade de seu pai e um grande desconforto no garoto, que não sabe lidar com a situação.

Estes elementos são acréscimos favoráveis, que apenas enriquecem o plot, em suas cenas implícitas, que ampliam e valorizam esse suspense e terror que o diretor muito bem aplica por toda a película.

Hollywood sentiu o cheiro de sucesso e chamou Matt Reevs (diretor de Cloverfield – Monstro) para conduzir a versão americana do filme, certamente com maior apelo comercial e menos sutilezas no roteiro.
Sorte de quem pode apreciar a obra original antes dela se transformar em uma nova onda de vampiros sarados que apreciam mais a luz do Sol do que uma boa dose de sangue.
>> REVISTA MOVIE – por Douglas MCT


‘AMERICAN VAMPIRE’: BRASILEIRO DESENHA HQ COM ROTEIRO INÉDITO DE STEPHEN KING

Quinta-feira | 29 | Outubro | 2009

Rafael Albuquerque coassina American Vampire para a DC/Vertigo

 

 

Stephen King vai escrever um roteiro de HQ original pela primeira vez. E será para um brasileiro, Rafael Albuquerque, ilustrar. É American Vampire, nova série mensal que a DC/Vertigo acaba de anunciar.

Junto aos dois está o roteirista, e também romancista, Scott Snyder. Nas primeiras cinco edições da série, duas histórias correrão em paralelo – uma escrita por Snyder, outra por King, ambas ilustradas por Albuquerque. Elas revelam o que o blog oficial da Vertigo chama de “uma nova raça de vampiros”.

A história de King apresenta o “primeiro vampiro americano: Skinner Swett, ladrão de bancos e caubói assassino dos anos 1880. Skinner é mais forte e mais rápido que outros vampiros, tem presas de cascavel e ganha seus poderes… do sol?” – na descrição da Vertigo.

A história de Snyder se passa na Era do Jazz, nos anos 20: “Pearl é uma mulher moderna e ambiciosa com sonhos de estrelato. Ela frequenta as danceterias e os bares ilegais de Hollywood em busca de sua grande chance, mas encontra algo mais sinistro à sua espera”.

Nas edições seguintes da série, Snyder e Albuquerque darão continuidade à história de Skinner Sweet e à linhagem de vampiros que ele gerou na América. A Vertigo dá a entender que Stephen King só participará das primeiras cinco edições como roteirista. Em entrevista ao Newsarama, Snyder diz que havia convidado King para escrever apenas uma frase para estampar as capas da série, mas o escritor disse que tinha vontade de fazer algo a mais. Snyder não pensou duas vezes.

O gaúcho Rafael Albuquerque, em conversa exclusiva com o Omelete, diz estar feliz com o projeto – bem diferente dos herois (Besouro Azul, Superman/Batman) a que estava acostumado. “Eu vinha conversando com Will Dennis [editor da Vertigo] desde fevereiro, quando o encontrei na New York Comic-Con. Queria fazer algo com uma cara mais adulta e sempre gostei dos títulos que ele editava. Para minha surpresa, ele conhecia meu trabalho e especialmente o material que tinha feito para a Mondo Urbano.”

O desenhista está envolvido no projeto – como uma das primeiras pessoas do mundo lendo uma história inédita de Stephen King – desde agosto. E diz que tanto o famoso romancista quanto Scott Snyder são ótimos colaboradores.

Quanto a ser o responsável por ilustrar o primeiro roteiro para os quadrinhos de King, o brasileiro diz: “É diferente de trabalhar com um escritor que vem dos quadrinhos mesmo, pois o roteiro é muito mais descritivo que o normal. Claro que é uma baita responsabilidade desenhar uma história do Stephen King, ainda mais a primeira, mas tento não pensar muito nisso, e me concentrar no que é melhor para o trabalho”.

Albuquerque mantém contato diretamente com Snyder, mas com King foi somente através da Vertigo. “Segundo os editores ele tem gostado muito. Só algumas vezes sugeriu mudanças no design dos personagens.”

Pela ligação com Stephen King, American Vampire tem ganhado mídia nacional nos EUA, chegando a jornais como The New York Times e USA Today nesta segunda-feira. A série estreia em março por lá.
>> OMELETE – por Érico Assis


‘STAR TREK ONLINE’: FASE DE TESTES JÁ DÁ ALGUNS RESULTADOS

Quinta-feira | 29 | Outubro | 2009

Fase de testes está rolando e jogo chega no 1º trimestre de 2010

Fase de testes está rolando e jogo chega no 1º trimestre de 2010

Craig Zinkievich, produtor executivo de Star Trek Online (Cryptic Studios), informou que o jogo massivo de ficção científica está em sua fase de testes (beta) e que os primeiros resultados já estão sendo obtidos.

Ele contou ao site Joystiq que os testes técnicos “já têm os primeiros resultados e que a equipe está muito satisfeita”. STO entrou na fase de testes há uma semana. Passada essa fase, e feitas as melhorias e os ajustes, o jogo será lançado.

Não há data oficial para o lançamento, mas Zinkievich não se conteve e explicou “que isso é uma decisão da equipe de marketing, posso apenas dizer que o título chegará no 1º trimestre de 2010″, completou.

O jogo
Star Trek Online é inspirado na série de televisão criada por Gene Roddenberry. STO rola no ano de 2409 que, segundo nota oficial, “equivale ao futuro da série”. Aliás, a aventura acontece 30 anos depois dos eventos vistos no longa-metragem Star Trek Nemesis (2002).

STO é um título do gênero MMO (do inglês “massive multiplayer online”), ou seja, pode ser disputado online por milhares de jogadores ao mesmo tempo.

Teste beta
As fases-beta representam um período em que o programa (no caso o videogame) passa não somente por uma infinidade de simulações e testes técnicos, mas ainda pelo crivo de jogadores. Ou seja, é quando as primeiras pessoas começam a jogar e a experimentar controles, menus, mapas, arquivos, personagens, itens.

Teste beta para milhares
No caso de um jogo massivo online, em que é preciso “simular” milhares de pessoas curtindo a partida ao mesmo tempo, os estúdios têm distribuído contas, aliás, milhares de contas entre as comunidades oficiais do jogo, da série, do estúdio e assim por diante. Ao mesmo tempo em que os jogadores profissionais do estúdio, milhares de outras pessoas também jogam e ajudam os desenvolvedores a mudar, corrigir e aperfeiçoar um jogo de videogame.

Star Trek Online (produção: Cryptic Studios / distribuição: Atari), PC, PS3, X360.
Lançamento:
América: 1º trimestre de 2009
Ásia: sem previsão
Europa: 1º trimestre de 2009
Oceania: 1º trimestre de 2009

>> TERRA – por Darius Roos


‘GHOSTWIRE’: GAME SOBRENATURAL DE REALIDADE AUMENTADA TEM PRIMEIRO TRAILER

Quinta-feira | 29 | Outubro | 2009

Confira o funcionamento de Ghostwire para Nintendo DSi

Ghostwire, game para Nintendo DSi que emprega o conceito da “realidade aumentada” (linha da ciência da computação que integra o mundo real a elementos virtuais), teve revelado seu primeiro trailer. Veja abaixo.

O título permitirá que jogadores cacem fantasmas no mundo real. No adventure, o DSi vira um “portal para o plano astral”, através do qual os usuários podem ver e colecionar fantasmas que existem no nosso mundo, invisíveis para nós. Ao encontrar os fantasmas, o jogador deve interagir com eles para descobrir os motivos que os estão levando a assombrar aquele local e tentar ajudá-los a encontrar paz.

A jogabilidade exigirá o uso da câmera (com os fantasmas projetados sobre o ambiente real), microfone e a tela sensível ao toque.
>> OMELETE – por Érico Borgo