Nazistas fugiram para a Lua e retornarão em 2018

Quinta-feira | 8 | Maio | 2008

Entrou no ar um teaser trailer de uma produção finlandesa de Ficção Científica. Trata-se de Iron Sky (Rautataivas, em finlandês), um filme dos mesmos produtores da série Star Wreck (uma espécie de paródia de Star Trek e Babylon 5), que será lançado sob uma licença Creative Commons. O roteirista é o premiado escritor finlandês Johanna Sinisalo, conhecido por seu romance Troll.

Iron Sky é filme retrô-futurista. Trata-se da consolidação moderna de uma forma de ficção científica popular que saiu de moda: os nazistas no espaço.

Quando a II Guerra Mundial estava para chegar ao fim em 1945, cientistas alemães na Artartida fazem avanços na pesquisa da anti-gravidade. Assim, naves espaciais nazista são enviadas para o lado escuro da Lua para encontrar a base militar Schwarze Sonne (Black Sun). O plano é construir uma poderosa frota e voltar para conquistar a Terra, em 2018.


PROMESSA VÃ

Quinta-feira | 8 | Maio | 2008

Um livro de viagens, de suspense ou uma novela romântica? Esta é uma das primeiras dúvidas que assaltam o leitor de “O Historiador”, romance de Elizabeth Kostova, editado pela Editora Objetiva.
Como livro de viagens, “O Historiador” até que convence. Passeando pela Europa da Guerra Fria, o romance leva o leitor a lugares como Oxford, Budapeste, Bucareste, Sófia e Istambul, entre muitos outros. Revela lugarejos poucos conhecidos do público, como San-Matthieu-des-Pyrénées-Orientales, ou vilas remotas perdidas no interior da Bulgária, cidades pequenas a sombra de montanhas ou ao pé de mares calmos e deliciosos onde se chega de trem ou de barco.
A construção do texto é outro ponto interessante. Trata-se de uma narrativa picotada, contada através das memórias da personagem principal, de histórias contadas por seu pai e cartas e cartões trocados entre vários personagens. É neste ponto em que “O Historiador” rende seu maior tributo ao romance que definitivamente imortalizou e popularizou a figura que funciona como gancho para a ação: Drácula. O bom e velho conde da Valáquia retorna, mas o que triunfa realmente no texto de Kostova é a capacidade da autora de tecer uma complicada trama de narrativas: apesar da dificuldade que este tipo de discurso apresenta, a autora consegue manter o fio de Ariadne e o leitor não chega a se perder.
Outro acerto é o resgate, ao menos parcial, que Kostova faz do personagem histórico, Vlad Tepes, o pequeno voivoda que, sem o auxílio algum por parte das coroas européias, tentou fazer frente ao poderio otomano que tentava penetrar na Europa através das Balcãs, no século XV, ao mesmo tempo em que enfrentava intrigas palacianas em seu próprio reino. É através deste senhor feudal de importância tão ínfima que sequer aparece nos livros de História, que a autora cria um Conde Drácula mais do que palpável: fascinante. Infelizmente, a memória de Vlad Tepes sobreviveu ao passo dos séculos não graças à bravura com que tentou defender suas terras, mas por causa da crueldade que caracterizava suas ações bélicas – uma crueldade que não era mais do que o horror que inspiravam ações anacrônicas, medievais, em um século destinado a conhecer a genialidade de Leonardo Da Vinci e a concretizar a descoberta de um novo continente. A grande lição que a História nos deixa neste episódio, é que a crueldade sempre nos encanta mais do que a coragem e que o vilão sempre é mais fascinante do que o próprio herói.
Mas os acertos do livro não vão muito além disso. Muito cedo o leitor se dá conta que talvez a história funcionasse melhor nos dias pós-guerra-fria, sobretudo porque muito pouco ou quase nada seria alterado no computo geral dos fatos narrados. Os impedimentos políticos que durante tanto tempo caracterizaram os deslocamentos sob a Cortina de Ferro são tão facilmente transpostos pelos personagens que em alguns momentos a narrativa lembra as costumeiras idas e vindas inconseqüentes que marcaram algumas novelas da Globo.
Entretanto, o pior escorregão que a autora dá é na tentativa de criar o suspense. Tanto promete Kostova, tanto afofa e aduba o terreno da promessa do terror, que esquece da ação propriamente dita. E o suspense, esse arbusto frágil, não chega a florescer. O livro se perde na preparação interminável de uma caçada, na preparação interminável de um encontro, na preparação interminável de uma descoberta, e termina resolvendo o confronto entre as forças do bem e do mal (vamos chamá-las assim) em um único parágrafo. Dá uma nostalgia… uma saudade do senhor Barlow de Stephen King… uma saudade do Conde Drácula de Stoker, uma saudade das histórias de vampiros de Giulia Moon e de Flávia Muniz
Talvez o principal problema de “O Historiador” seja o que as entrelinhas do texto revelam bem: Kostova, como a imensa maioria dos escritores de histórias de vampiros atuais, amam o monstro. Partem do monstruoso para ir despindo-o de sua terrível indumentária, até torná-lo humano, exatamente como na última versão cinematográfica de “Drácula”. Somente Stoker e uns poucos autores têm a coragem de partir do homem para revelá-lo um monstro. Para revelar no homem, o monstro que espreita em todos nós.
>> SCARIUM - por Simone Saueressig


Nova versão do Site Lovecraft no ar

Quarta-feira | 7 | Maio | 2008

O Denilson pede para informar que o Site Lovecraft dedicado à memória de H.P. Lovecraft foi reformulado e já está no ar, com informações também, sobre seus fãs, admiradores e todos os integrantes originais do chamado “Círculo de Lovecraft”

Entrando em seu quarto ano de vida este site está aqui em sua terceira versão, com novas biografias e as antigas ampliadas, interview, traduções, fotos, HQ´s, trailers de filmes, novos links, ebooks (contos, poesias, trabalhos acadêmicos de pesquisa e não-ficção), além de todo conteúdo e parte gráfica reformulada e ampliada.

Mandem seus contos sobre os “Mitos de Cthulhu” que serão publicados numa seção específica na próxima atualização que será no mês de julho!!!

E inscrevam-se gratuitamente no Yahoo Grupo Culto Lovecraftiano (grupo de discussão de fãs e admiradores de HP Lovecraft e literatura fantástica criado em 2002)

Sobre H. P. Lovecraft

Howard Phillips Lovecraft (1890-1937), foi um dos maiores escritores do gênero horror e fantástico de todos os tempos. Ainda hoje, quase um século depois de sua prematura morte, tem em figuras como Stephen King e Clive Barker seus fiéis admiradores. Lovecraft nasceu e viveu quase toda sua vida em Providence, R.I. Teve uma vida simples do ponto de vista econômico e poucos amigos na vida cotidiana, mas de uma correspondência espantosa (escreveu em torno de 100.000 cartas durante toda sua vida). Ao longo destas correspondências e de seus escritos criou um conjunto de histórias ao qual foi denominada “Mitos de Cthulhu”, parte mais significativa de sua obra. Um conjunto de narrativas fantásticas sobre horror e ficção científica que virou uma grande mitologia.

Além de Lovecraft, muitos outros autores se juntaram a ele, nomes como Robert E. Howard, H.R. Barlow, Frank Belknap Long, Robert Block, Clark Ashton Smith e outros; formando o “Círculo de Lovecraft”. Embora admirado por escritores famosos da época e outros amadores; em vida não teve nenhum livro de capa dura publicado, apenas ensaios e contos curtos em revistas populares da época como a “Weird Tales”, que posteriormente viria a ser muito reconhecida. Apenas alguns anos depois de sua morte, August Derleth e Donald Wandrei, amigos escrotores e admiradores de seu talento criaram uma editora, a “Arkham House” que começou a popularizar a obra do autor. Mas sua grande popularidade só viria em meados da década de oitenta com o RPG “Call of Cthulhu”, baseado em um de seus contos.

Site Lovecraft

“Com teses e mais teses sobre suas obras, sites a perder de vista e alguns filmes (a maioria ruim - o cinema ainda não descobriu HPL). Apesar de tudo isto e de grandes obras publicadas no passado, ainda é escassa e em certos momentos inexistente no Brasil seus livros, pois a maioria encontra-se esgotada na editoras, sendo encontrado mais em sebos e pequenas livrarias. Por conta disto disponibilizamos muito material inédito seja em traduções, ebooks, fotos, trabalhos científicos de pesquisa, biografias e dados sobre “Os Mitos de Cthulhu” e o restante de sua obra.”

“Por fim, espero que encontrem neste site o que esteja procurando e que se possível me ajudem a divulgá-lo para benefício de todos os fãs e admiradores do escritor e para levar sua obra, bem como a cultura da literatura fantástica em geral a mais pessoas. Qualquer dúvida, sugestão, crítica, comentário e ajudas serão bem vindas, pois este site é de todos nós!”


DE PLATÃO A STAR WARS

Quarta-feira | 7 | Maio | 2008

O que os filmes de ficção científica podem ter em comum com a filosofia? Ou melhor: como o gênero sci-fi pode ajudar a compreender os pontos fundamentais do pensamento ocidental? Responder a essas questões é a proposta de Scifi=Scifilo – A Filosofia Explicada pelos Filmes de Ficção Científica (Editora Relume Dumará), do inglês Mark Rowlands.

Professor de filosofia em universidades do Reino Unido e dos Estados Unidos, além de absolutamente aficionado em “O Exterminador do Futuro“, “Star Wars” e companhia, Rowlands mostra que os filmes de ficção científica, muitas vezes tidos como incapazes de despertar alguma reflexão mais profunda, na verdade dialogam com temas filosóficos que vêm sendo discutidos desde a Grécia Antiga. Para isso, reúne alguns dos maiores representantes do sci-phi de todos os tempos - desde a versão mais antiga de Frankenstein até “Matrix“, passando por “Blade Runner” e “Alien“, entre outros - e, a partir deles, explica Descartes, Platão, Kant, Santo Agostinho e mais uma boa quantidade de nomes nunca antes colocados ao lado de Schwarzenegger e Keanu Reeves.

Com uma linguagem clara, uma boa dose de piadinhas e sem os preconceitos intelectualóides, o livro é uma boa pedida para aqueles que querem saber mais sobre filosofia sem ter de se aventurar por tratados complexos e ensaios acadêmicos. E ainda por cima com o gostinho de relembrar os clássicos da ficção científica. Enfim, um jeito leve e divertido de refletir sobre temas que já deixaram muita gente de cabelos brancos. Mesmo que, para uma abordagem mais didática, O mundo de Sofia continue a ser uma opção interessante.

No entanto, é preciso levar em conta que, sendo apenas uma introdução, Rowlands dá explicações bem gerais e muitas vezes superficiais. São úteis para apresentar as questões e familiarizar o leitor com a investigação filosófica, mas não dão conta de um interesse maior. Nesse sentido, apesar do bom glossário, faltam indicações de outros livros que possam ajudar a entender mais detalhadamente os temas expostos.

Além disso, o leitor deve estar atento para o fato de que Rowlands eventualmente não se limita a explicar, mas toma o partido de uma ou outra corrente filosófica. Nada contra as opiniões dele, mas numa obra introdutória, o excesso de parcialidade pode se tornar um problema sério. A solução é prestar atenção nesse ponto durante a leitura, e se possível, tentar buscar outras opiniões, ao menos nos momentos em que o autor defende abertamente uma postura e condena as outras.
No mais, dentro do que se pretende ser, o livro vale a pena.
>> ALMANAQUE VIRTUAL - Por Victoria Saramago


Da gaveta para as livrarias

Terça-feira | 6 | Maio | 2008

O amor do ilustrador curitibano José Aguiar pelos quadrinhos já havia rendido, há alguns anos, uma coluna sobre o tema no site Omelete chamada Quadrinhofilia. Depois, veio uma exposição com o mesmo nome em sua cidade, onde ele fazia um balanço da carreira. Agora, o autor, que é um dos criadores do folclórico personagem Gralha e da série “Folheteeen”, publica pela HQM um álbum chamado… Quadrinhofilia . “O livro surgiu da necessidade de tirar algumas histórias antigas do fundo da gaveta”, explica José Aguiar, que aproveita para anunciar que o lançamento do livro em SP, na livraria HQMIX, será no dia 17 de maio. Recém-chegado de temporada na Alemanha que vai virar livro, exposição e é detalhada em www.quadrinhofilia.blogspot.com, Aguiar prepara um livro de tiras da série “Pensão João”, a continuação de “Folheteen”, e finaliza uma adaptação em HQ da Guerra de Canudos, informa a coluna Liquidificador. >> O Globo - 06/05/2008 - por André Miranda e Télio Navega


Image Comics lança revista com gângsteres famosos

Terça-feira | 6 | Maio | 2008

Nesta quarta-feira, 7 de maio, chegará às comic shops americanas a revista Pretty Baby Machine #1, da Image Comics. O título mostra personagens reais da história do crime nos Estados Unidos, narrando a reunião dos gângsteres Pretty Boy Floyd, Baby Face Nelson e Machine Gun Kelly, contra Al Capone. O roteiro é de Clark Westerman e a arte de Kody Chamberlain. Pretty Baby Machine #1 terá 32 páginas em preto-e-branco e custará 3,50 dólares. >> UniversoHQ - 06/05/2008 - por Sérgio Codespoti


Capitão América morre e renasce com polêmica

Segunda-feira | 5 | Maio | 2008

Steve Rogers morreu, mas sua outra identidade, o Capitão América, está vivo e cada vez mais presente em novas HQs, tanto nos EUA como no Brasil. O fim de Rogers, publicado no Brasil em fevereiro [em Os novos vingadores nº 49], foi cercado de mistérios. O mistério do assassinato dá origem a outras sagas: quem o matou? Como os demais heróis reagirão a isso? E quem será o sucessor do nome e do uniforme do Capitão América? Nos EUA, o sucessor já é conhecido, e o resultado não agradou a todos. No Brasil, a editora Panini aproveitou a onda após a publicação da morte de Steve Rogers para lançar o quarto número de Guerra civil especial (em fevereiro), e a minissérie Capitão América - morre uma lenda, em março. Além das histórias atuais, duas publicações trazem dois momentos clássicos da carreira de Rogers: Biblioteca histórica Marvel - Capitão América Nº 1(Panini, 224 pp. R$ 53), lançada no fim de abril, e Os maiores clássicos do Capitão América Nº 1(Panini, 212 pp., R$ 28,50), prevista para este mês. >> Folha de S. Paulo - 05/05/2008 - por Pedro Cirne


Ficção Científica: sobre nós e nossa condição

Segunda-feira | 5 | Maio | 2008

Lá fora, nos Estados Unidos e na Europa, a ficção científica já saiu da infância há muito tempo. A zona de sombra, a zona do crepúsculo, a Twilight Zone da incerteza aumenta cada vez mais. Os tons de cinza estão cada vez mais ricos. E é nessas frestas entre os tentáculos da besta que a ficção científica atual tem encontrado seu nicho

Falar em ficção científica no Brasil é sempre um negócio arriscado. Ou você fala de um lugar da cultura relacionado às novas tecnologias, cibercultura e áreas do conhecimento santificadas e sancionadas pelo senso comum – e aí ocorre o paradoxo, pois a ficção científica nesse contexto não é necessariamente ficção científica, mas uma análise sobre mídias digitais e congêneres – ou você fala a partir do lugar do especialista. E o especialista em ficção científica não é necessariamente um especialista em ciência, tecnologia ou em algum campo consagrado do conhecimento, mas em cultura pop.

A cultura pop já foi redimida há tempos por Andy Warhol, o grupo Fluxus, John Cage e, em terra brasilis, pelos irmãos Campos, Caetano, Leminski, Arnaldo Antunes e uma honrosa galeria de gerações de artistas e performers que nos precede em décadas. Mas a cultura pop tem mais tentáculos que um monstro saído da imaginação de H. P. Lovecraft (e se você entendeu essa referência sem consultar o Google, você provavelmente é um especialista em cultura pop), e um desses tentáculos é justamente o gênero literário chamado ficção científica.

A origem da ficção científica é mais controvertida que o tal paradoxo do ovo e da galinha. Há estudiosos que traçam a origem a Luciano de Samósata, escritor sírio do século II que influenciou autores como Jonathan Swift e Voltaire com seus escritos satíricos e irreais. Em Uma história verdadeira, Luciano de Samósata relata uma fantástica viagem à Lua e menciona a existência de vida extraterrestre.

A influência sobre Swift e Voltaire é óbvia quando nos lembramos de As viagens de Gulliver e Micrômegas, obras no mesmo registro de Uma história verdadeira, relatando viagens fantásticas ou encontros com seres de outros planetas. Os séculos 17 e 18 não foram pobres nesse tipo de literatura fantástica: entre outros, podemos citar Johannes Kepler e seu livro Somnium, que descreve uma viagem fantástica de um discípulo do astrônomo Tycho Brahe à Lua, mas – como as obras citadas abaixo – ele se vale de forças ocultas para essa viagem e a usa como um meio para atingir seu objetivo, que é escrever um tratado de astronomia.

Verne, Wells e Gernsback
A ficção científica só começaria a surgir como literatura efetivamente, ou seja, com o foco voltado para a ciência, pelas mãos de Jules Verne e H. G. Wells. Isto hoje é mais aceito por nós, embora na época em que eles publicaram suas obras isso não fosse um consenso – principalmente da parte de Wells, que, dizem, criticava ferozmente Verne porque este não teria tanta preocupação com a coerência e a verossimilhança científica em suas histórias. Seja como for, o fato é que ambos foram precursores da ficção científica.

Mas o culpado foi mesmo Hugo Gernsback. Cientista de Luxemburgo radicado nos Estados Unidos, Gernsback criou entre 1908 a 1936 cerca de trinta diversas revistas pulp de divulgação científica em diversas áreas do conhecimento, de mecânica (Science and Mechanics, Aviation Mechanics) a comunicação (Radio Craft, Short Wave Craft) e, por incrível que pareça, sexologia (Sexology)! Entre todos esses assuntos tão díspares, Gernsback tinha especial predileção pelas revistas que divulgassem a ciência de maneira didática e atraente: foi esse interesse que levou à criação de revistas de histórias de ficção envolvendo invenções e tecnologia. Assim surgiram a Science Wonder Stories, Air Wonder Stories e Amazing Stories. Foi nessa época (final da década de 1920) que Gernsback cunhou o termo “scientifiction” para definir o tipo de história que suas revistas publicavam. Daí para refinar melhor a palavra e torná-la mais palatável, transformando-a em “science fiction”, foi um pulo – mas, parafraseando Neil Armstrong ao pousar na Lua (um antigo sonho da ficção científica tornado realidade em 1969), um grande passo para a humanidade.

No entanto, é preciso definir de que humanidade estamos falando. A maioria esmagadora dos mais de sete bilhões de habitantes do mundo só conhece a FC por intermédio do cinema e da TV. Os poucos que sequer sabem que existe uma literatura do gênero tendem a não levá-la a sério. É preciso que, de tempos em tempos, intelectuais como Umberto Eco, Joyce Carol Oates, Susan Sontag (e, aqui no Brasil, o saudoso José Paulo Paes) reconheçam a existência e a qualidade do gênero – ainda que cum grano salis. Dificilmente a ficção científica é assumida como literatura com L maiúsculo. Há uma certa condescendência generalizada que admite quando muito a classificação da FC como literatura de entretenimento – colocando, por exemplo, os livros de Michael Chabon e Jonathan Lethem, apenas para citar dois autores da nova geração que são incensados pela mídia (com razão) e publicados aqui por editoras como a Companhia das Letras, como, na melhor das hipóteses, literatura especulativa ou fantástica. Muito embora tanto Chabon quanto Lethem publiquem constantemente contos em revistas de FC nos Estados Unidos sem o menor pudor.

Portanto, ser um especialista em cultura pop, literatura de entretenimento, e particularmente literatura de ficção científica, requer um bom embasamento, do tipo newtoniano, ou seja: é preciso estar bem montado sobre ombros de gigantes para se obter carta branca para mencionar o assunto sem correr o risco de ser ridicularizado. Isto, claro, não vale se você for Quentin Tarantino (mas Tarantino é que nem mãe ou Highlander, só tem um); caso contrário, você passa a ser classificado pelo rótulo nem sempre meritório de fã – um termo que já virou pejorativo e que não se aplica necessariamente ao especialista do gênero.

Daí se vê que o primeiro problema que alguém enfrenta na hora de falar desse gênero tão elusivo (no Brasil, ressalto novamente) é o preconceito. A idéia disseminada há décadas pelo senso comum passa pelo filtro do audiovisual, pela ficção científica cinematográfica ou das séries de TV – que, com raras e honrosas exceções, está atrasada cerca de trinta anos em relação ao que se faz na literatura do mesmo gênero hoje em dia. Querem um exemplo? As recentes adaptações de filmes de Philip K. Dick, já falecido há 26 anos – e várias dessas histórias têm 40 ou 50 anos de idade.

Um gênero em plena maturidade
A literatura de ficção científica já saiu dos robôs e espaçonaves há tempos: conceitos ainda praticamente desconhecidos por aqui como teleporte quântico, singularidade, pós-humanos e computação pervasiva (apenas para citar muito poucos) já estão entrando para a galeria de lugares-comuns na literatura anglo-americana do gênero. Sem contar que a tecnologia nem é a coisa mais importante num gênero literário que usa muito bem esses tropes, esses arquétipos, mas que sempre tratou muito mais da reação do ser humano às mudanças (sejam políticas, sejam tecnológicas) do que propriamente da ciência.

Lá fora, nos Estados Unidos e na Europa, a ficção científica já saiu da infância há muito tempo. 2001 chegou e foi embora, e não ficamos nem com os sonhos utópicos dos Jetsons – mas podia ser pior, mesmo com os atentados do 11 de setembro: a guerra fria de Reagan e companhia, que tantas noites de sono nos fez perder na década de 1980, não deu em nada – não diretamente, sob a forma dos cogumelos nucleares. A ameaça ainda existe, mas a zona de sombra, a zona do crepúsculo, a Twilight Zone da incerteza aumenta cada vez mais. Os tons de cinza estão cada vez mais ricos. E é nessas frestas entre os tentáculos da besta que a ficção científica atual tem encontrado seu nicho.

A ficção científica também sofreu, sentiu as mudanças e mudou com elas. Dos sonhos de robô de Isaac Asimov e do 2001 vislumbrado pelo recém-falecido mestre Arthur C. Clarke, a literatura chamada especulativa já quase mudou de nome diversas vezes e ganhou um sem-número de grupos e movimentos em seu interior. A New Wave dos anos 1960 (batizada assim em homenagem à nouvelle vague de Godard e Truffaut pelo inglês Christopher Priest, autor do livro The Prestige, que rendeu um ótimo filme recentemente com Hugh Jackman e David Bowie), onde a exploração agora assumia novas fronteiras sem medo de ser feliz: a sexualidade e as diferenças entre idiomas e culturas (vale lembrar que isso foi na época da guerra do Vietnã, uma guerra travada, entre outras coisas, por ideologias, entre povos de culturas e idiomas totalmente diferentes).

Então, nos anos 1980, vieram os cyberpunks, metendo literalmente a bota Doc Martens velha e fedorenta, cheia de tachas, para botar abaixo as relíquias de casa velha da FC. De certa forma, conseguiram: as visões tecnoxamânicas de William Gibson e Bruce Sterling hoje gurus de um pensamento cibercultural e tecnopolítico mais do que literário, abriram caminho para uma maior aceitação do gênero, principalmente na Academia. Hoje, tanto nos EUA e na Europa quanto no Brasil, multiplicam-se dissertações, teses, coletâneas de artigos e textos dos mais variados calibres sobre a relação da ficção científica com conceitos que fazem parte do cotidiano de qualquer pessoa, como ciborgues, ciberespaço, implantes, comunicação wireless. Não falta quem diga que o futuro é hoje. Um lugar comum que faz sentido quando paramos nas avenidas de qualquer grande cidade do mundo e vemos a quantidade de gente que circula com seus celulares, PDAs, mochilas com notebooks a tiracolo, minúsculos aparelhos de som, roupas de microfibra impermeáveis à chuva, piercings e tatuagens que determinam novas tribos urbanas. São paisagens urbanas que Wells e Gernsback não imaginaram, mas que autores posteriores, como Arthur C. Clarke e William Gibson, entre muitos outros, pensaram – e de certa forma ajudaram a moldar com seus escritos.

Temas e autores novos
Hoje, essa literatura se expandiu e, embora ainda mantenha o rótulo por questões comerciais e de hábito, apresenta uma pletora de temas novos e de autores idem, a maioria deles ainda desconhecida (por enquanto) no Brasil.

Alguns exemplos? Vamos lá: Cory Doctorow, autor de Down and Out in the Magic Kingdom e Eastern Standard Tribe, entre outros, que incorpora à sua narrativa conceitos tirados da Web como Karma Points, a busca do Google, os dilemas dos nerds que trabalham como analistas de sistemas. E foi o primeiro (e até agora, único) a disponibilizar TODA sua obra passada, presente e futura pelo Creative Commons – no que está sendo seguido, devagar e cautelosamente, por vários outros autores e até editoras, que estão lançando na Web livros publicados há 2 ou 3 anos, geralmente a parte 1 de uma trilogia cujo segundo volume está saindo agora somente em papel.

Charles Stross, autor de Accelerando, um Neuromancer para o século 21, que trata de pós-humanidade e da reação do ser humano a novos paradigmas tecnológicos e sociais. (Accelerando também foi recentemente disponibilizado na Web.)

Alastair Reynolds, um dos nomes mais importantes do momento: astrofísico que trabalhava para a Agência Espacial Européia e parou para viver de sua literatura, escreve histórias ambientadas em futuros distantes, onde a humanidade já abandonou a Terra há muito tempo e abraçou diferentes modos de viver, tanto nos planetas habitados quanto em gigantescas naves que cortam a galáxia.

E nem estamos entrando em grandes detalhes aqui. Faltou falar do romance noir pós-humano de Richard K. Morgan, com tons altamente chandlerianos, as aventuras galácticas de Dan Simmons e Steph Swainston, que não só nada têm de ridículas como resgatam o sentido do maravilhoso, o sense of wonder que atualmente só o cinema (e mesmo assim de vez em quando) parece nos dar. É que não se conhece a literatura.

A FC e nós
Em artigo recente para a revista Wired, o jornalista Clive Thompson escreveu que a FC é “o último bastião de uma literatura filosófica”. Se eu concordo? Sim e não. Não porque não é o último bastião; para falar dos instintos, pulsões e comportamento humano, a literatura policial ainda parece a melhor pedida, já que está lidando sempre dentro dos limites do que convencionamos chamar de realidade. Por outro lado, a literatura de FC já deixou de ser exclusivamente uma literatura de idéias há muito tempo (Isaac Asimov era o maior defensor dessa tese), e também é uma excelente analista do comportamento humano – apenas lida com o que não está lá. E daí? Freud escreveu uma literatura inteira sobre pulsões e medos de pessoas que muitas vezes sentem coisas que não existem sobre coisas que não estão lá. É uma maneira bastante canhestra de falar de psicanálise, mas a questão fundamental é: a FC não fala do futuro, nunca falou. O futuro é o glacê do bolo, o pano de fundo, a mobília da casa. E, embora a mobília seja importante para o conforto dos habitantes da casa, o que dá a medida de um lar é quem o habita.

A FC é uma literatura que trata das reações humanas à tecnologia (ou à sua ausência). Não se trata mais de discutir esta ou aquela invenção; novos subgêneros como a New Weird e a New Space Opera já abriram mão de discutir exclusivamente a importância desta ou daquela invenção para a humanidade. Como disse Cortázar quando lhe perguntaram o que achava da personagem de quadrinhos de Quino, Mafalda: “Não importa o que eu acho da Mafalda. O que importa é o que a Mafalda pensa de mim”.

Para a FC atualmente, não importa mais discutir o que é a FC semântica ou semioticamente, e nem mesmo transformá-la numa paródia de si mesma. Importa é saber o que ela discute sobre nós. Num mundo em rápida transformação ecológica, econômica e política, podemos precisar.
>> LE MONDE DIPLOMATIQUE - por Fábio Fernandes - maio/2008


A Fundação e a Al-Qaeda

Sábado | 3 | Maio | 2008

O amigo e cúmplice Bráulio Tavares nos enviou mais um de seus artigos publicados no Jornal da Paraíba. Para aqueles que quiserem sabororear mais dessas crônicas pode conferir no blog Mundo Fantasmo, com a vantagem adicional da busca através de “tags”, ou marcadores, por assuntos específicos.

A Fundação e a Al-Qaeda

Duvido que alguém tivesse ouvido falar na Al-Qaeda antes do 11 de setembro de 2001. O nome de Osama Bin Laden me era familiar – um daqueles terroristas obscuros que vez por outra eram enumerados num “Globo Repórter”. Quando as Torres Gêmeas vieram abaixo, o governo dos EUA agiu como a polícia carioca. Tirou da gaveta a lista dos “habituais suspeitos”, e escolheu o mais provável. Bin Laden assumiu a autoria dos atentados. Eu também assumiria, se fosse acusado – perdido por um, perdido por mil. (Ademais, no mundo dos criminosos crime grande é sinônimo de Poder.) De quebra, foi-lhe atribuída a chefia de uma misteriosa organização chamada Al-Qaeda, responsável, desde então, pela maioria dos grandes atentados que têm ocorrido, da Indonésia à Espanha.

Não passou despercebido, aos leitores de ficção científica do mundo islâmico (que são legião), que o romance “Fundação”, o clássico de Isaac Asimov, tinha sido traduzido em árabe com o título “Al-Qaeda”. É esse o significado do termo árabe: base, fundação, alicerce, pilastra, ponto de apoio, e idéias correlatas, tanto literal quando simbolicamente. (Na imprensa brasileira, “Al-Qaeda” é em geral traduzido como “A Base”).

A coincidência mais perturbadora, no entanto, é a que já abordei na coluna “A voz do morto” (28.1.2004). Bin Laden se comunica com o mundo da mesma maneira que Hari Seldon, o protagonista de “Fundação”: através de depoimentos gravados que seus seguidores fazem exibir em momentos estratégicos. No caso de Hari Seldon, esses depoimentos (gravados há séculos, quando ele era vivo) servem como confirmações de sua teoria da Psico-História, uma ciência probabilística capaz de prever o desenvolvimento futuro da civilização. Duzentos anos depois de morto, Seldon reaparece no vídeo, dizendo: “Pelo que calculo, vocês devem estar enfrentando tais e tais problemas, de tal ou tal maneira. Aqui vão minhas instruções sobre o que devem fazer”. Perplexos e maravilhados com a precisão do diagnóstico, os governantes do futuro não têm saída senão seguir a receita.

Giles Foden tem um extenso artigo no “The Guardian” no qual faz uma fascinante análise dos paralelos entre terrorismo e FC. Uma conexão que eu desconhecia é a da seita Aum Shinrikyo, responsável pelos atentados com o gás “sarin” no metrô de Tóquio, em 1995. Foden cita um jornalista japonês, o propósito da seita, inspirada na série “Fundação”, era “reconstruir a civilização após um cataclisma, e combater as poderosas instituições globalizantes que estão produzindo o apocalipse”. A retórica delirante de certos terroristas lembra muito a de numerosos vilões da FC, os tais cientistas loucos que querem dominar o mundo. Será que a FC é uma influência nociva? Nada disso. Como raio-X do nosso inconsciente coletivo, a FC é um diagnóstico antecipado de tudo aquilo que já existe mas só vai se tornar manifesto daqui a décadas.
>> JORNAL DA PARAÍBA - por Braulio Tavares - 16/04/2008


Exposição na França mostra os “animais do futuro”

Quinta-feira | 1 | Maio | 2008

Uma exposição na França, batizada de Animais do Futuro, tenta mostrar como será a fauna do planeta daqui a milhões de anos, com base em trabalhos científicos e projeções que levam em conta questões como as mudanças climáticas e os movimentos das placas terrestres.

Em uma espécie de safári virtual, os visitantes do parque temático Futuroscope, em Poitiers (centro-oeste da França), têm a chance de conhecer animais como o “baboukari”, descendente do macaco uacari de cara vermelha, da Amazônia, que apareceria em 5 milhões de anos com a transformação da floresta tropical em uma savana seca, na projeção virtual dos cientistas.

Sentados em um veículo que os transporta pela exposição, os visitantes utilizam binóculos com câmeras integradas que filmam o cenário observado. Um computador insere os animais virtuais em terceira dimensão às imagens do ambiente observado.
Os visitantes também utilizam braceletes com sensores que permitem interagir com os animais do futuro.

A posição exata de cada visitante é calculada pelo sistema de localização integrada ao veículo, o que permite que cada um tenha seu próprio campo de visão e possa “se comunicar” de forma autônoma com as imagens de animais que aparecem no filme.
Dessa forma, os visitantes podem descobrir as futuras paisagens da Terra e a evolução dos animais em 5 milhões, 100 milhões e até 200 milhões de anos.
Eles percorrem estepes áridas e frias, uma floresta tropical, fundos marinhos e uma espécie de pântano.

Adaptação
O ambiente e os animais representados nessa exposição são fruto de uma teoria desenvolvida por cientistas britânicos a partir da evolução dos movimentos geológicos da Terra, do clima e da capacidade de resistência da fauna, que mudaria para se adaptar ao novo ambiente.

Dessa forma, os macacos uacari, ao darem origem aos “baboukari”, desceriam das árvores da Amazônia, que não existiriam mais, para viver no solo. Eles não usariam mais sua cauda para se balançarem entre os galhos e sim para se comunicarem entre eles em meio à alta vegetação.

Um outro animal do futuro seria o “tortunossauro”, que evoluiria a partir da tartaruga gigante. Esse réptil, em 100 milhões de anos, seria o maior animal terrestre, com sete metros de altura.

Maior do que um dinossauro, seu peso, de 120 toneladas, seria 40 vezes maior do que o de um elefante. Sem temer nenhum predador, perderia a maior parte de sua carapaça.

Comparação
Em outro espaço da exposição, concebido pela cientista Christiane Denys, professora de zoologia do Museu Francês de História Natural, os animais do futuro são comparados aos de hoje e aos do passado para dar um panorama sobre a evolução das espécies.
A tecnologia da “realidade ampliada”, que permite ver os animais da exposição, está sendo utilizada pela primeira vez na área do divertimento.

Ela já é empregada no campo da medicina, para cirurgias, na aeronáutica, na arquitetura e no setor do turismo.
>> BBC Brasil, em Paris - por Daniela Fernandes

Futuroscope: Les Animaux du Futur


Livro de Star Wars para download gratuito

Quarta-feira | 30 | Abril | 2008

A editora norte-americana Del Rey disponibilizou o livro Star Wars: Legacy of the Force: Betrayal gratuitamente para download em seu site. Escrito por Aaron Allston, é o primeiro da série Legacy of the Force.

A edição está disponível nos formatos PDF, audiobook e e-book. O livro fica disponível até dia 13 de maio. O download é livre para ser compartilhado.

A série Legacy of the Force introduz o leitor a uma nova era de Star Wars e apresenta personagens da trilogia clássica. A história de Betrayal se passa quarenta anos após o filme Uma Nova Esperança. O cavaleiro Jedi Jacen Solo e seu sobrinho e protegido, Ben Skywalker, escapam de uma violenta emboscada no planeta Adumar. É uma evidência alarmante de que a inquietação política ameaça criar uma nova rebelião. Alguns planetas da Aliança Galática, descontentes, receiam que esta esteja se tornando um novo Império.

Determinado a descobrir os responsáveis pelo ataque em Adumar, Jacen segue uma trilha de enigmas até descobrir uma chocante revelação. Enquanto isso, Luke Skywalker vem tendo sonhos perturbadores de uma misteriosa figura cuja crueldade e força lhe lembram Darth Vader.

Invincible, o nono e último livro da série, será lançado no dia 13 de maio nos EUA.

Se você não viveu em Marte pelos últimos 30 anos, deve saber que o épico espacial Star Wars nasceu como uma trilogia cinematográfica em 1977, criada pelo roteirista/diretor/produtor George Lucas. A história acompanhava o jovem Luke Skywalker em sua ascensão como aprendiz de cavaleiro Jedi para, juntamente com a renegada Princesa Leia, o mercenário Han Solo e os robôs R2-D2 e C3-PO, integrados à Aliança Rebelde, combater o maligno Império Galáctico, regido pelo Imperador Palpatine e por seu principal general, Darth Vader.

Os filmes foram um estrondoso sucesso, revolucionando o cinema de ficção científica e tornando-se um ícone cultural. Ao longo do tempo, surgiram gibis, livros, jogos de videogame e desenhos animados contando tramas paralelas ou anteriores aos filmes (o chamado Universo Expandido). Entre 1999 e 2005, uma nova trilogia invadiu os cinemas, focando a queda da Antiga República e o surgimento de Darth Vader.
>> HQMANIACS - por Alexandre D’Assumpção - 30/04/2008


Zé do Caixão e um livro de terror para crianças

Quarta-feira | 30 | Abril | 2008

O cineasta José Mojica Marins, o famoso Zé do Caixão, é cultuado no Brasil e em outros países como mestre do cinema trash de terror.

Sua mais nova empreitada é O Livro Horripilante de Zé do Caixão, que traz uma reunião de contos de terror feito especialmente para a molecada. Onde atrás de cada susto, tem sempre uma boa lição a ser aprendida.

Em 2006, em comemoração ao aniversário de 70 anos do maior ícone brasileiro do terror, José Mojica Marins, o Sesc de Santo André montou a exposição “As 70 Almas do Zé do Caixão”. O evento tinha apresentação de filmes, shows e contação de histórias para crianças. E foi justamente a contação de histórias que atraiu o maior público. As crianças – nenhuma delas com idade suficiente para conhecer os antigos filmes de Mojica - se divertiram com os casos de terror relatados pelo autor. Os pais se entusiasmaram com a oportunidade de poder mostrar aos filhos o trabalho deste grande personagem. A partir dessa experiência, Mojica resolveu escrever este livro para crianças.

O Livro Horripilante de Zé do Caixão traz uma reunião de contos de terror feito especialmente para a molecada. Afinal, quem é que não gosta de levar um susto de vez em quando?
Mas nem só de terror se faz um conto. Atrás de cada susto, vem sempre uma boa lição a ser aprendida sobre amizade, preconceito, solidariedade e até sobre a origem do próprio medo.

As “horripilantes” ilustrações são do francês Laurent Cardon, que além de desenhista e animador, também dá aulas de cinema para crianças.

Você tem medo do escuro? Tem pesadelos após assistir a filmes de terror? Então prepare-se para conhecer os personagens criados por Zé do Caixão. Jotinha se esconde num ferro-velho mal-assombrado e apronta todas; Rafaela transforma o aniversário de Laura numa festa de horror; Aninha é perseguida pelo fantasma do preconceito numa rua deserta. O temido “>Zé do Caixão reuniu sete histórias de arrepiar os cabelos da criançada.


Os Filhos de Anansi a caminho dos cinemas

Quarta-feira | 30 | Abril | 2008

O escritor Neil Gaiman concedeu uma entrevista à MTV norte-americana, na qual falou sobre seus vários projetos, incluindo uma adaptação cinematográfica de seu romance Os Filhos de Anansi.

Neste momento, estou escrevendo o roteiro para um filme de Os Filhos de Anansi”, disse ele. “Tudo começou quando um produtor e um ator estavam em um aeroporto, então compraram o livro para ler no avião. Na metade da viagem, estavam lendo um para o outro. Quando aterrissaram, recebi uma ligação perguntando se poderiam filmá-lo. E o melhor sobre Os Filhos de Anansi é que o livro já possui mais ou menos o formato de um filme – só precisa de alguns ajustes, para que não fique com cinco horas de duração”.

O livro foi publicado no Brasil em 2006 pela Conrad. A história retoma elementos de outro romance de Gaiman, Deuses Americanos. Na trama, Charles Nancy é um homem que tem uma relação conturbada com o pai. O que ele não sabe é que seu pai é, nada verdade, o trapaceiro deus-aranha Anansi. Quando descobre a verdade, sua vida vira de cabeça para baixo. Para colocar tudo de volta nos eixos, Charles precisa mergulhar no sombrio mundo dos deuses.

O inglês Neil Gaiman começou a carreira como jornalista. A amizade com Alan Moore o levou a escrever quadrinhos profissionalmente. Seus primeiros trabalhos, e muitos posteriores, foram feitos em parceria com Dave McKean, amigo de longa data. Seu trabalho mais conhecido mundialmente é a série Sandman, mas o autor tem em seu currículo obras como Violent Cases, Orquídea Negra, Livros da Magia e Stardust. Gaiman também publicou vários romances em prosa, como Deuses Americanos, Belas Maldições, Os Filhos de Anansi e Coraline.
>> HQMANIACS - por Andréa Pereiara - 29/04/2008

Neil Gaiman e Os Filhos de Anansi


‘The Flash’ volta à vida nos Estados-Unidos

Quarta-feira | 30 | Abril | 2008

Volta à vida o super-herói mais rápido dos quadrinhos: o Flash, que morreu há 23 anos para salvar a humanidade, será novamente publicado nos Estados Unidos pela DC Comics, a mesma editora na qual apareceu pela primeira vez, em 1956. Bartholomew “Barry” Allen, a versão clássica do super-herói conhecido pelo uniforme vermelho e o símbolo de um relâmpago amarelo no peito, morreu nos quadrinhos norte-americanos em 1985 ao destruir um canhão de antimatéria, deixando órfãos seus admiradores. Desde então, o homem mais rápido do mundo foi mantido fora das publicações regulares da DC Comics, aparecendo apenas em séries especiais. >> Ansa - 30/04/2008


Biblioteca de Babel: “O Olho de Apolo”, de G. K. Chesterton

Quarta-feira | 30 | Abril | 2008

A influência de Gilbert Keith Chesterton em Jorge Luis Borges é evidente. Podemos encontrá-la na sua escrita, na estrutura lúdica e algo artificiosa das suas narrativas e, especialmente, na obsessão do escritor argentino pelo tema do duplo. Inúmeros são os contos em que esta temática é explorada. Neles sente-se a presença de Stevenson, sem dúvida, talvez um pouco a de Poe, mas é a figura de Chesterton que nos vem mais à memória quando lemos sobre labirintos e espelhos. Por isso nada mais natural que o aparecimento de um número dedicado a este escritor na colecção de literatura fantástica A Biblioteca de Babel”, dirigida por Borges e editada por Franco Maria Ricci.

É esta colecção que a Editorial Presença tem vindo a publicar, mantendo as capas originais, e da qual já saíram sete números. Sendo o último, com o título de O Olho de Apolo, precisamente aquele que homenageia Chesterton.

O livro é composto por cincos contos: “O Olho de Apolo”; “A Honra de Israel Gow”; “O Duelo do Dr. Hirsch”; “Os Pés Estranhos” e “Os Três Cavaleiros do Apocalipse”. Os quatro primeiros têm como protagonista o célebre detective Padre Brown, quase um alter-ego do escritor. Todos se estruturam em redor da resolução de um enigma.

Antes dos contos temos uma pequena introdução do próprio Borges onde está patente o fascínio que sente por Chesterton. Diz ele: “Podemos antever uma época em que o género policial, invenção de Poe, tenha desaparecido, sendo de todos os géneros literários o mais artificial e aquele que mais se assemelha a um jogo. O próprio Chesterton escreveu que o romance é um jogo de rostos e a narração policial um jogo de máscaras… Não obstante esta observação e a possível decadência do género, estou certo de que os contos de G. K. Chesterton serão sempre lidos, uma vez que o mistério sugerido por um feito impossível e sobrenatural é tão interessante quanto a solução de ordem lógica que nos revelam as últimas linhas.” Esta frase resume a peculiaridade das histórias policiais de Chesterton. Antes de a razão vir iluminar os acontecimentos, o mundo, por momentos, parece mergulhado no absurdo, na irracionalidade e no fantástico. Uma atmosfera, umas vezes onírica, outras ominosa, perpassa toda a narrativa. Imagens de assombro invadem a nossa imaginação durante a leitura, e lá permanecem muito depois de esta ter terminado.

Essa persistência é uma das facetas do génio de Chesterton. A sua escrita é altamente poética e visual, mesmo pictural (Chesterton chegou a trabalhar como ilustrador nos inícios da carreira). Ninguém que leu Chesterton esquece os seus fulgurantes pores-do-sol, cheios de laranjas, violetas, azuis; nem os seus luares cintilantes.

O livro abre com o conto “O Olho de Apolo” (“The Eye of Apollo”). É um conto estranho, de certa maneira um paradoxo. Tudo de se passa num moderno prédio londrino, onde trabalham duas irmãs dactilógrafas, um detective privado e um adorador do Sol. Chesterton consegue aqui um cocktail bizarro que mistura elementos pagãos – o deus Apolo, sacerdotes, esoterismo – com símbolos da modernidade – máquinas de escrever, elevadores. No meio desta amálgama de sinais contrários ocorre um crime de uma simplicidade assustadora, quase monstruosa. É um conto muitíssimo inteligente. Um dos melhores de Chesterton.

De Londres passamos para as florestas misteriosas e agourentas da Escócia. É lá que se passa a acção de “A Honra de Israel Gow” (“The Honour of Israel Gow”). Num castelo misterioso, durante uma noite tempestuosa, o Padre Brown e os seus amigos reúnem-se para desvendar um enigma que envolve o desaparecimento inexplicável de um homem e o aparecimento, ainda mais inexplicável, de vários objectos bizarros. Notável é a criação de toda uma atmosfera feérica que envolve e sufoca as personagens – e o leitor. Um mal irracional e primevo parece emanar das árvores da floresta e o uivo do vento desperta memórias de espíritos malignos. No final, a luz vence as trevas e o mistério é desvendado, mas não sem antes a imaginação do Padre Brown lhe ter pregado alguns sustos.

O conto seguinte, “O Duelo do Dr. Hirsch”, passa-se em França. A narrativa gira à volta de um documento roubado, mas isso é só um pretexto para Chesterton explorar um dos seus temas favoritos, o tema do duplo. É engenhoso mas não tem o mesmo poder evocativo dos outros contos.

Em “Os Pés Estranhos” regressamos a Londres e a mais um conto clássico Chestertoniano. O Padre Brown encontra-se num hotel – um hotel muito especial e muito britânico na sua excentricidade – a tratar da sua vida quando esbarra inesperadamente num crime, ou talvez seja melhor dizer que é o crime que esbarra no Padre Brown. Este conto é extraordinário por ser ao mesmo tempo simples, original e complexo.

Por último temos aquele que Borges designa na introdução como o melhor conto de Chesterton. A história que contém o mistério é narrada por um tal de Mr Pond a um grupo de amigos. A acção passa-se numa zona desolada da Polónia e tem como protagonistas três cavaleiros hussardos. O que é realmente impressionante neste conto é a qualidade dantesca da paisagem que serve de cenário à narrativa. Estamos perante um tipo de paisagem que Dante não desdenharia em incluir num dos círculos do inferno. Vastas planícies pejadas de pântanos e brejos surgem perante o leitor. Só um estreito caminho, ladeado de encostas, quebra a imensidão plana. É por este caminho que os cavaleiros, meros pontos na paisagem, se movimentam. É no contraste entre a dimensão humana – pequena e volátil – e a dimensão da natureza – grande e eterna – que reside o brilhantismo deste conto.

É tão raro haver edições de Chesterton em português que é de saudar cada nova que aparece. No entanto é necessário apontar um aspecto negativo nesta edição que afecta a fluidez de leitura. É o facto de não haver nenhuma pista gráfica a indicar a separação dos parágrafos. Esta opção torna certas passagens do texto confusas sem necessidade. É incompreensível e mais uma prova da importância que o design gráfico tem na fruição de um livro. Um aspecto muitas vezes negligenciado pelas editoras portuguesas.

Uma palavra final para a tradução. Chesterton não é um autor fácil de traduzir devido à qualidade poética da sua escrita mas o tradutor conseguiu sair-se bem e fez um trabalho competente, apesar de, para uma pessoa habituada a ler Chesterton no original, ter ficado a sensação de faltar qualquer coisa.

Os contos foram publicados originalmente nas seguintes colectâneas: The Innocence of Father Brown (1911): “O olho de Apolo”, “A Honra de Israel Gow” e “Os Pés Estranhos”; The Wisdow of Father Brown (1914): “O Duelo do Doutor Hirsch”; The Paradoxes of Mr Pond (1937): “Os Três Cavaleiros do Apocalipse”.
>> ORGIA LITERÁRIA - por Ana Q


Aniversário de Terry Pratchett!

Quarta-feira | 30 | Abril | 2008

Terry Pratchett, o maior autor de fantasia da Inglaterra fez 60 anos, dia 28 de abril de 2008, O inglês de Beaconsfield publica ficção (com doses cavalares de humor) desde 1971, quando estreou com o romance The Carpet People. Em 1983, Pratchett publicou A Cor da Magia, primeiro livro da série Discworld – que hoje conta com 36 títulos no total. Responsável por 1% do mercado de ficção na Inglaterra, já vendeu 55 milhões de livros em todo o mundo e foi traduzido para 33 línguas. No Brasil é pubicado pela Conrad.

Recentemente, Pratchett foi diagnosticado com um tipo raro do Mal de Alzheimer, doença cerebral degenerativa que causa perda de memória, dificuldades de coordenação motora e pode levar o portador à morte. O Mal de Alzheimer ainda não tem cura – Pratchett doou um milhão de dólares para o Alzheimer Research Trust, fundo internacional dedicado a encontrar uma cura para a doença. Fãs e amigos do autor criaram o site Match it for Pratchett, que pretende arrecadar outro milhão de dólares.


Os Guerreiros do Zodíaco, de Todd McFarlane

Quarta-feira | 30 | Abril | 2008

Novo lançamento da McFarlane Toys, os bonecos de Áries, Touro, Câncer e Gêmeos saem em maio
A McFarlane Toys acaba sair na frente mais uma vez e lança uma nova série de actions figures que tem tudo para ser um sucesso assim como os demais lançados pela empresa de Todd McFarlane. Trata-se de Warriors of Zodiac (Guerreiros do Zodíaco), uma série que mostrará figuras baseadas nos 12 signos de zodíaco em forma de guerreiros. Os detalhes são impressionantes e são de fazer a cabeça de qualquer colecionador, ainda mais se a figura for o do seu próprio signo.

Confira a descrição fornecida pelo próprio site oficial: “Você talvez acredite que os 12 signos do Zodíaco sejam representações astrológicas que definem as características de uma pessoa baseada em sua data de nascimento. Que ingenuidade.”
“2008 é o Ano do Zodíaco. Através do ano, 12 Guerreiros do Zodíaco serão lançados pela McFarlane Toys. E a história de fundo das figuras é colossal. A Terra está sob o ataque de forças alienígenas espalhando caos e destruição numa escala maciça. Exércitos estão se formando. É aleatório ou pode ser parte de algo muito, muito maior?”

A primeira série chegará às lojas americanas em maio de 2008 e trará as figuras de Áries, Câncer, Gêmeos e Touro. A linha deve ter mais duas séries com quatro figuras cada, completando os doze signos do Zodíaco.
>> SPAWNALLEY - por Leo


Quadrinhos, Virada Cultural e Red Bull

Quarta-feira | 30 | Abril | 2008

Os integrantes do Quarto Mundo participaram em peso da Jam Session de Quadrinhos realizado na Livraria HQMix durante a Virada Cultural no último fim de semana. Para acompanhar toda a jornada e também apoiar os colegas, o pessoal chegou a ficar mais de 24h acordado. Duvidam?
Então confiram no vídeo abaixo a situação decadente da galera, em especial, do Daniel Esteves, que depois de tantas horas acordadas e várias latinha de Red Bull, não está mais falando nada com nada.

E visite também o álbum para conferir as fotos do evento.
>> 4MUNDO - por - 29/04/2008


Ratinhos cult de ‘Pequenos Guardiões’ desembarcam no Brasil

Terça-feira | 29 | Abril | 2008

HQ independente de sucesso nos EUA chega às bancas pela Conrad. David Petersen, autor e desenhista, fala sobre a série ao G1.

À primeira vista, desenhos, temática e o formato quadrado fazem crer que se trata de apenas mais um livro de histórias infantis. Mas basta ler e ver os primeiros quadrinhos de “Pequenos guardiões”, nova série de HQ que a editora Conrad coloca nas bancas este mês, para perceber que os ratinhos da história não estão para brincadeira.Desenhada e escrita pelo norte-americano David Petersen, a série “Pequenos guardiões” (“Mouse guard”, no original) surgiu em 2006, publicada pela independente Archaia Studio Press. Mesmo sem muita divulgação, a HQ caiu nas graças dos leitores americanos e até o final daquele ano teve três reedições apenas do primeiro número.

Com dois arcos de histórias completos até agora (“Outono 1152” e “Inverno 1152”) e um terceiro em andamento, a HQ concorre em julho de 2008 a dois prêmios Eisner, o Oscar dos quadrinhos americanos, nas categorias “melhor reimpressão de álbum gráfico” e “melhor publicação para crianças”. Leia a seguir a entrevista que o autor concedeu ao G1 por e-mail.

 G1 - “Pequenos guardiões” é uma série completamente nova para os leitores brasileiros. Como você apresentaria a sua história a eles?
David Petersen – 
“Pequenos guardiões” é uma aventura cômica medieval que gira em torno de três camundongos da famosa Guarda. Porque os ratos estão tão abaixo na cadeia alimentar, eles constróem suas cidades escondidas e espalhadas uma das outras. Predadores circulam e caçam nos espaços entre elas, então cabe à Guarda oferecer uma escolta segura para os camundongos entre as cidades. Em “Outono de 1152” [nome dado ao primeiro arco de histórias], os três personagens principais, Saxon, Kenzie & Lieam, se deparam com um plano para derrotar a Guarda.G1 – “Pequenos guardiões” é uma história de ratos – e há tantos exemplos deles nos quadrinhos e nos desenhos animados: Mickey Mouse, Danger Mouse, Super Mouse, Jerry, Fievel e até o ratinho da animação “Ratatouille”. Quais são as principais diferenças entre esses personagens e os seus?
Petersen – Bom, em muitos desses casos, os ratos fazem o papel de personagens que conseguem superar obstáculos apesar da ordem “natural” das coisas. Eu uso os camundongos da Guarda da mesma maneira. No sentido de que eles perserveram e cavam um lugar para eles próprios n o mundo, ainda que todos estejam tentando detê-los. Mas os camundongos de “Pequenos guardiões” diferem de muitos desses exemplos por não serem cartunescos. Eu tentei fazê-los o tão verossímil possível quanto camundongos da vida real (tão verossímil quanto camundongos com capas e espadas possa ser). Acho que quando mais verdadeiros eles e os cenários parecerem, mais interessado ficará o leitor na história deles. Nós sabemos que Jerry, de “Tom & Jerry” nunca vai se ferir, mas os ratos de “Pequenos guardiões” estão em constante perigo, e o leitor precisa sentir isso.

 
 G1 – Aliás, o senso comum diz que todo mundo odeia ratos – ou camundongos. Na sua opinião, então, por que eles são tão amados nos desenhos e quadrinhos?
Petersen – 
Creio que camundongos incorporam heróis perfeitamente simpáticos. Por associarmos automaticamente a eles os inimigos naturais maiores, eles se tornam um ótimo personagem “underdog”. Contudo no nosso dia-a-dia, quando um rato está comendo nossa comida e fazendo bagunça, aí já não é tão simpático.G1 – Voltando a “Pequenos guardiões”, por que você decidiu ambientar a história em um pano de fundo medieval?
Petersen – Penso que o pano de fundo medieval sempre foi um dos meus elementos favoritos. É um modo legal de contar uma história onde o mundo não carece de muitas coisas desnecessárias. É um tempo onde cavalaria e honra significavam muito. Duelos eram feitos com espadas em vez de pistolas, era um lugar interessante para se estar. Me parece mais plausível também que os camundongos pudessem usar ferramentas, armas e estruturas medievais no lugar de quaisquer objetos mais modernos.

G1 – Em um post recente em seu blog, você menciona um lugar no campo onde você teria sido criado quando criança. Quanto dessas memórias estão refletidas em “Pequenos guardiões”?
Petersen – Quando criança, vivi em um local urbano na maior parte do tempo, mas a vizinhança que eu morava era próxima de um ou dois canais e de uma área de florestas. Com apenas algumas milhas de caminhada, eu poderia estar cercado de vida selvagem e distante das construções mais modernas da cidade. Brincar lá certamente ajudou a forjar minhas idéias sobre aventura. Minha família também viajava nas férias de verão ao redor do estado de Michigan. Então eu podia conhecer os grandes lagos que nos cercavam, as diferentes paisagens, vegetações e animais. Acho que o conjunto dessas coisas me informa quando estou trabalhando em “Pequenos guardiões”.

G1 – Livros de quadrinhos como “Maus”, Bone” ou mesmo “Fritz de Cat” provaram que o uso de bichos como personagens não implica necessariamente que essas histórias sejam para crianças. E quanto a “Pequenos guardiões” – que tipo de público você tinha em mente quando criou a série? Queria fazer algo “para todas as idades”?
Petersen –
Sempre quis que “Pequenos guardiões” fosse acessível a todas as pessoas. Isso significa nunca levar a violência a um nível perturbador e de mau gosto, mas também significa não nivelar por baixo o conteúdo tornando o doce e inocente. Penso que não damos às crianças crédito suficiente para querer avançar no entendimento de certos temas. E contanto que eu faça isso de modo não ofensivo, acredito que “Pequenos guardiões” possa ter apelo para crianças e adultos da mesma forma.

G1 – Uma das características que mais chama a atenção em “Pequenos guardiões” é a força dos desenhos. Quanto você dedica a esse trabalho e por que acha importante criar uma arte tão vívida e detalhista para a história?
Petersen – Obrigado. Eu dedico muito trabalho à parte visual de “Pequenos guardiões”. Me vejo como um contador de histórias visual, portanto quero realmente me assegurar que tenho as imagens ideais para contá-las. Disse antes que o fato de os camundongos serem verossímeis era importante, e isso vale para o mundo em que eles vivem também. Quero que as casas e cidades pareçam habitadas e que os itens que os ratos usam sejam usados para a finalidade que foram criados. Às vezes isso envolve pesquisa para ver como as ferramentas se pareciam naquela época (como uma moenda de grãos ou uma fornalha primitiva).

G1 – As duas primeiras séries estão divididas em estações do ano. Isso significa que haverá apenas quatro episódios na história toda ou você pretende dar a esses personagens uma série regular longa e envolvê-los em outros projetos?
Petersen – A minissérie seguinte a “Inverno 1152” será uma história ambientada antes de “Outono de 1152” e cobrirá muitos anos da história dos ratos. Será chamada de “Black axe” [Machado negro, em português] e deve trazer mais informações sobre os personagens. Espero continuar contando as histórias dos “Pequenos guardiões”, então eventulamente vamos vê-los em todas as estações do ano, mas após essa história do inverno, eles vão dar suas voltas por aí.
>> G1 - por Diego Assis


Juiz norte-americano afirma que livros de Harry Potter são confusos!

Terça-feira | 29 | Abril | 2008
Os fãs de Harry Potter, com certeza, irão se revirar em suas posições e lançar toda espécie de encantamentos em cima de um juiz norte-americano, encarregado de julgar o caso da publicação de uma enciclopédia não-autorizada sobre o pequeno bruxo.
Durante o julgamento do caso ele afirmou com todas as letras para a autora, J. K. Rowling, que os livros dela são “confusos”. A palavra usada pelo juiz Robert Patterson Jr, no original, foi gibberish, cujo real significado seria o de “algo cheio de balbuciação ou sem sentido”, relata a BBC Brasil.
O juiz foi mais longe: afirmou que leu o primeiro livro da série para seus netos e que achou a história “extremamente complexa”. Esse argumento iria beneficiar a publicação da tal enciclopédia, já que, segundo ele, “um guia de referência sobre a série e seus personagens seria útil”.
Tal afirmação aconteceu no último dos três dias de audiência sobre a publicação da tal obra de pesquisa. Curiosamente, o autor de tal trabalho é um ex-bibliotecário chamado Steven Vander Ark, fã assumido das histórias de Potter e criador de um site que explica detalhes sobre as histórias.
Rowling entrou com o processo para bloquear a publicação do trabalho de Vander Ark e afirmou que tal obra “infringe seus direitos autorais”, uma vez que o pesquisador teria roubado “sua prosa e colocado suas idéias em formato A-Z”.
Ainda não se sabe qual será a decisão judicial sobre a publicação, que deverá demorar ainda algumas semanas. A decisão será do juiz e não haverá nenhum júri para resolver o impasse. Assim que soubermos de mais detalhes os noticiaremos aqui no UNIVERSO FANTÁSTICO.